Ler por aí
 
25 de Maio de 2014

Em miúda, e sem a quantidade de livros novos que me permitiria lerao ritmo de que gostava, relia. Reli inúmeras vezes os livros de que gostava.Ainda hoje tenho algumas saudades de reler, de reencontrar velhos amigos(Edmond Dantés; Mário e Tommy; Morgaine ou Colin são apenas alguns dospersonagens que quase tratava por “tu”) e de descobrir coisas, pormenores ou palavrasem livros “antigos”.
Atualmente tento variar as leituras e os novos livros não mepermitem reler (e sinto sempre que perco alguma coisa com isso).
Olhando em volta apercebo-me que a busca de novidades está a ser substituídapela vontade da permanência – será medo de sair da tão nossa conhecida “zona deconforto”? Será preguiça de ter que pensar em novas temáticas, absorver novasideias? Será o receio de ter que mudar de ideias, de perceber que o que nãosabemos é tão mais do que o que conhecemos?
A verdade é que se olharmos em volta nos apercebemos que namaioria das áreas esta falta de inovação está presente – e o irónico é que apalavra “inovação” tem sido uma constante nas nossas vidas (profissionais).
Na literatura, as séries ganharam um lugar importante – e noentanto são, na maioria das vezes “mais do mesmo”.
As trilogias são todas do mesmo género. Os Romances têm todos amesma fórmula. Assim que aparece uma novidade, e nem precisa ter qualidadebasta que seja vendida em quantidade, essa fórmula é repetida até à exaustão.
No cinema acontece o mesmo: são os remakes que têm mais êxito, masmesmas histórias contadas de forma ligeiramente diferente – ou nem sequer isso –encantam multidões que se escondem atrás dos efeitos especiais para justificara escolha.
Lembro-me de que ser diferente, únicos, era algo que todosambicionávamos. Agora parece que a única ambição é ser igual, vestir as mesmasroupas, ter os mesmos gadgets, ouvir a mesma música, ler os mesmos livros…passar tão despercebido quanto qualquer ovelha num rebanho.
A sede da novidade está esquecida, abandonada e assim navegamossempre em águas conhecidas, no nosso mundinho conhecido, seguindo a corrente. Aemoção do risco, do desconhecido fica para os outros ou simplesmente para maistarde.
publicado por Patrícia às 05:23 link do post
Pois é, Patrícia; eu estou sempre a deparar com esses dilemas.
Mas sabes uma coisa: as grandes novidades estão nos clássicos!!! Há sempre um Tolstoi, um Dumas, um Dostoievski por descobrir.
Aquilo a que as editoras chamam novidades às vezes vêm embrulhadas em capas chamativas, sinopses brilhantes e depois começamos a ler e...é o chamado valha-me Deus...
Quando leio um livro desses até me arrepio todo ao pensar que estou a perder tempo que seria precioso para ler um clássico. Portanto, tomei uma decisão: regra geral só leio autores consagrados. E embora leia bastante, há sempre mais um clássico para ler. Facilmente cheguei à conclusão que seguir as novidades é perder tempo. Publica-se tanto, tanto lixo que os grandes Mestres devem revolver-se nas tumbas... e eles têm coisas tão preciosas, tão originais, tão "elefante cor de rosa" que nem nos passa pela cabeça. Por exemplo: neste momento estou a ler um livro de Bulgakov que ajuda imenso a perceber as raízes da atual crise na Ucrânia. Isto sim é novidade :)
Manuel Cardoso a 27 de Maio de 2014 às 00:09
Concordo Manuel, e que fique registado que "livros novos" significam apenas "livros não lidos". Não defendo só livros recentes. defendo a novidade que tantas vezes se encontra nos clássicos. Mas nem só de clássicos vive a literatura. Há tantos livros bons mais recentes (e que, espero um dia se tornem clássicos). Ultimamente tenho tido boas surpresas (por cá, o Afonso Cruz tem tudo para dar cartas e lá por fora encantei-me com a Chimamanda Ngozi Adichie, isto apenas para referir 2) . Mas também gosto de clássicos. Aliás, não é por acaso que o "Conde de Monte Cristo" é um dos meus livros favoritos de todos os tempos… Boas leituras :)
Patrícia C. a 27 de Maio de 2014 às 00:26
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