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Ler por aí

Ler por aí

09
Nov20

Leituras em tempos estranhos

Patrícia

Penso muitas vezes que devia apagar o blog uma vez que lhe dou tão pouca atenção. Para vos dizer a verdade voltei a escrever e a registar as leituras num caderno porque a vontade de vir escrever aqui tem sido pouca. Descobri não ter (ainda) a coragem de acabar com isto (acabar com o Facebook e com Instagram foi infinitamente mais fácil) porque há muito da minha história com os livros aqui, porque dediquei muito tempo a blog e porque eu gosto bastantes de blogs - são sempre a minha plataforma favorita de partilha de leituras.

O ano de 2020 em livro seria arrumado, por um leitor de 2019, na prateleira das distopias. Hoje gostaríamos de o arrumar na prateleira dos Históricos mas infelizmente ainda o vivemos. Nada, nem sequer a literatura, será a mesma depois destes tempos (mais estranhos que) extraordinários. Nenhum de nós ultrapassará este ano sem marcas.

Tenho a certeza que alguns livros marcaram/marcarão este tempo e que ainda diremos (eu sei que direi) que os "livros lidos na  pandemia" nos ajudaram a manter a sanidade mental.

Na primeiro confinamento muita gente dizia que não estava a conseguir ler, que não se conseguia concentrar o suficiente. Comigo nunca aconteceu, confesso, mas o meu ritmo de leitura tem diminuído muito. Não é que isso me incomode "per si" mas as razões pelo qual às vezes me é difícil pegar num livro já me chateiam mais um bocadinho (a vida acontece e nem sempre é maravilhosa). 

Quando voltei a confinar (esta palavra entrou para sempre no nosso vocabulário, não é?), separei alguns livros para os próximos tempos. Em primeiro lugar os livros que me emprestaram: A casa quieta, do Rodrigo Guedes de Carvalho e Nunca me Deixes, de Kazuo Ishiguro. Depois um dos últimos livros que comprei: Cidade Infecta, de Teresa Veiga.

Para já estou a ler A casa quieta, um livro que me está a angustiar bastante (paradoxalmente é tão bom quando isto acontece, não é?) e que, como tal, estou a ler devagarinho. No Kobo tenho em andamento o "Rua de Paris em dia de chuva" da Isabel Rio Novo que, para vos dizer a verdade, ainda não me convenceu (apesar de ter algumas opiniões fabulosas de grandes leitoras). E no telemóvel vou (re)ouvindo o Oathbringer, já em contagem decrescente para o 4º volume dos Stormlight Archive do Brandon Sanderson que sairá no dia 26 de Novembro.

 

E vocês, o que andam a ler?

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09
Nov20

Os testamentos, de Margaret Atwood

Patrícia

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Na sequência do "A história de uma serva", uma distopia que deu que falar nos últimos anos, este Os testamentos leva-nos a Gileade, onde as mulheres têm poucos direitos, onde ler é uma actividade reservada aos homens (e a algumas - poucas - mulheres), onde as meninas são forçadas a casar assim que entram na puberdade e onde a corrupção é cada vez mais presente.

Um aparte para comentar a proibição da leitura. Este elemento não é novo nem na ficção nem na realidade. Uma e outra vez somos obrigados a olhar para esta actividade como um privilégio e ainda assim desvalorizamo-la tanto. Muitos sabem o que fazem - uma sociedade sem livros é uma sociedade acrítica, sem vontade, sem capacidade de luta. Mas continuamos a dar pouco, muito pouco, valor aos livros, ao conhecimento, à educação, à escola - sítio único onde a igualdade de oportunidades tem uma hipótese de vingar e ser uma realidade.

Voltando a Os testamentos (que eu preferia que se chama-se "Os testemunhos" mas como não sou tradutora, deixo isso apenas como uma opinião sem grande validade)

Ao longo das páginas deste livro conhecemos a história e o testemunho de três personagens: Lydia, uma Tia fundadora, a testemunha 369A e a 369B. Três mulheres diferentes, com percursos bastante distintos mas que, sem surpresa, se vão cruzar.

É bastante interessante acompanhar o percurso e o que o condiciona, as escolhas de cada uma. A noção de somos, não apenas o que a sociedade e os outros fazem de nós, mas também (e acima de tudo) produto das nossas escolhas está bem patente neste livro. 

Como sempre, este género de livro - que tantos descartam como "fantasias" - reflecte profundamente sobre a sociedade actual, as escolhas, anseios e preocupações que nos afectam hoje (aliás, 2020 tem transformado muitas distopias em "ficção muito perto da realidade").

Margaret Atwood continua a  revelar-se uma voz importante e incontornável

 

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08
Out20

As Benevolentes, de Jonathan Littell

Patrícia

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Dizer que "gostei" deste livro parece-me sempre a despropósito. Dizer que é um livro "horrível", é uma injustiça. Ainda assim gostei deste livro e é um livro horrível.

Acho que nunca me tinha custado tanto ler um livro. A verdade é que foi uma leitura em andamento durante mais ou menos 10 meses, não por ser enorme (que o é) mas por apenas o conseguir ler em doses homeopáticas. É um livro duríssimo, aquele que menos protege o leitor em relação às atrocidades sobre o holocausto.

Um aparte para falar um pouco esta "moda" dos livros sobre o holocausto. Já toda a gente sabe que pôr Auschwitz no título de um livro vende. Mas convém que, pelo menos, que não se romantize a época mais negra da história da humanidade. Eu compreendo o fascínio que tanta gente tem sobre o holocausto e a segunda guerra. É fácil perceber porque tentamos, através da literatura, compreender como foi possível que o ser humano chegasse a tal desumanização. Mas não (me) é fácil compreender a quantidade de histórias (bonitas) para contar que não trazem nada de novo, que nem sequer respeitam o sofrimento, tornam-no banal, suportável, apenas um obstáculo chato mas transponível. Sim, é importante falar sobre o assunto, principalmente agora que o mundo em geral e o nosso país em particular vê crescer a extrema-direita e se assiste a uma tentativa de normalização do fascismo.

Em as Benevolentes, ouvimos a versão de Max, um oficial de topo no exército alemão e que está envolvido em quase todas as fases da guerra. É na sua voz (num tom nada arrependido e em total demissão de qualquer responsabilidade pessoal em tudo o que aconteceu, diga-se de passagem, uma vez que "apenas cumpre ordens") que ouvimos o relato do percurso feito até à total desumanização dos outros que permitiu o extermínio étnico de milhões de pessoas. O leitor não é poupado a nada, uma e outra vez e outra ainda.

Acompanhamos também a história pessoal de Max, a sua relação com a família, com a   sua própria sexualidade, com o passado.

Há quem condene este livro pela sua excessiva violência e por ser tão explícito em algumas cenas. É-o, sem dúvida. Violento e explícito. Mas isso é plenamente justificado. Não deve ser fácil ler sobre esta época. Deve ser difícil e horrível. Deve incomodar-nos, horrorizar-nos e deixar-nos certos que nunca podemos deixar que a história se repita. E isso este livro consegue. 

O título e o final deste livro remete-nos para a figura mitológica das Fúrias também conhecidas como As Benevolentes) e dá um toque literário interessante à forma do livro.

Nem sei a quem devo recomendar este livro. Mas é incontornável para quem está interessado neste período da história. 

 

 

18
Set20

O gesto que fazemos para proteger a cabeça, de Ana Margarida de Carvalho

Patrícia

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Depois de um início difícil, este é um livro que se lê surpreendentemente bem... considerando a total ausência de pontos finais e parágrafos em cada capítulo (há 6 neste livro de 255 páginas). Tem, como já é hábito, um ritmo muito especial, uma cadência própria da "voz" da autora. Talvez por tudo isto seja um livro para se ler em voz alta (o que eu gostava de ouvir isto em audiobook), com tempo, uma vez que cada capítulo é uma única e longa frase. A prosa é rica, poética, bonita. Talvez até um bocadinho a mais que o necessário porque, às páginas tantas, eu queria era saber o que estava a acontecer, o que ia acontecer a cada uma daquelas personagens.

Queria saber de Simão, bondoso, inocente, crédulo e de Maria Albertina, o seu único e verdadeiro amor. Queria saber de Constantino, odiado pela mãe, um de dois, que fica subitamente amputado de parte de si. Queria saber das mulheres de Nadepiori, com chumbo nas bainhas das calças, cabelos ao vento e regras de conduta muito próprias. Queria saber da Tenenta, de Séfora, de Camilo, de Sandoval ou da Lariça (que, tenho para mim, se daria lindamente em Nadepiori).

Não terá sido um dos livros mais fácieis que li mas foi, sem dúvida, um dos que me deu mais gosto acabar.

 

14
Set20

Que tal umas palavras cruzadas... sobre os livros que andamos a ler?

Patrícia

O Paulo Freixinho perguntou-nos no Twitter que livros andávamos a ler e não é que fez mesmo umas palavras cruzadas com esses livros? Vá, uma ajuda, eu ando a ler o 7 e está a ser bem interessante.

Eu devia fazer mais palavras cruzadas. E no site https://www.palavrascruzadas.pt/ podem encontrar palavras cruzadas para todos os gostos e com vários níveis de dificuldade. E quando se tornarem mesmo bons naquilo até podem partilhar com os vossos amigos a vossa pontuação.

 

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26
Ago20

Feira do Livro 2020 (27 de Agosto a 15 de Setembro)

Patrícia

Afinal vai haver feira. Com medidas de segurança adicionais e com a ambição de transformar um ano péssimo de vendas num ano um bocadinho menos mau. 

Mesmo sabendo que este ano não irei à feira, ir espreitar os preparativos e dar uma olhadela aos livros do dia é sempre obrigatório. Vão também vocês espreitar o site.

Para além de todos os cuidados que devem ter (máscaras BEM usadas e álcool em barda fazem maravilhas, senhores) lembrem-se que a feira vai ter uma lotação limitada e que há a probabilidade de haver gente à espera para entrar (especialmente aos fins de semana e no final do dia). Sejam aquilo que esperam dos outros: alguém que dá oportunidade a que todos possam usufruir um bocadinho deste evento e que o possa fazer com toda a segurança. 

Lembrem-se que os autores podem não se sentir muito à vontade com a vossa proximidade e que têm esse direito. 

Eu sei que estão cheios de vontade de regressar à normalidade e de ver e abraçar os vossos amigos, mexer em todos os livros da feira, comer farturas, rir e brincar. Eu sei porque eu tenho a mesma vontade. E essa é a principal razão porque este ano prefiro não ir. Porque a feira é tão mais que os livros, não é? Mas os livros, as pechinchas, os livros do dia e a hora H são uma maravilha.

E porque andei a custar os livros do dia do dia 27 de Agosto deixo-vos algumas sugestões:

Um bailarino na batalha.jfif

 

 

Preço de livro do dia:9€

Preço no site da editora: 14,40€ (em promoção)

 

 

 

 

 

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Preço de livro do dia: 8,90€

Preço no site da editora: 14,90€

Preço ebook no site da editora: 8,99€

 

 

 

 

 

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Preço de livro do dia: 11,30€

Preço no site da editora: 15,12€ (em promoção)

Preço ebook no site da editora: 8,99€