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Ler por aí

Ler por aí

21
Jan22

Cytonic, de Brandon Sanderson

Patrícia

cytonic-1.jpg

 

Cytonic é o terceiro volume da série Skyward, uma série juvenil de ficção cientifica. Depois do primeiro volume em Detritus e do segundo em Starsight, este terceiro volume passa-se numa série de fragmentos no Nowhere. Como livro de aventuras da Spin é divertido e ternurento, como habitualmente. Como parte da série "skyward" é, perdoem-me a expressão, um livro de "encher-chouriços". Sim, há aqui algumas explicações para o que são os Delvers e a apresentação de uma série de raças de aliens bastante engraçadas mas o contributo para a série é muito, muito, pequeno. Não era de todo o que esperava deste terceiro livro. Achei-o muito ao nível das novelas que entretanto saíram. Previsível quanto baste.

Mas não estou a ser justa se não olhar para este livro do ponto de vista do público-alvo. Este livro foi escrito para miúdos, não para adultos. E é como miúda (cof, cof, cof) que tenho que o julgar.

Apesar de ser apenas um instante na vida desta história este livro é um manual sobre sentimentos.

Porque sentimos o que sentimos? Porque são os nossos sentimentos contraditórios? O que devemos fazer com eles? Como reconhecemos o que sentimos quando tantas vezes não sabemos sequer dar-lhe um nome? Como podemos ultrapassar esses sentimentos, que nos engolem, e agir? Como escolher entre a cabeça e o coração? 

Imagino-me adolescente, cheia de coisas a que mal sabia dar nome quanto mais gerir, e sentir-me completamente representada nas páginas deste livro. E isso é maravilhoso. Não foi escrito para mim mas é fácil lê-lo e sentir ternura. E rir. O M-bot continua a ser o meu personagem preferido desta história e acabou por ser ele o grande protagonista. 

Gostava imenso de ver esta série traduzida para português só para a poder oferecer a todos os adolescentes que conheço. Acho-a com potencial para criar leitores e para se tornar um daqueles livros que nos mudam para sempre. 

 

 

16
Jan22

Shut Down

Patrícia

Pouso o telefone. Pego no livro, leio umas páginas, páro, terei resposta?, leio mais um pouco, pego no telefone, sou tola, não perdi absolutamente nada, pego novamente no livro e, depois de mais umas páginas lidas, páro e volto a pegar no telefone, apenas para ver uma resposta, um comentário, uma foto.

Eu, que leio, que sempre li, em todo o sítio; que quando era miúda lia livros de uma assentada; que não ouvia (juro que não ouvia) quando falavam comigo; que passava horas seguidas a ler; que rejeitava convites para brincar antes de acabar aquele livro, dou por mim a ter dificuldade em ler uma, duas horas seguidas sem parar para ver o que se passa naquele mundo tão pouco real. 

E isto assusta-me p'ra caraças.

As redes sociais têm coisas maravilhosas. O que já aprendi, os amigos que já fiz. Os livros que já descobri. As gargalhadas que já dei. As lágrimas que já chorei. Os abraços que já partilhei.

Mas esta dependência está a começar a enervar-me. E eu só tenho 1 rede social e meia. Twitter e Instagram.  No instagram passo muito pouco tempo. O twitter é que dá cabo de mim e me rouba tempo a mais. 

Tenho que reaprender a não pegar, quase sem pensar, no telefone. Eu já acabei há muito com as notificações, agora tenho que acabar com este vício. Estabelecer regras, limites, reduzir a minha presença online. Há muito que o meu sonho é poder ir para qualquer sítio, desligar o telefone durante uns dias e não ser nada. Nem filha, nem amiga, nem prima, irmã ou vizinha. Apenas ser eu (e ele, claro). E é tão fácil (e tão difícil) fazer isto virtualmente.

Hoje vou apontar quantas vezes pego no telefone sem que ele toque, quantas vezes esse tempo foi perdido ou quantas vezes me trouxe algo positivo. Vou fazer um esforço para evitar as redes sociais e perceber o nível de ansiedade ou de paz que isso me traz. Vou começar a dar mais atenção a este meu comportamento para o tentar alterar. 

Parece, e é, contra-senso escrever  um post sobre isto. E não, não é por ser público, que a decisão tem um peso maior, não é por ser público que a probabilidade de não esquecer um objectivo aumenta, não é por ser público que não falharei. Até porque não estou a estabelecer nenhum objectivo, não vou apagar as contas nas redes sociais onde estou (já o fiz no passado e, por exemplo apagar o facebook, foi das melhores coisas que fiz na vida. Escrever aqui nunca me tirou horas de vida. Minto, houve uma altura que todos os dias ia ler os post novos de uma infinidade de blogs. Usava agregadores, tinha categorias e durante anos não perdi um post. Mas essa fase passou e agora tenho uma relação absolutamente saudável com os blogs: volta e meia dou uma volta pelos meus preferidos mas sem uma cadência definida. E isso para mim está óptimo. É isso que quero para todas todas as redes sociais: que sejam mais, que acrescentem e não me façam ser menos.

10
Jan22

Food for thoughts

Patrícia

Não sou a maior fã de YA mas o Sanderson quer à força que me torne numa.

Ando a ouvir o Cytonic, o terceiro volume de uma colecção de ficção cientifica escrita pelo Brandon Sanderson e, apesar das aventuras da Spin serem interessantes qb, é o M-bot que me fascina. 

Para vos dar algum contexto, estes livros contam as aventuras da Spin, uma miúda que se torna piloto de caças, numa planeta distante onde subsiste uma colónia de humanos. No meio das dificuldades por que passa, encontra uma nave espacial com tecnologia IA que responde pelo nome de M-Bot. O M-bot é deliciosamente divertido e o seu esforço para descobrir se está ou não vivo já me proporcionaram grandes gargalhadas (e alguns nós na gargante, confesso).

Neste terceiro livro, M-bot anda a descobrir as emoções, o que são, porque existem e o que deve fazer com elas. 

E eu não consigo deixar de pensar que, para um adolescente, um livro destes deve fazer todo o sentido e tem tudo para se tornar num daqueles importantes, daqueles que fazem leitores e nos mudam a vida. Há ali tanto para ser discutido entre pais e filhos ou para ser, simplesmente, "food for thoughts" para a miudagem.

09
Jan22

O Coração é um Caçador Solitário, de Carson McCullers

Patrícia

carson mccullers.png

 

Há livros que têm cores e este é todo em tons de cinza e castanho.

Uma fascinante teia de histórias, com um surdo como o ponto de convergência. À sua volta gravitam uma miúda cheia de música, um barman com um estranho sentido de estética, um comunista bêbado e um médico desiludido. Cada um destes personagens faz de Singer o seu melhor ouvinte e dele constrói uma imagem à medida da sua imaginação e vontade. A solidão de Singer rivaliza com a de cada um deles e deixa-nos a nós, leitores, com o coração apertado.

Um magnífico livro sobre solidão, amor e amizade, temas que são abordados de uma forma dolorosamente realista e desesperançosa.

01
Jan22

O primeiro dia

Patrícia

Dizia-me a tia de 89 (espectaculares) anos "amanhã faz de tudo um pouco para também fazeres de tudo um pouco durante o ano". Ri-me e respondi-lhe que iria fazer o menos possível.

O dia 01 de Janeiro é aquele dia cheio de boas intenções mas que geralmente corre mal. 

"no próximo ano vou começar a correr", "vou fazer uma dieta", "vou arrumar uma gaveta por dia", "vou começar a acordar cedo", "vou deixar de comer açúcar".

Depois acordamos, com dor de cabeça pelo que comemos/bebemos na noite anterior (ou simplesmente porque os vizinhos fizeram uma mega festa e não nos deixaram dormir), o frigorífico cheio de restos que não se podem estragar e que nos vão permitir não cozinhar no primeiro dia do ano e todas aquelas boas decisões e intenções são, às vezes inconscientemente até, passadas para dia 02 (ou para quando os restos acabarem) e todos sabemos que nem a Fevereiro chegarão quanto mais ao final do ano que agora começa.

Sim, há um ou dois que conseguirão manter as promessas e projectos de ano novo e que conseguirão mudar de vida. Não desesperem. Tal como há sempre quem ganhe o euro milhões ou o prémio dos programas da manhã, vocês podem ser a excepção que confirma a regra. Haja esperança e força de vontade. Força, coragem e perseverança.

Mas há uma trupe a quem o dia de ano novo costuma correr de feição e de acordo com o planeado. Falo dos leitores, claro.

No dia de ano novo é fácil ler. Aposto em como é, dos dias do ano, aquele em que mais se lê. Para já é sempre feriado, geralmente não há grandes planos e mesmo um almoço em família é coisa para terminar relativamente cedo. E os leitores estão ansiosos por acabarem (ou começarem) o primeiro livro do ano. 

Os projectos de leituras conjuntas devem estar a bombar, as agendas ou os cadernos estão prontos a estrear, a meta do goodreads está de novo em modo "tudo é possível" e é preciso esquecer o desastre que foi o ano passado ou superá-lo e ainda hoje é preciso pôr uma foto no Instagram com o livros do momento. Aposto que há maratonas de leitura a acontecer agora mesmo.

E eu, confesso, adoro ver este entusiasmo. Raramente participo dele mas percebo-o tão bem. E espero ler bastante hoje. 

Ler é sempre uma boa forma de começar o ano. 

Para todos um ano cheio de boas leituras, de livros novos e empolgantes, de regresso a livros conhecidos e amados. E de saúde e sucessos e sonhos. 

27
Dez21

A Noiva Judia, de Nuno Nepomuceno

Patrícia

 

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Há vários anos que o início do ano é sinónimo de reencontro com Afonso Catalão nas páginas de um livro. Este será o último ano com essa tradição já que este livro será o último da série. Confesso-vos que sinto um misto de tristeza e de alegria com isso. Tristeza porque, bem, nós leitores sentimos verdadeira afeição pelos personagens dos livros de que gostamos. Alegria porque vai ser bom chegar ao fim da saga e porque quero saber o que o Nuno vai escrever depois disto.

Os livros (e alguns amigos comuns) trouxeram o Nuno à minha vida (as nossas vidas tocam-se de tal forma que até é estranho não nos termos conhecido antes) e tem sido um privilégio tê-lo como amigo (um privilégio maior do que aquilo que podem imaginar porque este moço é das melhores pessoas que conheço  apesar de algumas das mensagens que trocamos serem variações de "quantos mataste hoje?" e de haver uma morte neste livro que não sei se lhe consigo perdoar.... - é basicamente a única coisa que sei para lá da sinopse, não pensem que tenho mais informações que vocês). Vê-lo crescer como escritor tem sido giro e nunca deixo de sentir uma pontinha de orgulho mas isso não me impede de querer vê-lo continuar a evoluir, a impor-se como o escritor que é e a ter a coragem de avançar para novas histórias, crimes e mortes. 

Apesar de o livro só sair no dia 20 de Janeiro, já está em pré-venda e trará um autógrafo a quem o comprar dessa forma.

 

O corpo de um homem espancado até à morte é encontrado numa praia deserta. O cadáver pertence a um escritor, presente na cidade para assistir à antestreia da adaptação cinematográfica do seu livro mais famoso.

Na mesma noite, um jovem confessa o homicídio, mas é nesse momento que uma questão se coloca: por que motivo as provas recolhidas apontam para que seja inocente? O mistério adensa-se quando a noiva da vítima, uma colecionadora de arte com os seus próprios planos, decide vir a público. Ela tem algo a dizer, mas poderá estar implicada?

26
Dez21

O olho do Mundo, A roda do Tempo, #1

Patrícia

roda do tempo 1.jpeg

 

Li, finalmente, o primeiro volume de uma das sagas de fantasia mais conceituadas. A roda do tempo estava há muito tempo à espera da sua vez e, confesso, foi a possibilidade de spoilers em barda à conta da série de tv que me deu o estímulo para empreender nesta aventura. Não é que esteja ansiosa para ver a série, que não estou, mas não me apetece saber o que vai acontecer antes de ler os livros e convenhamos que a malta das séries, depois de ver os episódios, desata a dar spoilers como se não houvesse quem nunca leu/viu.

Antes de vos falar das minhas impressões em relação à história deixem-me comentar o livro em si. Um tijolo, o que é sempre agradável (não estou a ser irónica, gosto mesmo de livros grandes), mas com um enorme problema: o tamanho das letras é impróprio para toda a gente. Não sei se não terei que me tornar defensora dos "livros às metades" (coisa que abomino) se essa for a única forma de conseguir ter livros com letras de tamanhos decentes. 

Esta série é uma das que gostava de ter na estante e espero, por isso, comprar os outros volumes em livro físico apesar de ser infinitamente mais confortável ler a saga em ebook. Espero, no entanto, que a bertrand edite a metade que falta da saga e não me deixe com apenas 6 volumes em português e o restante em inglês. É a série de tv que me dá a esperança que tal aconteça.

Voltando à história. 

Não é um primeiro livro perfeito. A bendita "demanda" a caminho de Tar Valon lembra demasiado uma outra irmandade e o final do livro é insatisfatório. Um primeiro livro de uma série deve valer por si mesmo. É tão claro que este é apenas uma introdução que o final não tem a grandeza necessária (o senhor dos anéis não conta, aquilo é 1 livro dividido em 3 e não 3 livros de uma saga). E convenhamos que 800 páginas de introdução é muita coisa. O mais estranho é que a história que o livro conta era suficiente para ser uma história com princípio, meio e fim mas a sensação com que fiquei foi que o livro passa do início extremamente detalhado e longo para um final rápido e mal amanhado, porque era necessário dar-lhe uma espécie de conclusão antes de passar as 1000 páginas. Faltando-lhe o "meio" faltou uma boa parte de desenvolvimento de personagens uma vez que, tirando uma ou outra honrosa excepção, são todos mais ou menos iguais ao que eram no início. Não basta dizer que mudaram, é preciso que os leitores o sintam, o que não me parece ter sido o caso.

Mas (e este é um mas muito importante) tenho a certeza que teria adorado este livro se o tivesse lido na altura certa. Assim, sou provavelmente mais crítica do que o livro merece.

Apesar de não ter conseguido dar mais que 3 estrelas a este livro irei continuar a série e as expectativas continuam em alta. Gosto dos personagens, gosto do mundo, gosto do rumo que a história está a tomar. E lê-se muito bem, apesar do que escrevi acima não revirei muito os olhos nas últimas semanas.

Deixei para o fim aquele que me parece, de longe, o ponto alto do livro: o worldbuilding.

Todos os pontos negativos deixaram espaço para o crescimento e a apresentação de um mundo fascinante e que acredito ser aquilo que atraiu tantos para esta série. As potencialidades deste sistema de magia são imensas e serão certamente parte fulcral dos próximos livros. Na verdade conhecemos pouco deste sistema, intuímos mais do que realmente sabemos e, se eu não soubesse ser esta uma saga tão bem aceite na comunidade, talvez não estivesse tão entusiasmada com esta parte, uma vez que ainda faltam muitas explicações mas eu tenho fé e gostei daquilo que li até agora.

 

25
Dez21

do ano dos livros ou dos livros do ano

Patrícia

Agora, que metade dos leitores deste mundo está a admirar as pilhas de livros que recebeu e a outra metade (eu incluída) está a planear a vingança de não ter recebido livros, é altura de balanços. 

Por aqui não haverá, como de costume, muita coisa a dizer. Não haverá Tops de preferidos nem de desilusões, não haverá escalas de melhores ou piores. Não o costumo fazer e este não será o ano de mudar essa tradição.

O mais que posso dizer é que este foi um ano de poucas leituras. Li alguns bons livros, que me ficarão na memória por muito tempo, mas foram os policiais que fizeram os números desde ano não serem tão miseravelmente baixos quanto seriam caso reflectissem, efectivamente, o meu ano de leituras. 

Os policiais, não sendo o meu género favorito de livro, têm o dom de me ajudar a distrair e de me fazer ler compulsivamente como se não houvesse amanhã. Assim, quando não quero pensar no que o amanhã me trará pego num policial. E a verdade é que ver a quantidade de livros deste género que li este ano me demonstrou (quase como se não o tivesse vivido) o quão mau foi o meu ano. Enfim, acontece, passemos à frente.

Apesar de não fazer TOPS, tenho que destacar alguns dos livros de escritores portugueses que li.

O Cardeal, do Nuno Nepomuceno, foi uma das primeiras leituras do ano, o que já é uma tradição. É sempre bom voltar a encontrar o Afonso e a Diana. Já vos disse que o último livro da série Afonso Catalão sai já no próximo dia 20 de Janeiro (acho), que já está em pré-venda e que se vai chamar A noiva Judia? Vão lá ao site do Nuno espreitar as novidades e daqui a pouco tempo voltamos a falar sobre isto.

O Apneia, da Tânia Ganho, deixou-me sem fôlego. Que livro, senhores, que livro. De uma tristeza imensa, quase um ano depois ainda me apetece gritar só de pensar nesta história. Que livro.

da meia-noite às seis, da Patrícia Reis foi um dos livros que, por ter ligo e gostado tanto, comprei para oferecer neste natal. Gostei tanto. Um livro que se lê de uma assentada e que, sendo triste, nos deixa de coração cheio. 

Deus  Pátria  Família, do Hugo Gonçalves - pensava que ia encontrar uma distopia, enganei-me mas acabei por gostar bastante deste livro que nos leva a várias épocas e países mas que tem no retrato do estado novo em plena segunda guerra o seu ponto de interesse. Gostei e recomendo. (mas não é uma distopia)

Gente Feita de Terra, da Carla M. Soares. O melhor livro da Carla até agora (pelo menos na minha opinião, acredito que para muito rivalize com O Ano da Dançarina que eu ainda não li). Uma historia de mulheres, de escolhas numa história que a Carla nos conta muito bem. 

 

 

23
Dez21

é quase, quase, Natal

Patrícia

E eu estou sem uma pinga de espírito natalício. 

Sim, comprei os presentes todos (alguns foram livros), escolhi-os com amor. Escolher os presentes é das coisas que mais gosto. E gosto também de acertar, de perceber que quem recebe esse presente gostou, que percebeu que foi escolhido com amor. 

Não sou esquisita com presentes de Natal e dificilmente me ouvirão dizer "não gosto de receber presentes". Eu gosto de receber presentes. Gosto, acima de tudo, de receber algo que demonstre que quem comprou aquele presente estava efectivamente a pensar em mim quando o comprou. Nada diz tanto "isto é a tua cara" como um livro ou algo relacionado com livros (ou com gatos, vá) e fico sempre extremamente surpreendida quando chego ao fim do dia de Natal e não tenho livros novos. Acho que os leitores deste blog perceberão o que quero dizer.

Se por acaso não és leitor mas tens leitores na família ou no grupo de amigos a quem dás presentes acredita em mim: oferece-lhe um livro. 

Não, não interessa se ele/a tem muitos(não te esqueças do talão de troca).

Não interessa se ele/a já tem aquele livro (não te esqueças do talão de troca).

Não interessa se nunca leste um livro na vida e não fazes ideia do que escolher  - qualquer livreiro te dá uma dica e com talão de troca não há como falhar. Ah e muda isso, lê um, lê muitos livros, a tua vida vai mudar.

Não interessa se falhares completamente no tipo de livro (já disse para não te esqueceres do talão de troca, não disse?).

Não interessa se não podes gastar muito dinheiro - esforça-te um bocadinho e vais perceber que há livros para todas as bolsas, nem que seja num alfarrabista.

Não interessa se não tens tempo, encomenda ou compra a porra do livro quando estiveres a fazer as compras no supermercado.

O teu presente vai ser um sucesso, podes repetir em cada aniversário e natal e ele/a nunca vai reclamar.

A sério, as pessoas que têm maridos/mulheres;namoradas/os; companheiros/as;amigos/as que gostam de ler têm uma vida santa mas conseguem quase sempre entrar na lista negra deles/as porque meteram na cabeça que é real essa coisa de "já ter muitos livros". 

 

10
Dez21

do tempo que damos às coisas

Patrícia

Comecei agora a ler a saga d'A Roda do tempo e não consigo deixar de pensar no compromisso que é começar a ler uma série de 14 livros. Pessoalmente agrada-me, sempre me agradou, esta ideia de ir passar meses ou anos dedicada a uma série. Hei-de ler muitos outros livros pelo meio mas, se tudo correr bem, hei-de voltar uma e outra vez a este mundo. 

Numa altura em que vemos séries de tv em maratonas e que a nossa dedicação a algo raramente é exclusiva ou duradoura, serão os leitores de fantasia os últimos de uma espécie que se dedica, de forma voluntária, a praticar a paciência, a dedicar tempo e amor a algo que, na maioria das vezes, não sabe sequer se vai terminar? 

O que o George Martin fez aos leitores das crónicas de gelo de fogo não ajudou a que a confiança necessária a esta prática aumentasse e foi/é indecente, uma falta de respeito por quem fez da sua saga um sucesso. Sem os "beta" (aka leitores) nunca a saga teria sido um sucesso na TV.

Escritores como o Brandon Sanderson, por exemplo, autenticas máquinas na periodicidade com que nos entregam o seu trabalho, continuam a motivar-nos e a alimentar este vício que é pertencer a uma comunidade de gente que lê o mesmo, que fala, discute, cria fóruns, investe num universo que transcende a leitura e a transforma de algo individual em colectivo. Porque é isso que acontece quando as livros perduram, acontece essa partilha que os transforma em algo comum.

Ri-me no outro dia quando fiquei feliz com a notícia de que ia ser publicado o último livro de uma das sagas do Sanderson que sigo (Wax and Wayne)...até que percebi que o raio do livro só ia sair daqui a 1 ano (e sim, no caso do BS isso significa que o livro está mais que escrito e que naquele dia 15/11/22 sai livro, ebook, audiobook, tudo e tudo e tudo).

É engraçado como, por um lado, há a necessidade, a urgência de ver uma série (todas as temporadas incluídas) de uma vez, por outro, temos séries (não tão boas assim) que se esticam de forma insuportável ou histórias que teimam em ressuscitar, quando deviam era estar sossegadas no paraíso das séries, mostrando que há em nós uma certa de necessidade de continuidade, de regresso, de pertença.

E nada, nada, faz tão bem isso como uma boa saga de livros.

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