Ler por aí
 
11 de Setembro de 2014

 

Adoro a escrita da Rosa Lobato de Faria, tanto nos põe uma manta quentinha pelas costas como nos dá um estalo na cara.

São vários contos deliciosos agrupados num livro de bolso com esta capa toda bonita.
O meu preferido – Um banco de Jardim - a morte com olhos verdes cegos que arranja um cão, como sugerido pelo senhor Pascoal, para farejar as pessoas certas para morrer. Já se sabe que o cão o farejou a ele.
Outro que gostei bastante – Vem o Senhor – a história de Dª Maria Telles, irmã de Dª Leonor Telles. Que pena a Rosa Lobato de Faria nunca ter escrito um romance histórico porque este conto dava um livro maravilhoso.
E também “Criada para Todo o Serviço”,  “A Fórmula”, “Maçã” todos com o twist certo no final.
E  “O Laço” ? caramba! Que grande maluquice.
 
Obrigada amiga Pat por me teres apresentado a tia Rosa, já faz parte da minha estante.
 
publicado por Catarina às 22:52 link do post
01 de Novembro de 2013


Ler os livros de Rosa Lobato de Faria é sempre um prazer.
Acho que a escritora tinha o talento de simplificar ocomplexo, de nos contar uma história cheia de tudo em meia dúzia de palavrassimples, sem pretensiosismos. Não há palha nos livros dela, não há palavras amais, não há palavras supérfluas e no entanto não fica nada por contar, nãoficam sentimentos para transmitir. Porque este, como outros livros da tiaRosinha que já li, são sentimentos em palavras, são histórias de vidas normais,vidas que podiam ser nossas e que no entanto são excecionais.
As mulheres criadas pela Rosa Lobato de Faria são sempremulheres fortes, especiais. Desta vez é Camilla que aos noventa e tal anosresolve escrever a sua biografia, baseando-se nos diários que manteve ao longodos anos. E assim, ao som das palavras e dos amores de Camilla (uma senhora nãofala de política) atravessamos o sec. XX e conhecemos Camilla, Paca (umapersonagem maravilhosamente misteriosa) a sua ama, os seus três maridos e osseus amores, os amigos e os inimigos. E assim de raspão, temos um vislumbre doPortugal do Séc XX, desde a monarquia à democracia, com um toque muitopequenino de ditadura, que este livro é um livro doce e maravilhoso que fala decoisas importantes e não de detalhes políticos (não se fala de política juntodas senhoras, já vos tinha dito?). Num livro tão pequenino que se lê quase deuma assentada falamos de amor, de desamor, de família, de saudade, de perda, demorte, do que é ser-se mulher numa sociedade que tanto tem mudado mas que emtanto se mantém igual. Fala-se de destino, de sombras e sangue, fala-se deculpa e de redenção, de paixão e da felicidade da serenidade.
Os livros da Rosa Lobato de Faria são deliciosos. E eu, quejá tenho quase todos, vou lendo-os devagarinho, para os fazer durar, e vouguardá-los com o carinho com que guardo uma suave lembrança.

(não consigo gostar ou sequer perceber esta capa, mas é a que tenho....)
publicado por Patrícia às 11:27 link do post
09 de Novembro de 2010

Esta é uma história familiar contada por Bernadette, uma de 4 irmãs (cada uma com nomes com dois tt), que cresceu, correndo os caminhos de Portugal com os pais, saltibancos profissionais que tanto apresentavam espectáculos de Almeida Garret como um espectáculo em que Marinela parecia morta, mas não estava....
É um livro que oscila entre o dramático e o divertido, entre o cruel e o inocente. Uma história simples, muito bem contada e que nos mostra uma realidade louca desde os anos 40.
Gosto dos livros da Rosa Lobato Faria e se algo lhes tenho a apontar é que por vezes a história sabe a pouco. Há temas secundários que mereciam ser mais explorados, acontecimentos que passam de corrida e aos quais não é dada a importância que eu achava que deviam ter. Mas esta simplicidade é também a grande magia destes livros.
publicado por Patrícia às 17:32 link do post
01 de Novembro de 2010


 

 

Pedro escolheu a Paixão. Uma e outra vez. Foi Pedro, o Cru, no séc XIV, apaixonado por D.Inês de Castro a quem fez rainha. Foi Pedro, pintor, gestor ou simplesmente louco, no séc. XX enfeitiçado por Inês, da familia dos Castros. Foi Pedro, no inicio do sec. XXII, um ípsilon desde sempre enamorado de Inês, uma xix.

Três histórias de amor, que se entrelaçam, produto da mente louca de Pedro, que num hospício (no início do séc.XXI) nos conta a sua história. Uma e outra vez a história se repete, passado, presente e futuro, como uma roda que não pára de girar.

Baseada na lenda de Pedro e Inês, o "nosso" amor mais trágico, esta história conta-nos uma e outra vez  a tragédia das paixões proibidas, o poder do amor, a loucura nasce que de uma paixão sadicamente interrompida. Apesar de não nos trazer nada de novo é bastante interessante ler novamente estas histórias.

Uma chamada de atenção para o futuro. Rosa Lobato Faria apresenta-nos um séc XXII bastante interessante, mas onde o Homem continua igual a si próprio.
publicado por Patrícia às 09:13 link do post
03 de Junho de 2010


Os Pássaros de Seda
de Rosa Lobato de Faria
Edição/reimpressão: 1996
Páginas: 208
Editor: Edições Asa
ISBN: 9789724117584
Colecção: Finisterra

Graças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcendência de lugar mágico.
O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e para morrer.
Assim terminam as memórias de Mário, um dos protagonistas de Os Pássaros de Seda, um livro sobre a condição humana, que opõe os valores perenes da infância, do maravilhoso e do amor à precariedade das paixões e dos transes da fortuna.
Um magnífico romance que, depois de O Pranto de Lúcifer, confirma a sua autora como uma presença incontornável no panorama da nova ficção portuguesa.



Mais um livro maravilhoso da Rosa Lobato Faria. Continuo a gostar imenso dos livros desta escritora. São livros pequenos, daqueles óptimos para ler de uma assentada, numa tarde ou num fim-de-semana.
Este livro conta a história de Diamantina. Mário e ela combinam escrever cada um as suas memórias e depois trocar. Mário, fiel a este acordo, escreve um livro com as suas histórias que dá a Diamantina pouco antes de morrer. Mas o livro é mais sobre ela que sobre ele. Afinal e segundo as palavras de Mário “ tu és a minha vida”.
Assim conhecemos uma Diamantina linda e cheia de talento, que com as suas colchas bordadas com pássaros vence na vida, cresce e atinge o sucesso.
Mas o talento na vida profissional não tem paralelo na vida pessoal e Diamantina não tem sorte no amor.
Um livro sobre o amor platónico, sobre as escolhas, a sorte, as consequências. Um livro com personagens muito interessantes e onde as histórias do Tio Zebra são um dos pontos mais interessantes.
publicado por Patrícia às 13:46 link do post
16 de Março de 2010



É um lugar comum dizer-se que determinada orientação sexual não é uma escolha, porque, se fosse, ninguém escolheria o caminho mais difícil. Foi esse caminho mais difícil que Teófilo teve de percorrer, desde a incompatibilidade com os pais, aos desencontros dentro de si próprio, chegando mesmo a acreditar que alguém lhe tinha trocado a alma...



Depois de ter lido e gostado do livro “As esquinas do tempo” de Rosa Lobato faria resolvi comprar este “A Alma trocada” e mais uma vez deliciei-me com a forma de escrever desta escritora.

A história deste livro gira em torno de Téo e da sua busca por si mesmo. Téo sempre achou que tinha a alma trocada. A dificuldade em lidar com a homossexualidade reforça essa convicção. Téo estava de casamento marcado (ou devo dizer “arranjado”? ) com Raquel quando conhece Hugo. A relação dos dois pautada pela calma e pela serenidade ajuda a que Téu tenha a coragem de mudar de vida e assumir-se de uma vez. Com esta decisão não perde só a noiva. Perde os pais. Mas ganha muito mais. Tendo uma avó no Alentejo é para lá que vai quando precisa descansar, esquecer-se da vida e do mundo e encontrar um turbilhão chamado Tinito. E mais não conto.

A história deste livro poderia ser pesada, triste mas não é. Poderia ser uma história de vingança (e há vingança neste livro), de ódio (que também há), de crime mas não é.

A simplicidade com que a história é contada (na primeira pessoa) faz toda a diferença. É um livro dos sabores do Alentejo que eu tanto gosto. Um livro cheio de palavras, de cheiros que nos fazem sentir que não estamos aqui, mas lá, numa Alentejo profundo. Um livro de toques, de sentimentos. E depois disto tudo a história é (quase) secundária.
publicado por Patrícia às 16:02 link do post
24 de Fevereiro de 2010


Se, há uma semana atrás, me perguntassem quem era a Rosa Lobato Faria responderia, sem precisar pensar muito: "é uma escritora Portuguesa, actriz, escreveu umas canções, umas novelas, séries de televisão, enfim, uma mulher que fez de tudo um pouco, Infelizmente morreu há pouco tempo". Mas se me perguntassem o que escreveu ela, que livros escreveu ela, não saberia responder. 
Nunca tinha lido nada desta escritora portuguesa até esta semana. Nunca tinha procurado nenhum livro dela numa das livrarias em que entro regularmente. Por falta de interesse ou até mesmo por preconceito, nunca tinha lido nada dela.
Mas este menino ofereceu-me, nos meus 31 aninhos, o livro "As esquinas do tempo". Resolvi começar a lê-lo logo (podem cuscar a minha opinião sobre ele aqui) e fiquei maravilhavada e envergonhada. Maravilhada porque o livro é perfeito. Envergonhada porque foi preciso a mulher morrer e alguém me oferecer um livro dela para que percebesse o talento que ali estava e o que tenho andado a perder.
Já prometi a mim mesma ir à procura dos outros livros desta escritora e lê-los de fio a pavio. 
Sem querer fazer comparações, mas para vos dar uma ideia, à medida que lia o livro, lembrava-me de Oscar Wilde e do seu "O retrato de Dorian Gray".
publicado por Patrícia às 23:55 link do post
23 de Fevereiro de 2010

"Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali."

Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.
Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte Margarida acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.
Sem perder consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente.

Romance simultaneamente poético e fantástico, As Esquinas do Tempo é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.

Fiquei rendida a este livro logo no início. Com uma escrita ligeira e fácil, Rosa Lobato Faria conta-nos a história de uma família. Margarida Saldanha, oriunda do séc XXI vai até 1908 substituir Margarida Mendonça, sua bisavó, que por sua vez passa uns meses num convento perseguida pelo Marquês de Pombal em pessoa! Margarida, a do sec. XXI, habituada à tecnologia, à liberdade e à igualdade, vai ter uma experiência diferente no inicio do sec XX. Lá conhecemos Madalena e Mariana, as suas irmãs, Inácio (um pintou meio alucinado,) Diogo (um homem macabro) e Miguel. Miguel é a fotocópia de um outro Miguel, amante de Margarida na Lisboa do Sec. XXI e de Miguel, pretendente de Margarida no convento de Chelas. Confuso? Nem por isso... é que o livro está maravilhosamente escrito.

publicado por Patrícia às 16:03 link do post
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