Ler por aí
 
23 de Fevereiro de 2017

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Há alturas em que a leitura se arrasta, em que a concentração não nos permite ler nada de muito exigente e que só nos apetece pegar num livro daqueles para ler de uma ponta à outra sem pensar muito no que se está a fazer. Os livros da Jodi Picoult são assim. Sempre com um tema central mais ou menos polémico. E na verdade não sou fã da escritora. Gostei do No Seu Mundo, que se debruça sobre o síndrome de asperger mas foi penoso acabar de ler os restantes livros da escritora que me passaram pelas mãos.  Ainda assim, e porque os livros têm razões que a razão desconhece, resolvi pegar neste "Lobo Solitário". Tenho que confessar que foi a leitura certa nesta altura (e que mais se pode pedir de um livro, não é?). 

Luke, apaixonado por lobos, tem um acidente e os filhos, Edward e Cara têm que tomar a decisão mais complicada das suas vidas: desligar ou não as máquinas que lhe permitem estar vivo. Edward, mais velho e distante do pai, Cara, a companheira de todas as horas de Luke. Esgrimam-se argumentos, as emoções trocam as voltas à razão e Jodi Picoult torna-nos fácil a decisão. Este é talvez a pior parte deste livro: em vez de fazer pensar, reflectir sobre algo tão sério e difícil  como é a eutanásia, faz com que essa decisão seja, para nós leitores, ridiculamente fácil. E mesmo quando é (e eu acredito que às vezes é) a escolha certa nunca, nunca é fácil. Uma vez mais, o tema certo, o desenvolvimento errado.

E para que a trama se adense, os personagens vêem-se envolvidos em situações absurdas com soluções ridículas (a sério aquelas acusações ali no meio eram absolutamente dispensáveis).

Ainda assim, gostei do livro. 

Gostei do livro porque alguns capítulos são sobre os lobos. A história de Luke que vai viver com os lobos durante dois anos fez com que as horas passadas a ler este livro valessem a pena. 

 

 

 

publicado por Patrícia às 22:31 link do post
24 de Julho de 2015


Passei por uma banca de livros usados e apeteceu-me comprar este livro. A Jodi Picoult não é das minhas escritoras favoritas mas o "No seu mundo" faz-me, às vezes, ter vontade de lhe dar mais uma oportunidade. E, por razões que não interessam nada, tenho andado sem tempo ou capacidade para ler. Mas qualquer viciado na leitura vos dirá que ler é algo que já faz parte de quem somos e que só ler nos ajuda a passar determinados momentos. Por isso apetecia-me ler um livro fácil. E os livros da Jodi Picoult, apesar de terem sempre temas difíceis, são livros fáceis, de leitura compulsiva.  E isso aconteceu-me até meio do livro. Depois foi mais difícil e confesso que apenas a teimosia me levou a chegar ao fim. 

O dilema (nos livros desta escritora há sempre um dilema, já sabem) é simples: uma mulher, a Delia, com uma filha e um noivo alcoólico, vê o pai - e seu modelo e âncora - a ser preso pelo seu próprio rapto. E desde o início sabemos este facto: aquele homem raptou a própria filha e safou-se durante 28 anos. Delia descobre que, afinal, a sua mãe não morreu e tem que lidar com o facto do seu próprio pai ter sido o responsável pela sua infância sem mãe. Ao mesmo tempo que o noivo de Delia (advogado) é responsável pela vida do avô da sua filha tem que lidar com o seu inferno pessoal. 

Como sempre nos livros desta escritora perguntamo-nos se os fins justificam os meios, somos levados a perceber que nem tudo o que parece é.

Nestes livros a fórmula é sempre a mesma por isso a verdade é que me sinto sempre a ler o mesmo livro. E das duas uma: ou o tema central nos interessa imenso (como foi o caso do síndrome de Asperger no "No seu mundo") ou de facto não vale a pena insistir com os livros desta escritora. Infelizmente tendo a esquecer-me dos livros que não me deixaram marca e só me lembro do único de que gostei realmente.




publicado por Patrícia às 17:27 link do post
13 de Junho de 2012


Depois de ter lido ”No seu mundo” e ter gostado bastante, de ter lido o “Tudo por amor” que não me convenceu resolvi ler este “décimo círculo” que me fez pensar que “No seu mundo” é de facto um livro à parte no universo de livros desta escritora.
Mais um tema forte e com bastante potencial: Uma adolescente é violada pelo ex-namorado. E depois o ex-namorado aparece morto. E as coisas não são bem o que parecem e pronto: temos muitas confusões e uma trama imensa, que não permite aprofundar os temas que poderiam ser mais interessantes.
Trixie é filha de Daniel Stone, um desenhador de BD da Marvel com um passado bastante interessante e de uma professora universitária especialista na Divina Comédia de Dante, com relevo para o Inferno. E é através da passagem pelo inferno que Dante que se conta a passagem pelo inferno de Daniel Stone. Esta parte achei extremamente interessante e bem conseguida. Mas há imensas pontas soltas ao longo do livro (como a história de Seth) e da própria mãe de Trixie (que, apesar de ser uma das mais importantes personagens do livro, passa apenas de leve ao longo da história).
Acho que houve demasiados temas forte no livro: A violação, a relação vitima/criminoso, a traição, os segredos do passado, o amor, a recuperação de um trauma, a justiça, a linha entre o que é ou não é violação, a forma como os adolescentes americanos (quero pensar que por aqui ainda não é assim) vivem a sua sexualidade. Demasiado para um livro que não é assim tão denso e que, tendo todos os ingredientes para contar uma história fantástica e ao mesmo tempo transmitir alguns valores e desmistificar algumas áreas cinzentas que existem nas mentes mais retrógradas (ou nas mais libertinas), acaba por não fazer nada disso e limitar-se a utilizar temas quentes e polémicos para chamar a atenção.
Por tudo isto foi-me penoso ler o livro até ao fim. Parece-me que fico por aqui e que não volto a ler Jodi Picoult.
publicado por Patrícia às 22:34 link do post
05 de Maio de 2011


Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional.
Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou.

Não gostei especialmente deste livro. Tinha gostado bastante do “No seu mundo” e tive a oportunidade de ler este livro (emprestado e ainda bem) pelo que aproveitei logo. Desta vez as expectativas eram altas. Erro crasso.

Mais uma vez a autora pela num tema complicado e arranja uma história para nos fazer pensar. Nathaniel é um miúdo de 5 anos abusado sexualmente. A mãe é Procuradora-adjunta do Ministério Público e é especializada em acusar suspeitos de pedofilia. Nina ama o filho e quer protegê-lo, o que implica impedi-lo de testemunhar e ter de enfrentar o seu violador. Por isso Nina mata-o em pleno tribunal.

O livro não foca o que Nathaniel passou, nem a sua recuperação, nem os seus traumas. O tema do livro é, supostamente, o que podemos, devemos fazer por amor e quais as consequências disso. Mas basicamente a história foca o que Nina fez e o que foi preciso fazer para safá-la em tribunal. Só isto faz com que não o ache assim tão interessante. Mas a trama adensa-se e o que parece ser nem sempre é.

Se este tema fosse abordado de outra forma poderia ter-me feito pensar bastante. Temos padres pedófilos, temos coincidências absurdas (daquelas cuja probabilidade de acontecerem são ínfimas) que fazem com que um homem inocente seja acusado, temos erros gravíssimos que devem querer fazer-nos pensar duas vezes antes de agir, temos traições, dúvidas e muita, muita sorte.

Sinceramente preferia uma história mais “simples” sem tantas curvas mas que me permitisse, de facto, reflectir. Não aconteceu.

Ainda hei-de dar mais uma hipótese a esta escritora mas não devido a este livro.












publicado por Patrícia às 15:35 link do post
18 de Abril de 2011


O seu filho não consegue olhá-la nos olhos.

Será culpado?
Jacob Hunter é um adolescente: brilhante a Matemática, sentido de humor aguçado, extraordinariamente bem organizado, incapaz de seguir as regras sociais. Jacob tem síndrome de Asperger. Está preso no seu próprio mundo – consciente do mundo exterior e querendo relacionar-se com ele. Jacob tenta ser um rapaz como os outros mas não sabe como o conseguir.
Quando o seu tutor é encontrado morto, todos os sinais típicos da síndrome de Asperger – não olhar as pessoas nos olhos, movimentos descontrolados, acções inapropriadas – são identificados pela Polícia como sinais de culpa. E a mãe de Jacob tem de fazer a si própria a pergunta mais difícil do mundo: será o seu filho capaz de matar?



Foi o primeiro livro desta escritora que li e fi-lo sem grandes expectativas. Não sei bem porquê mas achava que este livros seriam um bocadinho lamechas demais para o meu gosto mas o tema interessou-me e resolvi oferece-lo à minha mãe no Natal. Agora foi a minha vez de o ler.
A história anda à volta de um personagem com síndrome de Asperger, uma espécie de autismo funcional. Jacob tem 18 anos, um QI acima da média, um humor diferente e todas as peculiaridades características desta doença. Emma, a mãe de Jacob vive para ele. É uma espécie de super-mãe com todas as dúvidas inerentes à realidade em que vive. Theo, o irmão mais novo de Jacob que não só tem que fazer de irmão mais velho como tem que dividir a mãe com o irmão, “perdeu” o pai devido à doença do irmão e tem que viver com o estigma de ser o “irmão do miúdo esquisito”. Oliver, o advogado que já foi ferrador e que aceita defender o Jacob de uma acusação de homicídio. Rich, o policia que prende Jacob.
O livro divide-se em capítulos “escritos” por cada um destes personagens e assim apercebemo-nos das várias perspectivas. É especialmente interessante a parte relativa a Jacob. Não sei como pensa alguém que tem síndrome de Asperger, mas a explicação da doença dada pelo próprio e a lógica do seu pensamento é completamente diferente da nossa e isso fica muito bem marcado no livro.
Enquanto procurava a sinopse do livro descobri que o titulo original é House Rules o que tem muito mais a ver com este livro que o “nosso” “No seu mundo”. Porque Jacob esforça-se imenso por continuar no nosso mundo. Só que a sua forma de viver é diferente da nossa. A dele é acima de tudo literal. Jacob não percebe as subtilezas da linguagem: Se a mãe lhe diz que demora 10 minutos, aos 11 ele acha que ela morreu e aos 12 está a ter uma crise. As regras são para cumprir. Custe o que custar.

Gostei imenso do livro. Ri nalgumas partes e quase chorei noutras. Não é o melhor livro que já li na vida, não é nenhum livro do TOP 10, mas é daquele género de livro que nos faz ficar viciados até chegar à última página.
publicado por Patrícia às 12:59 link do post
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