Somos bombardeados com sugestões de presentes de natal. A publicidade da televisão destaca perfumes, jóias, relógios, marcas e afins. Nos jornais crescem as listas de "presentes baratos", "presentes assim-assim", ou "presentes vou gastar todo o subsídio de natal num presente para mim e os outros que se lixem". Raramente vejo livros incluídos nestas listas. Há algumas excepções, sim, com destaque para livros de cozinha, auto-ajuda ou biografias mas é pouco, muito pouco.
E eu continuo a achar que oferecer livros é muito mais que oferecer apenas um presente. Quem é leitor sabe a felicidade que sente por receber um livro. Já ter muitos livros não é uma razão para não querer mais. E um talão de troca faz com que qualquer livro seja o livro perfeito. Não, nunca há demasiados livros e sim, é uma desilusão abrir um presente e não ser um livro. E não interessa se no ano passado (e em todos os natais passados) o presente era um livro. Tentem apenas que não seja o mesmo livro, parece mal.
Para quem não é um maluquinho dos livros, um livro também é um excelente presente, basta ter algum cuidado e escolher o livro certo.
Um livro é algo que fica, que dura. Daqui a uns anos alguém vai abrir aquele livro e lembrar-se de quem o ofereceu (podem deixar um cartão com uma mensagem dentro do livro - assim, quem o recebeu pode trocá-lo sem problemas).
Um livro não tem que ter letras e obrigar à leitura. Há livros que vivem das imagens. Novelas gráficas ou simplesmente livros de fotografias.
Os livros podem ter uma utilidade imediata: livros de cozinha ou guias turísticos (cuidado com estes, é preciso saber que a pessoa tem uma viagem marcada ou que aquele é um destino de sonho).
Oferecer um livro a uma criança é oferecer amor, sonhos em formato de papel.
Oferecer um livro a um adolescente é oferecer-lhe possibilidades, mundos novos, esperança, oportunidades.
Por isso resolvi voltar ao Natal com Livros que fiz em 2022 e vou fazer alguns posts com sugestões. Todas as sugestões serão apenas isso, eu a dizer-vos porquê e a quem ofereceria aquele livro. Não tenho parcerias, não recebo livros e não tenho ligação com nenhuma editora, não há qualquer interesse nas escolhas.
A primeira sugestão vai ser o livro que estou neste momento a ler. A Chuva que lança a areia do Saara, de Ana Margarida de Carvalho.
Porquê? Porque tenho gostado de todos os livros da escritora, porque os títulos são fantásticos (neste caso, uma frase de uma música do Caetano), porque ela escreve bem que se farta, porque são livros diferentes, estimulantes e tramados.
A quem? Apenas a leitores habituais. Acho que nunca ouvirão a expressão "leitura fluída" aplicada a esta escritora. Mas se têm um amigo/a ou familiar daqueles que tem imensos livros está sempre com algo diferente nas mãos ou um que se arma ao pingarelho com "os livros da moda", este é o livro certo.
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