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Ler por aí

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26
Jul21

Este não é o verão das nossas vidas

Patrícia

Talvez o último mês tenha sido um dos piores da minha vida, que já não vai assim tão curta. Não sei exactamente como serão os próximos, estou mais a viver no presente, dia a dia, que no futuro, esse sei lá a quem pertence. Fiquei sem chão, sem vontade para nada e, desta vez, nem ler me conseguia fazer pensar noutra coisa. Um dia falo disto por aqui, hoje não, ainda não é o dia. Os dias de verão vão correndo e este não é o verão das nossas vidas. Continuamos isolados de abraços, de beijos, de gente. Eu, pelo menos, continuo. Estou tão pertinho da tão ansiada segunda dose da vacina que até lá não me apetece arriscar, nem por mim nem pelos meus, nem pelos outros. Não estou fechada em casa, nem espero risco zero, que é coisa que não existe. Mas não compreendo qual é a dificuldade de perceber que a incidência é o número que interessa para a economia, para o turismo, para aquilo que é importante para quem se insurge e grita aos sete ventos que as restrições dão cabo da economia. A incidência é o número que nos põe e tira das listas "âmbar" dos vários países, que eles se estão a borrifar para os nossos mortos, para os nossos internados. Esses são nossos e só são importantes para quem os trata pelo nome. Para os outros são "estatisticamente irrelevantes". Ora, eu não quero fazer dos meus uma estatística. Portanto vou tendo os cuidados que acho correctos. Já nem ligo muito às restrições impostas, apenas o suficiente para não incumprir nenhuma. Há muito que decidi que até a malta cá de casa estar toda vacinada não vamos facilitar. 

Este pode não ser o verão das nossas vidas mas será sem dúvida o verão que nos vai marcar a todos. 2021 está a fazer de 2020 um ano fofinho.

25
Jul21

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA, de Hugo Gonçalves

Patrícia

Deus, Pátria, Família.jpg

Um livro que recomendo sem reservas e de que gostei muito apesar de não o ter achado aquilo que prometia.

Em DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA, Hugo Gonçalves apresenta-nos um retrato bastante fiel de uma época (na realidade de mais que uma) e isso é algo de que precisamos na literatura portuguesa.

Também aposta em mostrar-nos uma alternativa à história como todos a conhecemos partindo da premissa de "e se Salazar tivesse morrido?". É uma ideia magnífica que gostaria de ter visto bastante mais desenvolvida mas como distopia não me convenceu, confesso. Na verdade, senti-me sempre no Portugal de Salazar (excepto talvez nas últimas páginas mas aí era tarde de mais, o worldbuilding não pode ser feito quando a história está a acabar). Para a história não incomodou, pelo contrário, uma vez que talvez  fosse uma distracção demasiado grande para a história em si.

Gostei dos personagens deste livro e preferia tê-los visto mais desenvolvidos e aprofundados. Ainda assim Luís Paixão Leal é um digno protagonista e a sua história, passada presente e quiçá futura é interessante. Os outros personagens, de Rebeca a Inácio Capote, passando pelos policias, pides e não pides, pelas prostitutas, criadas e afins, eram um leque bastante consistente. 

Não é possível ler este livro sem que nos apercebamos da crítica feroz que o escritor fez à religião (católica) em geral e ao fenómeno de Fátima em particular. Também por isso este livro vale a pena. Há que lhe tirar o chapéu, Hugo Gonçalves não é minimamente condescendente. 

Qualquer livro que não pretenda ser um manual histórico reflecte e obriga-nos a pensar no presente, na história que vivemos. E aqui não é possível deixar de pensar no poder de desvio que uma virgula na história tem, na força da manipulação de massas (chamo-lo muitas vezes, benignamente, de populismo, retirando-lhe quiçá parte do perigo) e no quão presente isto está no Portugal dos nossos dias.

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