Ler por aí
 
08 de Julho de 2014


E quando se gosta tanto de um livro que se torna difícil escrever sobreele, porque sabemos que nada do que possamos escrever lhe fará justiça? Hápoucos livros que somos capazes de recomendar a toda a gente e no entanto eusou capaz de recomendar este “A cor do Hibisco” a todos vocês. Sou capaz de orecomendar a quem gosta de romances simples, de uma escrita simples, sou capazde o recomendar a quem só gosta de “literatura complicada”, porque acredito queé um livro para ser lido e apreciado por todos. Como se pode ter um primeiroromance assim?   E no entanto aChimamanda Ngozi Adichie já voltou a provar, com o Meio Sol Amarelo e com oAmericanah que não foi um engano.

A história de Kambili étudo menos óbvia. Uma menina com tudo para ser feliz, pelo menos aparentemente,com possibilidades económicas muito acima da média (o que, numa Nigériamiserável, faz toda a diferença)  mas quecala em si um segredo monstruoso, capaz de destruir a sua e outras vidas.
Um livro que mostra comoé possível perverter o que é belo, o que deveria ser sinónimo de paz. Quemostra como a escolha individual de cada um é capaz de fazer a diferença.


E mais não digo...
publicado por Patrícia às 21:42 link do post
07 de Abril de 2014

 
Ler Chimamanda Ngozi Adichie é sempre um prazer. Os seuslivros trazem uma garantia de qualidade que a fez tornar-se uma das minhasautoras favoritas depois de apenas ter lido dois dos seus livros. O Meio SolAmarelo é já um dos preferidos de todos os tempos. Mas hoje estou aqui pararegistar a minha opinião acerca do Americanah, o último romance desta escritoraNigeriana.
A protagonista deste livro é Ifemelu, uma miúda nigerianaque vai estudar para os Estados Unidos. Ao longo destas páginas acompanhamos ocrescimento da Ifemelu na Nigéria, a sua paixão pelo Obinze, a sua relação comos pais, amigos, colegas. Conhecemos a realidade Nigeriana e as razões pelasquais tantos Nigerianos optam por ir estudar para o estrangeiro (EUA eInglaterra, principalmente). Aliás “Americanah” é precisamente o nome pela qualaqueles que retornam a casa vindos dos Estados Unidos são conhecidos.
Já nos USA Ifemelu sente-se, pela primeira vez, negra. É lá,fora de África, que a questão da raça se põe pela primeira vez. E é essa questãoque leva esta mulher a escrever um blog “SobreRaça ou Várias Observações sobre os Negros Americanos (Anteriormente chamadosPretos) por uma Negra Não Americana”. Mas este não um livro apenas sobreRaça. É um livro sobre Penteados. Sobre Amor. Sobre ser jovem, ser adulto.Sobre ser mulher (e chamem-me o que quiserem mas eu gosto de livros sobre mulheresescritos por mulheres). É um livro sobre racismo, sobre violência, sobre livros(é impressionante a quantidade de referências a livros que encontramos nestaspáginas). É um livro sobre identidade. Sobre preconceito, sacrifício, amizade esobre escolhas.
Não há heróis, nem heroínas. Há pessoas, com qualidades edefeitos. Há acontecimentos que nos permitem enquadrar a história no tempo etermos a certeza que aqueles sentimentos podem estar a ser sentidos por alguémque conhecemos.
Chimamanda Ngozi Adichie obriga-nos a ver de váriasperspectivas as nossas próprias atitudes. Racista, eu? Nunca. Ou será que sim?
Gostamos de acreditar que para nós não há qualquer diferença em relação à cor da pele mas será que é mesmo assim? Será que nunca olhamos para alguém diferente de uma forma especial por esse alguém ser diferente? Mas a verdade é que o preconceito não é exclusivo de nenhuma raça. Não sei se cá por Portugal existe a diferença entre os Negros Portugueses e os Negros não Portgueses mas a verdade é que por cá há muito preconceito. Mesmo que seja um preconceito bem intencionado, uma espécie de discriminação positiva, mas que não deixa de ser preconceito.
A imigração ilegal ocupa uma pequena mas importante parte deste livro. Quanto daquilo se passa aqui em Portugal? Muito, provavelmente. E confesso que essa foi a parte deste livro que mais me chocou.
Gostei imenso das citações do Blog da Ifemelu, com os seus titulos pomposos, mordazes e importantes.
Acho que já perceberam que gostei bastante deste livro. Nãoé tão bom como o Meio Sol Amarelo, mas é uma fantástica leitura.
( Um último ponto que se refere apenas à edição Portuguesado Livro. O preço deste livro é absurdamente elevado. Quase 25 euros. É certoque o livro é grande (e as folhas são demasiado grossas) mas continua a serdemasiado caro. Parece-me um aproveitamento do nome da escritora, da suapopularidade. E uma vez mais não existe em ebook, pelo menos em Português dePortugal (não procurei em Português do Brasil mas na verdade apenas encontreiem Inglês e Espanhol). Um bocadinho triste, não?)
publicado por Patrícia às 17:56 link do post
21 de Janeiro de 2014

Em vez de estarem neste blog a ler a minha opinião sobre este livro deveriam estar a lê-lo. Assim o vosso tempo seria muito melhor empregue, acreditem em mim.

Se não têm o livro à mão, nem oportunidade de o ir comprar então oiçam a Chimamanda Adichie (na TED) a falar do perigo da história única e encantem-se e envergonhem-se. Por todos nós, nalgum ou em muitos momentos da nossa vida, fomos culpados de sucumbir aos perigos da "história única".



É ou não maravilho ouvi-la?

Acabei mesmo agora de ler este livro. Talvez devesse esperar uns dias para escrever a minha opinião mas a verdade é que este blog não é um blog de critica literária (até porque me falta a capacidade e o talento para tal) mas sim um sítio onde "escrevo opiniões a quente porque o livro mais importante é precisamente aquele que acabei de ler".
E a minha vontade é de o começar a ler novamente. E olhem que isto é algo que poucas vezes me lembro de fazer.

Meio Sol Amarelo. O símbolo do Biafra, a representação de um futuro glorioso. 
Começo por dizer que o título é maravilhoso. 
A escrita da Chimamanda conquistou-me deste o início: simples, cuidada, fluída. Esta escritora é de facto uma contadora de histórias. Assim de mansinho apresenta-nos Olanna e Kainene, o maravilhoso Ugwu, Richard e Odenigbo, os cinco personagens que nos vão guiar por estas histórias. É muito fácil deixarmo-nos enredar nas suas vidas, nas suas personalidades fortes, nos retratos clichés e na sua destruição. É-nos fácil sentir empatia e simpatia por Olanna e Kainene, é-nos fácil rir com Ugwu. 
Este livro tem uma estrutura diferente dos outros livros. É linear por camadas: começamos no início dos anos 60, na segunda parte saltamos para o final dos anos 60 onde não podemos deixar de sentir curiosidade pelo que terá acontecido para que as nossas personagens ajam da forma como agem. Nesta parte senti que tudo estava igual mas diferente. Ou melhor, que tudo estava no sítio certo mas que havia qualquer coisa de estranho. (sim, só quem já leu compreenderá o que escrevo, até porque a autora faz questão de que saibamos que alguma coisa aconteceu). Depois damos um saltinho atrás, temos a resposta para uma série de perguntas e depois… oh, depois é um salto para o futuro e é um autentico murro no estômago. Não consigo transmitir-vos o quanto aquelas páginas me atormentaram e encantaram. 
Este é um livro sobre paz, sobre guerra, sobre fome, miséria, alegria, amor, paixão, obsessão. É um livro onde a humanidade dos personagens rivaliza com a desumanidade do ser humano. É um livro sobre factos e é um livro sobre sentimentos. 
Escuso de vos dizer que adorei.



(eu, o livro e o ZéGato momentos antes de embarcar para a fase final da leitura)


publicado por Patrícia às 22:57 link do post
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