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Ler por aí

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27
Dez21

A Noiva Judia, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

 

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Há vários anos que o início do ano é sinónimo de reencontro com Afonso Catalão nas páginas de um livro. Este será o último ano com essa tradição já que este livro será o último da série. Confesso-vos que sinto um misto de tristeza e de alegria com isso. Tristeza porque, bem, nós leitores sentimos verdadeira afeição pelos personagens dos livros de que gostamos. Alegria porque vai ser bom chegar ao fim da saga e porque quero saber o que o Nuno vai escrever depois disto.

Os livros (e alguns amigos comuns) trouxeram o Nuno à minha vida (as nossas vidas tocam-se de tal forma que até é estranho não nos termos conhecido antes) e tem sido um privilégio tê-lo como amigo (um privilégio maior do que aquilo que podem imaginar porque este moço é das melhores pessoas que conheço  apesar de algumas das mensagens que trocamos serem variações de "quantos mataste hoje?" e de haver uma morte neste livro que não sei se lhe consigo perdoar.... - é basicamente a única coisa que sei para lá da sinopse, não pensem que tenho mais informações que vocês). Vê-lo crescer como escritor tem sido giro e nunca deixo de sentir uma pontinha de orgulho mas isso não me impede de querer vê-lo continuar a evoluir, a impor-se como o escritor que é e a ter a coragem de avançar para novas histórias, crimes e mortes. 

Apesar de o livro só sair no dia 20 de Janeiro, já está em pré-venda e trará um autógrafo a quem o comprar dessa forma.

 

O corpo de um homem espancado até à morte é encontrado numa praia deserta. O cadáver pertence a um escritor, presente na cidade para assistir à antestreia da adaptação cinematográfica do seu livro mais famoso.

Na mesma noite, um jovem confessa o homicídio, mas é nesse momento que uma questão se coloca: por que motivo as provas recolhidas apontam para que seja inocente? O mistério adensa-se quando a noiva da vítima, uma colecionadora de arte com os seus próprios planos, decide vir a público. Ela tem algo a dizer, mas poderá estar implicada?

26
Dez21

O olho do Mundo, A roda do Tempo, #1

Patrícia

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Li, finalmente, o primeiro volume de uma das sagas de fantasia mais conceituadas. A roda do tempo estava há muito tempo à espera da sua vez e, confesso, foi a possibilidade de spoilers em barda à conta da série de tv que me deu o estímulo para empreender nesta aventura. Não é que esteja ansiosa para ver a série, que não estou, mas não me apetece saber o que vai acontecer antes de ler os livros e convenhamos que a malta das séries, depois de ver os episódios, desata a dar spoilers como se não houvesse quem nunca leu/viu.

Antes de vos falar das minhas impressões em relação à história deixem-me comentar o livro em si. Um tijolo, o que é sempre agradável (não estou a ser irónica, gosto mesmo de livros grandes), mas com um enorme problema: o tamanho das letras é impróprio para toda a gente. Não sei se não terei que me tornar defensora dos "livros às metades" (coisa que abomino) se essa for a única forma de conseguir ter livros com letras de tamanhos decentes. 

Esta série é uma das que gostava de ter na estante e espero, por isso, comprar os outros volumes em livro físico apesar de ser infinitamente mais confortável ler a saga em ebook. Espero, no entanto, que a bertrand edite a metade que falta da saga e não me deixe com apenas 6 volumes em português e o restante em inglês. É a série de tv que me dá a esperança que tal aconteça.

Voltando à história. 

Não é um primeiro livro perfeito. A bendita "demanda" a caminho de Tar Valon lembra demasiado uma outra irmandade e o final do livro é insatisfatório. Um primeiro livro de uma série deve valer por si mesmo. É tão claro que este é apenas uma introdução que o final não tem a grandeza necessária (o senhor dos anéis não conta, aquilo é 1 livro dividido em 3 e não 3 livros de uma saga). E convenhamos que 800 páginas de introdução é muita coisa. O mais estranho é que a história que o livro conta era suficiente para ser uma história com princípio, meio e fim mas a sensação com que fiquei foi que o livro passa do início extremamente detalhado e longo para um final rápido e mal amanhado, porque era necessário dar-lhe uma espécie de conclusão antes de passar as 1000 páginas. Faltando-lhe o "meio" faltou uma boa parte de desenvolvimento de personagens uma vez que, tirando uma ou outra honrosa excepção, são todos mais ou menos iguais ao que eram no início. Não basta dizer que mudaram, é preciso que os leitores o sintam, o que não me parece ter sido o caso.

Mas (e este é um mas muito importante) tenho a certeza que teria adorado este livro se o tivesse lido na altura certa. Assim, sou provavelmente mais crítica do que o livro merece.

Apesar de não ter conseguido dar mais que 3 estrelas a este livro irei continuar a série e as expectativas continuam em alta. Gosto dos personagens, gosto do mundo, gosto do rumo que a história está a tomar. E lê-se muito bem, apesar do que escrevi acima não revirei muito os olhos nas últimas semanas.

Deixei para o fim aquele que me parece, de longe, o ponto alto do livro: o worldbuilding.

Todos os pontos negativos deixaram espaço para o crescimento e a apresentação de um mundo fascinante e que acredito ser aquilo que atraiu tantos para esta série. As potencialidades deste sistema de magia são imensas e serão certamente parte fulcral dos próximos livros. Na verdade conhecemos pouco deste sistema, intuímos mais do que realmente sabemos e, se eu não soubesse ser esta uma saga tão bem aceite na comunidade, talvez não estivesse tão entusiasmada com esta parte, uma vez que ainda faltam muitas explicações mas eu tenho fé e gostei daquilo que li até agora.

 

25
Dez21

do ano dos livros ou dos livros do ano

Patrícia

Agora, que metade dos leitores deste mundo está a admirar as pilhas de livros que recebeu e a outra metade (eu incluída) está a planear a vingança de não ter recebido livros, é altura de balanços. 

Por aqui não haverá, como de costume, muita coisa a dizer. Não haverá Tops de preferidos nem de desilusões, não haverá escalas de melhores ou piores. Não o costumo fazer e este não será o ano de mudar essa tradição.

O mais que posso dizer é que este foi um ano de poucas leituras. Li alguns bons livros, que me ficarão na memória por muito tempo, mas foram os policiais que fizeram os números desde ano não serem tão miseravelmente baixos quanto seriam caso reflectissem, efectivamente, o meu ano de leituras. 

Os policiais, não sendo o meu género favorito de livro, têm o dom de me ajudar a distrair e de me fazer ler compulsivamente como se não houvesse amanhã. Assim, quando não quero pensar no que o amanhã me trará pego num policial. E a verdade é que ver a quantidade de livros deste género que li este ano me demonstrou (quase como se não o tivesse vivido) o quão mau foi o meu ano. Enfim, acontece, passemos à frente.

Apesar de não fazer TOPS, tenho que destacar alguns dos livros de escritores portugueses que li.

O Cardeal, do Nuno Nepomuceno, foi uma das primeiras leituras do ano, o que já é uma tradição. É sempre bom voltar a encontrar o Afonso e a Diana. Já vos disse que o último livro da série Afonso Catalão sai já no próximo dia 20 de Janeiro (acho), que já está em pré-venda e que se vai chamar A noiva Judia? Vão lá ao site do Nuno espreitar as novidades e daqui a pouco tempo voltamos a falar sobre isto.

O Apneia, da Tânia Ganho, deixou-me sem fôlego. Que livro, senhores, que livro. De uma tristeza imensa, quase um ano depois ainda me apetece gritar só de pensar nesta história. Que livro.

da meia-noite às seis, da Patrícia Reis foi um dos livros que, por ter ligo e gostado tanto, comprei para oferecer neste natal. Gostei tanto. Um livro que se lê de uma assentada e que, sendo triste, nos deixa de coração cheio. 

Deus  Pátria  Família, do Hugo Gonçalves - pensava que ia encontrar uma distopia, enganei-me mas acabei por gostar bastante deste livro que nos leva a várias épocas e países mas que tem no retrato do estado novo em plena segunda guerra o seu ponto de interesse. Gostei e recomendo. (mas não é uma distopia)

Gente Feita de Terra, da Carla M. Soares. O melhor livro da Carla até agora (pelo menos na minha opinião, acredito que para muito rivalize com O Ano da Dançarina que eu ainda não li). Uma historia de mulheres, de escolhas numa história que a Carla nos conta muito bem. 

 

 

23
Dez21

é quase, quase, Natal

Patrícia

E eu estou sem uma pinga de espírito natalício. 

Sim, comprei os presentes todos (alguns foram livros), escolhi-os com amor. Escolher os presentes é das coisas que mais gosto. E gosto também de acertar, de perceber que quem recebe esse presente gostou, que percebeu que foi escolhido com amor. 

Não sou esquisita com presentes de Natal e dificilmente me ouvirão dizer "não gosto de receber presentes". Eu gosto de receber presentes. Gosto, acima de tudo, de receber algo que demonstre que quem comprou aquele presente estava efectivamente a pensar em mim quando o comprou. Nada diz tanto "isto é a tua cara" como um livro ou algo relacionado com livros (ou com gatos, vá) e fico sempre extremamente surpreendida quando chego ao fim do dia de Natal e não tenho livros novos. Acho que os leitores deste blog perceberão o que quero dizer.

Se por acaso não és leitor mas tens leitores na família ou no grupo de amigos a quem dás presentes acredita em mim: oferece-lhe um livro. 

Não, não interessa se ele/a tem muitos(não te esqueças do talão de troca).

Não interessa se ele/a já tem aquele livro (não te esqueças do talão de troca).

Não interessa se nunca leste um livro na vida e não fazes ideia do que escolher  - qualquer livreiro te dá uma dica e com talão de troca não há como falhar. Ah e muda isso, lê um, lê muitos livros, a tua vida vai mudar.

Não interessa se falhares completamente no tipo de livro (já disse para não te esqueceres do talão de troca, não disse?).

Não interessa se não podes gastar muito dinheiro - esforça-te um bocadinho e vais perceber que há livros para todas as bolsas, nem que seja num alfarrabista.

Não interessa se não tens tempo, encomenda ou compra a porra do livro quando estiveres a fazer as compras no supermercado.

O teu presente vai ser um sucesso, podes repetir em cada aniversário e natal e ele/a nunca vai reclamar.

A sério, as pessoas que têm maridos/mulheres;namoradas/os; companheiros/as;amigos/as que gostam de ler têm uma vida santa mas conseguem quase sempre entrar na lista negra deles/as porque meteram na cabeça que é real essa coisa de "já ter muitos livros". 

 

10
Dez21

do tempo que damos às coisas

Patrícia

Comecei agora a ler a saga d'A Roda do tempo e não consigo deixar de pensar no compromisso que é começar a ler uma série de 14 livros. Pessoalmente agrada-me, sempre me agradou, esta ideia de ir passar meses ou anos dedicada a uma série. Hei-de ler muitos outros livros pelo meio mas, se tudo correr bem, hei-de voltar uma e outra vez a este mundo. 

Numa altura em que vemos séries de tv em maratonas e que a nossa dedicação a algo raramente é exclusiva ou duradoura, serão os leitores de fantasia os últimos de uma espécie que se dedica, de forma voluntária, a praticar a paciência, a dedicar tempo e amor a algo que, na maioria das vezes, não sabe sequer se vai terminar? 

O que o George Martin fez aos leitores das crónicas de gelo de fogo não ajudou a que a confiança necessária a esta prática aumentasse e foi/é indecente, uma falta de respeito por quem fez da sua saga um sucesso. Sem os "beta" (aka leitores) nunca a saga teria sido um sucesso na TV.

Escritores como o Brandon Sanderson, por exemplo, autenticas máquinas na periodicidade com que nos entregam o seu trabalho, continuam a motivar-nos e a alimentar este vício que é pertencer a uma comunidade de gente que lê o mesmo, que fala, discute, cria fóruns, investe num universo que transcende a leitura e a transforma de algo individual em colectivo. Porque é isso que acontece quando as livros perduram, acontece essa partilha que os transforma em algo comum.

Ri-me no outro dia quando fiquei feliz com a notícia de que ia ser publicado o último livro de uma das sagas do Sanderson que sigo (Wax and Wayne)...até que percebi que o raio do livro só ia sair daqui a 1 ano (e sim, no caso do BS isso significa que o livro está mais que escrito e que naquele dia 15/11/22 sai livro, ebook, audiobook, tudo e tudo e tudo).

É engraçado como, por um lado, há a necessidade, a urgência de ver uma série (todas as temporadas incluídas) de uma vez, por outro, temos séries (não tão boas assim) que se esticam de forma insuportável ou histórias que teimam em ressuscitar, quando deviam era estar sossegadas no paraíso das séries, mostrando que há em nós uma certa de necessidade de continuidade, de regresso, de pertença.

E nada, nada, faz tão bem isso como uma boa saga de livros.

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