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Ler por aí

Ler por aí

14
Jul19

O que vende um livro?

Patrícia

Todos nós, leitores, sabemos responder a esta pergunta.

Depende

Pois. Depende de vários factores, não é?

Uns dirão que, definitivamente, o preço tem que ser levado em conta, outros afirmarão que a qualidade é fundamental, todos concordaremos que a publicidade que lhe é feita é determinante e é, provavelmente, o factor decisivo para se vender pouco ou muito, para dar ou não o salto para além-fronteiras

Este post não foi propriamente pensado, nasceu de duas situações distintas.

Ontem, no grupo de leitura, a meio da conversa, disse qualquer coisa do género: "há quem avalie um livro mesmo sem o ler, principalemten se for de determinados escritores". Hoje, vi uma reportagem no Jornal da Tarde da SIC (salvo erro) sobre o novo livro do escritor Alberto S. Santos (Amantes de Buenos Aires).  

Vou já admitir: eu sou capaz de recomendar um livro sem o ter lido. Mas não sou capaz de dizer que é bom ser o ter lido. Sou capaz de generalizar - recomendo à partida todos os livros* da Chimamanda Ngozie Adichie e do Brandon Sanderson e sei que não tenho interesse em pegar em nenhum livro da E.L James, por exemplo. Mas não consigo dizer se o "Coisa à volta do teu pescoço" é um 4 ou 5 estrelas. 

E sim, eu compro, à confiança, livros de determinados escritores. Aliás, quando eu gosto de um escritor faço os possíveis por ler todos os seus livros. Foi assim com a Enid Blyton, a Agatha Christie, a Marion Zimmer Bradley e mais recentemente a Chimamanda e o Sanderson, entre tantos outros.

Mas para gostar e me tornar leal a um escritor tenho que o conhecer, ou seja, tenho que me interessar o suficiente para comprar um seu livro (ou ir à biblioteca procurar um). E isso só acontece quando há publicidade eficiente.

E sim, eu vejo algumas coisas nos blogs e canais que me levam a comprar livros, não rejeito essas plataformas e a sua importância na divulgação da literatura. Também reconheço a enorme importância do boca-a-boca que é ainda maior do que a dos blogs e canais (basta ter em consideração a quantidade de leitores que não faz puto de ideia de que existem canais e blogs sobre livros).

Mas haverá algo que bata uma reportagem em horário nobre? Ter a Cristina a falar de um livro ou ter uma reportagem no jornal da noite deve fazer aqueles livros venderem como pãezinhos quentes. Pena é que tão poucos livros e escritores tenham essa oportunidade. 

*propositadamente vou apenas considerar escritores estrangeiros

 

 

 

13
Jul19

Direitos dos leitores (parte 13): não falar sobre livros

Patrícia

Ando aqui há umas semanas (ou meses, já nem sei) a esforçar-me para arranjar tempo e vontade (é sempre mais vontade que tempo o que nos falta, não sejamos hipócritas) para vir aqui ao blog escrever as opiniões dos livros mas, às tantas, lembrei-me que um direitos indiscutíveis de cada leitor é ... não partilhar as suas leituras.

E é esse direito que aqui invoco e que vai marcar este blog nas próximas semanas (quiçá meses). Vou abrandar nas opiniões. Eu até ando a ler alguma coisa e vou tentar ir pondo aqui qualquer coisa acerca disso, nem que seja apenas uma foto e um ou outro comentário mas não me vou esforçar por escrever opiniões.

Se estiverem interessados podemos sempre trocar umas impressões nos comentários, estejam à vontade. 

Vou tentar (e tentar é mesmo o termo certo, sem qualquer género de promessas) vir aqui escrever qualquer coisa, variar no tipo de texto, sei lá, escrever o que me apetecer, se e quando me apetecer... no fundo exactamente como tenho feito sempre...excepto nas opiniões, essas vão escassear.

Para já leio o Eliete, de Dulce Maria Cardoso, mas estou muito no início, ainda não tenho opinião formada.

Recomendo o As crianças silenciosas, da Patrícia Reis e a opinião desse há-de sair, que já está meio escrita nos rascunhos deste blog. 

E vocês, que livros vos encantaram neste verão? Andam a escolher bem as vossas leituras?

 

26
Jun19

Leituras de verão

Patrícia

Quem me conhece (nem que seja por aqui vir de vez em quando) sabe que eu raramente, muito raramente, participo em qualquer projecto, maratona ou objectivo de leitura. Não o faço porque eu e leituras (mais ou menos) obrigatórias não nos damos lá muito bem.

Mas não há como negar, muitos de vocês, muitos daqueles  que lêem blogs ou assistem regularmente a vídeos do "booktube", gostam de participar em projectos destes. E a verdade é que estes são uma excelente forma para que leitores se conheçam, aumentem a sua lista de desejos e retirem um ou dois livros da estante... até porque há que arranjar espaço para os novos habitantes da casa, aqueles que surgem porque se participa neste tipo de projecto, não é?

Eu fico sempre muito surpreendida e grata porque o pessoal dos livros ainda não desistiu completamente de mim e continuam a convidar-me e a desafiar-me para participar nestas coisas. 

Por isso, e porque as minhas participações acabam geralmente com um rotundo fracasso (quando acontecem, de todo) resolvi divulgar os projectos que conheço e de que me lembro.

Se estiverem a organizar algum projecto e quiserem alguma divulgação... não contem comigo mas enviem-me um email e pode ser que faça um post catita de divulgação.

Ora, projectos giros que andam por aí.

Por brincadeira até fiz o meu cartão de participação.

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A ideia é ler livros cujo título ou autor comecem com as letras de MAIS VERÃO. 

De 21/06 a 20/07 MAI

21/07 a 20/08 SVE

21/08 A 20/09 RAO

E tenho a certeza que há por aí mais projectos, é procurarem aquele que vos enche as medidas e esvazia a estante...

Divirtam-se e leiam neste Verão 

 

 

 

 

21
Jun19

Shadows for Silence in the Forests of Hell, de Brandon Sanderson

Patrícia

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Quão brutal é este título?

Shadows for Silence in the Forests of Hell é uma novela (é bastante difícil chamar conto Ou Short Story a qualquer coisa que o Brandon Sanderson escreva) inserida na colectânea Arcanum Unbounded. Este livro é uma espécie de doce oferecido aos leitores que desesperam por perceber Cosmere, esse universo que está a ser construído pelo autor e que engloba as grandes sagas Elantris, Mistborn (era 1), Mistborn (Era 2), Warbreaker e Stormlight Archives. Não é necessário saber sequer o que é Cosmere… mas é brutal quando sabemos. Na verdade o que os leitores que não conhecem Cosmere acham “palha” nestas séries é aquilo que nós, geeks, procuramos porque queremos muito perceber este universo.

No Arcanum Unbounded estão juntos os contos e novelas que foram sendo publicados aqui e ali pelo autor. Este, por exemplo,também faz parte de uma antologia organizada pelo George R.R. Martin chamada “mulheres perigosas”.

Se tivesse que catalogar esta história, diria tratar-se de uma mistura de Thriller com uma pitada de Horror muito mais que uma história de fantasia.

Num mundo pós-apocalíptico, onde as Sombras (Shades) matam quem não cumpre as regras básicas (não fazer chamas, não derramar sangue, não correr) e só podem ser combatidas com Prata, Silence Montane dirige um dos lugares mais seguros da Floresta do Inferno, terra dos danados, uma estalagem onde as Sombras não entram e que se diz ser assombrado pela Sombra do ex marido da Silence. Quando esta mulher reconhece um dos assassinos mais procurados a comer calmamente à sua mesa, é a vez de White Fox, o mais perigoso caçador de recompensas da floresta, entrar em acção.

Gostei imenso deste conto, de Silence e William Ann. Tive pena da personagem de Sebruki não ter sido mais desenvolvida e da maioria das personagens e criaturas se ter ficado pelas duas dimensões. Mas isto é um conto e não uma saga, por isso não dá para reclamar.

Adorei (e confesso que dei uma gargalhada quando me apercebi do que estava a acontecer) a avó da Silence.

E adorei a mulher que é Silence, a sua força, a sua determinação. E tiro o chapéu ao Sanderson que contou a história de uma mulher perigosa sem a transformar num homem.

10
Jun19

Índice Médio de Felicidade, de David Machado

Patrícia

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Não me apetece tentar calcular o meu IMF. Acho que ficaria deprimida. Acho que qualquer número me faria sentir uma fraude. E a culpa é precisamente da tal relativização de que David Machado fala neste livro.

À primeira vista dir-vos-ia que este livro fala de resiliência ou de coragem. Pensando bem, fala de teimosia e de orgulho e de como facilmente estas (e outras) características passam, com toda a facilidade, de qualidades a defeitos e vice-versa.

Esta é a história de um homem que perdeu tudo excepto um irritante optimismo que insiste em preservar. É certo que apenas conhecemos a sua história do seu ponto de vista e todos sabemos o quão enviesadas são, tantas vezes, as nossas opiniões sobre nós mesmos. Daniel perde o emprego e com essa perda, perde (quase) tudo. A sua recusa em desistir consegue ser, ao mesmo tempo, admirável e irritante.

Admirável, por razões óbvias: a resiliência, a resistência à má-sorte e às vicissitudes da vida é uma enorme qualidade que Daniel tem de sobra.

Irritante porque insistir em arriscar tudo (mas tudo mesmo) só para não pedir ajuda, só para não aceitar ajuda é extremamente estúpido. 

Ao contrário do que podem, neste momento, estar a pensar, eu gostei bastante deste livro. Gostei porque é um livro que levanta algumas questões e porque se centra na relação que todos temos uns com os outros.

Na verdade, se tivesse mesmo que escolher um tema (numa palavra) para este livro, eu escolheria Altruísmo. 

Que preço estamos dispostos a pagar para ajudar os outros? No que estamos dispostos a perder para ajudar um amigo? 

Muitas vezes achamos que fazer uma boa acção de má vontade  não tem valor, que só a abnegação é virtuosa mas não será exactamente o contrário? Uma boa acção feita apesar da má vontade, apesar do que deixamos para trás é tão maior. Não quero com isto desvalorizar aquilo que é feito apenas com amor e alegria mas às vezes devíamos olhar para os custos do que os outros abdicam por nós para lhes dar verdadeiro valor.

Não sou uma optimista por natureza pelo que tenho a minha interpretação muito própria deste género de final mas ainda assim não fiquei desiludida e acho mesmo que será o ideal para este livro. E o final (e todo o livro afinal) davam uma óptima discussão e isso é, afinal, o grande propósito da literatura.

 

 

 

08
Jun19

Assassin's quest, de Robin Hobb (***SPOILERS***)

Patrícia

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Finalmente acabei uma das séries de fantasia mais amadas e aclamadas. Antes de começar a esmiuçar a minha opinião (e atenção que vai ter SPOILERS) deixem-me dizer-vos que a minha opinião resumida é um "gostei, mas...". 

Gostei mais do segundo e do terceiro livros que do primeiro. Para dizer a verdade, o segundo foi o meu favorito uma vez que o terceiro se arrastou muito no início.

Um dos pontos altos deste livro é a relação entre Fitz e Nighteyes. No início deste livro, Fitz regressa, relutantemente, ao seu próprio corpo mas o tempo em que partilhou a consciência do Lobo deixou marcas. Neste relação é muito bem explorado o que é ser "humano", o que nos separa (ou une) aos restantes animais. Toda a jornada de Fitz é acompanhada pelo nighteyes e a forma como este vai adquirindo características exclusivamente humanas está muito bem conseguida.

As novas personagens são extremamente interessantes mas confesso que senti falta das antigas. Para dizer a verdade estava à espera que o Chade morresse e até compreendo a necessidade de afastar o Burrich, deixar o Fitz crescer e enfrentar os seus próprios erros (e só deus sabe quantos erros o Fitz teve que cometer até acertar) mas senti-lhes a falta. E se o final do Burrich me agradou não posso dizer o mesmo do Chade.

Ainda não sei se as explicações sobre os red ships me convenceram completamente mas confesso que adorei a ideia dos elderlings. Talvez tenha sido demasiado fácil para o Fitz acordá-los (too much e nem sequer havia necessidade) mas o sacrifico do Verity deixou-me de coração apertado - fabuloso. 

Gostei muito da ideia - já antes explorada q.b mas que aqui tomou um lugar fundamental - do Catalyst e do White profet. Ter o Fitz (e não o Verity), o catalisador como protagonista foi um golpe de génio mas, caramba, não era necessário que o desgraçado falhasse tanto. Ao longo dos três livros, se pensarmos bem, Fitz teve pouquíssimas vitórias - escusava portanto de ter descoberto como acordar os elderlings de forma tão fácil e casual. Pessoalmente preferia que ele fosse tendo algumas vitórias pelo caminho.

Regal acabou por se tornar num verdadeiro vilão mas podia ter bastante mais consistência e nuances do que teve.

Kettle, Starling e Kettricken são todas maravilhosas à sua maneira. E o Fool, bem, o Fool continua a ser a minha personagem favorita. Foi maravilhoso vê-lo tornar-se um membro de pleno direito do pack do nighteyes e companhia.

 

04
Jun19

Agustina Bessa-Luís

Patrícia

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É um nome incontornável da nossa literatura. Agora, que morreu, tornar-se-á o ídolo que não foi em vida. É sempre assim por cá. 

A minha relação com os livros da Agustina Bessa-Luís é complicada. A Sibila foi a minha leitura obrigatória do 12º. Um 12º de Ciências, com uma professora tão pouco memorável que nem do seu nome me recordo (e acreditem que me recordo do nome de todas as minhas professoras de Português). Aquela leitura obrigatória estragou-me a Agustina. E isso é algo que não perdoo à escola.

Fiquei sempre com a sensação de que os livros da Agustina Bessa-Luís não eram mim e só há poucos meses ganhei coragem e tirei da estante da casa minha mãe o A Sibila. Na mesma altura comprei o "A ronda da noite" porque acho que, finalmente, tenho maturidade para ler esta escritora.

Numa das (sempre poucas) homenagens feitas a Agustina Bessa-Luís li esta frase e é com ela que lembro esta mulher que devia, merecia, ser mais lida do que é. Enquanto tiver leitores, Agustina viverá nos seus livros.

"quando aprendi a ler, no mundo fez-se luz e passei a compreender tudo"

 

 

 

 

31
Mai19

Aquela época do ano

Patrícia

Acho que os leitores gostam mais da feira do livro que do Natal. É verdade que no Natal recebemos livros mas a (triste) verdade é que a maioria das pessoa tem algum receio de oferecer livros a leitores (talão de troca, gente, talão de troca) e que os leitores não só não controlam a quantidade das ofertas como não controlam a sua qualidade (mais uma vez... talão de troca, ok?). Na feira tudo depende da vontade...e do dinheiro, claro. Mas já estamos todos à espera que a feira nos leve à beira da falência, não é?

Adoro ver o entusiasmo com que os leitores esperam e vivem este evento. Listas e mais listas. A felicidade de carregar livros, os projectos de leitura que nascem naqueles momentos. 

Eu gosto muito de ir à feira no primeiro dia. Há muito menos gente, os alfarrabistas ainda têm muita coisa e é uma excelente forma de "tomar o pulso à coisa". 

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Fui à feira e apesar do calor horroroso (levem águas, sumos, chapéus) foi muito bom. A paragem obrigatória na banca das promoções da promoção da Relógio d'Água teve como resultado este Mrs. Dalloway, da Virginia Woolf que queria há muito. O "essa puta tão distinta" foi um achado nos alfarrabistas - acho que o livro nunca foi lido, tem marcador e está impecável - e era também um dos livros que eu queria ler.

Não sou de me perder em promoções nem de vir carregada com livros que não sei se algum dia vou ler - mas garanto-vos que às vezes é difícil resistir. Não me importo muito de investir em clássicos - são livros que hei-de ler um dia - mas por norma opto por livros que quero ler no imediato. 

Claro que a feira é, hoje em dia, bem mais do que apenas livros. Adoro os eventos, os encontros com escritores e outros leitores mas torço o nariz à panóplia de outros eventos que já se tornaram normais por lá. Por muito que eu goste de música (e gosto)  irrita-me imenso a poluição sonora que emerge na confusão de músicas tocadas todas ao mesmo tempo. Eu percebo a ideia, percebo que os grupos editoriais querem criar uma ilha no meio da feira mas, na minha opinião, só conseguem criar confusão e estou sempre com vontade de sair daqui para um local mais calmo onde possa abrir os livros que comprei e começar a ler.

 

 

 

22
Mai19

Estudos, estatísticas, números.. precisam-se. Com urgência.

Patrícia

É mais ou menos consensual que cada vez se lê menos. Há menos leitores.

É verdade que, tal como disseram o Guilherme e o Hugo, numa conversa bastante interessante no podcast Sem Barbas na Língua, muitas das competências que adquirimos ao ler um livro podem ser adquiridas noutro género de leituras ou ou até noutro género de actividade - quem diz que, por exemplo, a criatividade não pode ser estimulada com um jogo de computador?

A este respeito também gostei bastante da conversa, moderada pela Fernanda Almeida, entre a Patrícia Reis, a Inês Pedrosa e a Rita Ferro no A Páginas Tantas de 15 de Maio.

Num país tão pequeno como o nosso, o que fará isto ao meio literário, aos livros? 

Sem leitores, ou com menos leitores, o mercado terá que se adaptar e redimensionar necessariamente e todos sofreremos com isso. Escritores, editores, livreiros e leitores.

Eu gostava de ter dados mais específicos:

Perceber qual a real dimensão da queda de leitores. Há uma diferença entre leitores e pessoas que compram livros. Será a queda em ambos os grupos proporcional?

A relação entre leitura e compra de livros alterou-se? O mercado paralelo de venda de livros está a deturpar estes dados? Qual é a dimensão do mercado paralelo? Se incluirmos o mercado paralelo (e aqui falo de olx, custo justo e afins; grupos de facebook; feira da ladra e restantes "dealers") qual a dimensão do universo de leitores?

E qual a dimensão de leitores que compram em sites estrangeiros? Bookdepository, amazon e tantos sites de livros em segunda-mão... quão residual é este grupo? É que a mim não me parece, de todo, que seja residual.

Estudos, estatísticas, números.. precisam-se. Com urgência.

É preciso perceber qual o peso do preço dos livros na compra de livros. E qual o peso do preço dos livros na leitura. E não, não me estou a repetir. Compra e leitura de livros são efectivamente variáveis diferentes. Qual o peso do preço dos livros na compra de livros em sites estrangeiros. 

É preciso perceber quais as razões para que os miúdos e graúdos optem por outras actividades em detrimento da leitura (é fácil culpar os dispositivos electrónicos mas também é uma treta). 

É preciso falar e pensar leituras obrigatórias, o papel da escola na leitura, o papel da família, a localização e o número de bibliotecas. Os livros existentes das bibliotecas. O papel das comunidades.

É preciso perceber efectivamente o que se passa, os porquês para pensar em formas de acção.

 

 

19
Mai19

Um, dó, li, tá , de M. J. Arlidge

Patrícia

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Um, dó, li, tá...

A premissa deste livro é assustadora: Duas pessoas raptadas e presas... pelo menos até que um deles morra. Queres viver? Mata o teu companheiro de infortúnio. Simples e eficaz.

Helen Grace, a inspectora-chefe que lidera o caso tem, como normalmente acontece neste tipo de livros, muitos fantasmas e é uma pessoa bastante interessante. Gostei bastante dela.

Não vos vou contar nada sobre o enredo deste livro por razões óbvias: é um policial e não vos quero estragar a diversão.

No meu ponto de vista, não sendo o melhor policial que já li na vida, lê-se bem e tem um final suficientemente agridoce para agradar. As cenas negras são suficiente macabras para me dar a volta ao estômago. 

Só fiquei com pena de não ter tido a hipótese de descobrir quem era o assassino...