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Ler por aí

Ler por aí

30
Set18

E no fim, ela mata-se!

Patrícia

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5/9 foi o resultado à sondagem sobre spoilers que fiz no Instagram sobre spoilers.

Confesso que fiquei surpreendida por 5 pessoas terem respondido SIM. Se eu tivesse respondido, essa teria sido também a minha escolha mas talvez a razão para isso não seja a que estão a pensar.

Eu não gosto de saber o final de um livro antes de o ler (e, já agora, sabem de que livro é o spoiler no título? Aparentemente toda a gente já o sabe por isso ninguém se coíbe de o alardear!), nem fico tão ansiosa que precise saber o que vem depois. Os spoilers de que falo são de outro género.

 

Deixem-me dar um passo atrás: nos blogs, Book Tube e afins, é mais ou menos aceite que as opiniões estão livres de spoilers. Até há algum tempo eu dir-vos-ia que isso era, para mim, o mais adequado. E é, se tivermos determinados objectivos: partilhar o que achámos daquele livro e convencer os outros a lê-lo. Quando digo "convencer os outros a lê-lo" não falo de "vender livros". Acredito que quem tem parcerias, até deseje que haja quem o compre, de forma a justificar esse acordo (e todos os post/vídeos de divulgação não são mais do que isso: marketing com o objectivo da venda, coisa que é absolutamente normal e neste momento uma das poucas formas de dar a conhecer novos livros) mas a vontade de partilhar o amor aos livros em geral e àquele em particular é, não duvido, o mais importante.

Por isso pergunto-me porque raramente passamos a linha do spoiler e arriscamos o lado da verdadeira partilha de opiniões.

E eu sei que a maioria de nós sente falta dessa partilha: as leituras conjuntas que se vão fazendo, de forma mais ou menos esporádica, ou os grupos de leitura que ultimamente nascem como cogumelos (e que maravilha são) são apenas dois exemplos disso. 

Quem lê este blog sabe que ando há mais de um ano a ler bastantes livros num universo do fantástico e que passo a vida a queixar-me de que não tenho com quem falar daqueles livros. Ora, foi essa necessidade que me fez começar a procurar informação. Habituei-me ouvir um determinado podcast sempre que acabava de ler um livro e a verdade é que a experiência foi óptima. Ouvir o pessoal a esmiuçar o livro, chamando-me a atenção para passagens a que não tinha dado tanta atenção ou corroborando a minha opinião sobre determinado acontecimento foi óptimo. 

Praticamente todos os posts que fiz sobre os livros do fantástico que li estão cheios de spoilers. Fi-lo porque sei que esses posts são muito mais para mim que para vocês, são dos menos lidos por aqui mas a verdade é que são dos que mais me agradam porque não ficam a meio do discussão, porque não me refreei para não vos estragar a surpresa.

Já aqui disse várias vezes que, se tivesse tempo, é provável que me dedicasse a um podcast. Seria sempre algo que permitisse uma verdadeira discussão sobre um ou mais livros. O tipo de podcast para quem já tivesse lido aquele livro e não o contrário. Claro que eu sei que isso não teria qualquer género de sucesso mas seria exactamente o tipo de coisa que me dava gozo fazer.

Como sempre, boas leituras :)

19
Set18

Direitos dos leitores (parte 12): Esquecer o que se leu

Patrícia

Quem nunca, não é?

Quem nunca se viu na circunstância de já ter lido aquele livro e não se lembrar nem do principio, nem do meio, nem do fim?

Eu confesso, acontece-me muitas vezes. Claro que me acontece especialmente com livros que só li uma vez e há muito tempo ou com livros que não me marcaram especialmente.

Sempre ouvi dizer (qualquer coisa como) que o que realmente aprendemos é aquilo que sabemos depois de nos esquecermos do acessório.

Acho que com os livros é mais ou menos o mesmo: os importantes são aqueles que ficam. E na verdade não precisamos lembrarmo-nos da história com todos os pormenores... mas se nos lembrarmos do que sentimos quando os lemos ou de uma ou outra passagem mais especial é suficiente. Pelo menos para mim é. 

Já vos aconteceu começar a ler um livro para rapidamente descobrir que já o tinham lido? Não é muito comum (tendo a lembrar-me do título ou do autor) mas já me aconteceu. 

Esta é uma das razões pelas quais vou mantendo este blog: guardar um registo que, em apenas alguns minutos, me leve de regresso ao momento em que li o livro. 

 

Ler mais livros

Não gostar do livro que toda a gente gostou

Mudar de opinião acerca de um livro

"Viver" os seus livros

Ler em todo o lado

Ler em vários formatos e línguas

Não ler

Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

Ler...audiobooks

Ler vários livros ao mesmo tempo

Ler sem ser incomodada

15
Set18

The Bands of Mourning, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Sendo o terceiro livro da Era 2 de Mistborn (após The Alloy of law e Shadows of Self) é o segundo livro da segunda trilogia Mistborn, uma vez que The Alloy of Law é um livro "A solo". Na verdade, acho que não faz sentido ler Shadows of Self sem ter lido The Alloy of Law.

Esta trilogia tem ficado cada vez melhor. The Bands of Mourning leva-nos à infância de Wax e Telsin na Terris Village para depois regressar ao presente e ao casamento de Wax com Steris. Quer dizer... ao casamento falhado de Wax e Steris (têm uma oportunidade para adivinhar quem e porquê...). Wax ainda está a tentar lidar com a (segunda) morte de Lessie quando aceita acompanhar Marasi, Wayne e MeLaan na recuperação de um dos espigões de VanDell, um Kandra que procurava as míticas Bands Of Mourning, as mentes metálicas do Lord Ruler. Wax não consegue esquecer o dever e quer, acima de tudo, encontrar a irmã, Telsin, refém do grupo SET. 

Como sempre, o melhor dos livros do Sanderson é a dinâmica entre os personagens. E a estrela deste livro é, surpreendentemente Steris. A Steris que, em determinada altura, decide dar a todos uma pontuação dependendo da sua utilidade... e é das coisas mais tristes que já li.

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A Steris consegue tornar-se numa das melhores personagens deste livro... Já Marasi ainda não se conseguiu impor. Tem algumas passagens interessantes, continuo a conseguir fazer um paralelismo com Elend e começo a achar que será uma daqueles personagens que, por mais que faça, nunca conseguirá dar o salto para o palco principal.

Já Wayne consegue provar, sempre que aparece, porque é que dá nome à série (não esquecer que é The Wax and Wayne series). A visita que faz a Ranette no início do livro é de partir o coração, a amizade dele com Wax é de nos reconstruir o coração que acabou de ser partido e a relação dele com MeLaan é simplesmente m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a (bem a MeLaan é maravilhosa mesmo sem o Wayne). Nestas cenas com ele consigo sempre dar uma gargalhada e ficar com uma lágrima no canto do olho. Sem dúvida, Wayne é das minhas personagens favoritas de todos os livros.

Deixo-vos um pequenino exemplo:

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O final deste livro é o melhor da Era 2. Os diálogos. A conversa de Wax com Deus. Simplesmente perfeita.

E claro deixa-nos com muitas perguntas e uma enorme espera pelo grande final.  

 

 

05
Set18

Direitos dos leitores (parte 11): Ler sem ser incomodada

Patrícia

Hoje vou falar-vos de um dos Direitos do Leitor que eu (e acredito que vocês) mais reclamo. Um daqueles direitos que nos é sistematicamente negado e/ou atropelado.

Tenho a certeza que já adivinharam: o direito de ler sem ser incomodado.

Estar a ler não é "estar sem fazer nada"!

Quando estou a ler num café, numa esplanada, numa praia, num parque não estou disponível para conversas, nem para que outros se sentem na minha mesa, à minha beira, a fazer conversa. Eu não levei o livro pelo "medo" de ficar sozinha ou sem nada para fazer. A grande probabilidade é que tenha ido propositadamente para aquele cantinho para ter alguns minutos/horas de sossego a ler o meu livro. Eu não estou desesperada pela companhia dos outros - aliás, o mais provável é que tenha ido para ali para me livrar da companhia dos outros.

Não me levem a mal. Há uma probabilidade grande de eu gostar de vocês, de serem muito importantes na minha vida mas, pelos amor de deus, deixem-me estar no meu canto quando estou a ler. 

"Olá, estás a fazer alguma coisa?" é apenas uma pergunta estúpida se eu tenho um livro na mão porque a resposta é óbvia: "sim, estou a ler".

"Olá, estás sozinha?" talvez não seja tão estúpida quanto a pergunta anterior... ou melhor, sim, é tão estúpida como a pergunta anterior porque se me viram é porque não são cegos e podem ver que não está ninguém ao meu lado. Ah e correm o risco de eu, com um olhar um bocado vidrado, responder: sim, estou com os meus amigos imaginados, os personagens deste livro.

"Olá, o que estás a ler?" - Se estiver a ler no Kobo, esta talvez seja uma pergunta inteligente... se estiverem dispostos a continuar a falar de livros. Se não, desamparem a loja, sff. Mas continuo a gostar de vocês. Um bocadinho menos, naquele momento, mas depois a coisa volta ao normal. Se estiver a ler um livro, a pergunta é estúpida, desenrasquem-se, façam o pino se for preciso e espreitem a capa do livro. 

"esse livro que estás a ler é fabuloso, podemos falar sobre ele?" - neste caso há uma enorme probabilidade de eu vos pagar um café.

 

("Ah, ah, ah, tens piada, tu. Mas não preferes conversar sobre (inserir assunto) um bocadinho? podes ler depois" - aqui há uma enorme probabilidade de eu não gostar de vocês nunca mais)

 

(pronto, estou a exagerar um bocadinho, eu gosto de algumas pessoas e gosto muito de conversar)

 

Ler mais livros

Não gostar do livro que toda a gente gostou

Mudar de opinião acerca de um livro

"Viver" os seus livros

Ler em todo o lado

Ler em vários formatos e línguas

Não ler

Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

Ler...audiobooks

Ler vários livros ao mesmo tempo