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Ler por aí

Ler por aí

31
Mar20

#1 - A necessidade aguça o engenho - Fiquem em casa

Patrícia
24
Mar20

Viagem ao passado 1 : O cavalo preto, de Anne Sewell

Patrícia

Não sei bem porquê mas esta noite lembrei-me deste livro. Lembro-me de o ter requisitado (vezes sem conta) da biblioteca da escola. Lembro-me de sofrer com o Black Beauty, de achar que o que lhe faziam era a maior injustiça do mundo e de ficar feliz quando as coisas lhe corriam bem.

Pensando bem este livro talvez tenha sido a minha versão de romances melosos, para chorar baba e ranho. Mas sempre tive uma imensa paixão por cavalos e este livro foi perfeito para a reforçar e para me fazer sentir um bocadinho mais perto destes animais sensíveis, inteligentes e majestosos.

De qualquer das formas este foi um livro que marcou profundamente a minha infância.

 

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O Cavalo Preto é um belo potro, elegante, dócil, inteligente e sensível, que qualquer pessoa gostaria de ter por companheiro. Descendente de um grande vencedor de corridas, teve uma educação esmerada em virtude da qual aprendeu a respeitar e a estimar os outros animais e os homens. Todavia há quem, levado pela ganância ou pelo egoísmo, não compartilhe tais sentimentos e chegue ao ponto de exercer sobre ele sevícias e brutalidades a todos os títulos condenáveis. Uma obra recheada de ternura e poesia que patenteia igualmente uma severa crítica ao egoísmo e brutalidade com que eram, e em muitos casos ainda hoje são tratados, os cavalos, tanto a nível doméstico como a nível de competição.

 

23
Mar20

ler fantasia

Patrícia

O género ficção especulativa* continua a ser um dos mais desvalorizados da literatura. Até quem luta por "não há maus livros" (e vocês já sabem o que eu acho disso) torce um bocadinho o nariz à fantasia, à FC ou a qualquer outro subgénero da ficção especulativa. É assim uma espécie de género menor da literatura. Pelo menos por cá. Neste cantinho à beira mar plantado (onde as pessoas vão passear à beira mar mesmo em época de quarentena) ler fantasia (ou FC) é coisa de nerds, de miúdos e de gente estranha. E antes que digam que não é bem assim: eu sou leitora de fantasia e sei bem os comentários vindos até de quem se diz leitor não preconceituoso. 

Mas a verdade é que a maioria de vós gosta de ler livros deste género. Podem até não gostar de alguns sub-géneros como High fantasy mas garanto-vos que gostam de livros que se podem, sem nenhum género de esforço, incluir neste género.

Ou vocês acham que livros como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol ou o A metamorfose, de Franz Kafka não são livros que facilmente se incluem aqui?

Ah, mas.... dizem vocês! 

Mas nada. O Diário de Dorian Gray, do Oscar Wild é o quê? 

mas...

E o Fahrenheit 45 de Ray Bradbury , o A guerra dos mundos, do H.G Wells, o 1984, do Orwell ou o Admirável Mundo Novo do Huxley, são o quê?

E as fábulas? as Lendas? são o quê? Registos históricos do tempo em que havia fadas e os animais falavam?

É que nem sendo fãs do A guerra dos tronos conseguem admitir que este género, que a fantasia tem coisas boas - afinal a série é mais política que fantástica

Meus senhores e minhas senhoras, vamos lá a ver. Toda a boa fantasia/FC/distopia é dedicada à análise dos tempos em que vivemos, ok? Toda. E isso implica análise à política, à religião, às crenças, à sociedade da actualidade.

 

* texto editado após as belíssimas conversas nos comentários :)

 

 

19
Mar20

Ficções, de Jorge Luis Borges

Patrícia

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Era uma vergonha ainda não ter lido Borges. Logo eu, que tanto gosto de fantasia. A verdade é que este autor é daqueles que sempre figuraram na lista de "autores que preciso de ler" mas que "tenho algum receio de não perceber/gostar" e que, por isso, vão ficando para mais tarde. Mas desta vez (e porque foi o livro escolhido no grupo de leitura da biblioteca de Alvalade) li e gostei.

Não vos vou dizer que foi fácil. Eu não sou, já aqui o disse diversas vezes, leitora de contos. Gosto de passar tempo com as personagens, gosto de mergulhar num bom romance e ali "viver" durante algum tempo.

Nos contos é, geralmente, muito difícil estabelecer empatia com as personagens, principalmente porque ficamos sem elas muito depressa.  Mas este não é um livro como os outros. Não tem nada de banal ou fácil ou rápido. A escrita de Borges não é (e para usar uma expressão tão na moda e que eu detesto) nada fluída. Cada conto precisa de tempo, de calma. Porque cada conto tem um mundo dentro e dava, com facilidade, um romance (de muitas páginas).

O primeiro conto "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius" onde um grupo de pessoas se une para imaginar um mundo onde a realidade nasce da ideia e onde "não existe o conceito de plágio: estabeleceu-se que todas as obras são obras de um só autor, que é intemporal e é anónimo". Depois, em Pierre Menard, autor do Quixote, temos um escritor que, séculos depois, escreve o Dom Quixote, palavra por palavra. E este Quixote, o de Menard é, obviamente, infinitamente melhor que o outro Quixote, o de Cervantes. No As ruínas circulares, conhecemos um homem que quer sonhar um homem e em A lotaria na babilónia reflectimos sobre a arbitrariedade. O conto que dá nome à primeira parte deste livro, O jardim dos caminhos que se bifurcam é um genial labirinto. Funes, o memorioso, é um monumento à linguagem e à palavra. Mas um dos meus favoritos é, como não podia deixar de ser, o A biblioteca de Babel, com todos os livros que já se escreveram e todos os livros que um dia se irão escrever e todos os livros que podiam ser escritos. Que ideia maravilhosa e ao mesmo tempo, assustadora.

Irei certamente continuar a ler Borges e irei certamente regressar a este contos que pedem para ser relidos.

 

15
Mar20

#FiquemEmCasa #StayTheFuckHome

Patrícia

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Fiquem em casa. Sejam solidários. Eu sei que, para os leitores deste blog, não é difícil ficar em casa a ler um livro mas nunca é demais dizer, avisar. Fiquem em casa. 

Vai custar? sim. Mas fiquem em casa

O dia está lindo e apetece ir para a esplanada ler um livro? Sim. Mas fiquem em casa.

Fiquem em casa para cuidar de vocês, para cuidar dos outros.

 

Fiquem em casa. Se apanharmos todos o virus que provoca a COVID19 o SNS não vai ter capacidade para tratar todos. Se não tiver capacidade para tratar todos vai haver mais mortes, mortes desnecessárias, algumas até, talvez, de pessoas que amamos. Talvez até sejamos nós a morrer. 

Fiquem em casa. Não sejam responsáveis pela morte dos outros.

Fiquem em casa. Isto não é física quântica. A única coisa que nos pedem é que fiquemos em casa. Até se pode tornar difícil mas não é impossível e é necessário.

Sejam inteligentes. Fiquem em casa.

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14
Mar20

Uma rapariga endiabrada, de Nick Hornby

Patrícia

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Às vezes apetece ler um livro levezinho, passar umas horas apenas com o prazer de ler uma história bonita. 
Talvez este livro não fosse uma das minhas escolhas mas foi-me oferecido e peguei-lhe num dia em que precisava precisamente de não pensar em nada, descontrair um bocadinho e passar umas horas a ler. E foi exactamente isso que encontrei nestas páginas: algumas horas de leitura descontraída.
 
Sophie ambiciona ser mais, sair da sua pequena cidade e arriscar o mundo. Ela quer uma carreira na comédia televisiva. E quando se cruza com Tony, Bill, Dennis e Clive sente-se em casa e nasce a série Bárbara (e Jim). Acompanhamos este grupo, as suas vitórias e derrotas ao longo de 3 temporadas da série. Há alguns temas interessantes que são levemente, muito levemente, abordados neste livro. A homossexualidade e a homofobia, racismo, as dinâmicas familiares ou sociais. Infelizmente o desenvolvimento destes temas é quase nulo. Há aquela altura em que pensamos ter percebido o caminho que o escritor escolheu... para imediatamente percebermos que, afinal, não era bem isso.
 
Portanto, se o que procuram é algo leve e divertido, este é o livro certo.