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Ler por aí

Ler por aí

12
Jun21

há horas para ler?

Patrícia

No outro dia escrevia sobre dias que pedem livros. Hoje, questiono-me (e a vocês) sobre as horas dos livros.

De há uns anos para cá acordo bastante cedo mesmo aos fins de semana e nas férias. Mesmo em dias de trabalho, quando estou no turno das 10h, tenho algum tempo para mim nas primeiras horas da manhã. Gosto muito de aproveitar esse tempo, antes que a casa acorde e seja obrigada a ser personagem principal na minha vida, para ler, viver um bocadinho as vidas dos outros, sofrer, rir ou chorar as suas alegrias e tristezas. A pandemia e a necessidade de recolhimento (continuo fã do teletrabalho) deu-me esses minutos que passo muitas vezes à janela (tenho à frente de minha casa uma colina verde com árvores de várias cores e gosto de as ter ali, à distância de um olhar), com um livro e um café. 

Sei de gente que lê ao pequeno-almoço, eu mesma lia sempre ao almoço, quando ia para o escritório e conseguia almoçar sozinha, há quem prefira as noites e aqueles minutos antes de adormecer para ler.

Eu, confesso, não sou esquisita e acho que todas as horas são boas para ler. Nas férias abuso e sempre que tenho uns minutos refugio-me no sofá e leio, ou vou para o quintal e leio, ou enrosco-me no meu marido e leio. 

Agora mesmo, assim que fechar o computador, vou aproveitar alguns minutos e ler mais umas páginas.

11
Jun21

da meia noite às seis, de Patrícia Reis

Patrícia

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Vamos, antes de mais, falar dos livros certos na altura certa. 

Há que tempos sou fã dos livros da Patrícia Reis, já li vários e sei que são, sempre, uma aposta certa. E foi por isso que escolhi um livro dela - e que ainda por cima tem sido super recomendado pela Roda dos Livros e por outras meninas - para sair desde marasmo dos policiais. Os policiais têm sido a leitura conforto dos últimos meses mas não são, de todo, o meu género preferido. Não costumo forçar leituras mas ontem, dia de Portugal e das comunidades, achei ser o dia perfeito para ler em português. Este "da meia noite às seis" estava comigo há uns tempos e à espera do dia certo. E digo-vos que foi o livro certo na altura certa.

É um livro pequenino (apenas umas 115 páginas) que se lê num ápice e que aquece o coração. Os livros da Patrícia Reis não costumam ser propriamente livros felizes e logo de início fiquei de coração apertado (este é afinal, um livro sobre o luto)  e pensei que aquelas páginas iam estar carregadas de tristeza pesada, de angustia mas afinal este é um livro cheio de esperança e dessa coisa bonita chamada amizade. Não se iludam com estas palavras. Há toda a tristeza do mundo nestas páginas mas há também esperança, luz e recomeços.

Susana Ribeiro de Andrade ficou viúva em plena pandemia de covid 19. Forçada a recomeçar, aceita tornar-se a voz das horas mortas na rádio onde trabalha. Rui Vieira é o jornalista que escreve as notícias que Susana Ribeiro de Andrade lê a cada hora certa. É da meia noite às seis que as suas histórias e as histórias dos que os ouvem se vão entrelaçar nesta história de amor. E de amizade. E de recomeços.

Um livro claramente escrito em pandemia, que marca o tempo extraordinário que vivemos e que tem a voz tão característica da Patrícia Reis. Há neste livros histórias de amor, histórias de perda, reivindicações e chamadas de atenção. Há jornalismo. Há memórias. E livros. E músicas. E poemas. E uma actualidade muito marcada, parte desde livro é uma chamada à reflexão sobre o que vivemos, como vivemos e como queremos viver. 

Mas este é, para mim, acima de tudo, um livro sobre recomeços, amizade e amor.

 

 

 

10
Jun21

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Patrícia

Hoje não podia deixar de dizer, gritar aos sete ventos (Bóreas ou nortada como aqui dizemos, Zéfiro, Euro ou o famigerado Levante, Noto ou Suão, Cécias, Apeliotes, Lips, Siroco) ou vá, escrever aqui no blog que tão ao abandono tem andado, que hoje é dia de ler autores Portugueses. Na verdade todos os dias são e eu este ano ando a falhar (acho que só li, de autores portugueses, o livro do Nuno Nepomuceno e do da Tânia Ganho). Por isso hoje vou fazer uma pausa no que ando a ler e vou ler o "da meia noite às seis" da Patrícia Reis. 

Toda a gente (vá, a malta da roda dos livros pelo menos) diz maravilhas deste livro, parece ser de longe o que mais consenso tem tido (e há ali malta, incluindo eu, que gosta bastante dos livros da Patrícia Reis - já leram o Por este mundo acima?) sendo já considerado uma das poucas coisas positivas que nasceu da  pandemia.

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09
Jun21

Já procuraram bem nas vossas próprias estantes?

Patrícia

Tenho a sorte de ter uma mãe que partilha comigo este amor pelos livros e tive, ao longo da vida, boas surpresas quando metia o nariz nas estantes dela. Na verdade ainda hoje encontro um ou outro livro que não sabia existir cá por casa. 

Um dos que me marcou a adolescência e que acho um livro importantíssimo (curiosamente raramente me lembro de falar dele) é esta "capitães da areia" do Jorge Amado. Se não leram, procurem-no, vale bem a pena. 

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09
Jun21

Será que 7 é demais?

Patrícia

Continuo a ler policiais como se fossem a minha salvação e já vou no sétimo livro da saga Joona Linna de Lars Kepler. Até agora tenho gostado bastante dos livros, não tenho revirado muito os olhos e quero que o Joona e a Saga consigam acabar a série vivos e com alguma felicidade. Não tenho achado os livros igualmente bons, o que é natural. O stalker, por exemplo, foi uma chatice. Agora que estou a chegar ao fim (não tenho a certeza mas parece-me que este Lazarus será o último) não quero ficar com a sensação de que eles (os autores) esticaram a corda e está a querer parecer-me que tal pode, de facto, acontecer.

(se não leram a série até ao volume 6 talvez seja altura de pararem de ler. Não? Sigam por vossa conta e risco)

O título já parece ser um mega spoiler. Lazarus, o ressuscitado, aquele que renasce depois de se ter perdido todas as esperanças.

O início do livro também parece querer mostrar que, afinal, Jurek sobreviveu. A minha esperança é que estes "spoilers" não sejam mais do que aquela a cenoura que os autores de policiais nos dão e que desta vez, por uma vez, o Joona não tenha razão.

 

02
Jun21

Há dias que pedem livros

Patrícia

Aproximam-se dias com tempo para a maioria das pessoas. Junho e os seus feriados são sempre uma boa desculpa para ler mais um bocadinho. Claro que há quem trabalhe (eu, por exemplo) e não vá conseguir aproveitar tudo mas estes são dias perfeitos para ir para a praia, para uma esplanada ou para campo na companhia de um livro.

Ler ao ar livre é outra coisa. Eu adoro estar em casa, tenho o meu "cadeirão" da leitura e leio em qualquer sítio, é certo. Mas pegar num livro e passar uma tarde numa esplanada a ler é m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o. Tenho imensas saudades de o fazer. Acho que a última vez em que fui, descansada e sem tempo contado, para uma das minhas esplanadas favoritas (a que existe dentro do jardim da biblioteca dos olivais) foi num dia de folga em que estava a ler, de forma compulsiva, o segundo volume do Mistborn (O poço da ascensão). 

É engraçado como sei, anos depois, onde estava enquanto lia determinados livros. Lembro-me de ler o Evangelho segundo Jesus Cristo na praia e o Ensaio sobre a Cegueira numa esplanada onde costumava estudar. A relação com os livros tem destas coisas, podemos associá-los a um lugar, a um estado de espírito ou a uma época da nossa vida. E estes, aqueles de que nos lembramos sempre, que ajudam a construir memórias em dias que pedem livros, são os verdeiramente importantes. 

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