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Ler por aí

Ler por aí

25
Fev20

De quarentena

Patrícia

Numa altura em que a Europa acordou para a possível pandemia de Covid-19 começa a haver cidades na Europa de quarentena. Vamos acreditar que Portugal se vai manter livre do vírus mas todos podemos, sem necessidade de pânico, tomar algumas medidas básicas de protecção que passam, na sua maioria, por medidas de higiene e cuidados que deveríamos ter sempre.

Ora, se nos dão limões podemos sempre fazer limonada, não é? E se temos que evitar grandes multidões e eventos sociais, então podemos aproveitar o tempo para quê? Ler, claro.

Agora temos a desculpa perfeita para declinar aqueles programas chatos ("acho que estou a ficar engripada, é melhor ficar em casa") e ficar a tarde toda debaixo de uma manta, com uma chávena de chá, café ou chocolate quente, a ler um livro.

Ptto a grande questão, a questão do milhão de euros é: vocês já se preparam para uma possível quarentena? Claro que estou a falar de livros. Têm livros suficientes em casa para uns dias de quarentena?

Claro que têm, eu sei. Todos nós temos mais livros em casa do conseguiremos ler durante toda a nossa vida.

Mas já têm livros para umas semanas de quarentena? 

19
Fev20

Este ano quero... comprar mais livros

Patrícia

Sim, leram bem. Este ano a minha decisão é "comprar mais livros". 

Eu sei que a maioria dos leitores tem como decisão de início do ano (sim, eu sei que já estamos a meio de Fevereiro)  "comprar menos livros". E até percebo porquê. E, se tivesse alguma coisa a ver com isso - que não tenho - acharia muito bem. Se é isso que pretendem, força.

Mas eu quero comprar mais livros.

Por um lado, comprar mais livros significa ler mais. E eu ando a ler pouco. Como não sou pessoa de andar a comprar apenas por comprar, só vou comprar mais se, de facto, ler mais. 

Além disso, recuso sentir-me culpada por comprar os livros que me apetecer. Tenho espaço suficiente e a gestão do meu dinheiro é um problema meu. Se a quantia que reservo aos livros não me incomoda, ninguém tem nada a ver com isso. Era o que mais faltava...

Por fim e a razão porque escrevo este post e vos dou a conhecer a minha decisão de ano novo, é que eu gosto muito de ler em português e gosto muito de ler livros de escritores portugueses. Além disso, gosto de ter escolha, gosto que os livros que leio se traduzam e se editem por cá. E isso só acontece se os livros se venderem. E a verdade é que já há poucos leitores, se estes deixarem de comprar vão passar a haver poucos livros disponíveis, as traduções serão cada vez piores (trabalhos mal pagos não podem produzir bons resultados), a revisão que já é, em tantos casos, risível, passará a ser inexistente e aí perdemos todos. 

Além disso comprar um livro é a única forma do escritor ser pago pelo seu trabalho (e aposto como nenhum de vocês trabalha apenas por amor à camisola). Ao contrário do que tantos julgam por aí, um "sim, senhor, gostei" não é forma de pagar ao escritor (a próxima vez que se acharem a última coca-cola do deserto, imaginem o vosso patrão chegar ao fim do mês e dizer-vos "foste brutal este mês" e não vos pagar ordenado). Fico sempre muito triste quando vejo que nem os leitores (ou muitos deles, pelo menos) são capazes de respeitar o trabalho (sim, porque é trabalho) dos escritores.

Quando me apercebo que os leitores esperam, não apenas ler de borla, como ainda um "obrigado" do escritor, uma palmadinha nas costas, um "a minha vida é melhor porque tenho leitores assim", aí fico irritadíssima. E infelizmente, tenho ouvidos muitas histórias deste género nos últimos tempos.

Por isto e porque me apetece: este ano, quero comprar mais, sim!

 

19
Fev20

A Morte do Papa, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

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Um capítulo, no início, conquistou-me logo e pôs a fasquia bem alta para este livro. É o da discussão de Mateus I, em jovem, no seminário. Não muito habitual nos livros policiais, dá um mote interessante e levanta várias questões, nas quais vale a pena reflectir, principalmente numa altura em que a igreja católica passa por uma crise da qual será muito difícil recuperar.

O Nuno Nepomuceno dá-nos, através da história de Mateus I, a sua explicação para a surpreendente morte de João Paulo I, no 33º (ou não) dia do seu papado. Ao mesmo tempo conduz-nos numa labiríntica busca pela verdade acerca do misterioso desaparecimento de uma menina, a Gabriella, através da investigação de um jornalista da rádio do Vaticano. Ao mesmo tempo, Diana, envolve Afonso em actividades ilícitas...

Gostei bastante deste novo livro do Nuno que li num instante e que, apesar de ter sido lido há já algumas semanas, continua bem presente. 

Uma das coisas que tenho que ressalvar é que, apesar desta história ser a quarta da série "Afonso Catalão", o Nuno não faz dele o seu protagonista (já não o fez no livro anterior), nem cai no (para mim) erro de o transformar num super herói sempre pronto para "salvar o dia" ou para mais uma mulher. Sim, o Afonso continua a ser uma personagem importante, com um passado que lhe permite os conhecimentos necessários para se safar de algumas situações, mas ele não é, de todo, o protagonista deste livro. Além disso, Afonso parece ser aqui, um elemento de continuidade e de aproximação aos outros livros do escritor.  Eu, que me irrito solenemente com os protagonistas "sabichões" e "com passado em branco", gosto desta característica do Afonso Catalão, que muito contribui para dar às personagens destes livros  profundidade e vários tons. Não posso deixar de referir também a tristeza e a dor que senti nas descrições das visitas do Afonso ao Imã Yusef. (Obrigada Nuno, por teres incluído estes bocadinhos).

Depois podem descobrir alguns pormenores que o Nuno optou por deixar de fora do seu livro nos vários contos. Dois deles (O Assassino na noite e O beijo do escorpião) foram disponibilizados pelo na página web dedicada ao livro e os restantes (Dor, Ira e Raiva) foram oferecidos a que comprou o livro em pré-venda. Actualmente, os 5 contos, fazem parte da colecção "Histórias do bem e do mal" que pode ser adquirido.

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