Ler por aí
 
04 de Janeiro de 2017

baleias.jpeg

 Não sei se o Afonso Cruz tem razão quando nos avisa, às páginas tantas, que "o contacto com o mal pode ser redentor". Mas sei que li este livro, de uma ponta à outra, com o coração apertado, com a alma em frangalhos. Foi com o Flores que me reconciliei com o autor dos Guarda-Chuvas e agora.. isto. 

Na minha opinião ninguém tem tanto talento para contar a maldade, a crueldade, a tristeza e a solidão como Afonso Cruz. Há muitos a cantar a tragédia, há poucos a fazê-lo com beleza. A mestria com as palavras, a forma como o escritor nos destrói de uma forma luminosa chega a ser irritante. 

Senti muitas vezes, ao longo desta leitura, que este é um livro de excessos. Seriam mesmo necessários tantos episódios cheios de crueldade? 

Este livro está cheio de personagens geniais. Tristan entrou directamente para a minha lista de personagens favoritos. Este menino e a sua caixa de sapatos conquistaram-me.

Há quem diga que este livro conta uma história de amor, há quem destaque a música que se ouve em cada página. Mas eu li, acima de tudo, uma história de solidão. De como a solidão mata, de como a solidão destrói, de como se pode viver em solidão no meio de tanta gente, de como podemos ignorar a solidão dos outros, de como se vence a solidão. Solidão, Solidão, Solidão. 

Acho que este vai ser o meu livro favorito do AC (e a todas as pessoas que eu massacrei ao longo desta leitura só consigo dizer: eu não sou completamente maluca e continuo a achar que há aqui muita crueldade mas a história do Tristan conseguiu dar-me a volta...)

 

 

publicado por Patrícia às 22:59 link do post
08 de Dezembro de 2015

* acho que tem spoilers

 

 

O Afonso Cruz partiu-me o coração em 596 páginas, em cada uma das frases, em cada uma das palavras, em cada uma das letras que compõem esta história. Não sei como deixei acontecer.

Parecia que sabia tudo deste livro, já rodou no meu clube de leitura, mas não houve spoilers, e quase toda a gente da Roda escreveu a sua opinião, que eu ainda não li e assim consegui ser surpreendida por tudo. Pelos títulos dos capítulos que são as suas primeiras frases (em todos menos no capítulo 77, porquê?). Pelas páginas iniciais coloridas, com desenhos de uma história de Natal, que dá o tom ao livro mas só o percebo quando o meu coração já está esfrangalhado. Pelas páginas pretas que são Azrael, a morte. Pelas imagens em páginas pretas. Pela quantidade de religião e perguntas, a sério, para onde vão os guarda-chuvas?. Pelo facto de ser uma história passada no Oriente, não sei porquê esperava uma aldeia perdida em Portugal. Há muçulmanos, um hindu, um cristão ... quase dava para uma anedota mas nada neste livro nos faz rir, há medo, violência e tristeza.

É realmente um tapete com centenas de fios entrelaçados como a vida das pessoas umas nas outras. Bibi “que não tapava os cabelos e andava com eles soltos como pássaros”. Badini o primo poeta que era mudo, quando tinha 7 anos “o pai fê-lo engolir as palavras todas”. Aminah de dentes desalinhados que queria casar com um homem de olhos azuis como o Paul Newman. A Morte, que tem vários nomes, gosta de azeitonas, xadrez e é uma sentimentalóide. Fazal Elahi dono da fábrica de tapetes que andava sempre a olhar para o chão para passar despercebido, “gostava de ser como as paredes”. Salim filho herdeiro de Fazal Elahi, que gostava de correr de braços abertos a fingir ser um avião, é morto por soldados americanos. Isa o miúdo americano adoptado por Fazal Elahi. Ilia Vassilyevith Krupin, general russo convertido ao Islão, muito mais assustador que a morte, violento, queria fabricar mesquitas voadoras. Dilawar de olhos azuis, fraco, filho do general russo. O padre a quem Fazal Elahi pede para ensinar Isa a ler porque o miúdo também é cristão. Nachiketa Mudaliar, hindu apaixonado por Aminah, muçulmana. Gunnar Helveg o estrangeiro que faz pesquisas sobre os dervixes ladrões. Os dervixes ladrões que dizem “nada neste mundo se faz sem roubar, para conseguir alguma coisa temos de privar algo ou alguém dessa mesma coisa”.

O primo Badini que é mudo mas diz as coisas mais verdadeiras e acertadas e o indiano persistente são as minhas personagens preferidas e a parte quando Aminah leva Isa ao mercado, não é a mais violenta mas é, para mim, a mais desumana.  

Senti nesta história que nada é dito, feito ao acaso, tudo caminha para o que achamos ser o fim esperado, tanto ouvimos falar nas escadas íngremes que finalmente também as escadas fazem parte da história e depois, no final, esse não é o fim.

 

É brutal, maravilhosamente bem escrito e muito mais do que eu consigo aqui escrevinhar.

 

 

“O universo é equilibrado, tem é um equilíbrio muito delicado, extravagante, pois a parte má é muito maior do que a boa”

 

O destino tem muitas caras. O pescador tinha uma filha e vendeu-a. Era assim que começava o filme a que Aminah fora assistir”

 

“34. Disse Ali: Não é a falta de pessoas à nossa volta que faz a solidão. São as pessoas erradas ”

 

“É muito simples, como são todas as soluções, no worry, no hurry, chicken curry. Quando são complicadas, são complicações, não são soluções."

 

“Nachiketa fez as compras todas, passou pelo templo de Girijashankar, mas não se atreveu a oferecer mais do que água e flores do campo. Merda para os deuses, o macaco do Hanuman e o probóscide do Ganesh e mais o maricas do Krishna, Pediu apenas para ser feliz, nada mais, que um homem quando quer chegar ao seu destino, pede isso mesmo, não pede rodas para a carroça.”

 

“- No outro dia perguntou-me se o Deus dos muçulmanos era o mesmo Deus dos cristãos, e eu disse que sim, claro, são o mesmo, Isa só há um Deus, se fossem diferentes era porque havia dois e isso é uma blasfémia. E ele disse-me, mas, baba, se o Deus dos muçulmanos e o Deus dos cristãos é o mesmo, porque é que os muçulmanos e os cristãos são inimigos? Peço perdão, disse eu, não são inimigo. Não são?, perguntou ele. É complicado, disse eu, e mandei-o subir para o quarto, que já eram horas de dormir."

 

“É preciso mudar o destino e não deixar que a tragédia volte a vencer, é preciso que fiques e que este ano não partas em peregrinação, peço perdão, precisamos de ti, sim, precisamos.

                                                               -É difícil mexer na vida

                                                               esperando mudá-la para melhor,

                                                               uma mudança aqui

                                                               faz uma tragédia do outro lado,

                                                               é como quem puxa um lençol

                                                               para tapar o peito,

                                                               destapando os pés,

                                                               é como o homem que foge do lobo

                                                               para encontrar um urso."

 

“65d. Não estamos a fazer a pergunta certa se a nossa pergunta tiver reposta”

 

 

 

 

publicado por Catarina às 11:26 link do post
28 de Outubro de 2015

 

O que farias para salvar o teu livro preferido? A que sabem os vossos beijos? Consegues imaginar um futuro de silêncio? Nós temos um cravo como símbolo da liberdade e da revolução, mas poderá uma simples flor criar uma tal onda que provoque uma revolução?
 
Esta é a história de um homem que perdeu o passado e o futuro. E é também a história de outro homem que perdeu o presente, que se perdeu no seu presente, e que acaba a tentar encontrar o passado do primeiro homem ajudando-se mais a si que ao outro. Ou é talvez a história de uma menina que por amor incondicional a um amigo improvável acaba por aprender a perdoar. Ou a história de uma mulher que com uma flor mudou, sem saber e durante algum tempo, o rumo de gentes. Ou a nossa história no mundo, um grito de alerta, uma chamada de atenção para que vejamos a paisagem, para que não percamos a cena completa por estarmos muito próximos das coisas*. 
 
Com uma critica social e política tenebrosamente certeira, com histórias dentro de histórias (ou talvez ao redor das histórias, nem sei) Afonso Cruz conseguiu fazer-me rir e (quase) chorar.
 
É o terceiro livro de Afonso Cruz que leio e sei como toda a gente adora o "Guarda-Chuvas" mas este Flores é o meu livro de AC. Apanhou-me de surpresa, enganou-me, enredou-me e encantou-me. Sou um bocadinho egoísta em relação aos livros: digo muitas vezes que me importa mais o que eu sinto e percebo de um livro do que aquilo que o escritor realmente quis transmitir. E aqui, com este Flores, isso não podia ser mais verdade. Até posso não ter percebido o que o escritor quis transmitir mas o que recebi foi tanto que isso chega. Por isso não tenho dúvidas que este vai ser o meu livro do ano. E que o vou reler muitas vezes (apetece-me começar a lê-lo outra vez). E depois do final dos Guarda-Chuvas, fiz finalmente as pazes com o Afonso Cruz.
 
 
* Frase roubada e adaptada duma certa página deste livro...



publicado por Patrícia às 21:27 link do post
25 de Julho de 2014

 

 
 

Rosa, alentejana tem uma avó velhinha, com mais juízo que mobilidade. Rosa tem um namorado pastor e uma série de apaixonados (ou viciados nalgumas partes da sua anatomia, pelo menos). Rosa quer concretizar o sonho da sua avó e levá-la a Jerusalém mas não tem dinheiro para isso. O professor Borja, fascinado pela Rosa e por muito querer também a quer ajudar, tem uma série de ideias que implicam levar Jerusalém até à avó de Rosa, já que o contrário parece impossível.

 
Num tom divertido (a quem mais lembraria transformar o “O avião” – quem já não se lembra de semelhante bar de strip? – num avião a sério ou,vá, mais ou menos a sério? Juro-vos, dei uma gargalhada nesta parte) a história de Rosa vai correndo, contada ao sabor das pedras, que tal como num rosário, marcam a vida desta moça. Página atrás de página, conhecemos um rol de personagens interessantes, as suas motivações, as suas pancadas (e há tantas, por aqui), as suas esperanças. E não podemos deixar de pensar que tanto ficou por dizer, que tanto ficou por pensar, que, se às vezes os fins justificam os meios, noutras alturas as coisas não são bem assim. Não podemos deixar de questionar os sentimentos, de esmiuçar o amor, a amizade.
 
É sempre bom ler Afonso Cruz. Difícil é escrever sobre um livro quando temos sentimentos contraditórios. Tal como no “Guarda-chuvas” há uma nota de desesperança neste livro. O certo é que não estraga, de todo, o livro, na verdade até o torna humano, real. Por isso, se não conhecem o autor, shame on you, vão lá a uma livraria à procura dos seus livros e depois venham cá contar-me o que acharam.
publicado por Patrícia às 13:54 link do post
02 de Fevereiro de 2014

Aviso já que este post tem “estragadores”. Querem saber se o livro vale a pena? Sim! Vão lê-lo.
Gostei de tudo neste livro, da história, da forma como está escrita, da personagem principal a Rosa, da capa e também do autor que, ao vivo e a cores, é um contador de histórias espectacular, fiquei fã e com vontade de ler todos os outros livros dele.
A maneira como é descrita o primeiro encontro dos pais da Rosa, a mãe uma arqueóloga e o pai um homem do campo alentejano é bem boa. A comparação das mãos do pai da Rosa, mãos cheias de alfaces plantadas e de açoites nos cães, com os dedos das mãos dos ex-namorados finórios da mãe que eram como os seus cabelos molhados acabados de lavar, é uma maravilha.
Todas as personagens têm a sua história. O professor Borja e o caseiro Rato que têm uma guerra aberta por causa do muro branco pintado com versos a preto. O Alípio que serve como o tonto da aldeia. O padre que gosta de apanhar açoites no rabo. A inglesa ricaça e esquisita, Miss Whittemore, que dorme numa cama feita da ossada de uma baleia. O pastor Ari que gosta da Rosa desde que são miúdos mas que temos logo ali a sensação que não vão acabar juntos.
A Rosa, uma miúda pobre do Alentejo, que guarda pedrinhas apanhadas nos bons e nos maus momentos e as chupa como rebuçados quando se quer lembrar desses momentos, a miúda que lê livros de cowboys que eram do pai e que tem de ir trabalhar para a casa de uns senhores ricos para sustentar a avó já velha e doente. A avó Antónia que quer, antes demorrer, ir visitar Jerusalém. Rosa como não tem dinheiro para a viagem resolve trazer Jerusalém ao Alentejo com a ajuda de todos da aldeia incluído a meretriz do bordel, em forma de avião, lá do sítio.
A casa de Miss Wittemore é decorada para ser o centro de “Jerusalém” e é aqui que tudo acontece. Há uma reconstrução da última ceia e ficamos a saber que Jesus Cristo bebia cerveja que é o pão líquido. O professor parece que vai pintar o muro e deixa Alípio no seu lugar, o pastorAri vai matar o professor que anda a dormir com a Rosa mas encontra o Alípio, e afinal o professor vai escrever no quarto da inglesa e a Rosa que está grávida mata os dois, a inglesa e o professor e diz a todos que foi o professor que matou a inglesa e depois se suicidou. Estava calmamente a ler uma história sobre uma miúda do Alentejo ...

 

O único senão que encontrei foi o fim da Rosa. Não que ache mal ela ter terminado como prostituta em Lisboa, morta aos 40 anos de uma doença venérea, sozinha, porque a vida é mesmo assim uma treta e depois morre-se. Ao menos podia ter sido a prostituta mais conhecida de Lisboa com o seu próprio bordel em forma de Saloon só para ligar com os livros das histórias de cowboys que lia quando era cachopa.
publicado por Catarina às 20:43 link do post
29 de Dezembro de 2013

***ATT SPOILER ALERT (depois não digam que eu não avisei)

 

 
 
Caro Afonso,
Deixa-me desabafar: vai-te lixar, ok? Que raio de final é este? Juro-te que me sinto quase traída com este final. Mas no que raio estavas tu a pensar? Isto lá é coisa que se faça a alguém? Não sei se alguma vez te vou conseguir perdoar.
Nestas alturas gostava de conseguir achar que Isa escolheu bem e que não se deixou enfeitiçar pelo amor (olha que raio de parvoíce escrevo eu!). Gostava de acreditar que o instinto de sobrevivência,que todos temos, prevaleceu e a necessidade de viver se sobrepôs à necessidade de ser amado e querido e de ser, finalmente, visível.
Gostava de bater em que precisa de perder para encontrar, em quem cede ao preconceito, à maldade, em quem não vê o que está à frente do seu nariz. Em quem busca sonhos impossíveis e que com isso deixa passar a possibilidade de sonho que está à sua volta.
Afinal, para onde vão os guarda-chuvas? Sabes, ninguém os perde mais do que eu. Não pude deixar de imaginar que um dia vou encontrar os meus, os que perdi (e sabe Deus que foram muitos) com alguns dos meus guarda-chuvas fugidios.
Ok, eu sei o que é uma metáfora, uma fábula, uma parábola, sei essas coisas todas, mas mesmo assim tenho alguma dificuldade em transformar as tuas personagens em minhas e em decidir eu (sinto-me assim um bocadinho fraude mas o pior é que a minha decisão é precisamente o contrário da que gostaria que fosse).
E há algumas folhas, ter-te-ia dito que este livro é fantástico, que me sinto reconfortada e que adorei  a forma como misturaste culturas, religiões e depois as reduziste à simplicidade do amor. Podes ser cristão deste que sejas um bom muçulmano. Há umas folhas dir-te-ia que gosto de acreditar, aliás escolho “crer” e, também por isso, gostei de tanta coisa neste livro. Os fragmentos persas são fabulosos. A história da pulga da pulga da pulga captou a minha atenção e fez-me rir.
Há umas horas dir-te-ia que amei o cuidado com as imagens, que o jogo de xadrez me interessou e me fez sorrir (e logo eu que, que nem sequer jogo xadrez), que vi cada página diferente, cada tipo de letra diferente. Que este é um livro para se ler e se ver (mas se um mudo pode falar em poesia, qual é o problema de apreciar um livro sem sequer precisar de o ler?).
Mas agora, Afonso, agora estou demasiado zangada contigo para te dizer isso tudo. Porque não estava preparada para este final.
Mas, apesar de ainda estar zangada contigo (esta carta tem sido escrita aos bocadinhos) tenho que te dizer que este é um livro para nos fazer pensar. Suponho que cada leitor o leia de forma diferente (e alguns de uma forma que nem tu próprio consegues imaginar) e a verdade é que poucos livros têm o poder de nos atingir desta forma. Falar de morte e de perda, de bondade e de amor, de maldade e ódio, de discriminação e preconceito de uma forma doce e bonita não é para todos.
E por tudo isto, Obrigada.
Mas aquele final, Afonso, aquele final....
Encontramo-nos num próximo livro
Patrícia
publicado por Patrícia às 13:58 link do post
pesquisar neste blog
 
email
ler.por.ai@sapo.pt
mais sobre mim
tags

2017

adam johnson

afonso cruz

afonso reis cabral

agatha christie

alexandre o'neill

alguém quer este livro?

amin maalouf

ana cristina silva

ana margarida de carvalho

ana saragoça

ana teresa pereira

anna soler-pont

anne bishop

anne holt

antonio garrido

as paixões antigas

biblioteca de bolso

brandon sanderson

carla m. soares

carlos campaniço

carlos ruiz zafón

chimamanda ngozi adichie

colleen mccullough

conversas (sur)reais

cosmere

cristina drios

curtas

dan brown

danuta wojciechowska

david soares

diário de leitura

direitos dos leitores

dulce maria cardoso

elena ferrante

filipe melo

frank mccourt

george r.r martin

gonçalo m. tavares

greg mortenson

haruki murakami

helena vasconcelos

ildefonso falcones

inês pedrosa

isabel allende

jo nesbø

joão tordo

jodi picoult

josé eduardo agualusa

josé luís peixoto

josé rodrigues dos santos

josé saramago

juan cavia

julia navarro

juliet marillier

ken follet

l.c. lavado

ler em português

leya em grupo

lídia jorge

livros

luís miguel rocha

mai jia

maria manuel viana

mário zambujal

marion zimmer bradley

meg wolitzer

mitos e outros temas livrescos

mónica faria de carvalho

natal

nuno nepomuceno

opinião

os meus amigos também gostam de ler

patrícia müller

patrícia reis

paulo m. morais

podcast

richard zimler

robert wilson

robin sloan

roda dos livros

rosa lobato faria

rui cardoso martins

rui zink

sandra carvalho

sonhos

stephenie meyer

stieg larsson

stormlight archives

tarita

the way of kings

tiago carrasco

trudi canavan

ursula k. le guin

valter hugo mãe

vasco ribeiro

victoria hislop

words of radiance

youtube

zoran živković

todas as tags

blogs SAPO