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Ler por aí

Ler por aí

13
Abr11

4 & 1 Quarto, de Rita Ferro

Patrícia

Não resisto a começar este post perguntando quem tem coragem de devolver a um livraria um livro autografado?
Pois é. Este livro foi comprado na Bertrand e já vinha autografado. Imagino eu que tenha sido devolvido e foi posto na estante novamente sem que tivessem reparado nisso Também foi comprado sem que tivéssemos dado conta.
Sinceramente não me incomodou nada. Já comprei tantos livros em segunda mão que saber que este passou pelas mãos de uma Milene e da própria Rita Ferro não me incomoda nada.
Passando à frente. Este livro foi o primeiro que li desta escritora mas não será certamente o último. Gostei imenso. Gostei muito da forma como esta escritora escreve.
Foi óptimo ler bom português. Por muito boa que seja a tradução de um livro é diferente ler uma tradução do que ler um original em português. E neste livro senti isso. Foi mesmo uma óptima surpresa. E digo surpresa porque, tal como no caso da Rosa Lobato de Faria, não esperava grande coisa. Este preconceito para com os escritores portugueses e especialmente para com as escritoras portuguesas é difícil de ultrapassar.
Não é a primeira vez (e não será a última) que digo que as escritoras Portuguesas são muito injustiçadas.
Gostei da forma despretensiosa com que a escritora escreve. Não escreve para totós, não abusa da simplicidade da escrita como tantos escritores fazem nem escreve para uma elite ou para quem tem um dicionário ao lado. Achei que tinha uma escrita fluida e bonita.
Quanto ao livro propriamente dito... Gostei. Não será um dos livros da minha vida, mas gostei bastante.
Acredito que cada pessoa que lê este livro se foca em pontos diferentes. Esse é um ponto interessante deste livro: permite que cada leitor o leia de forma diferente (e nem todos os livros o permitem).
A história gira à volta de Teresa, do seu marido Nuno e de dois amigos Inácio e Carlota e é contada, à vez, por todos estes intervenientes. Isso também não me incomodou nada. Rapidamente percebia quem estava a contar a história. Conseguimos assim perceber (não na sua totalidade mas em parte) os diferentes pontos de vista à volta da mesma situação.
O resto é “simples”: um casamento feliz para onde são convidados mais duas pessoas. Homens e mulheres envolvem-se, encontram-se, perdem-se. Amor, amizade , traição, ódio, repulsa, desejo, carinho. Poderá um casamento sobreviver à devassidão? O que é devassidão afinal?
Esta história é triste. Para mim é triste desde o inicio ao fim. Não compreende tantas coisas aqui focadas. Não me imagino nelas. Não imagino o “dia seguinte”.
O caminho da Teresa é, no mínimo, complicado. O querer e não querer ao mesmo tempo. O desespero para não perder Nuno. O sujeitar-se a tanta degradação e a ter prazer nisso. No final a coragem de Carlota é interessante.
O final do livro é inesperado. Pessoalmente gostei. Achei-o coerente. E mais não digo.

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