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Ler por aí

Ler por aí

08
Jul13

Às metades ou aos quartos?

Patrícia
Depois da mania dos livros às metades estará a aparecer a mania dos livros aos quartos?
A Visão e o Expresso estão a vender, a 4,95 euros a metade da metade do primeiro volume original das Crónicas de gelo e fogo. E assim vai continuar, a cada semana vai sair 1/4  de cada volume.
Se eu já não gostava de livros às metades, ainda menos gosto de livros aos quartos. Para além disso não me parece que compense. 10€ por cada volume Português (na Fnac os 3 primeiros volumes estão a menos de 10 euros) ou 20€ por cada volume em Inglês... bem no BookDepository pode comprar-se os 5 primeiros volumes originais por 36€...
Por isso ainda não é desta que compro os livros desta saga. Ficam para quando o senhor acabar de escrever a saga.
05
Jul13

Curtas 55: O poemas das músicas

Patrícia
Confesso que fico fascinada sempre que oiço um/a aspirante a cantora a dizer que canta em Inglês porque nessa língua tudo fica bonito enquanto que em Português não.
Nessa altura tenho vontade de lhes pregar um par de estalos e obrigá-los a ouvir ininterruptamente músicas em Português. Assim de repente e lembrando-me dos letristas que fazem músicas onde dizem, quer as mais belas palavras de amor, quer as maiores loucuras obrigava-os a ouvir o repertório do Jorge Palma e dos GNR. Basta esses para perceberem que é possível, sim, não é é para todos. Assim, passavam a dizer: "cantamos em Inglês porque não sabemos escrever em Português, nem conhecemos quem saiba e antes que nos saia uma pimbalhada a rimar preferimos cantar em Inglês, que não é a primeira (nem muitas vezes a segunda) língua de quem nos ouve e onde um "coça-me as costas" fica sempre bem"
02
Jul13

A raiz do ódio, de Anne Holt

Patrícia

Como é a raiz do ódio? Onde começa, como se alimenta paracrescer até ramificar e destruir tudo à sua volta?
Este livro, o primeiro que li da Roda dos livros, foi umaótima surpresa. Definitivamente Anne Holt entrou para a minha lista de autoresfavoritos.
O livro começa com uma criança especial, Kristiane, acaminhar descalça numa noite gelada das ruas de Oslo. É salva, in extremis, por um desconhecido.Johanne, a mãe da criança, não compreende quando ela lhe diz “A senhora estavamorta”.
Adam, marido de Johanne, é chamado para investigar a morteda episcopisa Eva Karin, fervorosa defensora dos direitos dos homossexuais. Mashá outras mortes a serem investigadas pela polícia. Um drogado, um prostituto eum artista entre outros.
A história vai-nos sendo revelada a várias vozes, as váriashistórias interligando-se. Há muitas coisas que percebemos facilmente, outrasque apenas nos são reveladas no final. Mas o interesse mantém-se sempre.
Por trás da história está o que nos faz pensar. O ódio e aviolência dirigidos a grupos com características específicas, não a pessoasespecíficas. O que faz alguém matar outro alguém apenas porque este é negro,cigano, homossexual ou de outra religião? Como é que é possível deturpar umareligião, pegando num texto escrito há milhares de anos e usá-lo literalmentepara tirar vidas? Como é possível usar alguém, usar-lhe a fé, o desespero, anecessidade de encontrar um sentido para a vida, moldá-lo e torná-lo num instrumentoao serviço do dinheiro e da maldade humana? Como é possível, num momento deloucura, destruir a vida de tantos?
Temos a sorte de viver num país onde os crimes de ódio nãosão muito comuns (penso eu), por cá o racismo, a homofobia, a xenofobiamostra-se mais nas palavras que nos atos. Não é essa ausência de violência quenos iliba, que nos faz melhores. É necessário que nem sequer tenhamos quepensar que todos somos iguais, essa certeza terá que ser inata, não aprendida.É necessário que não nos sintamos diferentes apenas porque temos uma outra raçaou nos apaixonámos por alguém do mesmo sexo.
Culturalmente ainda temos muito que evoluir. Legalmenteainda há um longo caminho a percorrer.
 A evolução, as leismais justas nos direitos dos que ousam seguir um caminho menos tradicional, aconvicção que tantos de nós temos de que ser de outra raça ou escolher amaralguém do mesmo sexo não faz de ninguém diferente ou com menos direitos será osuficiente para que este tipo de crime nunca aconteça no nosso país? Países comuma democracia mais antiga que a nossa, mais evoluídos nas leis, com índices deiliteracia mais baixos têm muito mais problemas com crimes de ódio que nós. Àsvezes acho, e pensei-o várias vezes ao longo deste livro, que quanto maisqueremos normalizar as diferenças mais nos afastamos do objetivo. Há que voltarao básico, ao respeito inerente ao: Somos todos iguais. 

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