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Ler por aí

Ler por aí

19
Jun20

Good Omens, de Terry Pratchett and Neil Gaiman

Patrícia

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Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch é um livro maravilhoso e muito divertido que me deixa a sorrir só de me lembrar. Tão, mas tão louco. E tão delicioso.

Em primeiro lugar tenho que vos dizer que já o acabei de ouvir há algum tempo e que tive que me socorrer do google para descobrir como se escrevem os nomes das personagens deste livro. Esse é um dos problemas dos audiobooks mas por outro lado aprendemos a pronunciar todos os nomes da forma correcta.

Não faço ideia como se escreve um livro a dois sem que o leitor perceba. Mas se não estive escrito na capa que havia dois autores eu não iria desconfiar nunca. Iria apenas pensar que isto tinha sido escrito por um louco e não dois. Talvez a loucura se multiplique qdo partilhada. Não sei. Mas acho que aqueles dois se divertiram horrores a escrever isto. Eu diverti-me.

Para resumir basta dizer-vos que esta é a história de um plano infalível. Quer dizer, mais ou menos infalível. É a história do Armagedão, do fim do mundo. O filho de Satã nasceu e no o seu décimo primeiro aniversário dar-se-á o tão esperado início da guerra bíblica entre o bem e o mal. Bem, pelo menos se  Aziraphale, o anjo, e Crowley, o demónio, não o puderem evitar. Afinal, ambos adoram viver na terra e não estão dispostos a contemplar a eternidade nem no paraíso nem no inferno. 

Supostamente, e numa tentativa de conseguir evitar o fim do mundo, Aziraphale e Crowley, encarregar-se-iam de "ajudar" na educação do anti-Cristo que, depois de uma troca de bebés na maternidade, estaria entregue a determinada família. Não levaram em conta que a freira satânica responsável pela coisa era, como dizer, ligeiramente distraída. Nada corre como planeado. Os dois amigos, representantes das forças do bem e do mal, passam onze anos dedicados à criança errada...

E é o que acontece no dia em que o anti-Cristo faz 11 anos que é contado neste livro... e também no livro de profecias de Agnes Nutter que, cerca de 300 anos depois está nas mãos de Anathema, uma bruxa muito simpática.

Sim, este livro mete anjos, demónios, bruxas, freiras satânicas, caçadores de bruxas, crianças demoníacas, crianças não demoníacas, homenzinhos verdes, isto sem falar nos cavaleiros do Apocalipse e num determinado cão que gosta de perseguir coelhos.

É maravilhosamente louco. Não tenho outra forma de o dizer. 

 

17
Jun20

Segredos Obscuros, de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Patrícia

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Este livro é um dos grandes sucessos policiais dos últimos anos e resolvi pegar-lhe porque nada como um bom policial, sangrento quanto baste, para nos distrair do dia a dia chato e complicado que temos por estes dias. 

E tenho que vos dizer já que este livro foi uma desilusão. Lê-se mas não me encheu as medidas.

Eu sei que é típico que os protagonistas deste tipo de livro sejam sofridos, problemáticos, enfim, parece que só assim se é um bom profissional (veja-se o meu querido Harry Hole, dos livros do Nesbo). E o "nosso" Sebastian não foge à regra... o problema é que o personagem me pareceu ser um herói escrito por uma adolescente, o típico bad boy, giro, sedutor e que come tudo o que mexe mas que só o faz porque, coitadinho, é traumatizado. Revirei muito os olhos. É um cliché tão mas tão grande que me conseguiu fazer criar anti-corpos contra este livro. Ora se eu não leio romances de cordel porque os protagonistas são geralmente assim (mas, claro, redimem-se pelo Amorrrrrr) é preciso ter alguma má sorte para apanhar um num policial. 

Enfim, continuemos....

O crime em si. A equipa de detectives. Oh meus amigos, vocês descobriram o cerna da coisa ainda antes do meio do livro, certo? Então porque raio isso nem passou na cabeça daqueles moços e moças? Bastante previsível o "quem". O "porquê" já não o foi tanto e foi isso me fez puxar as estrelinhas até o 3. 

Gostei da equipa de detectives e das dinâmicas. Presumo que cada um deles tenha a sua "dose" de problemas, dramas e traumas (mas quem não os tem, não é), que serão devidamente explorados ao longo dos vários livros da série e há ali material interessante para explorar. Se bem que aquele twist final...muito revirar de olhos, senhores, outra vez. Veremos.

Ainda não decidi se vou ou não continuar a ler a série, se lhe darei outra hipótese ou não. Veremos.

02
Jun20

Tardes de verão

Patrícia

Li muito durante a minha adolescência. Talvez pudesse ter lido "melhor" mas nos anos 90, numa aldeia perdida no meio da serra, o acesso a livros estava algo limitado. Nunca me faltaram, é preciso dizê-lo, mas não eram um bem a que pudesse aceder sem restrições. Por isso lia o que apanhava e relia os favoritos. E nas tardes intermináveis de verão, com demasiado calor para pôr o nariz na rua antes do final da tarde, com uma televisão reduzida aos 4 canais, sem praia perto, era nos livros que me perdia e me encontrava. Quando o tempo não era um factor, o tamanho do livro também não o era. Aliás, minto, não foram poucas as vezes em que escolhi um livro pelo seu tamanho. Um maior número de páginas prometia mais tempo comprometida com aquela gente, com aquela história. Hoje continuo a achar que a adolescência é a altura ideal para ler os calhamaços de que temos algum receio na idade adulta. Uma série de 10 livros não faz pestanejar alguém cuja ideia de finitude, de limitação, simplesmente não existe. Um clássico não assusta alguém que se acha capaz e vencer o mundo. E não há nenhum problema em não perceber tudo o que lá está escrito - é por nos atrevermos a ser mais do que somos que crescemos, que evoluímos, que descobrimos que somos mais, somos capazes de melhor do que aquilo que achávamos ser. Costumo dizer que não ter todos os que queria fez mais por mim "leitora" que se tivesse tido acesso ilimitado a livros. Sou completamente defensora do aborrecimento como estimulador da imaginação. Quando não nos apetece reler pela centésima vez o mesmo livro talvez estejamos mais dispostos a pegar naquele livro velho, que tem uma capa feia mas que sempre nos foi recomendado. Ler é também um acto de oportunidade.