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Ler por aí

Ler por aí

14
Set20

Que tal umas palavras cruzadas... sobre os livros que andamos a ler?

Patrícia

O Paulo Freixinho perguntou-nos no Twitter que livros andávamos a ler e não é que fez mesmo umas palavras cruzadas com esses livros? Vá, uma ajuda, eu ando a ler o 7 e está a ser bem interessante.

Eu devia fazer mais palavras cruzadas. E no site https://www.palavrascruzadas.pt/ podem encontrar palavras cruzadas para todos os gostos e com vários níveis de dificuldade. E quando se tornarem mesmo bons naquilo até podem partilhar com os vossos amigos a vossa pontuação.

 

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26
Ago20

Feira do Livro 2020 (27 de Agosto a 15 de Setembro)

Patrícia

Afinal vai haver feira. Com medidas de segurança adicionais e com a ambição de transformar um ano péssimo de vendas num ano um bocadinho menos mau. 

Mesmo sabendo que este ano não irei à feira, ir espreitar os preparativos e dar uma olhadela aos livros do dia é sempre obrigatório. Vão também vocês espreitar o site.

Para além de todos os cuidados que devem ter (máscaras BEM usadas e álcool em barda fazem maravilhas, senhores) lembrem-se que a feira vai ter uma lotação limitada e que há a probabilidade de haver gente à espera para entrar (especialmente aos fins de semana e no final do dia). Sejam aquilo que esperam dos outros: alguém que dá oportunidade a que todos possam usufruir um bocadinho deste evento e que o possa fazer com toda a segurança. 

Lembrem-se que os autores podem não se sentir muito à vontade com a vossa proximidade e que têm esse direito. 

Eu sei que estão cheios de vontade de regressar à normalidade e de ver e abraçar os vossos amigos, mexer em todos os livros da feira, comer farturas, rir e brincar. Eu sei porque eu tenho a mesma vontade. E essa é a principal razão porque este ano prefiro não ir. Porque a feira é tão mais que os livros, não é? Mas os livros, as pechinchas, os livros do dia e a hora H são uma maravilha.

E porque andei a custar os livros do dia do dia 27 de Agosto deixo-vos algumas sugestões:

Um bailarino na batalha.jfif

 

 

Preço de livro do dia:9€

Preço no site da editora: 14,40€ (em promoção)

 

 

 

 

 

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Preço de livro do dia: 8,90€

Preço no site da editora: 14,90€

Preço ebook no site da editora: 8,99€

 

 

 

 

 

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Preço de livro do dia: 11,30€

Preço no site da editora: 15,12€ (em promoção)

Preço ebook no site da editora: 8,99€

22
Ago20

Margarida Espantada, de Rodrigo Guedes de Carvalho

Patrícia

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Maria Marta, Maria Marta 
cuidado, que é farta 
a astúcia do mal 
não abras a porta à doce cantiga 
não espreites sequer 
nem medo ou fadiga 
te deixem ceder 
 
Que a porta oculta o que ainda não vês 
é engano do bruto 
e assim tão astuto 
é o diabo talvez 
 
Não abras a porta, Maria Marta

que o mal quando entra não sai nunca mais 
e de ti não se farta, Maria Marta 
e morde e sussurra e lambe e engana 
e finge que fala com voz quase humana 
e não mais se cala na tua cabeça 
bem podes pedir-lhe que um dia emudeça 
que o mal e o diabo prometem que sim 
mas riem assim que dançam de volta 
da Maria Marta 
 
Da Maria Marta 
que fica tão farta 
da vida tão torta 
que entrou pela porta 
que a Maria Marta 
é Maria morta.

Depois de "Jogos da Raiva" e do "Pianista de Hotel" o escritor Rodrigo Guedes de Carvalho entrou definitivamente para a minha lista de escritores "quero ler tudo o que escreveram". Margarida Espantada apenas veio confirmar que não sai dessa lista tão cedo. 

Com (literalmente) a inconfundível voz de RDG ler este livro foi uma experiência diferente. Optei por comprar o audiobook por gostar muito de ouvir histórias e também por querer recompensar a audácia de arriscar num formato tão incompreendido como o audiobook. RGD arriscou e venceu (espero que também em termos de vendas). Admito que de início foi difícil separar o pivô do narrador, foi difícil não ouvir este livro como quem ouve um qualquer período informativo na televisão mas depois de o ter feito consegui ouvir a história, as personagens, a voz de cada uma delas e sempre, sempre, ouvi-las conduzida pela voz do escritor, perito em transmitir-nos exactamente aquilo que pretende. Ouvir um audiobook é, por vezes, fazer um bocadinho de batota. É bem mais fácil perceber o que o escritor nos está a dizer. Especialmente quando é ele que nos narra a história. Batota e um enorme privilégio.o único

Tenho a certeza que nesta altura já sabem que Margarida Espantada é um livro que nos conta a história de uma família, que aborda inúmeros temas importantes e interessantes, por isso nem vou por aí. E acreditem em mim: a leitura será tão mais interessante quanto menos souberem sobre o que fala este livro. 

Nem sei porque esperava, no princípio, uma história leve e breve mas terá sido por não ter pensado em que escreveu o livro. RGC não escreve apenas por escrever, não escreve nem de forma leve, nem de forma simples. Não me interpretem mal, não é nada difícil ler este livro. Lê-se de um fôlego e tem uma linguagem bastante acessível. Mas não nos conta a história de uma forma linear, obriga-nos a pensar, a imaginar, a achar que percebemos tudo para perceber que não é bem assim, que a vida não é a preto e branco, tem todas as cores possíveis, na ficção como na realidade. 

O único defeito que aponto a este livro é um certo paternalismo (em algumas frases do livro que me fizeram revirar os olhos) ou se é a transposição da minha percepção do jornalista para o escritor. Mas não foi isso que prejudicou a leitura deste livro.

Não posso deixar de referir as piscadelas de olho aos seus leitores com a presença de personagens como a Ana Teresa ou a cena no Hotel Mirage. Acho muita piada a estes cruzamentos (lembro-me perfeitamente quando, numa releitura e pela primeira vez enquanto leitora, percebi uma ligação  que me deixou encantada). 

Arrisquem, oiçam o Margarida Espantada (ou leiam o livro, é como quiserem).

 

21
Jul20

O deserto dos tártaros, de Dino Buzzatti

Patrícia

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Um dos livros que li nos últimos tempos foi este O Deserto dos Tártaros, escrito em 1940 pelo escritor italiano Dino Buzzati. É um livro sugerido de forma recorrente nos vários clubes de leitura em que fui participando ao longo dos tempos e li-o finalmente porque foi o livro escolhido pelo moderador para ser discutido numa dessas tardes de partilha literária.

A minha primeira impressão foi que é um livro surpreendemente fácil de ler tendo em conta que não se passa (quase) nada ao longo daquelas páginas. 

Giovanni Drogo, jovem e oficial, é destacado para a  Fortaleza Bastiani, uma posição remota na fronteira, onde nada se passa mas que tem um estranho efeito por aqueles que ali vão chegando. Em época de paz, só a disciplina férrea dos militares permite que se continue a patrulhar a fronteira e defender o reino. A disciplina e a esperança de glória. Drogo acredita sempre que, um dia, terá o seu momento de glória. Sonha com um ataque à fortaleza que lhe permita mostrar aquilo que sabe ser: um homem corajoso.

É sobre esse desejo de gloria e sobre escolhas (ou sobre a escolha que é a própria ausência de escolha) que trata este livro. Onde se traça a linha entre ser perseverante no caminho e o medo de arriscar novos desafios? 

Foi muito interessante ouvir outras pessoas a falar deste livro que tantas interpretações tem e constatar, uma vez mais, que o leitor se apropria da história. Há quem veja aqui uma história de esperança, de perseverança, de uma vida plena de significado. Há quem só consiga ver uma vida perdida à espera de nada, dedicada a uma falácia, uma vida quase inútil, de medo de arriscar.

É verdade que não se passa nada, ou quase, nesta espera pelos tártaros mas este é um livro que que gostei de ler e que ficará comigo muito tempo.

 

20
Jul20

Série Sebastian Bergman, de Hans Rosenfeldt e Michael Hjorth

Patrícia

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Ler thrillers é uma óptima forma de limpar a cabeça. Mesmo quando não são muito bons (eu advogo o direito a ver más séries de tv, assim como advogo o direito a ler maus livros). E sim, é o caso. Não achei esta série assim tão espectacular. Sim, eu sei que tem críticas fantásticas e que há imensas pessoas meio apaixonadas pelo Sebastian. Mas esse é um dos problemas que aponto a estes livros. O Sebastian. 

Não é apenas o facto dele ser um cabrão da pior espécie, que é. Mas é a sensação que a história do personagem está escrita para que o seu lado cabrão seja justificado, relativizado e acabe apresentado como o "bad boy" que as adolescentes adoram porque sentem que, no fundo, ele pode mudar. E que só é cabrãozinho porque tem um trauma, coitadinho. Infelizmente, é assim que o Sebastian é apresentado em todos os livros. Pior, há livros em que as suas atitudes conseguem ser absolutamente incompatíveis com a sua personalidade (mas demonstram que o homem tem sentimentos e todas sabemos como isso perdoa tudo - ah, revirei tanto os olhos durante a leitura destes livros). Para não falar do dedinho podre do senhor. Há uma altura em que começa a enjoar.

Posso dizer que todos os crimes dos livros me interessaram, uns mais que outros, mas foi a sua resolução que me manteve interessada. A história pessoal do gang da Riksmord, a polícia criminal lá do sítio, não me conseguiu atrair assim tanto. Ok, concordo convosco, vai ser interessante ver onde vai o Billy parar (apesar de achar o percurso dele um bocadinho rápido demais mas ok, não tenho conhecimentos suficientes para dizer que é tudo um grande exagero).  A Vanja é irritante, sim, uma fedelha mimada quando já não tinha idade para isso. A Ursula é interessante qb, não fosse aquela mania de que todos os outros policias são uma nódoa (e a persistência dos autores em dar-lhe razão é um cliché que me irritou) e o Torker é outro que apenas quer um rabo de saia que lhe dê estabilidade (aliás, os romances destes livros são todos bastante estranhos).

Mas o que me matou mesmo foi o último livro. Eu papei a sobrevivência da outra (you know who) mas a sério que não houve um exame físico / autópsia que levante sequer suspeitasse? A sério? O percurso para descobrir o assassino tinha mesmo que ser aquele? E ninguém dá conta que o outro desapareceu? Pior, ninguém se interessa? Tudo tão coladinho a cuspo, senhores.

Mas foram umas horas de leitura rápida e fácil, com algumas irritações pelo meio, o livro 5 é, de longe, o mais interessante, quero saber como raio o Billy se vai safar (ou não)  e ptto hei-de ler o 7º (e espero que último) volume da saga.

 

19
Jun20

Good Omens, de Terry Pratchett and Neil Gaiman

Patrícia

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Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, Witch é um livro maravilhoso e muito divertido que me deixa a sorrir só de me lembrar. Tão, mas tão louco. E tão delicioso.

Em primeiro lugar tenho que vos dizer que já o acabei de ouvir há algum tempo e que tive que me socorrer do google para descobrir como se escrevem os nomes das personagens deste livro. Esse é um dos problemas dos audiobooks mas por outro lado aprendemos a pronunciar todos os nomes da forma correcta.

Não faço ideia como se escreve um livro a dois sem que o leitor perceba. Mas se não estive escrito na capa que havia dois autores eu não iria desconfiar nunca. Iria apenas pensar que isto tinha sido escrito por um louco e não dois. Talvez a loucura se multiplique qdo partilhada. Não sei. Mas acho que aqueles dois se divertiram horrores a escrever isto. Eu diverti-me.

Para resumir basta dizer-vos que esta é a história de um plano infalível. Quer dizer, mais ou menos infalível. É a história do Armagedão, do fim do mundo. O filho de Satã nasceu e no o seu décimo primeiro aniversário dar-se-á o tão esperado início da guerra bíblica entre o bem e o mal. Bem, pelo menos se  Aziraphale, o anjo, e Crowley, o demónio, não o puderem evitar. Afinal, ambos adoram viver na terra e não estão dispostos a contemplar a eternidade nem no paraíso nem no inferno. 

Supostamente, e numa tentativa de conseguir evitar o fim do mundo, Aziraphale e Crowley, encarregar-se-iam de "ajudar" na educação do anti-Cristo que, depois de uma troca de bebés na maternidade, estaria entregue a determinada família. Não levaram em conta que a freira satânica responsável pela coisa era, como dizer, ligeiramente distraída. Nada corre como planeado. Os dois amigos, representantes das forças do bem e do mal, passam onze anos dedicados à criança errada...

E é o que acontece no dia em que o anti-Cristo faz 11 anos que é contado neste livro... e também no livro de profecias de Agnes Nutter que, cerca de 300 anos depois está nas mãos de Anathema, uma bruxa muito simpática.

Sim, este livro mete anjos, demónios, bruxas, freiras satânicas, caçadores de bruxas, crianças demoníacas, crianças não demoníacas, homenzinhos verdes, isto sem falar nos cavaleiros do Apocalipse e num determinado cão que gosta de perseguir coelhos.

É maravilhosamente louco. Não tenho outra forma de o dizer. 

 

17
Jun20

Segredos Obscuros, de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt

Patrícia

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Este livro é um dos grandes sucessos policiais dos últimos anos e resolvi pegar-lhe porque nada como um bom policial, sangrento quanto baste, para nos distrair do dia a dia chato e complicado que temos por estes dias. 

E tenho que vos dizer já que este livro foi uma desilusão. Lê-se mas não me encheu as medidas.

Eu sei que é típico que os protagonistas deste tipo de livro sejam sofridos, problemáticos, enfim, parece que só assim se é um bom profissional (veja-se o meu querido Harry Hole, dos livros do Nesbo). E o "nosso" Sebastian não foge à regra... o problema é que o personagem me pareceu ser um herói escrito por uma adolescente, o típico bad boy, giro, sedutor e que come tudo o que mexe mas que só o faz porque, coitadinho, é traumatizado. Revirei muito os olhos. É um cliché tão mas tão grande que me conseguiu fazer criar anti-corpos contra este livro. Ora se eu não leio romances de cordel porque os protagonistas são geralmente assim (mas, claro, redimem-se pelo Amorrrrrr) é preciso ter alguma má sorte para apanhar um num policial. 

Enfim, continuemos....

O crime em si. A equipa de detectives. Oh meus amigos, vocês descobriram o cerna da coisa ainda antes do meio do livro, certo? Então porque raio isso nem passou na cabeça daqueles moços e moças? Bastante previsível o "quem". O "porquê" já não o foi tanto e foi isso me fez puxar as estrelinhas até o 3. 

Gostei da equipa de detectives e das dinâmicas. Presumo que cada um deles tenha a sua "dose" de problemas, dramas e traumas (mas quem não os tem, não é), que serão devidamente explorados ao longo dos vários livros da série e há ali material interessante para explorar. Se bem que aquele twist final...muito revirar de olhos, senhores, outra vez. Veremos.

Ainda não decidi se vou ou não continuar a ler a série, se lhe darei outra hipótese ou não. Veremos.

02
Jun20

Tardes de verão

Patrícia

Li muito durante a minha adolescência. Talvez pudesse ter lido "melhor" mas nos anos 90, numa aldeia perdida no meio da serra, o acesso a livros estava algo limitado. Nunca me faltaram, é preciso dizê-lo, mas não eram um bem a que pudesse aceder sem restrições. Por isso lia o que apanhava e relia os favoritos. E nas tardes intermináveis de verão, com demasiado calor para pôr o nariz na rua antes do final da tarde, com uma televisão reduzida aos 4 canais, sem praia perto, era nos livros que me perdia e me encontrava. Quando o tempo não era um factor, o tamanho do livro também não o era. Aliás, minto, não foram poucas as vezes em que escolhi um livro pelo seu tamanho. Um maior número de páginas prometia mais tempo comprometida com aquela gente, com aquela história. Hoje continuo a achar que a adolescência é a altura ideal para ler os calhamaços de que temos algum receio na idade adulta. Uma série de 10 livros não faz pestanejar alguém cuja ideia de finitude, de limitação, simplesmente não existe. Um clássico não assusta alguém que se acha capaz e vencer o mundo. E não há nenhum problema em não perceber tudo o que lá está escrito - é por nos atrevermos a ser mais do que somos que crescemos, que evoluímos, que descobrimos que somos mais, somos capazes de melhor do que aquilo que achávamos ser. Costumo dizer que não ter todos os que queria fez mais por mim "leitora" que se tivesse tido acesso ilimitado a livros. Sou completamente defensora do aborrecimento como estimulador da imaginação. Quando não nos apetece reler pela centésima vez o mesmo livro talvez estejamos mais dispostos a pegar naquele livro velho, que tem uma capa feia mas que sempre nos foi recomendado. Ler é também um acto de oportunidade.