Ler por aí
 
10 de Junho de 2016

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Foi em 2003 que Meg Wolitzer publicou este “A mulher” que foi agora num “pós”- Os interessantes, reeditado pela Teorema.

Assim que me apercebi de que este livro foi publicado 10 anos antes que Os interessantes as minhas expectativas baixaram consideravelmente e isso foi mesmo o melhor que aconteceu. Ler este livro nessa perspetiva permitiu-me apreciá-lo de uma forma completamente diferente.

Tal como anos mais tarde fará no “Os interessantes” (é inevitável compará-los) MW brinca com a perceção (a nossa e a dos personagens), explora sentimentos e alguns grandes temas. Já neste livro o “talento” é esmiuçado e dissecado, já aqui os porquês e os como são bem mais importantes que o fim em si. Até porque, sabemos o fim deste o início. Deste o início foi um gato escondido com o gato de fora, de tal forma que, às páginas tantas, cheguei à conclusão que essa era a ideia. A escritora sabia que nós sabíamos mas fingia que não porque isso não interessa de todo. É por sabermos que podemos dar-nos ao luxo de, ao longo de toda a leitura, passarmos para lá das letras e analisarmos sentimentos, posturas, épocas, mentalidades.

Não posso deixar de destacar a evolução deste para o “Os interessantes” mas acabei por gostar bastante deste “A mulher” que se lê num instante e que tem um final agridoce, que por muito previsível que fosse, lhe deu um toque de realidade que nos põe a pensar.

publicado por Patrícia às 12:00 link do post
12 de Fevereiro de 2016

interessantes.jpg

 

 

Crescer com o peso de aos 15 anos ter decidido ser “interessante” pode ser o estímulo certo para se tornar um adulto de sucesso ou a receita para o desastre.

Jules, Ash, Ethan, Goodman, Cathy e Jonah são seis adolescentes que se autointitulam de “os interessantes” porque a promessa de talento que vêem (eles e os outros) em si é forte o suficiente para tal.

Ao longo destas muitas páginas (que se lêem num instante) vamos conhecer o percurso destes seis (mais de uns que de outros). Dos 15 aos 50.

É caso para dizer que a realidade venceu a ficção. Este livro pode ser completamente ficcionado mas retrata a realidade de uma forma que me agarrou por completo. A inveja é o primeiro dos sentimentos que vemos explorados aqui. A autora começa desde cedo a brincar com a verdade, com os valores e com a nossa própria perceção acerca dos outros (e no fundo acerca de nós mesmos). Jules, o fio condutor desta história, é uma personagem extremamente bem construída e complexa e é sob o seu ponto de vista (na maior parte do livro mas não sempre) que vamos acompanhando a história dos seis interessantes.

Falemos de talento. O que é melhor, tê-lo e vencer? Descobrir que afinal não se tem?  Tê-lo e não ter a sorte/capacidade para o desenvolver ou deliberadamente ignorá-lo? Falemos de amizade. Pode a amizade sobreviver à inveja? Pode a amizade sobreviver à rejeição? Pode a amizade sobreviver ao amor? Falemos de amor: pode o amor vencer mesmo tudo? Pode o amor sobreviver aos segredos? Pode o amor sobreviver à rejeição? Falemos de dinheiro, de carreira, de feminismo, de família, de valores, de crime… Falemos de tudo o que nos passar pela cabeça, falemos de realidade ou de ilusão.

Falemos acima de tudo de perceção e de expectativas, de ajuste às expectativas inerente ao crescimento.

Escuso de vos dizer que gostei muito deste livro e que, como tal, é muito difícil escrever algo de coerente sobre ele. Leiam.

 

publicado por Patrícia às 12:48 link do post
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