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Ler por aí

Ler por aí

25
Out19

O pretérito (pouco) perfeito

Patrícia

Poderia escrever um texto sobre o amor aos livros, como cada leitor conjuga todos os dias o verbo gostar em cada página, em cada palavra, em cada livro.

Podia escrever um texto sobre o amor próprio, dar uma de guru (acho que agora se diz coach, não é?) da auto-ajuda e dizer que precisamos de gostar de nós antes de gostar dos outros. Ou melhor, para gostar dos outros.

Mas não. Venho tão só pedir, por favor, para conjugarem a porra do verbo gostar correctamente: o pretérito perfeito é "gostaste" e não "gostas-te", a não ser que sejas o tal guru e queiras reflectir sobre o quão te amas...

 

23
Out19

Grandes leitores

Patrícia

Hoje vamos falar de grandes leitores. Sim, não me enganei. Não quero falar de grandes escritores mas sim de grandes leitores.

Começo já por uma declaração de intenção. Não sou uma grande leitora. Não tenho nenhuma falsa humildade (e quem me conhece sabe isso perfeitamente) e isto é apenas a constatação de um facto.

Eu não sou uma grande leitora. Não, no meu conceito de "grande leitora". Sou, no máximo, uma leitora mediana. Pelo menos no MEU conceito de grande leitor - e é disso que vou falar, do que faz, na minha opinião, um grande leitor.

Começo já por uma declaração polémica aqui neste mundo virtual: a maioria dos grandes leitores que conheço não têm blog, nem canal, nem qualquer vontade de partilhar connosco as suas leituras (mas é um enorme privilégio quando o fazem). Não significa isto que não haja um ou outro que ande por aqui ou por ali....

Falemos de quantidade....

Um grande leitor não lê, necessariamente, muitos livros. Já leu muitos livros, livros diferentes, alguns que não eram para a sua idade (na opinião dos outros, claro), outros de que gostou, muitos de que não gostou. Já leu muitas vezes o mesmo livro (e com isto não quero dizer que ser o mesmo "título" muitas vezes) mas, acima de tudo, diversificou leituras.

Um grande leitor não é o que consegue ler mais livros num pequeno período de tempo... é aquele que lê ao seu ritmo (seja rápido ou lento) , de forma consistente e continuada (adoro aquelas pessoas que se acham o máximo porque leram muitos livros - geralmente são pessoas de letras e leram principalmente em contexto académico - mas que não abrem um livro há 20 anos), dando à leitura o tempo que ela precisa.

Falemos de qualidade...

Dir-me-ão vocês que a qualidade é relativa e que o que eu considero ter qualidade não o tem necessariamente. Também podíamos falar da crítica literária (ou da falta dela, da parcialidade ou imparcialidade do quem critica), do cânone (mito ou realidade?), da qualidade dos clássicos, etc, etc, etc.

Mas é inegável que um grande leitor leu e lê bons livros. Livros que passam no crivo dos outros grandes leitores, do tempo, da academia. E no crivo dos leitores medianos como eu ou até de leitores ocasionais.

Não acho que os grandes leitores só leiam coisas inacessíveis. Mas são aqueles que descobrem livros que já leram nas estantes mais recônditas das livrarias ou dos alfarrabistas.

Os grandes leitores são aqueles que formam a sua opinião sem terem em conta a opinião dos outros mas que não menosprezam nem desprezam a opinião dos outros. Os grandes leitores são aqueles que sabem que ser um livro da moda não é garante de ser bom...nem de não prestar. 

E, para mim, há uma forma inequívoca de reconhecer aqueles que são (para mim) os grandes leitores: A paixão com que falam dos livros e forma como aprendemos sempre com eles. 

 

 

09
Out19

Já podemos falar de outra coisa que não as eleições?

Patrícia

Falando de coisas verdadeiramente importantes*, esta é a semana dos prémios. Cada dia é anunciado um novo vencedor e amanhã até há dois (Apostas por aí? Depois da escandaleira do ano passado vão ser as mulheres as vencedoras? Teremos a língua portuguesa em destaque? Aqui em casa, confesso, torcemos pelo Mia Couto este ano. Mas gostava de ver mulheres a ganhar. Aposto que, um dia, na corrida estarão a Dulce Maria Cardoso e o Gonçalo M. Tavares - quem me conhece já sabe que torço por eles. Das apostas internacionais, gosto bastante do Murakami, mas desconfio que este, como o Lobo Antunes, serão os eternos candidatos! Ah, conheço a Joyce Carol Oates, claro).

Mas por cá destaco a escritora Luísa Costa Gomes que, com o seu Florinhas de Soror Nada, ganhou o prémio Urbano Tavares Rodrigues, pelo:

extremo rigor da sua construção e da linguagem, cujo poder de inventiva e contágio, a par de personagens intensas e do entrecho, desmontam os lugares comuns concernentes às relações entre a fé e o conhecimento, ao feminismo estereotipado e à vacuidade manipuladora do chamado politicamente correcto

Já o Afonso Reis Cabral foi distinguido com o prémio José Saramago com o Pão de Açucar.

Ah e o ARC tem um novo livro, onde conta a aventura de ter caminhado ao longo da N2. Eu segui a aventura pelo facebook pelo que recomendo o livro (e a N2, especialmente ali à volta do Km 688).

 

A ambos os Parabéns e obrigada pelas belas horas de leitura que nos têm proporcionado ao longo dos anos.

 

* não me chateiem, isto é um blog de livros, aqui falo de livros e estou farta de política até aos olhos, por isso, neste preciso momento, não há nada tão importante para mim quando a literatura. Mas acho que já mostrei um pouco da minha posição sobre este assunto aqui.