Ler por aí
 
24 de Janeiro de 2015



"Para o Anibaleitor, um livro era um encontro entre duas vozes: a nossa e a do livro. E sublinhar um livro não tinha mal nenhum, era quase como ler a dobrar; era sinal de que encontráramos uma passagem, uma frase, um parágrafo, que nos tocava no texto e isso, segundo ele, valia ouro. Era quase como ganhar, de borla, um segundo livro" 


E eu, que raramente tenho paciência para sublinhar passagens e esqueço-me sempre dos post-its noutro lado qualquer, dei por mim a dobrar o cantinho das folhas para me lembrar de ir reler determinadas frases. Mas não serviu de nada pois no final só me apetecia começar a ler o livro outra vez.


Todos os leitores adoram livros sobre livros e este é isso e muito mais, é um livro sobre leitores. Rui Zink sugere "que o adulto o leia como se fosse um relato para jovens, e o jovem como se fosse uma novela para adultos" e eu sugiro que todos o leiam e se deliciem com esta louca história, cheia de livros (e escritores), poesia, música e segredos escondidos nas páginas.

Sim, segredos, porque acredito que não encontrei todas as referências, todos os trocadilhos, todos os jogos que o escritor escondeu por aqui. Mas lá chegarei, porque este é, sem qualquer sombra de dúvida, um livro para reler várias vezes.

"Como eu estava dizendo, não preciso de quem me conte histórias. Mas sinto falta de alguém com quem as discutir. Alguém que me dissesse: Ó pá, era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto. O que me dizes, temos acordo?"

Nos blogs "de livros", nos canais, nos grupos literários é sempre isto que pretendemos: ter alguém para partilhar connosco o prazer de ler um livro. 

Hoje, para vos dar a minha opinião, usei mais as palavras do escritor do que as minhas porque  este livro é tão simples e tão completo ao mesmo tempo que prefiro deixar que seja ele a mostrar-vos que têm mesmo que o ler.


"É que eu... eu gosto de todos os livros."
O Anibaleitor olhou-me com comiseração:
"Ó pá, pela tua rica saúde, espero bem que não. Deve ser uma chatice, gostar de todos os livros."



publicado por Patrícia às 00:17 link do post
22 de Janeiro de 2015



O truque é escrever o suficiente para vos acicatar a curiosidade e vos fazer ir procurar, comprar e ler este livro mas escrever apenas esse suficiente. Porque expectativas elevadas são o que mais estraga a leitura de um livro. E este livro merece ser apreciado e acarinhado. Por isso estão a ver o meu problema, não é?
Não vos quero estragar a leitura e contar-vos demais, não vos posso falar da ex-porteira cusca todos os dias que tem um cão que enjoa no elevador, mas só para baixo que para cima não há crise,  Não vos posso falar do engenheiro com dois filhos que também gostam de brincar no elevador onde, por acaso, morreu uma miúda sobre quem toda a gente tinha uma teoria mas que ninguém conhecia realmente.
Não vos posso contar que nestas pouquíssimas páginas se esconde um retrato hilariante de tanta gente que conhecemos e uma tristeza imensa, que faz doer a alma.
 Não vos posso contar tanta coisa... porque quem ler este livro merece ser surpreendido como eu fui e apreciar a leitura da primeira à última página.
Mas pronto, posso dizer-vos que este é um policial, que tem um toque de comédia, negra mas comédia. Mas que também tem um toque de solidão, de desespero. 
E posso dizer-vos para irem ler este livro e para descobrirem a Ana Saragoça, uma maruja do Colectivo Nau.

Foi a forma perfeita de começar a Ler em Português

publicado por Patrícia às 09:30 link do post
07 de Janeiro de 2015

Pela primeira vez tenho objetivos nas minhas leituras paraum ano. Não em termos de números, claro, pois não lerei mais nem menos por causadisso. Mas fui desafiada para cumprir o 9GAG Reading Challenge e vou tentarencaixar os livros que leio naquelas categorias. Acho que vai ser divertido. Aíao lado vão ter sempre o meu progresso neste desafio.
Mas o meu verdadeiro objetivo para este ano é Ler em Português. Foi a Roda dos Livros que me fez darimportância às leituras de livros de autores Portugueses. Confesso que duranteanos e anos li maioritariamente autores estrangeiros. O ano de 2014 foi oprimeiro em que isso mudou. 52.5% dos livros que li são de autores Portugueses.Portanto em 2015 este objetivo só pode aumentar.
Não acho que LER em Português condicione de forma negativaas minhas leituras. Pelo contrário, tenho tido imensas surpresas boas.
O que nos leva a ler tantos livros de autores estrangeirosem detrimento dos autores Portugueses?
Acima de tudo o Marketing, acho. Não faço ideia se temhavido ou não um crescimento na publicação de livros de autores nacionais (efalo claro de editoras a sério e não nas empresas que, por acaso, fornecem oserviço de publicar livros) mas acredito que sim. E há editoras que têm feitouma aposta engraçada nesta área e que até têm apostado na divulgação. Mas averdade é que esses esforços são manifestamente inferiores aos que existem emrelação aos autores estrangeiros. É certo que esta importação de autores é em grande parte escolha dos leitores queadoram consumir o que os outros consomem, adoram ler o que os outros leem epreferem ler best-sellers estrangeiros que livros nacionais. O preço é outradas coisas que pesa (e muito) na equação. Os ebooks (ou a inexistência deles) ajudamà história. Enfim, tudo parece conspirar contra o “consumir Português”.
Quando a mim vou continuar a fazer a aposta contrária. Voudar primazia aos nossos autores, vou querer conhecer mais e melhor emPortuguês. É a minha língua, adoro ler em Português e acho que se escreve muitobem por cá. A roda dos livros é uma ótima forma de conhecer autores Lusos e aComunidade LEYA na Buchholz tem-me ajudado imenso nesta descoberta.
E confesso que às vezes tenho vergonha de que estrangeiros conheçammelhor os nossos autores do que nós. Há tantos autores que são mais (re)conhecidos em França ou no Brasil do que por cá. Pior, há tantos escritoresmais lidos por lá do que por cá.
Por isso se vocês são do género de leitor “ai, detestoescritores portugueses” acho que estão a ler o blog errado. E certamente vãopreferir outras paragens este ano porque aqui vai falar-se muito de autoresPortugueses.
publicado por Patrícia às 15:52 link do post
pesquisar neste blog
 
email
ler.por.ai@sapo.pt
mais sobre mim
tags

2017

adam johnson

afonso cruz

afonso reis cabral

agatha christie

alexandre o'neill

alguém quer este livro?

amin maalouf

ana cristina silva

ana margarida de carvalho

ana saragoça

ana teresa pereira

anna soler-pont

anne bishop

anne holt

antonio garrido

as paixões antigas

biblioteca de bolso

brandon sanderson

carla m. soares

carlos campaniço

carlos ruiz zafón

chimamanda ngozi adichie

colleen mccullough

conversas (sur)reais

cosmere

cristina drios

curtas

dan brown

danuta wojciechowska

david soares

diário de leitura

direitos dos leitores

dulce maria cardoso

elena ferrante

filipe melo

frank mccourt

george r.r martin

gonçalo m. tavares

greg mortenson

haruki murakami

helena vasconcelos

ildefonso falcones

inês pedrosa

isabel allende

jo nesbø

joão tordo

jodi picoult

josé eduardo agualusa

josé luís peixoto

josé rodrigues dos santos

josé saramago

juan cavia

julia navarro

juliet marillier

ken follet

l.c. lavado

ler em português

leya em grupo

lídia jorge

livros

luís miguel rocha

mai jia

maria manuel viana

mário zambujal

marion zimmer bradley

meg wolitzer

mitos e outros temas livrescos

mónica faria de carvalho

natal

nuno nepomuceno

opinião

os meus amigos também gostam de ler

patrícia müller

patrícia reis

paulo m. morais

podcast

richard zimler

robert wilson

robin sloan

roda dos livros

rosa lobato faria

rui cardoso martins

rui zink

sandra carvalho

sonhos

stephenie meyer

stieg larsson

stormlight archives

tarita

the way of kings

tiago carrasco

trudi canavan

ursula k. le guin

valter hugo mãe

vasco ribeiro

victoria hislop

words of radiance

youtube

zoran živković

todas as tags

blogs SAPO