em modo de pausa ou pelo menos em modo urbano-rural*
Foram uns dias de descanso não apenas merecido, que foi, mas necessário. Claro que a nossa noção de descanso por estes dias é bocado arrevesada porque, em vez de dormir toda a manhã, andámos a limpar o quintal, podar árvores, arrancar erva que nasce sem qualquer sentido nem decoro. Mas eu divirto-me com a roçadora, ele com a moto serra e pronto, é isto. Mais boa vontade que sabedoria (espero que o limoeiro sobreviva à tosquia) mas só assim é que se aprende e nós gostamos daquilo. Ou seja, limpámos a cabeça, não pensámos em aviões nem em computadores mas tivemos notícias de músculos que andavam escondidos. Nem vos vou falar da tentativa de arranjar um esquentador que as aranhas teimam em entupir e que resultou num banho morno (pelo menos não estava gelado, chamar-lhe água quente é ter demasiada liberdade com a definição da palavra quente mas, enfim, não apanhámos nenhuma pneumonia nem deixámos de estar lavadinhos), num joelho lascado e numa mão que ainda dói (vá, estou a exagerar um bocadinho mas não muito).
Mas dias de férias sem leitura não são dias de férias e resolvi levar os livros que me ofereceram no meu último aniversário e assim passei bons bocados a ler o primeiro volume de Blackwater, A cheia, de Michael McDowell e Paradaise, de Fernanda Melchior.
Confesso que nunca tinha ouvido falar da série Blackwater, publicada em 1983 e que está a ganhar uma nova vida por estes dias. Não vou falar muito da história (o livro é tão pequeno que se lê quase de uma assentada) mas vou destacar o ambiente meio de horror (suponho que nos próximos livros a coisa piore, ou melhore, depende do ponto de vista) que se vive nestas páginas. Delicioso. Fiquei cheia de vontade de pegar já no segundo volume.
Já o Paradaise é um género de horror completamente diferente. Este é um livro que também se lê num instante e que surpreende pela forma (parágrafos que duram folhas e folhas), uma escrita dura e torrencial que incomoda e ataca. A escritora não nos poupa nem na escolha das palavras nem da força das imagens que desenha. Macabro, duro e infelizmente, demasiado real.
Agora irei continuar a ler o E três maças caíram do Céu, de Narine Abgarian, mas com mais calma que a vida acontece e tem precedência em relação à leitura. Infelizmente.

*ainda não recuperei da verborreia deste fim de semana



