Ler por aí
 
10 de Maio de 2016

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Guia Prático Para Cuidar de Demónios - Christopher Moore

Gosto de histórias parvas e humor negro e nesta há muita parvoíce e o humor é negríssimo. Catch é um demónio que gosta de ver televisão, ler bandas desenhadas, viajar no capot do carro e foi invocado acidentalmente por Travis, um jovem na altura. Agora com quase cem anos mas o mesmo aspecto jovem, Travis tem muito pouca vontade de continuar a ser o “cuidador” de Catch (já que Catch tem por hábito comer as pessoas com quem se vai cruzando). Travis quer-se livrar do mafarrico e acha que a forma de o fazer está em Pine Cove. Em Pine Cove é onde tudo acontece e onde vamos encontrar os outros participantes desta aventura, Augustus "Gus" Brine, responsável da “loja de iscos, material de pesca e vinhos de qualidade”, homem já velhote mas com a constituição de um urso, às vezes Pai Natal às vezes Odin, há o bêbado da vila, também temos a bruxa da vila, o bar chama-se Cabeça de Lesma, há o surfista janado, a empregada no café central que também é a ex do bêbado da vila e tem um caso com Travis e outras tantas personagens algumas das quais não duram muito tempo quando Travis e Catch lá chegam. A Pine Cove também vem dar Gian Hen Gian, rei dos Djinn, árabe muito velho, baixinho que há séculos persegue Catch e roga pragas do género “Que o IRS descubra que deduziste a tua ovelha de estimação em despesas de representação”.

De 0 a 10 é hilariantemente parvo.

 

 

Filipa de Lencastre – Isabel Stilwell

Aprendi mais de História neste livro do que nas aulas da escola. Fiquei a admirar Phillipa of Lancaster, inglesa, educada e inteligente que casou com o rei D. João I de Portugal aos 27 anos, considerado muito tarde na época, teve nove filhos, foi a mãe da ínclita geração e morreu aos 53 anos de peste negra. O livro está muito bem escrito lê-se com vontade de saber como acaba a história mesmo já sabendo o fim.

De 0 a 10 é muito bom.

 

 

O Dia dos Prodígios – Lídia Jorge

Tive dificuldade a seguir a esta história, parecia que estava numa reunião para organizar a festa da vila com toda a muita gente a falar com sotaque e ao mesmo tempo. Estamos em Vilamaninhos, pequena povoação rural no Algarve quando se dá o 25 de Abril, mas o que é a revolução para estas pessoas isoladas, pobres, analfabetas? Um grupo de soldados numa chaimite a anunciar o fim da ditadura ou uma cobra voadora.

De 0 a 10 Lídia Jorge, ainda não é desta.

 

 

Budapeste – Chico Buarque

“Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira” é a primeira frase deste livro e conta a história do brasileiro José Costa, escritor fantasma, que por um imprevisto vai parar a Budapeste e fica fascinado com a língua húngara. Não fiquei fã da história em si que achei confusa mas gostei sim do amor às palavras, estrangeiras ou não, e do amor à escrita. O final é bastante estranho.

De 0 a 10 dou-lhe 5.

 

 

Fazendo as malas – Danuza Leão

Gosto de viajar e ler sobre viagens por isso este livro chamou-me a atenção. São 4 cidades, Sevilha, Lisboa, Paris e Roma e embora já tenha estado nas 4 a experiência da autora é muito diferente da minha, parece que são 4 cidades diferentes das que eu visitei. O passeio é giro mas a viajante é uma pedante um bocado brega mas armada em chique o que corta um bocado o nosso barato.

De 0 a 10 vale a pena pelo passeio.

 

 

Tóquio vive longe da terra – Ricardo Adolfo

São pequenos textos de um português a viver no Japão. Joga bem a carta do “lost in translation” é sempre engraçado ler histórias de encontros de culturas ou neste caso choque cultural.

De 0 a 10 é giro, os japoneses são um bocado esquisitos.

 

 

Hoje Não – José Luís Peixoto

Seis pequenas e variadas histórias sem ligação entre si, um bocado esquisitas demais para mim.

Legalize Airlines, Biografia sem dentes, Joana dos cabelos verdes, Eu e as poetisas, Fantasma escritor e :-) e :-(.

De 0 a 10 hoje não.

 

 

Crónica dos Bons Malandros – Mário Zambujal

Grande viagem no tempo aos anos 80. Renato Pacífico, Pedro Justiceiro, Flávio Doutor, Arnaldo Figurante, Adelaide Magrinha, Silvino Bitoque, Marlene e ainda um Lucien Obelix. Todos mais ou menos malandros com interesse e necessidade em mudar de vida, para isso resolvem dar um grande e final golpe, assaltar o Museu da Gulbenkian. Tem uma cadência rápida, cada um dos capítulos é mais ou menos a história de cada um dos personagens e de como se conhecem indo tudo dar ao assalto histórico. É bastante ligeiro e cómico em muitas partes e não esperava o final que não é assim tão ligeiro como isso.

De 0 a 10 gostei bastante.

 

 

Seis Suspeitos – Vikas Swarup

Fui enganada com o que está na capa “Se Agatha Christie tivesse escrito um policial sobre a Índia moderna, seria muito semelhante a Seis Suspeitos”

Há muita Índia mas muito pouco Agatha Christie. É verdade que o autor segue um tema policial mas dá tanta volta e o final é confuso e pouco verosímil.

De 0 a 10 gosto de policiais a sério.

 

 

Meia-noite e quatro – Stephen King

Não sei como só agora li este autor, tenho estado a perder histórias fantásticas. Viajamos no tempo e para dentro de mundos inventados mas em que acreditamos assim que começamos a ler.  Na primeira história um homem não devolve um livro dentro do prazo à Biblioteca e é perseguido por uma bibliotecária demoníaca. Na segunda história um miúdo recebe uma Polaroid Sun 660 e a máquina fotográfica tira fotografias a um cão diabolicamente selvagem, que se vai aproximando cada vez mais na imagem. Gostei das duas histórias talvez mais da primeira, O Policia da Biblioteca, porque o segundo título é muito mau, Um Bruto Muito Feio.

No entanto fui enganada pela Bertrand porque o “Meia-noite e Quatro” original, “Four past Midnight”, tem 4 contos (por isso se chama Four past Midnight, o primeiro conto é o “one past midnight o segundo conto é o “two past-midnight” etc …) e este da Bertrand só tem 2 contos os outros 2 estão noutro livro. Não faz mal, vou encontrá-los e vou lê-los.

De 0 a 10 é fantástico.

 

publicado por Catarina às 18:49 link do post
03 de Outubro de 2011



Osvaldo Campos, umpsicanalista, divide-se entre as aulas que lecciona na faculdade e os seuspacientes no consultório no 5º andar de um prédio na Avenida de SantaPulquéria. A mulher, Maria Cristina e o filho ficam para segundo plano. Nanoite da passagem do milénio Osvaldo esforça-se para concluir um artigo “quandopesa uma alma?- responde um prático” e ainda assim chegar a tempo àcomemoração. Nessa noite, que lhe mudará a vida, recebe um ex paciente, loucoou não, com uma mensagem enigmática, que nunca conseguirá decifrar, perde amulher para um concorrente e conhece uma nova mulher. Uma noite em cheio.
Maria London, a pacientemagnifica, a visita da noite no consultório de Osvaldo, é a peça chave destahistória. Uma mulher desequilibrada, com muito para contar e sem forma de ofazer é paciente deste psicanalista que a vê como um caso extraordinário,como  mais “o” caso que lhe permitiráevoluir enquanto psicanalista. Mas o caso muda de figura quando se apercebe quesob as fantasias loucas de Maria London há verdades escondidas, verdadesnegras.
Rossiana, uma mulher comuma história de vida invulgar é mais uma peça nesta história de sombras .

Lídia Jorge conta-nosesta história negra de uma forma linear, sim qualquer climax e que poderia serreal. Provavelmente é-o, mesmo que os personagens são existam, mesmo que nãoseja nada assim. As sombras, o poder e maldade são reais.
Não é um livro fácil deler. Já li algumas criticas negativas e compreendo-as. Passamos boa parte dotempo à espera de mais, à espera do acontecimento e muitas vezes nem nosapercebemos que já aconteceram. Não é uma história com princípio, meio e fim,em que os bons acabam bem, os maus são castigados e os heróis vivemfelizes  para sempre. Não há nada aquitão óbvio assim.
E foi precisamente porisso que gostei bastante deste livro. Custou-me a lê-lo, levei bastante tempo,mas isso teve mais a ver comigo do que com o livro.
Conheci a escritora numa tertúlia e se tivesse que a descrever diraapenas “doce”. Nunca pensaria que ela escrevesse um livro destes, um livro emtons de cinzento, um livro tão pouco feliz, tão descrente. Mas a verdade é queem qualquer dos seus livros há temas importantes e tudo menos doces. Talvezseja esse o seu segredo, exorcizar vários fantasmas na escrita e manter adoçura na vida.
Resumindo: gostei bastante e recomendo. Tenho mesmo que completar aminha coleção dos livros da escritora (de momento só tenho este, o “A costa dosmurmúrios” e “o Vento assobiando nas gruas”)
Mais uma nota: continuo a achar fantásticos os títulos  destes livros. “Combateremos a Sombra” .Muito bom.
publicado por Patrícia às 14:50 link do post
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