Ler por aí
 
06 de Abril de 2017

Às páginas tantas de cada leitura faço uma busca no google e leio as vários opiniões de leitores comuns que encontro relativas àquele livro. Às vezes, as opiniões são tantas que escolho as de leitores que conheço e com os quais costumo concordar.

Mas às vezes, tantas vezes, é quase impossível encontrar uma opinião sobre aquele livro. Ora isto não significa que esses livros não são lidos mas somente que não lidos pelo tipo de pessoa que escreve blogs, faz vídeos ou actualiza o goodreads. 

Isto não é uma critica (cada um lê e escreve o que quer) mas apenas um facto, um facto que me deixa triste e que me faz pensar. Habituámo-nos (e os mais jovens que eu ainda mais) a procurar toda a informação na Internet, a confiar nos nossos pares, a viver rápida e fugazmente confiando que a informação nos há-de chegar.

Habituámo-nos a deixar para os outros a separação entre o trigo e joio, nos livros como na vida.

E com isso perdemos, nos livros como na vida, as maiores e melhores surpresas.

publicado por Patrícia às 16:30 link do post
05 de Abril de 2017

Fico sempre sem saber se devo ou não reler os livros.

E se reler um livro de que não gostei pode fazer-lhe justiça (há sempre livros que lemos em alturas erradas), reler um livro de que gostámos muito também pode estragar tudo.

Se um livro, a determinada altura, me marcou de forma a considerá-lo, por pouco ou muito tempo, o meu livro preferido, será uma boa ideia correr o risco de perceber que afinal não é assim tão bom?

A verdade é que uma releitura nunca vai ter o factor “novidade” ou “expectativa) no mesmo nível da leitura inicial. E se também é verdade que gostar tanto ou mais de uma releitura que da leitura inicial é descobrir uma pérola, também é verdade que a marca deixada uma desilusão vai ser impossível de apagar.

E eu, que gosto imenso de reler livros, vejo-me com medo de pegar novamente naqueles foram os meus livros preferidos durante muito tempo, apesar de considerar que mais importante do que um livro ser realmente bom é a marca que nos deixou aquando da sua leitura.

publicado por Patrícia às 15:40 link do post
03 de Abril de 2017

O tempo (ou a falta dele) é um daqueles temas que qualquer leitor conhece bem. 

Para os leitores a verdade é que há sempre tempo para ler (nem que seja em 5 minutos na fila para comprar pão) e para os não leitores o "não tenho tempo para ler" é a desculpa perfeita.

Mas afinal a falta de tempo é ou não um mito?

Há uns tempos diria que sim, que é um mito, que isso da falta de tempo não existe.

Hoje penso duas vezes. Até porque sei que "tempo" é algo muito relativo. 

Não, nunca deixarei de ler. Ou quero acreditar que não. Eu adoro ler. Mas a verdade é que a vida às vezes atravessa-se no meio de tudo e o tempo falta. Não falo dos 5 minutos para ler. Isso arranja-se. Falo do tempo de qualidade, do tempo na nossa cabeça. Estar a ler e a pensar naquele relatório que temos que terminar ou se o gato está bem (been there, done that) não vale a pena. Às vezes falta-nos o tempo de qualidade para dedicarmos à leitura do momento.

E há coisas de que não queremos abdicar, de que não devemos abdicar. E às vezes o tempo que arranjamos é para outras prioridades que também nos enchem a alma. 

Mas, como leitora, vou sempre dizer "tantos livros, tão pouco tempo".

 

 

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Imagem daqui

 

publicado por Patrícia às 22:50 link do post
29 de Março de 2017

Vamos "agarrar o boi pelos cornos"? 

Então o primeiro Mito (e tema livresco) vai ser "Não há maus livros".

O primeiro argumento é "o importante é ler, não interessa o quê".

Não, não é verdade. E se há idade (leia-se maturidade) que permite diferenciar o trigo do joio, há situações em que a responsabilidade do que é lido (e as suas consequências) está na mão de quem escolhe as leituras. Não sou a favor de se vetar os livros a serem lidos, nem sequer considero que há livros não adequados a jovens (a discussão à volta do livro do Valter Hugo Mãe foi simplesmente ridícula) mas acho importante que os miúdos leiam livros bem escritos, que não perpetuem erros gramaticais ou factuais e que fomentem não só os hábitos de leitura mas também a vontade de aprender.

O segundo argumento é "Mas lá porque tu não gostas do livro isso não significa que o livro seja mau, há quem goste, vende, etc"

Certíssimo. Mas (e há sempre um "mas") há dois tipos de maus livros. Um livro de que eu não gosto é, para mim e exclusivamente para mim, um mau livro mas sou plenamente capaz de o oferecer a alguém que dele goste e de admitir que é um caso de "não és tu, sou eu" (ninguém no seu juízo perfeito poderá dizer que um livro do Lobo Antunes ou da Agustina é mau, simplesmente eu ainda não cresci o suficiente para os saber apreciar - e espero um dia lá chegar, como cheguei a tantos outros).

Eu não chamo "mau livro" aos livros puramente lúdicos, que existem (e ainda bem) para nos fazer esquecer o mundo durante umas horas. Nada contra livros de vampiros, zombies e afins. Nada contra livros (mais ou menos) eróticos mesmo que aquilo só dê vontade de rir (dar vontade de rir é bom, o mundo precisa de riso). Nada contra romances românticos com novelas de faca e alguidar... desde que cumpram o seu papel e que estejam acima do nível "lixo" no que à língua/linguagem diz respeito. 

Mas deixe-mo-nos de tretas: há mesmo maus livros. Há livros que nunca deveriam ter saído das gavetas (ou do computador) do escritor. Há livros que deveriam ter sido barrados no editor (ou passado por um editor para bem do aspirante a escritor).

Um escritor tem que saber escrever, não lhe basta ter uma boa ideia. Infelizmente há quem até tenha boa ideias mas não as saiba transmitir. Um livro tem que ter um enredo, esse enredo tem que ser interessante, os personagens têm que estar bem construídos, os factos têm que estar correctos. E se estivermos a falar de ficção cientifica ou fantasia, a coisa tem que estar coerente e bater certinho no fim. Caso contrário não funciona. E há muitos livros que por aí andam que não estão em nenhuma destas categorias. E é fundamental que estejam, pelo menos, numa delas. Caso contrário, desculpem, mas são maus livros. 

 

 

 

publicado por Patrícia às 22:17 link do post
27 de Março de 2017

Eis que começa uma nova série aqui no blog: “Mitos e outros temas livrescos”. Gostei tanto de falar convosco nos “direitos dos leitores” que precisava continuar este diálogo de alguma forma.

Assim proponho-me a falar um bocadinho, sempre sem me levar muito a sério, de variadíssimos temas, relacionados com livros e leituras.

Obviamente não faço ideia se isto vai resultar, se terei temas, paciência ou imaginação para esticar isto mais do que meia dúzia de dias, mas não faz mal.

Também não me proponho ter posts todos os dias nem com dias marcados. Seria bonito mas não vale a pena enganar-vos: não vou conseguir. Combinemos uns 2 por semana, enquanto a imaginação ajudar, ok?

Se tiverem ideias para temas a desenvolver, sintam-se à vontade para os sugerir (que eu agradeço e muito).

Até já

publicado por Patrícia às 14:45 link do post
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