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Ler por aí

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02
Out23

Raparida, mulher, outra; de Bernardine Evaristo

Patrícia

rapariga, mulher, outra.jpeg

Não fazia ideia ao que ia. Se soubesse que ia ler 12 estórias cujo objecto era fazer-nos pensar no que as unia mas que podiam ser lidas de forma separada provavelmente nem teria pegado neste livro - não sou grande fã de contos, de narrativas curtas, gosto do tempo que passo com as personagens de um livro e gosto que esse tempo seja longo.

A unir todas as personagens temos Anna, uma dramaturga lésbica que quer mudar o mundo, enfrentando-o à bruta, às claras. Já Yazz, a sua filha, tem outra abordagem mas a mesma vontade na luta de procurar o seu lugar e de defender a sua pertença no mundo. Um mundo com muitos mundos dentro, como este livro que tem muitas mulheres dentro. Um livro composto quase exclusivamente por mulheres negras, pela sua voz, pelas suas lutas, vitórias e derrotas. Um livro no feminino e feminista, que fala de e para mulheres.

Uma das estórias que mais me tocou é a de Dominique. Se uma mulher como aquela, esclarecida, com vontade e amor próprio pode embarcar numa relação abusiva e tóxica então todas nós, nas circunstâncias erradas o podemos. Digo que esta é uma das estórias que mais me tocou mas na verdade não fiquei indiferente a nenhuma destas mulheres  (ou a Morgan, que se assume como não-binário). Sofri com Carole e com Bummi, cujas vidas foram marcadas pela violência de um momento calado, sorri com Latisha, tive vontade de abanar a Shirley até a fazer acordar.

Winsome é um caso engraçado. Depois de começar a ler os livros, quando já entrei na estória, dou uma vista de olhos às opiniões melhores e piores do goodreads. Numa delas o livro era julgado por esta estória - o rapaz estava mesmo revoltado. Quando li e percebi exactamente do que se falava tive que me rir. Eternamente a culpa é de Eva, que enfeitiça o coitado do Adão, que não tem escolha, vontade ou responsabilidade alguma pelas suas acções. E a escritora que ousa escrever sobre mulheres que não são perfeitas? Como é possível? enfim, o costume.

Ah, Penélope, a única mulher branca neste livro que procura desesperadamente saber quem é. Já falei de Morgan, não-binário, que surpreendentemente (para ela) descobre que o que tem para dizer tem valor e que há quem queira ouvir. Hattie e Grace, mulheres de outro tempo mas com vidas e problemas transversais e ainda actuais. 

Este é um livro cheio de mulheres. Um livro que não julga, onde não há heroínas, mulheres perfeitas ou mulheres desenhadas à imagens do que os homens desejam que as mulheres sejam. Há mulheres que falham, que vencem, que cometem erros, que desistem, que lutam e que ousam gritar. Mulheres não-brancas, mulheres negras, que reclamam a sua voz e lugar-

Este é um livro importante, como são importantes todos os que dão importância à igualdade, à voz destas mullheres.

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