Ler por aí
 
07 de Novembro de 2015

Que livro perturbador. São 878 páginas cheias de palavras, e eu ando aqui às voltas para encontrar meia dúzia que descrevam como este livro me esmagou.
Já conhecia Marion Zimmer Bradley, as Brumas de Avalon fazem parte da minha estante, foram lidos e relidos, mais uns quantos do mesmo universo. Também sabia deste Salto mortal, é um dos preferidos da senhoria aqui do estaminé, minha amiga Pat com quem falo de livros desde sempre, estava preparada para não haver magia mas não estava preparada para tanta brutalidade, há mortos, há feridos, há dedos entalados, violência física e abusos verbais.
Os nossos braços ficam a doer e não é do peso do calhamaço é da força que fazemos para não cairmos do trapézio. A escrita é tão expressiva que viajamos, com o circo pelos EUA, nos finais dos anos 40 princípio dos anos 50 mas as angústias, as dúvidas e encruzilhadas que encontramos são intemporais.
Conta a história de Tom Zane da família dos domadores de leões que quer ser trapezista e é adoptado pela família de trapezistas Santellis Voadores. O seu mentor é Mário (Matt) Santelli, estrela da família, trapezista maravilha capaz do triplo salto por quem Tom se apaixona. Esse amor é correspondida por Mário e o nosso coração fica a doer da força que fazemos para que o salto mortal que Mário e Tom fazem na vida do dia a dia para estarem juntos, tal como no trapézio, não os faça esbandalharem-se. Na época da história a homossexualidade dava cadeia ou colocava pessoas na lista negra.
Acho importante mencionar a diferença de idades dos dois rapazes. Tom tem 15 anos (a caminho dos 30) e Mário 23 e, embora esta diferença de idades seja atenuada na segunda parte do livro quando Tom regressa do exército, ela existe.
Para além disso a história dos dois não é daquelas fofinhas cheia de coraçõezinhos e outros diminutivos, para além da dureza dos treinos no trapézio há violência em algumas partes. Decididamente dá que pensar.
 Apesar do fio condutor do livro ser a história de Mário e Tom, todos os restantes personagens são igualmente ricos. Tom Senior e Beth Zane domadores de grandes gatos cuja história nos deixa atordoados. Papa Tony Santelli o avô da família que dirige os voadores como um excelente maestro que nos emociona. Tio Ângelo o base de apoio em muito mais do que o trapézio que nos deixa estupefactos e a perguntar, em mais do que uma situação: “como é que ele foi capaz?!". Johnny com as ideias novas e arrojadas, Stella a executá-las e ambos a criarem fricção na estrutura dos Santelli Voadores. Liss com as suas angústias de mãe trabalhadora/boa esposa e uma das minhas preferidas, Lúcia (Lulu) mãe de Matt e Johnny:
Quando eu trabalhava na pista central ,as mulheres não tentavam fazer os exercícios mais difíceis. Esperava-se que fôssemos bonitas e graciosas e não que mostrássemos os músculos.
-Em termos de pura forma, nunca houve ninguém – ninguém! – como tu Lulu.
Tu eras uma bailarina voadora.
Lúcia sorriu.
-E se se tiver em conta que eu tinha tido quatro filhos em cinco anos...
Lulu não deixa o trapézio por causa dos filhos mas sim porque cai do trapézio e quase se mata.
Ela foi a melhor de sempre, sabias? E recorda-se bem disso, se bem que aja como se a única preocupação fosse não deixar arrefecer o esparguete.
E há mais pessoas da família e da família alargada do circo que contribuem para acreditarmos não só neles, nas suas histórias mas também no mundo do circo e na época  em que vivem.
 

 

Quando damos por nós viramos 878 páginas e ficamos a pensar nelas durante muito mais tempo do que o tempo que as levamos a ler.
publicado por Catarina às 12:46 link do post
22 de Setembro de 2012

Aos 16 anos "conheci" os livros da Marion Zimmer Bradley e apaixonei-me. As Brumas de Avalon foram o meu grande amor desse ano. Foi uma semana de noites mal dormidas e muita leitura. Posso dizer que, literariamente, nunca mais fui a mesma.

Li e reli as Brumas. Mais vezes do que as que posso lembrar. A história de Morgaine (mais do que de Artur) fascinou-me e nunca, nunca me consegui habituar à lenda mais conhecida em que Morgan le Fay é uma bruxa a dar para o ruim. Não, Morgaine será para sempre uma das minhas personagens favoritas. 

Cassandra é outras das minhas favoritas. "A minha sina é esta: dizer sempre a verdade e nunca ser acreditada". A guerra de Troia, recontada. As Amazonas, Helena, Cassandra, Eneias, Ulisses, Patroclo e Aquiles transformados em pessoas com qualidade e defeitos. Adorei esta versão e ainda hoje acho que é um dos melhores livros que já li... e reli, claro.
Toda a gente conhece a História de Helena e de Páris. Poucos ligam a Cassandra, irmã gémea de Párias e um pouco negligenciada na história de Homero. Marion Zimmer Bradley, mais uma vez do ponto de vista feminino veio colmatar essa "falha".




Ao longo dos anos em li Marion Zimmer Bradley apercebi-me que os livros dela estão (quase) todos interligados e a partir de uma determinada altura era fascinante ir apanhando frases soltas que marcavam essa ligação.
A Casa da Floresta está ligada às Brumas pela Senhora de Avalon e algures lá pelo meio ainda podemos encaixar a Sacerdotisa de Avalon. Caillen, Vivianne, Ana, Eilan e tantas outras mulheres de Avalon, sempre Avalon.



Um dos poucos livros escritos sob o ponto de vista masculino é o "Salto Mortal". Um dos meus livros favoritos. Li-o inumeras vezes. Mário e Tommy. Trapézio, o triplo salto, a homossexualidade, a homofobia, o amor no masculino, a familia, a loucura, a depressão. Li e reli. E ainda hoje sou capaz de abrir aquele calhamaço e saber exactamente que parte da história é que estou a ler. Li-o aos 17 e marcou-me. 


Um outro livro "a solo" da Marion, este escrito a várias mãos é o fabuloso "As mulheres da casa do Tigre". Um livro de aventuras no feminino, três gerações de mulheres na luta pela sua terra. 


Outra colecção fantástica da Marion, é a do Poder Supremo, onde incluo o A herdeira e O Coração de Avalon


Completamente diferentes dos romances históricos mas igualmente místicos e fascinantes estés 5 livros convenceram-me. Especialmente o último, o Coração de Avalon, cuja história abrange todos os outros. Fantástica a forma como a autora consegue contar inúmeras vezes a mesma história de todas as perspectivas possíveis. poderia ainda ter incluído aqui o "A queda da Atlântida", pois na verdade as personagens deste e dos livros anteriores entrelaçam-se, afinal algures no "Circulo de Blackburn a Truth e a Light tratam-se, num momento de grande tensão, por Deoris e Domaris. E no final do Coração de Avalon recordamos a loirinha da queda da Atlântitida e de Riveda. Na verdade este livro parece ser o inicio de toda a história de Avalon.


Aparentemente nunca foi editado em Portugal o livro que se segue a este: Os ancestrais de Avalon. (editoras queridas, em vez de nos impingirem as brumas com capas novas já editavam os livros Marion que faltam, não? considerando que senhora morreu em 99, já era tempo)

Tal como nunca foram editados (ou eu nunca os encontrei- e acreditem, procurei) os restantes da colecção do Trillium. Esta história não terá a magia de Avalon, mas lembro-me de que gostei.


Outro livro Ad-hoc da Marion Zimmer Bradley é o Baseado na história da Flauta Mágica:


Dos outros livros da Marion Zimmer Bradley li uns dois ou três. Salvo erro, li "Os tambores na noite" e "Colina das bruxas" e pelo menos este último pareceu-me um draft que nunca deveria ter sido editado. Os livros da série "Darkover" nunca li. Não são, de todo, o meu estilo. Os Corvos de Avalon, li, mas sinceramente não o achei memorável.

Todo este post foi escrito com recurso apenas à minha memória, às memórias que os livros desta escritora me deixaram, pelo que não me surpreende se alguns dos nomes estiverem mal escritos ou se falhei algum pormenor.
Li a maioria destes livros há muitos anos, principalmente entre os 16 e os 25, reli-os muitas vezes e continuo a considerá-los fabulosos. Leiam-nos.Vão gostar. A maioria deles encontram-se baratíssimos nos alfarrabistas ou (ainda mais baratos) nas bibliotecas. Procurem edições antigas nas livrarias: a capa pode não ser muito bonita mas o preço é-o certamente.
E se alguém tiver os restantes da colecção do trillium ou o tal "Ancestrais de Avalon" e quiser fazer uma troca, simplesmente vende-los ou se souberem onde se vendem, avise ok?




publicado por Patrícia às 22:23 link do post
pesquisar neste blog
 
email
ler.por.ai@sapo.pt
mais sobre mim
tags

2017

adam johnson

afonso cruz

afonso reis cabral

agatha christie

alexandre o'neill

alguém quer este livro?

amin maalouf

ana cristina silva

ana margarida de carvalho

ana saragoça

ana teresa pereira

anna soler-pont

anne bishop

anne holt

antonio garrido

as paixões antigas

biblioteca de bolso

brandon sanderson

carla m. soares

carlos campaniço

carlos ruiz zafón

chimamanda ngozi adichie

colleen mccullough

conversas (sur)reais

cosmere

cristina drios

curtas

dan brown

danuta wojciechowska

david soares

diário de leitura

direitos dos leitores

dulce maria cardoso

elena ferrante

filipe melo

frank mccourt

george r.r martin

gonçalo m. tavares

greg mortenson

haruki murakami

helena vasconcelos

ildefonso falcones

inês pedrosa

isabel allende

jo nesbø

joão tordo

jodi picoult

josé eduardo agualusa

josé luís peixoto

josé rodrigues dos santos

josé saramago

juan cavia

julia navarro

juliet marillier

ken follet

l.c. lavado

ler em português

leya em grupo

lídia jorge

livros

luís miguel rocha

mai jia

maria manuel viana

mário zambujal

marion zimmer bradley

meg wolitzer

mitos e outros temas livrescos

mónica faria de carvalho

natal

nuno nepomuceno

opinião

os meus amigos também gostam de ler

patrícia müller

patrícia reis

paulo m. morais

podcast

richard zimler

robert wilson

robin sloan

roda dos livros

rosa lobato faria

rui cardoso martins

rui zink

sandra carvalho

sonhos

stephenie meyer

stieg larsson

stormlight archives

tarita

the way of kings

tiago carrasco

trudi canavan

ursula k. le guin

valter hugo mãe

vasco ribeiro

victoria hislop

words of radiance

youtube

zoran živković

todas as tags

blogs SAPO