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Ler por aí

Ler por aí

tudo são histórias de amor, de Dulce Maria Cardoso

Não sou leitora de contos e talvez por isso ando a adiar aescrita deste post, desta opinião sobre o livro “Tudo são histórias de amor”.Ou talvez seja porque mesmo agora, passado alguns dias de terminada a leitura, ainda não sei o que pensar sobre este livro.
Aqui, ao longo destas páginas, misturam-se a realidade e aficção de uma forma que me surpreendeu e até me chocou. Não estava preparadapara a crueldade de um livro chamado “tudo são histórias de amor” que fala deamor, pois claro, mas que também fala de morte, decadência, maldade. Isso nãodeveria surpreender-me. Afinal, como todas as verdades têm dois lados e a belezanão faz sentido sem a fealdade, são os extremos que se equilibram, que dãosentido ao mundo.
Será necessário chegar a extremos como esta escritora faz,para se falar de amor? Talvez não mas para fazê-lo e para funcionar énecessário que se seja dona das palavras, é necessário um imenso talento e issoé inegável que a autora é e tem.
Este livro não me encantou. Mas desconfio que este livro nãotem o propósito de encantar. Muitos destes contos deixaram-me desconfortável. Etenho para mim que a intenção era precisamente essa. Surpresa, choque, culpa,desconforto e um ou outro sorriso foi aquilo que senti ao longo destas páginas.
Não sou leitora de contos mas este livro não me deixouindiferente. Não sou leitora de contos mas não me vou esquecer destes tãodepressa.
Não acho que seja um livro ao gosto de toda a gente. Estelivro, estas histórias de amor são, acima de tudo, uma provocação. Mais do quepara ler, este livro obriga-nos a pensar.