Ler por aí
 
01 de Maio de 2017

Foi em conversa com um amigo dos livros que me lembrei de mais um "direito do leitor". Ainda por cima é um daqueles que deixa tanta gente escandalizada. Falo de "ler na diagonal ou saltar parágrafos/páginas".

Quem nunca o fez que atire a primeira pedra (mas devagarinho, ok?) seja pela ânsia de saber o final seja porque o livro é tão chato mas tão chato que é a única forma de o acabar de ler.

Costumava ler na diagonal sabendo que assim que chegasse à última página voltava à primeira para ler com calma. Também já o fiz (e já saltei capítulos inteiros) porque queria saber o final mas não me apetecia ler o livro. Saltar capítulos ou páginas só acontece em desespero de causa. Quando a escolha é entre isso e entre fechar o livro sem saber o final. 

Na verdade, ler na diagonal também já é muito raro. Leio cada vez mais devagar e com menos pressa de chegar ao fim. 

Mas ainda assim é, sem dúvida, um dos direitos do leitor.

publicado por Patrícia às 08:41 link do post
10 de Março de 2017

E na última parte desta brincadeira que foram os Direitos dos Leitores vou ter que falar daquele que é o mais importante, fundamental e inalienável direito do leitor.

Falo, claro, do direito de ... "Não ler".

(Se por algum leitor deste blog está no ensino obrigatório, esqueça, este direito não pode ser invocado nas leituras obrigatórias. Não me usem como desculpa para não ler um livro. Vocês têm mesmo que ler isso. Não gostam? azareco, é obrigatório. Considerem-no como um prelúdio da idade adulta: ainda irão, pela vida fora fazer muita coisa que não queriam fazer e a maioria será bem mais desagradável que passar umas horas refastelado no sofá a ler um romance tão maravilhoso quanto "Os Maias")

Não ler um livro específico, não ler determinado autor, não ler um género literário, não ler durante uma semana, não ler durante um mês, não ler durante um ano.

É, para a maioria de nós, contranatura? sim, é. Mas Não Ler é um direito. Não ser Leitor é um direito.

publicado por Patrícia às 12:27 link do post
10 de Março de 2017

Acreditem em mim, um leitor de livros electrónicos é tão leitor quando um leitor de livros físicos e tão leitor quando um leitor de audiobooks. 

(Já estremeceram? já me rogaram pragas? confessem já estavam com saudades de me ver defender outros formatos de leitura)

Um livro é, acima de tudo o conteúdo. As palavras que se transformam em histórias, em mensagens. O acto de ler é maravilhoso mas o fim da leitura é apreender o que está escrito (não é a mesma coisa ler a bula dos medicamentos ou os ingredientes das bolachas que ler um poema, pois não?) e isso pode fazer-se de várias formas.

Ler um livro físico, ler em português ou noutra língua qualquer, Ler em formato electrónico, ouvir as palavras, ler com a ponta dos dedos, tudo, tudo isso é permitido. Tudo isso faz parte de ser leitor. 

Não há leitores menores, não há leitores de géneros menores. Há leitores.

publicado por Patrícia às 12:16 link do post
08 de Março de 2017

Quem diz que uma fila qualquer não é um óptimo lugar para ler? Ou o consultório médido? O os 10 minutos reservados para o pequeno almoço?

Eu diria que as únicas alturas onde não é, de todo, permito ler são aqueles momentos passados com família ou amigos (e ainda assim quem nunca espreitou o ebook no telemóvel durante uma festa de família que atire a primeira pedra).

Quase todas as alturas e lugares são bons para ler. 

Se há quem goste de ler ao mesmo tempo que almoça, qual é o problema? Se há quem goste de ler quando vai à casa de banho, qual é o problema? 

Ler em casa, no café, no restaurante, nos transportes públicos, na casa de banho, nas filas do supermercado, das finanças, da segurança social, enquanto se espera pelo amigo que está atrasado para o café, quando se chega ao trabalho antes da hora... De manhã, à tarde ou à noite. Leiam quando vos apetece e vos parece adequado. Também isto é um direito do leitor.

publicado por Patrícia às 20:07 link do post
07 de Março de 2017

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Eu, Monstra me confesso, claro.

 

Um dos direitos dos leitores é, sem qualquer género de dúvida, "viver" os seus livros. Dobrar páginas para marcar a leitura, para marcar uma passagem ou para esconder uma frase.

Sublinhar, a lápis, a caneta ou a marcador.

Escrever, deixar comentários, dialogar com escritor, personagem ou narrador.

Pôr post-its como está tão na moda.

Deixar fotos ou vestígios da época em livro foi lido, como vi num vídeo de uma booktuber e que achei uma ideia maravilhosa.

Dobrar a capa, colar autocolantes, tirar a sobrecapa ou fazer uma nova.

Um livro é objecto para ser amado e, para mim, não há nada mais triste que um livro passar pela vida incólume, sem vestígio de ter sido lido.

 

Não era brutal abrirmos um livro e termos na primeira página indicação de quando e por quem aquele livro foi lido?

 

publicado por Patrícia às 10:46 link do post
04 de Março de 2017

Mudar de opinião acerca de um livro é mais do que um direito. Mudar de opinião é natural, saudável e, diria até, fundamental.

A nossa idade, maturidade e experiência são fundamentais para a apreciação de um livro. 

Não falo apenas dos livros que adoramos em criança ou na adolescência. Falo, acima de tudo, dos livros que lemos numa determinada altura da nossa vida adulta e que, uns meses ou anos depois, relemos e nos apercebemos de que a nossa opinião anterior já não faz qualquer sentido.

Há livros que me recuso a reler porque os adorei e tenho pavor de os "estragar". São livros que me marcaram e que eu considerei, num determinado momento, maravilhosos mas que sei que me vão desiludir se os ler com os "olhos" de hoje. Sinceramente prefiro não o fazer. A "ideia" que tenho do livro, o sentimento bom que ficou, é suficiente. Chega-me saber que aquele livro foi o certo na altura certa".

 

Há também o contrário: livros que não gostei muito e que hoje (ou no futuro) serei capaz de ler de forma diferente. (Sei hoje que) Na altura li-os de uma forma superficial, que não tinha capacidade para apreciar todas as suas camadas.

 

 

 

publicado por Patrícia às 09:26 link do post
03 de Março de 2017

Outro dos direitos inalienável dos leitores é o de não gostar do livro que toda a gente amou.

Eu costumo dizer que sou (quase) sempre a "ovelha negra" que não gosta do livro do momento. Talvez tenha a ver com expectativas, talvez tenha a ver com ser um bocadinho "do contra" , não sei, a verdade é que não gosto muito de ler o livro da moda.

E é absolutamente inadmissível o que se passa quando alguém se atreve a dar uma opinião menos positiva... É o drama, o horror e a tragédia, há insultos e lágrimas (pronto, lágrimas é é exagero meu - acho - mas insultos é aos molhos). 

Mas acreditem em mim, é perfeitamente possível, ser inteligente, boa pessoa e acima de tudo absolutamente normal e não gostar do último best seller.  

É aliás, extremamente saudável ter uma opinião individual e fundamentada sobre os livros que lemos... mesmo quando essa opinião é diferente da mais comum.

 

publicado por Patrícia às 13:14 link do post
01 de Março de 2017

Já li muitos livros maus na vida. E não me arrependo nem um pouco. Ainda hoje reservo o direito a ler maus livros. E também reservo o direito a considerar que há de facto maus livros. 

Mas também é verdade que, às páginas tantas, decidi começar a fazer um esforço consciente para evoluir enquanto leitora, para ler melhor em vez de apenas ler mais. Comecei a aceitar verdadeiros desafios literários, ler aquele tipo de livros que nos fazem chegar ao fim e desconfiar que não apanhámos toda a mensagem que o escritor queria passar. Tantas vezes acabo de ler um livro e sinto-me um bocado burra porque "juro que perdi qualquer coisa pelo caminho".

Enquanto leitora considero fundamental este lado educativo dos livros. Crescer enquanto leitora faz-me crescer enquanto pessoa, enquanto ser humano. Aprender e não apenas divertir-me é algo que pretendo enquanto leio um livro.

Mas, ainda assim, vou continuar a ler maus livros de vez em quando. O lado puramente lúdico dos livros é importante. Vou continuar a ler maus livros que me divirtam, que façam passar umas horas sem pensar em mais nada. É verdade que há livros que, sendo bons também têm este lado lúdico bem patente mas hoje falo daqueles que, assumo perfeitamente e sem qualquer pudor, são má literatura, não acrescentam nada à minha vida mas que me divertem horrores e me deixam com um sorriso nos lábios.

publicado por Patrícia às 16:05 link do post
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