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Ler por aí

Ler por aí

Que importa a fúria do mar, de Ana Margarida de Carvalho

 


 

 

 

 

O primeiro romance de Ana Margarida de Carvalho foi um dos finalistas do prémio LEYA. Foi também um dos livros mais recomendados pela Márcia (podem ver aqui a opinião que ela escreveu para o blog da Roda dos Livros). As expectativas eram, por isso, muito altas.

 

Gostei, mas não é o meu livro favorito.

 

A ideia da história é fantástica. Escrever sobre o Tarrafal é de uma enorme coragem, principalmente porque este episódio negro da nossa História é ainda muito recente e ainda há demasiadas feridas abertas. Escrevê-lo sob a forma de romance é ainda melhor, é a minha forma favorita de conhecer/recordar episódios históricos.

 

Os saltos temporais neste romance estão muito bem conseguidos. Saltitar entre o passado longínquo de Joaquim, o passado recente de Eugénia e o presente de ambos é interessante e conseguiu interessar-me. Não me senti minimamente perdida.

 

Este livro está bastante bem escrito. Gostava de um dia ter um vocabulário assim. Infelizmente não tenho e isso obrigou-me a ir várias vezes ao dicionário. No geral considero óptimo que um livro me faça abrir o dicionário (gosto sinceramente de aumentar o meu vocabulário). O problema foi que, em algumas partes do início do livro cheguei a ter que ir à procura do significado de várias palavras na mesma frase. Depois lá encarrilei e a coisa passou.

De início achei bastante piada ao facto de estar sempre a tropeçar em referências literárias. Referências a títulos de livros, a personagens de romances, a poemas (é ou não fantástico quando o vosso poema favorito subitamente vos aparece à frente?). Mas depois tudo o que é demais enjoa e todas aquelas referências me pareceram um exagero. Às tantas só pensava,“ok, eu sei que tu és super culta, mas já chega!”. E acredito não ter sequer apanhado muitas das referências (ou ter percebido mal outras porque o título do livro é mesmo “a história da gaivota e do gato que a ensinou a voar”, são os felinos que ensinam as gaivotas a voar e não o contrário).

Mas o que me faz ficar de pé atrás com este livro é mesmo a Eugénia. Jornalistazinha petulante, enjoadinha, irritante e extremamente arrogante. Arre, que não consegui sentir a menor simpatia ou empatia com a senhora. E eu não gosto de alguém que não gosta de animais, pelo que não consigo gostar nem um pouco desta fulana.

 

Já me tinham dito que era possível ler este livro sem ser linearmente. E é verdade. Acredito que, no final, o resultado era quase o mesmo qualquer que seja a ordem pela qual se leiam os vários capítulos. Talvez a ordem considerada seja a mais óbvia mas não é, de todo, a única possível.

 

Apesar dos muitos defeitos que atribuo a este livro, gostei de o ler. Gostei desta viagem à loucura, gostei de conhecer a força do amor a opor-se ao pior de que o ser humano é capaz, gostei de ler sobre o Tarrafal, sobre essa aberração que foi esta prisão.