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Ler por aí

Ler por aí

30
Dez20

Os livros de 2020

Patrícia

Foram poucos mas muito bons. Alguns memoráveis. Outros cumpriram o seu objectivo de me ajudar a passar o tempo quando precisava parar de pensar. Muitos obrigaram-me a pensar. Não gostei de todos da mesma forma, há pelo menos 1 inacabado (que não consta da lista) mas no geral foi um bom ano de leituras.

(imagens "roubadas" do goodreads que nos faz estas coisas giras)

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30
Dez20

A PALAVRA NÃO É INOCENTE

Patrícia
 

gosto da palavra homem

por ter um presságio dentro 

- omen -

e da palavra mulher,

que é mole ou que é forte

porque mói grãos, presumo.

 

esforço-me para não escrever

só homem,

quando quero escrever

o conjunto civilizacional.

 

parece-me uma traição

à causa humana.

 

                      de Ana Sara Daniel

 
29
Dez20

Book Love, de Debbie Tung

Patrícia

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Um livro maravilhoso que eu não conhecia e que me foi oferecido por uma amiga (muito) querida neste Natal (é tão bom partilhar a paixão dos livros). 

Uma vez mais Obrigada, you know who!

Uma novela gráfica (será que posso chamar a isto novela gráfica? não faço ideia mas vou chamar na mesma) que consegue transmitir de forma perfeita o que é amor aos livros. Revi-me em cada página e em mais do que uma passei o livro ao meu marido e disse-lhe "estás a ver?".

Aliás, ontem à noite, estava eu num sofrimento atroz por causa do Kaladin (Stormlight Archives, The Rhythm of War) quando lhe mandei a página que está aí em baixo.

Não há, nestas páginas, nada de novo. Há o prazer do reconhecimento. Cada um de nós já tentou explicar que o seu amor aos livros era parte de si e indissociável de quem somos. Agora até temos desenhos para o mostrar.

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21
Dez20

Interlúdio

Patrícia

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1233 páginas. 

O que leva alguém a reler um livro de 1233 páginas?

Quanto a vocês não sei mas eu tinha mesmo que reler o Oathbringer antes de mergulhar no Rhytm of War. O mundo criado por Brandon Sanderson é tão intrincado que se torna impossível partir para a leitura do 4º volume dos Stormlight Archives sem "refrescar a memória". E, por isso, reli 1233 páginas para poder mergulhar de cabeça no próximo calhamaço e saber quem é quem ou em que ponto ficou na história. Além disso passar algumas semanas (meses) em roshar é sempre uma óptima ideia. Eu sei que muitos dos que aqui vêm não gostam de fantasia mas eu adoro. Continua a ser o meu género de eleição e para esta fase de pandemia é perfeito (será que há uma covid-spren?). Além disso reler tem sempre o gostinho especial de regresso a casa. 

Os livros desta saga são todos tijolos e isso é algo que me agrada. Eu gosto de passar muito tempo com aquela malta e não me incomoda nadinha levar muito tempo a ler o mesmo livro. Reler Oathbringer foi óptimo (confesso que tinha varrido da memória algumas cenas importantes) e sem a urgência de saber o final consegui tomar atenção a alguns pormenores que me tinham passado despercebidos (ainda por cima não estou a ler na minha própria língua o que não permite a mesma destreza de interpretação).

12
Dez20

Das coisas que sentimos falta mesmo sem saber

Patrícia

Ontem fui, com a desculpa das compras de Natal (mentira, não foi desculpa, foi mesmo a sério, livros e cartões-oferta de livrarias, coisa fácil de enviar por correio, foram a opção cá da malta de casa - ou seja, eu, que a igualdade de deveres ainda não chegou às prendas de natal, mas isso é outra conversa), a uma livraria e juro-vos que quase chorei. Nem eu sabia as saudades que tinha de andar ali entre os livros. 

Este ano tem sido um merda para toda a gente. Mudámos de vida de um dia para outro de uma forma não-natural, forçada e repentina.

Até os hábitos de leitura foram reformulados. Há quem leia mais, há quem quase tenha deixado de ler. Acho que no geral todos comprámos menos e o que comprámos foi online.

Eu não costumo comprar muitos livros, para dizer a verdade. Não me perco em promoções mas compro o que me apetece. Nos últimos tempos comprei mais ebooks  que livros físicos. Acho que fiz uma encomenda de livros neste tempo todo - e foi por causa de um livro para um clube de leitura. Pela primeira vez cheguei ao Natal com dinheiro num dos cartões oferta que me ofereceram no aniversário.

Sempre que abro as páginas das livrarias online fico 5 minutos a percorrer as páginas das promoções e novidades mas nunca encontro nada que me apeteça mesmo, mesmo, comprar. Acho que o problema é que não sou a típica leitora e os livros que mais se vendem - e que por isso estão em destaque - não são aqueles que mais me interessam. Ou apenas não tenho paciência para escolher livros através da net. Uma das duas opções será, ou talvez uma mistura de ambas.

A verdade é que entrei na livraria e, se não tivesse lá ido com um objectivo bem definido, teria de lá saído com uma montanha de livros novos... todos para mim. Imediatamente identifiquei, com olhar um pouco destreinado mais ainda certeiro, meia dúzia de livros que não só quero como preciso.

Tenho muitas saudades de estar, à vontade e sem a pressão da fila de pessoas que está à porta da loja à espera de autorização para entrar, algum tempo entre os livros. Olhar, ler sinopses, admirar capas, encontrar novos livros e novos autores, perceber o que se anda a publicar cá dentro e lá fora. Faz-me falta esse tempo. E nem sabia o quanto.

01
Dez20

A casa quieta, de Rodrigo Guedes de Carvalho

Patrícia

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Não é o meu livro favorito do autor, prova disso é o (tanto) tempo que o levei a ler. Mas, como os outros livros de RGC, é exigente (talvez até um pouco mais que os outros). 

Sabemos (ou julgamos saber) logo no primeiro capítulo como é o final desta história: um homem, após a morte da sua mulher, entra numa casa vazia, demasiado vazia. Uma coisa é certa, RGC acaba-nos com a esperança em meia dúzia de linhas. Depois conta-nos o que levou àquele desfecho, os como e os porquês. E nunca, em ponto nenhum, nos devolve a esperança que nos roubou. 

António e Salvador. Dois irmãos. Salvador, um arquitecto, casado com Mariana. António, advogado, casado com Eunice e pai de dois filhos. Vidas que, exactamente como o pai deles pretendia, são quase perfeitas. Mas, como na vida, o mundo que vive em cada um de nós tem o poder de nos absorver, remodelar ou destruir.

Não há muitos factos ao longo destas páginas. E nem todos são consequentes à primeira vista. Às vezes até parecem ali metidos apenas para chocar ou para dar a oportunidade ao escritor de nos transmitir uma ideia interessante (como quando uma cidade é destruída apenas pelas palavras). Mas depois há torrentes de emoção, há capítulos (como os de António) que nos conseguem atingir e deixar com um nó na garganta. 

Um livro sobre a solidão, o medo, a loucura (ou sobre aquilo a que chamamos de loucura), a perda (não só de alguém mas de sonhos, de expectativas), escrito de uma forma dura, algo primitiva.