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05 de Outubro de 2017

... que é como quem diz "O Nobel da Literatura vai para......"

Não faço ideia mas é hoje. Daqui a menos de 60 minutos já saberemos que foi o/a galardoado/a este ano. Depois da polémica do ano passado (e da de há 2 anos) espero que este ano haja uma boa surpresa. E para mim "boa surpresa" significa já ter ouvido falar do escritor/a.

Sou, desde há muito, "team Murakami" mas este ano o meu coração até pende mais para a Margaret Atwood. Provavelmente ganhará outro qualquer. Não faz mal, estou entusiasmada na mesma.

 

Quando hoje de manhã li a crónica "Previsões - E o Nobel da Literatura vai para..." fiquei logo irritada:

"Além de que os desvarios dos últimos três anos mostraram que não há um critério, pois Patrick Modiano era um escritor totalmente de nicho, já Svetlana Alexievich pouco tem que ver com a Literatura e Bob Dylan nem vale a pena comentar."

"Portanto, hoje a grande dúvida é se os 18 membros do júri do Nobel da Literatura vão premiar um verdadeiro escritor ou se se mantêm apostados na espectacularidade. Até obedecerem a "critérios" desfasados da Literatura, como é o das quotas mulher, poeta, negro, activista social... Afinal, o que está em causa é já o prestígio da Academia Sueca. "

 

A facilidade com se desvaloriza alguém pela cor, género ou qualquer característica é impressionante. É que pelo texto parece que, ou ganha alguém de quem o senhor gosta homem, branco, apático e do género literário certo ou será sempre um prémio injusto e um preenchimento de quotas.

Bem, suponho que ganhar a Margaret Atwood esteja absolutamente fora de questão para este senhor... para além de ser mulher é uma activista dos diabos.

Estou um bocado farta desta mania de que lutar por alguma causa é ser histérico. A sério que há palermas que se sentem tão ameaçados por quem tem a audácia de achar que somos todos iguais em direitos, deveres e oportunidades?

Cá para mim, o Nobel da palermice vai para este senhor.

 

publicado por Patrícia às 11:20 link do post
06 de Abril de 2016

Finalmente vi o último filme dos Jogos da Fome (A Revolta, parte 2). Como já tinha lido os livros não houve nenhuma novidade em relação à trama e devo confessar que gostei muito do desfecho que a escritora escolheu para esta história. Um pouco previsível, é certo, mas lógico o suficiente para que faça sentido. Considero (como tanta gente) que o sucesso dos filmes é responsabilidade da atriz que deu corpo, personalidade e profundidade a Katniss Everdeeen. Gostei muito.

Agora quero muito pôr as mãos em cima do livro Battle Royale, de Koushun Takami que parece ser o "pai" destas sagas distópicas que estão tão na moda. Ainda só não o li porque é difícil encontrar uma edição em Português e ando com alguma preguiça para ler em Inglês.

Ainda em relação a Filmes YA, resolvi ver também o Insurgente e o Maze Runner e confesso, são estes que dão o título a este post. Ambos péssimos. Se os respetivos primeiros filmes das séries são sofríveis estes nem a esse ponto chegam.

Li a saga do Divergente/Insurgente/Convergente (e não li mais que não fiz mal a ninguém), sendo que o convergente foi lido na diagonal e vi os filmes por um misto de curiosidade e necessidade de passar umas horas a olhar para o ecrã sem pensar em nada (cada vez é mais difícil encontrar um bom filme de terror e as comédias, sejam românticas ou não, estão banidas lá de casa - nem o gato gosta de tal coisa).  Previsíveis, tontos e com muitas coisas completamente inexplicáveis.

E aqui é, para mim, o ponto fulcral do problema. Isto é fantasia, eu sei. Mas quando uma história de fantasia está bem escrita/criada então tem que nos convencer de que é possível, Tem que fazer sentido naquele universo. Tem que ser coerente com a história. Detesto soluções milagrosas que aparecem exatamente quando são necessárias. Não é por ser do género fantástico que tudo é permitido.

Mas pronto, eu já não sou propriamente adolescente e não sou, de todo, do público-alvo destas séries. Vou voltar para os filmes de terror de baixo orçamento que sempre permitem umas gargalhadas valentes (já alguém viu o "A purga"? maze-runner, versão terror. Ambos igualmente maus.)

 

 

 

publicado por Patrícia às 10:22 link do post
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29 de Março de 2016

Vocês já sabem o quanto eu gosto de reedições com preços capas diferentes…

 

Este é mais um daqueles casos…

 

Adorei o livro Os interessantes de Meg Wolitzer e quando ouvi dizer que ia sair outro livro da autora fiquei super interessada.

Ontem encontrei-o com um bom desconto na livraria online da editora e comprei-o. Confesso que achei um bocadinho estranho que este ebook estivesse a 6.40€ (não é que seja barato para ebook mas a experiencia diz-me que as novidades costumam ser mais caras).

Um bocadinho por acaso percebi que este livro afinal não é o novo livro da escritora (leia-se “novo” como “livro escrito/publicado após os interessantes). Esse seria o Belzhar, um YA publicado em 2014 (acho que não está editado em Portugal).

Este A Mulher é de 2003 e já existia editado por cá (na editora Caleidoscópio).

A mulher 1.jpg

Eu compreendo que a editora queira aproveitar a onda de aprovação do “os interessantes” e que, tendo adquirido os direitos dos restantes livros da escritora os esteja a publicar. A oportunidade é esta e pode e deve ser aproveitada. Mas não deixa de ser uma armadilha (para os leitores e para a própria editora).

Para os leitores, porque os incautos como eu não vão ler a parte da ficha técnica que diz copyright 2003 e ficam a pensar que o livro é recente. E para a editora porque as expectativas estão muito altas e ler este livro agora, sem ter a noção de que foi escrito há 13 anos, pode desiludir os leitores e fazê-los acreditar que a escritora não evoluiu.

Sim, a informação está lá (por acaso também li nalguns sítios que este é “o novo” livro da escritora, mas vamos passar essa parte à frente) mas sinto-me sempre um bocado enganada. Uma capa nova, umas referências ao best-seller e muita ausência de informação e voilá… temos um livro novo.

A mulher 2.jpg

 

publicado por Patrícia às 10:34 link do post
29 de Fevereiro de 2016

Será possível separar o escritor da sua obra? O que é mais justo: separar ou não? Julgar a obra esquecendo a mão que a escreveu ou rejeitar a obra por não suportar a mão que a escreveu?

Tenho pensado neste tema por causa de dois escritores específicos mas antes de abordar casos específicos, generalizemos.

Acho que será mais ou menos unânime que a obra é uma coisa e que a pessoa é outra. Não faltam exemplos de grandes artistas que são, para ser simpática, fantásticas pessoas. Basta uma busca rápida no Google para se ficar horrorizado com o que se lê sobre Picasso, Byron ou Wagner. Hemingway, Enid Blyton ou Lewis Carrol também não ficam bem na fotografia.

A minha opinião é assim meio esquizofrénica. A verdade é que tanto acho que há pessoas e crimes que me fazem ter vontade de dizer que as suas obras, por melhores que sejam, deviam ser proibidas, banidas da face da terra, por outro lado sei que o tempo e o espaço fazem com que a obra seja julgada por si e que isso é o mais correto.

O tempo e o espaço.

Qualquer um de nós será capaz de ler os livros (ou obras) de qualquer criminoso desde que consigamos ter uma distância temporal suficiente para não haja uma identificação com as vítimas ou com o crime em si. E quando a pessoa é “apenas” má pessoa, sem que haja crimes envolvidos, então torna-se bem mais fácil conseguir apreciar as suas obras “humanizando-a”. Quem se importa que um escritor tenha sido um pai ausente se foi isso que permitiu que desse ao mundo uma obra fantástica? Quem se importa que tenha sido um marido desprezível se o seu trabalho é fenomenal?

Quem se importa que tenha sido uma pessoa menor se foi um artista maior?

A verdade é que só se importa quem tem uma ligação mais ou menos pessoal com ele/a. Caso contrário os defeitos são apenas uma nota de rodapé, uma curiosidade. Aqui o tempo e o espaço fazem o seu trabalho de protetores da arte.

Por vezes debatemo-nos com informações sobre os autores das nossas obras de arte favoritas que preferíamos não saber, que de alguma forma diminuem a obra por diminuírem a pessoa. Até chegam a diminuir-nos a nós, porque sermos apreciadores da obra mas a verdade é que se deixarmos o tempo e o espaço fazerem o seu trabalho talvez (apenas talvez) consigamos separar o autor e sua obra.

Sim, tenho dois nomes na cabeça ao escrever este texto. Nomes grandes da literatura Portuguesa e Mundial de gente de quem não gosto enquanto pessoa mas a quem reconheço o génio na obra. E acabo sempre por preferir fazer um esforço de distanciamento (nem sempre corre bem) e tentar olhar apenas para a obra.

 

(Mais opiniões sobre este tema:  Magda )

publicado por Patrícia às 13:14 link do post
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