Ler por aí
 
26 de Setembro de 2017

Que tal juntarem-se à Roda dos Livros no próximo sábado?

 

Quando fomos desafiados, pelos alunos finalistas da segunda edição da Pós-Graduação em Curadoria de Arte, para nos sentarmos à mesa e falar de livros não pensámos duas vezes antes de aceitar. O tema, Lisboa. À mesa, os suspeitos do costume  (Roda dos Livros) e quem se quiser juntar a nós. 

Eu já escolhi os livros que vou levar. 

Quem quer juntar-se a nós?

 

Abaixo o texto que consta do evento do facebook:

 

Nesta quarta atividade do programa paralelo da exposição "ENSAIOS (SOBRE A MESA): A partir da coleção do Museu de Lisboa e do Museu Bordalo Pinheiro", elegemos a Roda dos Livros (Roda dos Livros - Livros em Movimento, uma "comunidade de leitores compulsivos" criada em 2013, que se reúne mensalmente na Biblioteca Municipal dos Olivais) como anfitriã de uma tertúlia de leitura na Galeria Quadrum. Sugerimos a cidade, no seu sentido mais abstrato, ou Lisboa, em concreto, como ponto de partida para a seleção livre dos textos ou dos excertos de textos - crónicas, contos, romances, biografias, poemas, por aí adiante - a discutir informalmente na reunião. Convidamos cada um dos participantes à discussão a partir deste material, em torno do que foi, do que é e do que pode ser a cidade. Convidamos toda a comunidade, desta e de qualquer cidade, a juntar-se ao grupo, para assistir ou mesmo para intervir neste diálogo.

"Em cada objeto da coleção, o murmúrio da cidade. Em cada caixa. Em cada estante. Em cada armazém. Há que perscrutar essa imensa acumulação de histórias e de estórias que fez cidade esta cidade. Há sempre algo por dizer. De facto, o objeto museológico existe sempre para e na iminência de ser redescoberto. Uma e outra vez. A cada dia que passa, novos significados e novos sentidos se entretecem. A cada novo olhar, outras memórias se avivam. Buscamos o olhar contemporâneo, esse olhar a partir, através, além, para lá de. Que trespassa, pela intemporalidade, a infinita cacofonia de acasos. Que reanima o objeto, depois da sujeição ao número de inventário. Procuramos transcender as classificações, as hierarquias, as etiquetas. Ensaiamos as correlações, as afinidades, as sincronias. De entre as possíveis, as nossas, as vossas.

Sobre a mesa, sem rede nem reticência. Uma casa de todos, para todos. Que se habite a coleção. Que nunca se cale. Lançamos aqui as pistas para o diálogo. Numa encenação sugestiva e inevitavelmente inacabada, as peças reclamam as nossas e as vossas interpelações. Queremos as perguntas, mais do que as respostas. Abrimos esta casa ao debate informal, despretensioso, livre. Trata-se de uma proposta para a ativação da coleção, assente na participação e, por isso, indefinidamente em construção. Que entre toda a gente, a gente desta e de qualquer cidade. Façamos a coleção. Façamos a cidade. Cruzemos as nossas e as vossas memórias. Ouçamos as experiências e as confidências, as opiniões e as sugestões, as ideias e os projetos. Reflitamos sobre os acontecimentos e as circunstâncias, os símbolos e as retóricas, as topografias e as biografias. Construamos juntos um lugar de encontro, de comunhão, de partilha.

Mas não necessariamente de concordância. Importa afirmar a crítica, no sentido da pluralidade, da divergência, da dissensão. Buscamos o olhar caleidoscópico, esse que atravessa – e que, por vezes, fere irremediavelmente – a estrutura institucional, o discurso hegemónico e a verdade absoluta. Propomos um diálogo inédito, reformador, provocatório até. Não impondo uma certa e determinada leitura. Não lendo, mas dando a ler. Que se diga. Que se contradiga. Cremos na contradição, tanto ou mais que no consenso.

Em cada objeto da coleção, a latência do agora, essa urgência de contemporaneidade. Há que trazer a coleção à luz desta cidade, a de hoje, hoje e sempre, para que se mantenha como organismo vivo. Convidamos ao debate a partir das micronarrativas, dos fragmentos ou mesmo dos restos. O que fica do que passa? O que fica para lá da espuma das coisas? Pensemos a coleção em todas as suas vertentes – histórica, antropológica, simbólica, urbanística, social, económica, por aí adiante – e no confronto com a atualidade. É sob a luz destes dias que a coleção respira, mesmo que aludindo a outros, mais ou menos distantes. Concebamos a exposição como ponto de partida para a recuperação da vitalidade interrompida. Um novo fôlego. Em cada conversa, a epifania.

Sobre a mesa, sem mestre nem aprendiz. Uma exposição de todos, para todos. É a interpretação como exercício de questionamento. É a curadoria como trabalho de revelação. Diríamos até como prática social, não querendo, ainda assim, ceder às categorizações ou às tendências. Além disso, a superação do abismo entre a vida e a arte. Mas também entre a arte e o artefacto. Não há por que restringir, preterir, elitizar. Construamos juntos um espaço de experimentação. Façamos da galeria o nosso laboratório. Reencontremos a cidade no cidadão anónimo, no lisboeta desconhecido. Em cada retrato seu. Em cada objeto de decoração ou de mobiliário. Em cada representação, artística ou não, dessa pertença. E tanto que fica por expor. E tanto que fica por contar. Devolvamos a coleção à cidade, mesmo que uma ínfima parte, assumindo o compromisso da sua revivificação."

"ENSAIOS (SOBRE A MESA): A partir da coleção do Museu de Lisboa e do Museu Bordalo Pinheiro" resulta de um projeto curatorial dos alunos finalistas da segunda edição da Pós-Graduação em Curadoria de Arte daFaculdade de Ciências Sociais e Humanas - NOVA FCSH.

publicado por Patrícia às 22:27 link do post
Adorava ir, a esta e às restantes tertúlias, mas voltei a trabalhar fins de semana. Image
Carla B. a 26 de Setembro de 2017 às 23:16
Espero que, mais dia menos dia, consigas voltar.
Beijinhos
Patrícia a 27 de Setembro de 2017 às 10:26
Se vivesse em Lisboa, iria assistir, mas como nem todos podem morar na praça, só me resta dizer, que é muito bom lá morar, porque têm tudo à mão de semear. 
cheia a 27 de Setembro de 2017 às 07:10
Cheia, sim, há imensa coisa ligada à literatura em Lisboa. Muito mais do que no resto do país.


Mas em relação a este caso não tem nada a ver com a localização. Tu podes fazer exactamente o mesmo onde quer que vivas. Reúne um grupo de amigos e falem sobre livros uma vez por mês. Mais nada. É o que nós fazemos. Procurámos um sítio (a Biblioteca dos Olivais recebeu-nos de braços abertos) e partilhamos entre nós as leituras. Qdo a sala habitual não está disponível vamos para cafés ou jardins. O que interessa é a amizade entre nós e o amor aos livros. 


Sim, temos tido imensa sorte e temos tido alguns convites para fazer rodas noutros sítios. Sim, temos tido o privilégio de, por vezes, contar com a presença de alguns escritores. Mas acredita em mim: as melhores rodas de todas são as caóticas, onde há conversas cruzadas, risotas e acabamos, qual miúdos, a levar um raspanete porque fizemos barulho.


Desafia alguns amigos e avança para uma coisa desse género, vais ver que é fantástico.


bjs
Patrícia a 27 de Setembro de 2017 às 10:32
Olá!
Excelente iniciativa. Acompanho a "Roda dos Livros" há imenso tempo. A Márcia falou-me deste encontro, mas infelizmente não vou poder ir pois vou estar fora o fim-de-semana todo.
Tenho mesmo muita pena, senão iria de certeza.
Espero que corra bem e seja uma tarde cheia de boas conversas sobre leituras.
Beijinhos
Jardim de Mil Histórias a 28 de Setembro de 2017 às 16:36
pesquisar neste blog
 
email
ler.por.ai@sapo.pt
mais sobre mim
tags

2017

adam johnson

afonso cruz

afonso reis cabral

agatha christie

alexandre o'neill

alguém quer este livro?

amin maalouf

ana cristina silva

ana margarida de carvalho

ana saragoça

ana teresa pereira

anna soler-pont

anne bishop

anne holt

antonio garrido

as paixões antigas

biblioteca de bolso

brandon sanderson

carla m. soares

carlos campaniço

carlos ruiz zafón

chimamanda ngozi adichie

colleen mccullough

conversas (sur)reais

cosmere

cristina drios

curtas

dan brown

danuta wojciechowska

david soares

diário de leitura

direitos dos leitores

dulce maria cardoso

elena ferrante

filipe melo

frank mccourt

george r.r martin

gonçalo m. tavares

greg mortenson

haruki murakami

helena vasconcelos

ildefonso falcones

inês pedrosa

isabel allende

jo nesbø

joão tordo

jodi picoult

josé eduardo agualusa

josé luís peixoto

josé rodrigues dos santos

josé saramago

juan cavia

julia navarro

juliet marillier

ken follet

l.c. lavado

ler em português

leya em grupo

lídia jorge

livros

luís miguel rocha

mai jia

maria manuel viana

mário zambujal

marion zimmer bradley

meg wolitzer

mitos e outros temas livrescos

mónica faria de carvalho

natal

nuno nepomuceno

opinião

os meus amigos também gostam de ler

patrícia müller

patrícia reis

paulo m. morais

podcast

richard zimler

robert wilson

robin sloan

roda dos livros

rosa lobato faria

rui cardoso martins

rui zink

sandra carvalho

sonhos

stephenie meyer

stieg larsson

stormlight archives

tarita

the way of kings

tiago carrasco

trudi canavan

ursula k. le guin

valter hugo mãe

vasco ribeiro

victoria hislop

words of radiance

youtube

zoran živković

todas as tags

blogs SAPO