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Ler por aí

Ler por aí

21
Jan26

O Mosteiro, O Rei Improvável, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

 

O mosteiro.jpg

Foram os livros que trouxeram o Nuno para a minha vida, mas é muito mais do que os livros que o mantém nela. Ainda assim, os livros são uma grande parte da vida dele, e eu fico feliz por fazer também parte desse lado.
O Nuno escritor é um chato, porque nunca se descose e guarda para si os detalhes sumarentos dos livros até ao momento em que eles saem — mas perdoo-lhe sempre, porque os artistas têm direito às suas peculiaridades e segredos.

Amanhã vamos todos poder ver, comprar, tocar (e, para os mais malucos, “cheirar”) um novo livro. 

Confesso que, quando me apercebi de que o novo livro era de um género totalmente diferente dos anteriores, fiquei feliz. Para além de ser um género muito interessante — o romance histórico — mostra um crescimento que não me surpreende. Mas confesso que não antecipei a mudança de género.
E deixa-me sempre com a mesma pergunta: “Como raio arranjas tu tempo para isto tudo?”

Amanhã lá estarei, na apresentação do novo livro, e prometo deixar aqui no blog uma opinião em breve. Encontramo-nos na Fnac do Colombo pelas 18h30?

(post tb publicado no novo blog)

 

18
Jan26

Ainda sou do tempo dos blogs

Patrícia

As mudanças são, também, sinónimo de oportunidade. Andava há que tempos a pensar que precisava de (re)começar a escrever sobre outras coisas, como fiz em tempos num blog que anda por aí perdido e abandonado. Quando surgiu a notícia de que o Sapo Blogs iria terminar, comecei a pensar em como fazê-lo.

Começar do zero noutro sítio? Desistir dos blogs e passar apenas para o caderno? Pegar nos dois blogs, fundi-los e continuar? Valeria a pena resgatar os textos de ambos?

Acabei por decidir migrar este blog, mudar-lhe o nome e o objetivo. Os livros continuarão por lá, os gatos também, mas não irei falar apenas de livros e de literatura, como fiz aqui tantos anos. Estarei pelo Rabiscos Soltos, Livros e Gatos, onde todos serão bem-vindos.

Agora, algumas notas práticas:

Vou manter o email ler.por.ai@sapo.pt. Podem contactar-me sempre que quiserem.

A Cristina está a fazer-nos a papinha e a indicar quem, do charco, mudou para onde. Obrigada e boa sorte com as Linhas junto ao Mar!

Uso a app Feedly para ler blogs. Vou tentar ir guardando os vossos, mas podem enviar-me um email ou deixar o link nos comentários.

Termino com um agradecimento à equipa dos blogs do Sapo em geral e ao Pedro em particular. Foi um prazer estar por aqui e vocês facilitaram-nos a vida e todo o trabalho de divulgação. Não sei se a blogosfera vai sobreviver sem vocês e o vosso trabalho, mas vamos tentar. Obrigada!

Costumo dizer que "ainda sou do tempo dos blogs". Daqui para a frente, isso ainda será mais verdade.

Até já,

Patrícia

 

12
Jan26

Agora e na hora da nossa morte, de Susana Moreira Marques

Patrícia

 

 

agora-e-na-hora-da-nossa-morteCL33399-scaled.jpg

“Se eu regressar, bater à porta mais uma vez, e mais uma vez, se eu tiver tempo, tempo sem pressa, disfarçando que nasci na cidade, se eu souber ouvir melhor, cada palavra sentindo‑se acarinhada e compreendida, se eu souber o que fazer com as mãos e não tirar notas, será que as pessoas se vão abrir e dizer o que realmente pensam nas solitárias e lentas horas da morte?”

Susana Moreira Marques embarca numa pesquisa sobre os últimos momentos da vida, acompanhando uma equipa de cuidados paliativos.
Não posso deixar de destacar o respeito que transparece neste livro e a forma como ela é recebida em momentos tão privados e delicados como estes. Claro que ambas as coisas estão interligadas.
Não é fácil expor a uma estranha o que sentimos e vivenciamos perante a morte, esse momento irreversível, desconhecido e privado. Mas estas pessoas fizeram‑no, e a autora soube estar à altura desse privilégio.

“no cemitério, uma fotografia, e às vezes só um nome. Os nomes sobrevivem, mas nunca foram os nomes que nos fizeram únicos.”

Não é, para mim, surpreendente que um livro sobre a morte seja, acima de tudo, um livro sobre a vida: sobre o que se perde ou está em risco de se perder, sobre memória, sobre afectos.

“E de noite, nos sonhos, os velhos são jovens, os doentes, saudáveis; na nossa cabeça somos simplesmente nós, e nos nossos sonhos, o melhor de nós.”

Susana Moreira Marques quer mostrar‑nos um modo de vida que está a desaparecer, no Portugal profundo, nesta viagem por Trás‑os‑Montes. Eu, que sou da outra ponta de Portugal, mas também de um Portugal profundo, de uma aldeia não tão pequena assim, mas onde ainda se vive e se morre sozinho (não morremos todos?), não estranho os hábitos e costumes.

Nos tempos de hoje, é importante reflectir sobre a morte e o luto. Todos temos de viver esses momentos e aprender a lidar com eles, e sinto que cada vez temos menos capacidade para tal.

Li este livro na edição da Companhia das Letras, que saiu há pouco tempo e que requisitei na BiblioLED. Infelizmente, esta edição não inclui as fotografias de André Cepeda, que sei fazerem parte da edição original. Gostei do texto, mas tenho a certeza de que essa componente visual faz muita falta.

 

10
Jan26

A Montanha, de José Luis Peixoto

Patrícia

a montanha

"Os doentes com cancro ainda são quem eram antes de terem cancro"

Em A montanha, um romance composto por fragmentos, José Luís Peixoto conta-nos a história de Alice, Filipe, Jorge, Fátima, Daniel e João, pacientes do IPO do Porto, e do Escritor, um viajante que está a escrever um, este, livro.

Não deve ser fácil decidir escrever sobre o cancro, sobre pessoas que têm cancro, sobre a forma como lidam com a notícia, com os tratamentos, as dores, a perspetiva da dor — sua e dos outros —, da morte, do fim, da esperança e da vida. Mas José Luís Peixoto fá-lo na perfeição. Fá-lo porque dá voz a seis pessoas muito diferentes, com cancros distintos, cujo único ponto em comum é serem pacientes do mesmo hospital. Seis fragmentos. Fá-lo porque mistura realidade e esperança com mestria. Fá-lo porque o faz com um respeito e uma humanidade incríveis, apesar de recorrer a uma abordagem literária. Ou talvez por isso. E porque mistura muito de si nestas páginas.

"Só através da nossa vida somos capazes de conceber a vida dos outros"

Disse-vos que o autor nos conta a história de seis pacientes, mas não é bem verdade. Na realidade, são sete ou oito os protagonistas deste livro, já que o pai e ele próprio são uma presença constante.

Acho que não preciso dizer que gostei muito deste livro. É duro, claro, mas é um livro que transpira vida. Não há ninguém que não conheça uma, ou várias, pessoas com cancro, e eu tive a minha dose de perdas. A que mais me marcou foi a I., uma das minhas grandes amigas. Fui uma das pessoas que a acompanhou no final, no IPO de Lisboa. A I. morreu há precisamente 20 anos e 2 dias. Esteve sempre na minha cabeça enquanto li este livro.

"Daqui a pouco chegarão os amigos, um a um, e levarão os cães pela trela, um a um. Os cães avançarão bem-comportados para a porta da rua, confiando em quem os leva, confiando em quem os deixa ir, sem imaginarem que estarão a deixar para sempre o dono a quem são fiéis. Só depois disso chegará ao fim. Jorge fará uma última festa a cada um deles, dirá uma última vez o nome de cada um, sentirá pela última vez o seu olhar".

 

08
Jan26

The book that broke the world, de Mark Lawrence

Patrícia

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Depois de ter gostado muito do primeiro volume, The Book That Wouldn’t Burn, este The Book That Broke the World custou-me a ler.

Não é que não gostasse sempre que o ouvia, mas não sentia urgência em voltar a ele. Não sei se foi por ser um audiobook — os podcasts semanais acabavam por se intrometer e passar-lhe à frente — ou se a própria história não me encantou, mas a verdade é que levei meses a terminá-lo, e só o fiz porque me fartei de o ter ali a meio.

O primeiro livro é dedicado ao amor aos livros. O próprio “universo” da obra é uma biblioteca: imensa, com incontáveis livros, contendo todo o conhecimento de várias civilizações e espécies, onde o tempo não é propriamente linear (especialmente no modo como a história é contada) e passado e futuro se confundem. Assim, o segundo volume desta trilogia é dedicado ao conhecimento.

Aliás, os nossos protagonistas são obrigados a fazer escolhas. Deve a biblioteca disponibilizar todo o conhecimento a toda a gente ou a ninguém, obrigando cada civilização a fazer o seu próprio caminho e as suas próprias descobertas? Ou existirá uma terceira via, a do meio-termo, do compromisso?

Neste ponto, destaco uma passagem de Yute:

“I am fluent in more languages than I can count, but in none of them can age speak to youth. I say compromise — you hear weakness and cowardice. I say wisdom — you hear blinkered thinking, you see me hidebound, afraid of change. I say the solutions will be messy, unsatisfying and may leave both sides feeling dirty. You hear the call of distant trumpets. You see the vision of a future glittering on some high hill, raised above the murky swirl of warring faiths.”

Não é possível ler (ou, no meu caso, ouvir) isto sem pensar em 2026, no que se passa atualmente em Portugal e no mundo. Em como, na era da informação, a desinformação é um perigo e tantas decisões — com consequências bem reais — são tomadas com base em informação falsa ou parcial. Em como os partidos convencionais (aqui representados pela solução de compromisso) não conseguem comunicar com os mais novos, sendo os extremos aqueles que parecem mais atraentes.

“I can’t. I just can’t. Please.”
Livira hated herself for begging. She hated how this crude, stupid man had reduced her to a blubbering mess simply with his boundless cruelty. His methods took no cleverness, no wit, no skill and yet were as effective as a hammer blow to the head.

A forma como desumanizamos os outros é clara neste livro — clara até demais, para ser sincera: é-nos esfregada na cara sem qualquer subtileza —, com destaque para os perigos e consequências dessa desumanização. No livro, como no mundo.

Penso muitas vezes no verdadeiro poder dos livros (que tem, na minha opinião, o seu expoente máximo na fantasia, nas distopias e na ficção científica): a capacidade de nos fazer pensar e ver o certo e o errado de forma bem mais certeira do que a realidade, e sem as consequências da vida real. Sempre foi esse o poder das histórias, dos contos, das fábulas.

 

01
Jan26

Escrever por aí

Patrícia

Num ano novinho a estrear, é inevitável fazer uma espécie de balanço.
2025 foi, em vários aspetos, um ano estranho. Não foi um ano bom, mas podia ter sido infinitamente pior — especialmente porque o final acabou por ser relativamente pacífico, o que contrastou com o verão, que entrou para o meu top 5 dos piores. Isso refletiu-se nas minhas leituras: li menos do que devia e menos do que podia, e é isso que mais me chateia.

Podia culpar as redes sociais, mas a verdade é que este foi o ano em que saí do WhatsApp e do Instagram, ficando apenas com uma rede social (o Bluesky), e a coisa está bastante controlada. Também podia culpar a televisão — afinal, vi muitas séries (más) e muito filme de terror (alguns péssimos) — mas não seria justo. Podia ainda culpar o tempo, ou a falta dele, mas isso seria apenas uma desculpa esfarrapada. A verdade é que não li mais porque não tive disponibilidade mental para tal, e isso é algo bastante complicado de resolver.

Mas ler mais não será uma das minhas resoluções de ano novo. As duas palavras que me têm acompanhado nos últimos tempos e que precisam de se transformar em realidade são “caminhar” e “escrever”.

Quanto a “caminhar”, deixemos a coisa assim — é autoexplicativa e não há muito mais a dizer, pelo menos para já. Mas escrever é outra história.

Eu nunca fui muito de escrever. Desde miúda que me vejo como leitora e não como escritora. Nunca ambicionei escrever um livro, nunca fui uma contadora de histórias. Os blogs (e já ando nisto há 20 anos) deram uma ajuda, e durante muito tempo escrevi de forma regular, mas os últimos anos têm sido uma bela miséria nesse aspeto.

Deixei de escrever sobre a maioria dos livros que leio. Deixei de escrever sobre a maioria das coisas. E com isso, deixei (quase) de saber fazê-lo. No trabalho, não escrevo muito: uns emails, a maioria em inglês, um ou outro relatório, nada que exija grande esforço. A IA não veio ajudar. Ou veio, porque é tão fácil lançar ideias para o papel e pedir uma revisão que raramente resisto à tentação. E assim, escrever deixa de ser natural. Não sou daquelas pessoas que pede à IA para escrever um email, apenas para rever, mas ainda assim vou perdendo capacidades.

Depois há o sentido crítico. Quantas vezes penso numa opinião sobre um livro (anda ali às voltas na minha cabeça durante dias), mas quando a passo para o papel (ou computador) fica tão mau que desisto às primeiras frases. E assim, desabituo-me de o fazer.

Eu sei: devia escrever todos os dias, tal como leio todos os dias. Devia deixar que as palavras e frases que enchem a minha cabeça — e tantas vezes me impedem de dormir — passassem para folhas, posts, cadernos (e sabe Deus que não me faltam cadernos cá em casa). Não sei se vou conseguir. Provavelmente não. De certeza que não. Mas talvez me consiga disciplinar para, pelo menos, escrever um pouco sobre todos os livros que leio. Não avançar para o seguinte sem escrever algo sobre o anterior. Talvez consiga. Vou, pelo menos, tentar.

 

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