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Ler por aí

Ler por aí

29
Ago18

Como não me sentir sozinha na minha loucura

Patrícia

Quem me conhece sabe que ando absolutamente viciada em Cosmere e nos livros do Brandon Sanderson e que sou uma chata porque quero muito encontrar gente com quem falar sobre tudo o que se passa naquele universo.

A verdade é que até tenho conhecido algumas pessoas que lêem os livros e com quem vou trocando umas ideias mas a verdade é que são os podcast/canais do YT que me fazem sentir que não estou sozinha nesta loucura. 

Como já ouvi tudo o que o pessoal do Legendarium podcast gravou sobre o Sanderson passei para este The Sandersonian Institute Of Cosmere Studies (na verdade ouço em podcast que não tenho tempo para ver os vídeos). Isto é algo que eu gostava de fazer. Em podcast, claro. 

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26
Ago18

A Carne, de Rosa Montero

Patrícia

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O nome da personagem dá o mote a esta história. A Solidão é o grande tema deste livro. Soledad, uma mulher que aos chegar aos 60, profissional de sucesso mas que se sente uma mulher falhada. Esta mulher é o reflexo da nossa sociedade, que sente em cada ruga a pressão da idade, na solidão vê o preço do falhanço da falta de amor.

 

Confesso que adorei Soledad. Não posso dizer que me identifico com ela mas senti empatia com ela desde a primeira página. A imagem que se vê reflectida no espelho e que não se reflecte, de todo, com o que é.

Não vos vou falar muito sobre esta história. Basta-me dizer-vos que conta a história de uma mulher de 60 anos que contrata um gigolô bastante mais novo que ela. O objectivo é, inicialmente, provocar ciúmes no ex-amante mas... bem, a atracção entre ambos leva a que a história não se fique por aquela noite. 

Com a desculpa de uma exposição que Soledad está a preparar, Rosa Montero leva-nos, numa espiral de histórias, a conhecer uma série de escritores malditos, as suas histórias, os seus crimes, a sua genialidade. Somos constantemente desafiados a fazer uma pausa e a ouvir um pouco de música ou a pesquisar um pouco mais sobre um destes escritores malditos.

 

Acho que não preciso de vos dizer que gostei muito deste livro, que vos aconselho a sua leitura. Rosa Montero tem uma forma muito especial de escrever e eu fiquei rendida. Tenho, há muito, na estante o A louca da Casa, o seu livro mais famoso, que me tem sido repetidas vezes aconselhado e que será uma das minhas próximas leituras.

 

 

26
Ago18

Curtas 2018 #2 : Direitos dos leitores (parte 10)

Patrícia

Há quem seja fiel e há quem "tenha coração suficiente" para ler vários livros ao mesmo tempo. 

Eu sou, por princípio, leitora de um livro de cada vez. Bem gostava de praticar a "polileitura"  mas raramente o consigo. A única excepção são mesmo os audiobooks mas, para dizer a verdade, nem isso corre muito bem. A ideia era ouvir os audiobooks no carro e nas outras oportunidades de leitura, pegar num livro. A verdade é que ponho os auscultadores e pego no ebook (tenho sempre  o ebook do audiobook que vou ouvindo). Por isso quando estou a ler noutro formato tendo a ouvir mais podcast e menos audiobooks.

Mas há imensa gente que lê vários livros ao mesmo tempo, lendo consoante o humor e a vontade. As vantagens são imensas, claro. Há sempre alturas no dia em que não nos apetece ler aquele género de livro, há livros que não podemos carregar connosco (por serem pesados, emprestados ou especiais) e até há livros que só conseguimos "digerir" em doses homeopáticas. E a quantidade de páginas lidas por dia aumenta consideravelmente. 

Não é direito que eu reclame para mim, este de ler vários livros ao mesmo tempo, mas é mais um dos direitos dos leitores.

 

 

Ler mais livros

Não gostar do livro que toda a gente gostou

Mudar de opinião acerca de um livro

"Viver" os seus livros

Ler em todo o lado

Ler em vários formatos e línguas

Não ler

Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

Ler...audiobooks

23
Ago18

Curtas 2018 # 1 Direitos dos leitores (parte 9)

Patrícia

Ouvir um livro pode ser uma experiência bastante interessante. Há quem diga que ouvir um livro não é o mesmo que ler um livro. E eu concordo. Não é definitivamente a mesma coisa. 

Arrisco-me a dizer que haverá alguma diferença na forma como o cérebro processa as duas informações mas isso não faz com que quem ouve um livro seja menos leitor que quem o lê.

E na verdade, há vantagens em ouvir um livro.

Para além de nos permitir ler em vários situações (eu oiço audiobooks enquanto conduzo, durante o almoço ou durante caminhadas, por exemplo) também transforma a experiência de ler, tornando-a especial.

 

Na verdade, ouvir histórias é regressar ao passado. Antes, muitos antes, de se inventar a escrita já a literatura oral era uma realidade... e sem ela, a escrita nunca teria sido necessária ou imaginada. Porquê esta resistência aos audiobooks?

Um poema, por exemplo, só ganha em ser declamado. A própria declamação é uma arte nada menor.

A verdade é que ler, declamar, contar histórias não é para qualquer um. Por isso é tão importante a voz, o talento destes contadores de histórias.

 

O audiobook que estou a ouvir neste momento, Bands of Mourning (de Brandon Sanderson), ganha imenso no formato audiobook. Há diálogos hilariantes neste livro, há um personagem cujo talento para imitar vozes é brutal e a leitura tradicional não lhe faria justiça. A verdade é que dou por mim a rir à gargalhada a ouvir isto e sei que sem o talento do narrador do audiobook (Michael Kramer) não iria achar a mesma piada. Brandon Sanderson escreveu mas foi o Michael Kramer que lhes deu vida. 

 

Ler também é ouvir.

 

Direitos dos leitores:

Ler mais livros

Não gostar do livro que toda a gente gostou

Mudar de opinião acerca de um livro

"Viver" os seus livros

Ler em todo o lado

Ler em vários formatos e línguas

Não ler

Ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas

20
Ago18

Shadows of Self, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Um ano depois da execução de Miles Hundredlives, Marasi continua a apostar da carreira de policia , Wax é uma espécie de Xerife especial (a policia não fica tão mal na fotografia se lhe der carta branca) e Wayne... bem, Wayne é igual a si próprio e uma das personagens mais divertidas que Brandon Sanderson já criou. Claro que, sendo o Brandon Sanderson, isto não significa que lhe falte profundidade ou que ele não nos deixe de coração apertado e à beira da lágrima.

Mas antes de tudo, damos um salto ao passado e acompanhamos Wax, Wayne e Lessie numa aventura e conhecemos como começou a história de Wax e Lassie.

Depois de perseguirem um ladrão de bancos, uma espécie de Robin Hood de Elendel, este trio dá por si a investigar uma grande confusão que culminou com a morte do irmão do governador e de boa parte dos menos recomendáveis da cidade. 

Depois de Alloy of Law, que não me convenceu a 100%, este Shadows of Self fez-me regressar ao mundo de Vin, Kel e Companhia. E voltar a Scadrial é maravilhoso. 

Não é possível nem me apetece escrever sobre este livros sem spoilers e todos sabemos que os leitores deste blog não estão a seguir esta série comigo e que, por isso, poucos chegarão a esta parte... Mas sintam-se avisados: SPOILERS para a trilogia Mistborn Era1, para o Alloy of Law, para o Mistborn Secret History e para este Shadows of Self.

 

Vamos por partes (e teorias minhas)

Wax/Steris/Marasi: não sou fã de triângulos amorosos e, confesso, Steris não me aqueceu nem arrefeceu no Alloy of Law. Mas mudei de ideias. Wax e Marasi não fazem qualquer sentido juntos. A Marasi não é nem pretende ser a Lessie. E Wax não precisa de outra Lessie. Não há qualquer triângulo, há a possibilidade muito real de Steris ser uma personagem muito interessante em Bands of Mourning e talvez fique com o Wax. O Brandon não desilude e continua a não fazer do romance uma questão real. Go Sanderson, é por isso que gostamos tanto de ti.

Marasi: A personagem, para mim, menos conseguida deste livro. Sem grande evolução, simpática, inteligente, é o Elend da Era 2. Se isso for verdade e, à falta da preservation para a tornar Mistborn, talvez haja alguma Hemalurgia a caminho...

Wayne: Ah o Wayne. Não é possível não adorar o Wayne. O que me ri com ele. E quase chorei. A cena na universidade partou-me o coração. A "relação" dele com a Rennette é de ir às lágrimas... de tanto rir. A lealdade e capacidade de sofrimento faz-nos querer ter um amigo como o Wayne. E sim, apeteceu-me bater-lhe com a forma como falou com a Steris... mas acho que ele ainda vai engolir cada palavra. Aliás, já o faz, porque se há coisa que a Steris se recusa a ser é vítima. O título do livro terá muitas interpretações mas uma delas envolverá certamente o Wayne.

MeLaan: Kandra fofinha. E por falar em Wayne... aqueles dois ficam lindamente juntos. Isto é muito macabro para quem não os conhece mas a cena em que Wayne fica ofendido porque a MeLaan disse que os humanos não era saborosos e se ofereceu para le dispensar um bracinho... a sério, só o Sanderson para escrever isto e não ser absolutamente asqueroso.

E por falar em Kandra... Oh, as saudades que eu tinha do Teen Soon. 

E a  jornada do Wax... Oh well, ainda falaremos sobre isso. Mas tiro o chapéu ao Brandon Sanderson. Não estava à espera. Nem um bocadinho.

 

Agora vamos falar sobre religião. Harmony? Harmony? Não é ele, pois não? Não pode ser ele. Provavelmente não deveria ter lido o Mistborn Secret History antes mas a verdade é que li e que isso me fez pensar em todas as incongruencias daquelas conversas... e compreender que só uma pessoa era capaz de arranjar tal confusão. E por falar em Harmony... quem será a nova shard que está em Scadrial? 

Vamos tirar as teimas com o Bands of Mourning...

 

 

08
Ago18

As generalizações e um (certo) mea culpa

Patrícia

Há uns tempos fiz uma série de posts (diverti-me imenso a escrevê-los e o feedback foi muito bom) sobre Direitos dos Leitores que, acho, mostram bastante bem a minha opinião sobre o assunto. Estes direitos, o de ler qualquer género de livro, ler em todos os formatos ou até não ler, reflectem a minha opinião que basicamente se resume num: Leiam o que quiserem, se e quando quiserem. 

 

No entanto há, tantas vezes, pessoas que se sentem ofendidas por certas generalizações. E eu sei que tenho, por vezes, tendência a generalizar. E que tenho muitas vezes opinião e raramente me impeço de a verbalizar. 

Quando digo, por exemplo, que acho que os leitores deviam ler livros que os fizessem evoluir não estou a querer ofender ninguém, nem criticar o tipo de livro que lê. Acho sinceramente que é fantástico ler livros que nos transformam e ensinam.

Transponho algo que me faz bem, que acho importante e generalizo. 

Não falo para ninguém em particular e, para ser absolutamente sincera, estou a borrifar-me para os livros que vocês escolhem ler. Não me sinto ofendida se não gostarem do tipo de livro que eu leio, se escolhem não ler livros que eu adorei. Vou gostar de vos ler ou ouvir, vou gostar de saber de que livro gostaram e vou ficar feliz quando encontrarem um livro que vos entusiasme. Mas os critérios que vocês utilizam para escolher os livros que lêem não me incomoda, não me ofende e não acho que seja, sequer algo passível de julgamento, quanto mais crítica.

 

Quando digo que não gosto de objectivos numéricos como metas literárias ou que acho que ler desalmadamente para atingir metas surreais é uma parvoíce também não estou a querer ofender ninguém em particular. Estou a expressar a minha opinião. E se é isso que querem fazer, fixe, óptimo, até vos dou os parabéns por terem atingido o vosso objectivo e estou a ser sincera. Quero lá saber se vocês leram bem, mal, se saltaram capítulos. 

 

Quando digo que se devia ler mais autores portugueses (o único objectivo literário numérico que alguma vez tive foi, há uns anos, que 50% das minhas leituras fosse de livros de escritores portugueses) estou a exprimir uma opinião generalista. Quero lá saber se vocês não leram um único livro de autores portugueses nos últimos 2 anos. Não acho que sejam más pessoas por isso. Mas continuo a achar que é uma injustiça não ler escritores portugueses e que quem não os lê está a perder imenso.

 

Quando digo que se devia ler mais mulheres estou a exprimir uma opinião generalista. Quero lá saber se vocês não leram um único livro de uma escritora nos últimos 2 anos. Não acho que sejam más pessoas por isso. Mas continuo a achar que é uma injustiça não ler escritoras e que quem não os lê está a perder imenso.

 

O mais divertido de toda esta brincadeira de blogs e redes sociais é precisamente falar e comunicar com pessoas que têm opiniões diferentes das nossas (mesmo quando temos interesses em comum) e falar sobre isso. Especialmente no que aos livros diz respeito. Se livros e leituras também se tornar um tópico fracturante dá-me uma coisinha má...

 

Posto isto, que foi mais uma generalização e que não é nem pretende ser nenhum recado para ninguém, a rubrica dos Direitos dos Leitores vai regressar, lembrei-me de mais umas coisitas :)

 

 

 

 

06
Ago18

TAG – Compra de Livros

Patrícia
 
 Vi esta TAG no fantástico Estante de Livros (que a viu no canal de Youtube da Helene Jeppesen ) e resolvi responder.
 
 

1 – Onde é que compras os teus livros?

Actualmente a maioria dos livros que compro são no site da Kobo ou na Leya Online. Falo obviamente de ebooks.

Os livros físicos prefiro comprar em livrarias. Não me sinto muito tentada pelas livrarias online. Tenho (feliz ou infelizmente, depende do ponto de vista) uma Fnac no local de trabalho, onde me perco à hora de almoço sempre que o dia não me corre lá muito bem. Bertrand, Continente ou Feiras do Livro também são sítios que gosto de frequentar.

Os audiobooks compro na Audible.

2 – Costumas comprar livros em pré-venda, e se sim em lojas físicas ou online?

Nop. Os únicos livros que me lembro de comprar em pré-venda foram as colectâneas que foram editadas através de crowdfunding.

3 – Em média, quantos livros compras por mês?

Não faço ideia. Há meses em que não compro nenhum, outros em compro vários. A média talvez dê uns 2, mais coisa menos coisa.

4 – Usas a biblioteca local?

Pouco. Mas adoro bibliotecas. Quando posso passo por lá algumas horas mesmo que não traga nada para casa.

5 – Se sim, quantos livros podes/costumas levar emprestados de cada vez?

Quando trago é apenas 1. 

6 – Qual é a tua opinião em relação a livros da biblioteca?

São livros e isso basta-me.

Nunca fui esquisita com o estado dos livros. Como ainda há pouco disse a um amigo que me queria comprar um novo porque o que lhe emprestei sofreu um pequeno acidente: "tem todas as páginas? então não te preocupes, o livro fica com mais uma história para contar". E os livros das bibliotecas têm muitas histórias para contar.

7 – Qual é a tua opinião relativamente a livros de lojas de caridade/livros em segunda mão?

Compro sempre livros nos alfarrabistas da feira. Não sou fã de negociatas no facebook mas não tenho nada contra vender ou comprar livros em segunda mão. Só acho que quem faz disso negócios não deve fingir que é "porque tem demasiados livros em casa".

8 – Manténs juntos os livros lidos e os que tens por ler?

Tudo ao molho e "fé em deus". A minha estante é uma confusão. As estantes que tenho em casa da minha mãe são ainda piores. Só para verem o grau de confusão: na última "arrumação" que fiz, segui o critério de "este livro devia dar-se bem com este, este autor não suportaria ter os seus livros perto dos deste" . Ah e tenho uma prateleira apenas com livros de escritoras portuguesas. Manias :)

9 – Tencionas ler todos os livros que tens por ler?

Em teoria? sim, claro.

Na prática sei que nunca o vou fazer mas não é coisa que me tire o sono. Já foi mas já passei essa fase.

10 – O que fazes com livros que tens e que achas que nunca vais ler/de que não gostaste?

Posso doá-los à biblioteca ou à Cabine de livros, oferecê-los ou deixá-los na estante. Se detestei mesmo o livro e não o quero na minha casa (só aconteceu 2 vezes), ofereço-o.

Uma vez vendi alguns livros no OLX pensando: "vendo estes e com o dinheiro vou comprar outros que me interessam agora". Foi quando me apercebi das negociatas de vendas de livros no facebook e jurei para nunca mais. 

11 – Já doaste livros?

Bastantes.

12 – Já fizeste alguma greve à compra de livros?

Não. Às vezes tento não comprar mas rapidamente me esqueço dessa decisão. O meu marido não ajuda porque é o primeiro a perguntar "mas não compras porquê?deixa de ser parva, sff"

13 – Achas que compras demasiados livros?

Não. Isso não existe. Demasiados livros é um conceito no qual não acredito. E não, não gasto muito dinheiro em livros. 

Quando compro um livro, compro-o por querer muito ler o livro, ser de um escritor(a) de quem gosto, considerar importante ter aquele livro na estante, ter sido importante para mim (e ter lido um exemplar de um amigo ou de uma biblioteca). Essas razões são, para mim, válidas e fazem-me sentir bem. A compra de livros não me impede de fazer outras coisas (quando estava na faculdade e não queria pedir dinheiro à minha mãe para livros - apesar dela nunca mo ter negado, os livros sempre foram importantes lá em casa - cheguei a fazer algumas escolhas difíceis), por isso não, não compro demasiados livros. 

E vou continuar a comprar os livros que me apetecer.

05
Ago18

Este é o meu corpo, de Filipa Melo

Patrícia

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Foi na Roda dos Livros que ouvi falar deste livro da Filipa Melo. As opiniões da Cris e da Márcia foram mais do que o suficiente para ficar com o nome na memória. Quando a oportunidade apareceu (na Feira do Livro de Lisboa) comprei-o e ainda bem que o fiz.

"Este é o meu corpo" é um livro que não deixa nenhum leitor indiferente. É uma leitura dura, sim, mas a morte é daqueles temas a que ninguém fica indiferente. 

Este livro não é um policial, apesar de toda a trama rodar à volta de um homicídio. Uma mulher jovem é assassinada. As vozes que nos contam a sua história, à vez e sem pressas, são do médico legista que durante a autópsia dá voz ao corpo da jovem e lhe pede para contar os seus segredos e de outros que a rodearam em vida. 

Falar de morte é, sempre e acima de tudo, falar sobre vida. E falar sobre vida é falar sobre as relações entre as pessoas. E falar sobre as pessoas é, às vezes, falar sobre animais. Falar sobre raposas e ouriços pode ser mais surpreendente do que pensam.

 Este é um livro para ler, reler e guardar. E Filipa Melo é certamente mais uma escritora para acompanhar.

 Confesso-te que não demoro muito a matar tudo aquilo que amo, porque, morto, posso recordá-lo e porque a memória, mais do que a vida, é o contrário da morte. Porque, graças à memória, a consciência apazigua-se à distância. E eu conspiro com a memória para amar ainda mais aquilo que mato.