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Ler por aí

Ler por aí

09
Dez25

As Sombras de uma azinheira, de Álvaro Laborinho Lúcio

Patrícia

as sombras de uma azinheira.jpg 

Catarina nasce no dia 25 de abril de 1974 e, nesse mesmo dia, perde mãe e pai. A mãe morre no parto; o pai morre para a vida e para a filha naquele momento. Assim, Catarina cresce sem saber bem quem é, com a vida entrelaçada com a democracia, e o nome herdado de outra Catarina. Nem o amor dos tios, que a criam como sua, consegue colmatar o vazio que sente. João Aurélio, o pai, vive à espera de morrer, sem conhecer a filha, a quem não perdoa a morte da mãe, sem perdoar à democracia que decidiu chegar logo naquele dia.

É com a democracia como centro que Álvaro Laborinho Lúcio nos vai contando a história de uma família e de um país, antes e depois do 25 de Abril.

Gostei mais do que esperava deste livro. Gostei das pessoas que o habitam: do Honório, do Diogo e da Catarina. E até do João Aurélio. Gostei das suas histórias. Gostei que as histórias de amor deste livro não fossem de paixão, mas de amizade.

E gostei de pensar a democracia, o presente à luz do caminho que fizemos até aqui. Estamos, não apenas em Portugal, mas também na Europa, numa encruzilhada, e o futuro não parece feliz. A literatura tem aqui um papel importante, e este livro é uma boa forma de relembrar questões importantes.

(uma excelente escolha para presente de Natal!)

 

04
Dez25

A Costa dos Murmúrios, de Lídia Jorge

Patrícia

a costa dos murmúrios.jpg

Que livro!

Como é que nunca tinha lido este livro, se até o tinha em casa, na estante à minha espera? Eu, que até gosto bastante dos livros da Lídia Jorge, nunca tinha lido a sua obra-prima (ou o seu primeiro sucesso). Que falha. Mas uma das coisas maravilhosas da leitura é que nunca é tarde para ler um livro. O livro que li é uma 2.ª edição, de 1988, que foi oferecida à minha mãe por uma amiga que, por acaso, foi uma das minhas professoras da escola primária. Mas as coincidências engraçadas não se ficaram pela dedicatória, mas também por um papel que ficou esquecido (?) dentro do livro: a lista de coisas que o colégio onde fui interna pedia para aquele ano letivo. Tantas memórias.

A primeira parte, intitulada "Os gafanhotos", conta-nos uma história interessante q.b., que acaba por ser completamente desconstruída por Eva que, 20 anos depois, repõe a verdade dos factos. Afinal, ela é também Evita, uma das personagens principais. E é através dos olhos desta mulher que mergulhamos no período da guerra colonial, com ela refletimos sobre o tempo da história, a verdade da história, o papel da mulher numa guerra e num tempo de homens, a crueldade, o papel do colonizador e do colonizado.

A forma como toda a história é contada, através de fragmentos, triângulos amorosos, pequenos acontecimentos do dia a dia no Stella Maris, o hotel onde ficavam as mulheres dos combatentes enquanto estes iam para o mato, é rica em imagens e poderosa nas palavras.

Fala-se pouco da guerra colonial, do que fez às nossas pessoas, aos homens que lá chegaram meninos e que de lá saíram homens cruéis ou homens quebrados. Pouco se fala das mulheres que os acompanharam. Pouco se fala de quem fomos, do que fomos nessa altura, e Lídia fá-lo de uma forma magistral. A literatura serve para isto: preservar memórias, obrigar à reflexão.

 

 

04
Nov25

o trabalho incomoda muito

Patrícia

Se eu queria estar a ler? claro. Aliás, ando a carregar o livro que ando a ler (A costa dos murmúrios, de Lídia Jorge) para todo o lado e se tenho tempo não tenho disponibilidade mental para lhe pegar e se tenho disponibilidade mental não tenho tempo. Tenho andado numa maratona de trabalho (o que vale é que eu gosto muito disto) e as leituras tiveram que ficar de lado. 

Curioso que é nestas alturas que temos sempre imensa vontade de fazer coisas. No meu caso é ler (coisa que faço habitualmente) e fazer exercício físico (coisa que faço raramente). Temo que a vontade de fazer exercício desapareça naturalmente amanhã, já que estou a terminar o trabalho que tenho em mãos. Já a vontade de ler, essa, sei que não vai desaparecer. E ainda por cima tenho livros novos para ler que o meu marido teve uma travadinha e ia comprando meia livraria (vá, foram só 3 mas nunca compro muitos livros de cada vez, por isso é uma novidade).

E vocês, o que andam a ler?

14
Out25

#livros

Patrícia

O lugar dos livros nos jornais está cada vez mais pequeno, mais escondido — ou simplesmente perdido.
Recentemente, vi a partilha de uma crítica literária que me despertou a atenção. Fui à app do jornal tentar encontrá-la, mas não foi fácil. Seguir o link da partilha não era opção — não tenho paciência para estar sempre a inserir credenciais para ler os artigos reservados a assinantes. Na app, costuma ser mais simples.
Andei às voltas, à procura de uma secção dedicada aos livros. Há secções para jogos, mas não há uma para livros. Acabei por encontrar o que procurava dentro da secção de Cultura, mas fiquei a pensar nisto.

Sei que ler não está propriamente na moda. Poderão dizer-me o contrário — que as redes sociais voltaram a pôr a leitura na moda, especialmente entre os mais novos. Não sei bem se acredito, mas fico sempre feliz quando leio essas notícias. É maravilhoso que se fale e divulgue livros nas redes sociais.
Mas, se está assim tão na moda, por que razão não se vê esse contágio nos OCS? Aparentemente, tudo o resto salta das redes para a televisão e para as capas dos jornais — menos a cultura em geral e os livros em particular.

Acredito que as críticas literárias não tenham muitas visualizações, que não se tornem virais. Mas são importantes. Podem fazer leitores, podem vender livros. E até poderiam ajudar a vender jornais — o que é tão necessário.
Era importante que houvesse visibilidade para as secções culturais, que se diversificasse a crítica — e isso parece ser um crime de lesa-pátria. A maioria dos livros escolhidos pelos críticos não interessa à maioria dos leitores, especialmente aos mais jovens. Como queremos que os miúdos se tornem leitores de jornais se nunca escrevemos para eles?

E quando digo miúdos, digo jovens, leitores de fantasia, de ficção científica, de romances românticos ou de tantos outros estilos literários que fazem leitores — mas que nunca têm lugar nas páginas dos jornais, em nome de uma pureza literária que não leva a lado nenhum.

A minha geração cresceu a ler o DN Jovem, um suplemento feito para os mais novos. Tinha sempre um nível literário à prova de bala? Não. Mas fez leitores — e fez escritores. Muitos dos críticos literários, jornalistas e escritores da minha geração escreveram nessas páginas, e muitos leitores começaram por lê-los muito antes de se afirmarem como adultos. E isso foi tão, mas tão importante.

Hoje, a maioria dos leitores encontra os seus pares nas redes sociais. Primeiro foram os blogs dedicados, depois os vídeos no YouTube, Instagram, Facebook, TikTok, etc.
E os OCS continuam a ignorar a fatia da população que, de facto, gosta de ler e consumir informação. Não quiseram — ou não souberam — adaptar-se. E isso é algo que eu não consigo compreender.

10
Out25

sexta-feira

Patrícia

Há vários dias que não leio nada. Ontem comecei o Matéria das Estrelas, da Isabel Rio Novo, a ver se me tira desta pasmaceira. Poderia dizer-vos que é uma questão de tempo, que estou com muito trabalho, o que seria verdade mas que não é a razão desta mini travessia do deserto (sou muito exagerada, eu sei). A verdade é que tenho ando mais cansada que o normal, estive com gripe há umas semanas e ficou-me um tosse chatinha, que me cansa. A tosse e os anti-histamínicos. Chego ao final do dia estoirada. E aconteceram-me coisas estranhas, um dia destes conto-vos a minha aventura com uma espinha que me levou a dois hospitais. Enfim, já passou. 

Nem o anúncio do Nobel (mais um que não conhecia e que tem um nome que eu nunca vou saber pronunciar) me tirou desta pasmaceira (e espero que o anúncio do Nobel de hoje, o da paz, não traga surpresas desagradáveis. 

Não se esqueçam de votar no Domingo, estou bastante pessimista com o mundo em geral e Portugal em particular e temo segunda feira amanheça uma manhã escura e feia mas são os tempos interessantes que vivemos. Valha-nos os livros com mundos diferentes para nos manter com esperança e fé. Em quê já não sei que na humanidade não é certamente.

 

23
Set25

Outono

Patrícia

Nem sei desde quando passei a gostar tanto do outono e do inverno. Sei que o fim do verão é sinónimo de energia. Sei que me sinto bem mais feliz quando o frio começa a chegar.  E sei que adoro os primeiros dias de chuva. E os outros também. Gosto de chuva. Gosto de frio. Gosto das cores do outono. Gosto da promessa de início de Setembro, dos dias a ficar pequenos. Sim, aparentemente gosto de quase tudo o que a maioria das pessoas detesta. Mas não me odeiem já. Aquilo que vocês sentem agora, sinto eu em Março com a promessa de dias de calor interminável pela frente. No fundo, somos iguais, só não gostamos das mesmas coisas. 

E claro que Outono é sinónimo de livros. Não só porque começam a sair as novidades todas, para onde quer que nos viremos há um livro que queremos ler, outros que nos espicaçam a curiosidade, mas também porque se inaugura o tempo do sofá e da mantinha, coisas que combinam com livros (bem, mas há poucas coisas que não combinem com livros) 

Não sou muito de TBR's mas neste outono espero ler bons livros e tenho planos.

Para já estou a ler o Lucy, de Jamaica Kincaid. Nem sei bem porque peguei neste livro, para ser sincera, estou a gostar mas não será um daqueles livros memoráveis.

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Porque a situação no nosso país (e no resto do mundo) me incomoda muito vou dedicar-me à investigação jornalística do Miguel Carvalho. Acredito que a luta se faz com conhecimento e será através dele que irei lutar contra a destruição da democracia. Não tenho grandes ilusões e estou bastante pessimista em reacção ao futuro mas pelo menos quero lutar contra a desinformação (e ter, por exemplo, lido de fio a pavio o programa eleitoral deste partido já me deu bastantes argumentos em conversas com quem pensava votar neles).

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O novo livro do Afonso Reis Cabral ficou imediatamente no meu radar, um livro (também) sobre livros é sempre uma boa notícia e o Afonso escreve muito bem. 

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E porque quero chegar o fim do ano com todos os livros que comprei na feira do livro de Lisboa lidos, porque a Carson McCullers escreve bem para caraças e porque me apetece, este Relógio sem Ponteiros está aqui junto de mim, pronto para ser lido.

Relogio-Sem-Ponteiros.jpg

E vocês? O que andam a ler e o que planeiam ler nos próximos tempos? Contem-me tudo.

 

22
Set25

Líbano, uma biografia, de Safaa Dib

Patrícia

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Da terra dos cedros à imigração para Portugal, a história de uma família e de um país

Acho que o título (e subtítulo) deste livro é certeiro. Confesso que me desconcertou de início (mas é um livro sobre um país ou uma saga familiar?). Por algum motivo achei, durante muito tempo, que isto ia ser uma saga familiar, levemente baseada em factos verídicos. Assim que soube o título percebi o meu engano. Este livro é a história do amor da família Dib  pelo Líbano. E é a biografia do deste país contada por uma das suas. E o equilíbrio entre estas duas facetas é delicado. Ao longo de muitas páginas desejei que a balança pendesse para o lado familiar, mas, chegando ao fim, percebo que ainda bem que isso não aconteceu. Este é um livro que equilibra a exposição e a privacidade de forma exemplar.

Assim, ficamos a conhecer um pouco da história do Líbano, das razões e tensões do médio oriente (numa altura em que isso é fundamental) e de ouvir, nas palavras de uma miúda de uma família de imigrantes como se tornou portuguesa.

Levei o meu tempo a ler este livro e mesmo assim, não absorvi um décimo do que ali está.

Sem dúvida, recomendo a sua leitura.

*****

As redes sociais permitem-nos conhecer algumas pessoas. Lembro-me perfeitamente de quando conheci a Safaa e, apesar das redes terem bastante influência nisso, já que todas as pessoas com quem eu estava me chegaram através deste blog e das redes, foi ao vivo e a cores que a conheci durante o evento de apresentação em Portugal de um dos meus escritores de eleição. Anos depois comecei a ler as suas crónicas no JE e a segui-la no Twitter e no Bluesky. Acompanhei de longe algumas das suas aventuras, quer na Casa dos Cedros (onde nunca consegui ir, com pena minha, mas foram anos de reclusão por estes lados) quer na política. E a nossa “relação” fica por aí, vamo-nos lendo nas redes (por motivos óbvios mais eu a ela, que o contrário) e é só.

 Mas confesso que fiquei feliz e curiosa quando soube que ia lançar um livro. E, um pouco contra os meus princípios, comprei-o na sessão de lançamento na feira do livro. Contra os meus princípios porque tenho pouca paciência para a relação leitor-escritor. E geralmente fujo dessa armadilha que é escrever algo sobre um livro sabendo que, inevitavelmente, o escritor vai ler (e isso faz com que algumas vezes tenha surpresas, receba emails ou comentários que me deixam sempre envergonhada). E contra os meus princípios porque, na verdade, não me interesso por aí além pela vida das pessoas que escrevem livros (raramente compro os livros autobiográficos dos escritores que admiro). Por isso fiquei bastante aliviada quando percebi o que este livro era e por poder, com toda a honestidade, dar os parabéns à Safaa pela coragem de partilhar connosco a história da sua família, a experiência de emigração/imigração, especialmente numa altura em tantos precisam perceber e criar alguma empatia com essa realidade.

07
Set25

Tenho (acesso a) demasiados livros

Patrícia

Deixem-me explicar, antes de começarem a abanar a cabeça ou a insultar-me.

Quem é da minha idade ainda se lembrará da carência de livros. Quem, como eu, vivia longe das bibliotecas e das livrarias, quem não tinha livros novos todos os dias ou sequer todos os meses, mesmo quem tinha pais que não lhe negavam livros, como os meus, ou tinha amigos e família que contribuíam para as maravilhosas pilhas de natal e aniversário, cresceu com uma certa carência de livros novos. Não entravam na minha casa livros com a cadência com que eu os lia. E por isso tinha que reler. Tinha que ler livros que não eram bem para a minha idade e vasculhar as estantes lá de casa ou da casa de amigos e família. E a verdade é que isso foi bom, por vários motivos.

Hoje em dia tenho acesso a mais livros do que consigo ou conseguirei ler nem que viva 3 vidas e numa delas leia o dia inteiro. E é maravilhoso ter a possibilidade de comprar os livros que quero ler ou ir busca-los à biblioteca ou ter uma série de amigas que me emprestam os livros das suas bibliotecas. Mas…

Mas… temo que este acesso quase infinito a livros (o meu sonho de infância) fez com que me tenha tornado uma leitora preguiçosa. É raro pegar em livros que não me apeteça ler, é raro passar tempo em livrarias à procura de achados, é raro descobrir pérolas escondidas nas estantes lá de casa.

Raramente me oferecem livros (vouchers, sim, abençoados). Ou quando o fazem são livros que eu escolho. E isso é óptimo, i get the point, nunca erram mas também não sou obrigada a pegar em nada fora da minha “zona de conforto”. E a verdade é que nada estimula a criatividade como o aborrecimento o que é como quem diz, em linguagem literária, "isto foi afinal uma óptima supresa". E a minha vida literária anda a sentir falta de surpresas. De descobrir "livros da vida" por acaso. De ler sem a pressão das expectativas. 

É maravilhoso ter um grupo de amigas que me vai informando regularmente das novidades, dando sugestões mas amiúde sinto necessidade de parar e ler algo totalmente diferente.

30
Ago25

A importância de ler coisas diferentes,

Patrícia

Quando digo que faço a escolha consciente de ler livros escritos por mulheres esbarro quase sempre na incredulidade e na tão batida resposta do “ah, eu não ligo a género, só à qualidade/conteúdo

 

”. E eu percebo. Juro que sim. Mas confesso que quase me sinto ofendida por essa ser o contraponto à escolha de “ler mulheres”.

No fundo é a questão da meritocracia aplicada às leituras. É tudo muito bonito mas quando as oportunidades e os contextos são diferentes, a questão da meritocracia sempre me pareceu uma excelente desculpa para favorecer os mesmos de sempre. Mas vou focar-me na literatura, que é isso que aqui me traz aqui hoje.

Há uns anos apercebi-me que lia sobretudo escritores homens. E resolvi olhar para isso e pensar no que significava. Será que sou preconceituosa? Será que os homens escrevem melhor que as mulheres e é mesmo uma questão de qualidade? Será que a literatura feminina (odeio o conceito, já agora) não é para mim? Ou será mera coincidência?

E cheguei a uma conclusão muito simples: eu lia mais homens porque tinha mais acesso a livros de homens. Historicamente sempre foi mais fácil para os homens publicar que para as mulheres. Acredito que isso hoje esteja a mudar mas a percepção que tenho é que (ainda) há mais livros publicados por homens que por mulheres. Há mais prémios atribuídos a homens que a mulheres (e não, não acho que seja apenas uma questão de qualidade), há mais críticos literários (profissionais) homens que mulheres (e há estudos que dizem que eles lêem mais homens que mulheres).

Se pensarem em quem, na televisão, publicita/sugere livros vão perceber que são maioritariamente homens e que os livros são maioritariamente escritos por homens (estou a pensar no governo sombra, por exemplo, ou nos políticos que gostam muito de falar de livros que não leram – lá está o meu mau feitio a vir ao de cima).

Nessa altura decidi mudar a minha realidade – basicamente a única coisa que tenho a pretensão de controlar, sempre que me convenço que a matrix é apenas uma fantasia – e passar a escolher conscientemente livros escritos por mulheres.

E tem sido óptimo. Este ano estou nos 50/50 no que aos géneros masculino/feminino diz respeito e desconfio que a coisa vai pender para o lado das mulheres. Porque é uma escolha, a minha escolha. O meu grão de areia nesta questão da igualdade.

Sou feminista desde que me conheço como ser pensante. Passei por várias fases, incluindo as de achar que já não precisávamos dessa coisa de quotas ou lutas ou atenção especial (ah, a ignorância da juventude, coração no sítio certo mas tanto por saber ainda) e agora vou aprendendo todos os dias que há tanto para fazer no que concerne à igualdade. E que depende sempre de mim também.

E também aqui, na literatura, tenho caminho a percorrer. Acredito que a representatividade é uma questão de justiça. A Arte é também uma voz. E todos têm o direito e gostam de se sentir representados.

Para além de escolher ler mulheres, também faço outras escolhas. Cada vez mais. E isso tem-me enriquecido.

29
Ago25

leituras do (meu) verão

Patrícia

À medida que o calor se vai a minha energia começa a regressar. Era agora que me apetecia ir de férias. Uma temperatura aceitável, níveis de energia repostos e dias um niquinho mais pequenos que, aqui entre nós, não se aguenta serem quase 10 da noite e ainda haver luz na rua. Sim, sou de dias pequenos e de frio. Sou de luz de outono e de noites de inverno.

A única coisa boa deste calor é que é uma excelente desculpa para ficar no sitio mais fresco a que temos acesso a ler um livro. Não li, ao longo deste verão, tanto quando poderia ou gostaria (uma constante da minha vida que, estou certa, compreenderão bem) mas, ainda assim, passei algumas horas das minhas curtas férias a praticar a nobre arte da leitura.

Talvez ainda venha a escrever mais pormenorizadamente sobre alguns destes livros mas aqui ficam algumas impressões dos que tenho lido este verão:

Também há Rios no céu, de Elif Shafak – Uma história maravilhosa e um livro que não me canso de aconselhar. A ideia da memória da água é fascinante. Uma mesma gota de água na testa de um rei a sério, de um a fingir (Rei Artur dos Esgotos e Pardieiros talvez seja  o nome mais fabuloso que já conheci nas páginas de um livro), de uma menina na turquia ou de uma cientista em Londres. Uma gota de água que atravessa histórias e tempos. E agora vou ter que ler todos os livros desta escritora. Mas hei-de escrever melhor sobre este livro no blog da Roda dos Livros, já que esta foi a minha sugestão no mês de Agosto.

Blackwater, de Michael MacDowell – Uma novela mexicana com laivos de horror. Adorei, claro. E diverti-me muito a seguir a vida daquela família em Perdido. O tom perfeito para nos deixar sempre ligeiramente desconfortáveis. E um final perfeito. Acabou, está definitivamente acabado.´

O mais Cruel dos meses, de Louise Penny – Depois de começar este livro descobri ser o 3º de uma série policial. Isso fez-me parar de ler? Claro que não. Li e gostei, tanto quanto posso gostar de um policial (não é dos meus géneros favoritos). Não há ali muito de novo, a equipa é composta por inadaptados e o espaço é fechado à la tia Ágatha – dos presentes um matou e muitos tinham oportunidade ou motivo. No Canadá, país que, para mim, terá sempre cor de fogo.

Pulmões, de Pedro Gunnlaugur Garcia – prometia muito, adorei o início, a estrutura, o livro dentro livro. Depois, bem, uma saga familiar que acabou por me desiludir um pouco. A montanha pariu um rato e acabou por não ser um livro memorável.

Inventário dos Sonhos, de Chimamanda Ngozi Adichie – A Chimamanda escreve muito bem. E este livro tem passagens óptimas. Mas (e nem imaginam a dor que é para mim ter um “mas…”  num livro da Chimamanda) é um livro com algumas partes chatas. O problema é que não me consegui identificar com aquelas mulheres. E sim, eu sei que é uma cultura diferente mas, acreditem, a pressão para que as mulheres tenham maridos e filhos (e sejam um bocadinho menos mulheres quando não o têm) é universal. Já todas o sentimos. Ainda assim não me consegui interessar muito pelos amores e desamores delas. Mas é Chimamanda e não podia ficar a meio.

E vocês? O que leram no verão?

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