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Ler por aí

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14
Out25

#livros

Patrícia

O lugar dos livros nos jornais está cada vez mais pequeno, mais escondido — ou simplesmente perdido.
Recentemente, vi a partilha de uma crítica literária que me despertou a atenção. Fui à app do jornal tentar encontrá-la, mas não foi fácil. Seguir o link da partilha não era opção — não tenho paciência para estar sempre a inserir credenciais para ler os artigos reservados a assinantes. Na app, costuma ser mais simples.
Andei às voltas, à procura de uma secção dedicada aos livros. Há secções para jogos, mas não há uma para livros. Acabei por encontrar o que procurava dentro da secção de Cultura, mas fiquei a pensar nisto.

Sei que ler não está propriamente na moda. Poderão dizer-me o contrário — que as redes sociais voltaram a pôr a leitura na moda, especialmente entre os mais novos. Não sei bem se acredito, mas fico sempre feliz quando leio essas notícias. É maravilhoso que se fale e divulgue livros nas redes sociais.
Mas, se está assim tão na moda, por que razão não se vê esse contágio nos OCS? Aparentemente, tudo o resto salta das redes para a televisão e para as capas dos jornais — menos a cultura em geral e os livros em particular.

Acredito que as críticas literárias não tenham muitas visualizações, que não se tornem virais. Mas são importantes. Podem fazer leitores, podem vender livros. E até poderiam ajudar a vender jornais — o que é tão necessário.
Era importante que houvesse visibilidade para as secções culturais, que se diversificasse a crítica — e isso parece ser um crime de lesa-pátria. A maioria dos livros escolhidos pelos críticos não interessa à maioria dos leitores, especialmente aos mais jovens. Como queremos que os miúdos se tornem leitores de jornais se nunca escrevemos para eles?

E quando digo miúdos, digo jovens, leitores de fantasia, de ficção científica, de romances românticos ou de tantos outros estilos literários que fazem leitores — mas que nunca têm lugar nas páginas dos jornais, em nome de uma pureza literária que não leva a lado nenhum.

A minha geração cresceu a ler o DN Jovem, um suplemento feito para os mais novos. Tinha sempre um nível literário à prova de bala? Não. Mas fez leitores — e fez escritores. Muitos dos críticos literários, jornalistas e escritores da minha geração escreveram nessas páginas, e muitos leitores começaram por lê-los muito antes de se afirmarem como adultos. E isso foi tão, mas tão importante.

Hoje, a maioria dos leitores encontra os seus pares nas redes sociais. Primeiro foram os blogs dedicados, depois os vídeos no YouTube, Instagram, Facebook, TikTok, etc.
E os OCS continuam a ignorar a fatia da população que, de facto, gosta de ler e consumir informação. Não quiseram — ou não souberam — adaptar-se. E isso é algo que eu não consigo compreender.

10
Out25

sexta-feira

Patrícia

Há vários dias que não leio nada. Ontem comecei o Matéria das Estrelas, da Isabel Rio Novo, a ver se me tira desta pasmaceira. Poderia dizer-vos que é uma questão de tempo, que estou com muito trabalho, o que seria verdade mas que não é a razão desta mini travessia do deserto (sou muito exagerada, eu sei). A verdade é que tenho ando mais cansada que o normal, estive com gripe há umas semanas e ficou-me um tosse chatinha, que me cansa. A tosse e os anti-histamínicos. Chego ao final do dia estoirada. E aconteceram-me coisas estranhas, um dia destes conto-vos a minha aventura com uma espinha que me levou a dois hospitais. Enfim, já passou. 

Nem o anúncio do Nobel (mais um que não conhecia e que tem um nome que eu nunca vou saber pronunciar) me tirou desta pasmaceira (e espero que o anúncio do Nobel de hoje, o da paz, não traga surpresas desagradáveis. 

Não se esqueçam de votar no Domingo, estou bastante pessimista com o mundo em geral e Portugal em particular e temo segunda feira amanheça uma manhã escura e feia mas são os tempos interessantes que vivemos. Valha-nos os livros com mundos diferentes para nos manter com esperança e fé. Em quê já não sei que na humanidade não é certamente.

 

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