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Ler por aí

Ler por aí

21
Ago15

A Small death in Lisbon / O ultimo acto em Lisboa, de Robert Wilson

Patrícia

 

 



O que une o homicídio de uma miúda em Lisboa com a história de um homem, pertencente às SS, em 1941 em Berlin?
É a resposta a esta questão que, numa primeira fase, os leitores deste livro vão procurar.
No final dos anos 90 uma miúda de 14/15 anos aparece mortana praia de Carcavelos e o investigador da Polícia Judiciária é o Zé Coelho.Paralelamente começamos a conhecer a história de Klaus Felsen, Alemão, que em1941 se torna membro (algo forçado) das SS.
 
Não me vou alongar com a história deste livro, num policial/thriller é sempre difícil saber onde está a linha do “spoiler”.
Prefiro falar-vos do porquê deste ser um dos meus livros preferidos.
Robert Wilson aproveita uma história de mistério para nos contar uma parte da História de Portugal. Em 1941, Lisboa era uma cidade em movimento, Portugal era um país em mudança. Em plena segunda guerra mundial o nosso país era palco de cenas reais de espionagem e contra-espinagem, com nazis e aliados lado a lado entre o glamour do Estoril e o atraso do país. A verdade é que por aqui passaram gentes de todos os lados da Europa, uns em fuga para a América, outros a comprar ou apenas contrabandear bens. E Portugal tinha algo muito importante para os países em guerra: Volfrâmio. E tinha um ditador que jogava muito bem um jogo duplo.
E quantos de nós, Portugueses, conhecem este período da História? Confesso-vos que nunca ouvi falar da maioria disto nas aulas de história.
Neste livro reconheci cada Português. Mesmo quando preferia que aquela não fosse a nossa realidade, tenho que a reconhecer. Mesmo quando não gostava dos personagens (e há poucos, muito poucos neste livro de quem gostei) reconhecia-os.
Não sei como um leitor que não tenha qualquer ligação a Portugal reage a este livro mas imagino que não consiga apreciar a melhor parte desta história. Há personagens que, para muita gente, devem parecer muito pouco credíveis e no entanto são as mais reais, são as tais que me fazem gostar imenso desta história (veja-se, por exemplo, a mulher do Joaquim Abrantes ou o próprio Joaquim Abrantes).
Gostei da estrutura deste livro: duas histórias que acabam por se unir. Não é muito comum, não ajuda à leitura, tornando-a até difícil a princípio mas que acabou por me agradar (especialmente nesta releitura).
O final não me agradou a 100% devo confessar. É certo que não adivinhei o assassino (e eu gosto disso) mas pareceu-me algo rebuscado demais. Ainda assim isso não faz com que tenha gostado menos do livro por isso.
Continuo a recomendar a todos o “O último acto em Lisboa”.

 

Uma das minhas próximas releituras será o “Uma companhia de estranhos”, também deste escritor e também passado em Lisboa durante a segunda guerra Mundial. 
 
Uma nota para as capas que aqui deixo: a horrível é a da minha edição em Português e a maravilhosa é a da minha edição de bolso em Inglês (entretanto ofereci-a, mas continuo a achá-la linda).
21
Ago15

Curtas #13 (2015): Releituras

Patrícia
  Há quem ache que reler livros é deixar passar a oportunidade de ler mais um livro. E como eu compreendo a sofreguidão de ler o mais possível, de embarcar na loucura de querer ler mais e mais. Para quem é viciado em livros é um tormento saber que a probabilidade de ler “O” livro, aquele capaz de nos mudar a vida é ínfima, quase nula, assim perto da probabilidade de ganhar o Euromilhões.
  Às vezes também alinho nessa loucura. Quero ler tudo. Mas ainda assim... leio pouco. E a verdade é que adoro reler livros.
Para mim reler um livro é reencontrar novos amigos, é conhecer as potencialidades reais do livro.
  Ler um livro pela primeira vez é fantástico. Mas a necessidade de lhe conhecer o final não me deixa absorver tudo o que aquele livro tem para me dar. E quase sempre que releio um livro descubro pormenores que antes tinha deixado escapar por entre as linhas.
  Por tudo isso resolvi reler um livro que há muito tempo estava na estante. Li-o pela primeira vez quando tinha 17/18 anos. Chegou-me por correio, um presente do outro lado do Atlântico. Lembro-me de ficar fascinada com a capa do livro de bolso. E também me lembro de ter tido algum medo pela quantidade de páginas em Inglês. Foi o primeiro grande livro que li em inglês. Uns anos mais tarde reli-o, ainda em inglês. Acabei por comprá-lo em português por várias razões. Por um lado sabia que um dia ainda o iria reler na minha língua (e por muito bem que eu leia em inglês, é diferente) e por outro lado queria dá-lo a ler a algumas pessoas.

 

  Chegou o momento de o reler. O próximo post será com a minha opinião da releitura do maravilhoso “O último acto em Lisboa” ou “A small death in Lisbon” de Robert Wilson.