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Ler por aí

Ler por aí

Quando teremos a coragem (ou a vontade) de ser a ovelha "cor-de-rosa"?

Em miúda, e sem a quantidade de livros novos que me permitiria lerao ritmo de que gostava, relia. Reli inúmeras vezes os livros de que gostava.Ainda hoje tenho algumas saudades de reler, de reencontrar velhos amigos(Edmond Dantés; Mário e Tommy; Morgaine ou Colin são apenas alguns dospersonagens que quase tratava por “tu”) e de descobrir coisas, pormenores ou palavrasem livros “antigos”.
Atualmente tento variar as leituras e os novos livros não mepermitem reler (e sinto sempre que perco alguma coisa com isso).
Olhando em volta apercebo-me que a busca de novidades está a ser substituídapela vontade da permanência – será medo de sair da tão nossa conhecida “zona deconforto”? Será preguiça de ter que pensar em novas temáticas, absorver novasideias? Será o receio de ter que mudar de ideias, de perceber que o que nãosabemos é tão mais do que o que conhecemos?
A verdade é que se olharmos em volta nos apercebemos que namaioria das áreas esta falta de inovação está presente – e o irónico é que apalavra “inovação” tem sido uma constante nas nossas vidas (profissionais).
Na literatura, as séries ganharam um lugar importante – e noentanto são, na maioria das vezes “mais do mesmo”.
As trilogias são todas do mesmo género. Os Romances têm todos amesma fórmula. Assim que aparece uma novidade, e nem precisa ter qualidadebasta que seja vendida em quantidade, essa fórmula é repetida até à exaustão.
No cinema acontece o mesmo: são os remakes que têm mais êxito, masmesmas histórias contadas de forma ligeiramente diferente – ou nem sequer isso –encantam multidões que se escondem atrás dos efeitos especiais para justificara escolha.
Lembro-me de que ser diferente, únicos, era algo que todosambicionávamos. Agora parece que a única ambição é ser igual, vestir as mesmasroupas, ter os mesmos gadgets, ouvir a mesma música, ler os mesmos livros…passar tão despercebido quanto qualquer ovelha num rebanho.
A sede da novidade está esquecida, abandonada e assim navegamossempre em águas conhecidas, no nosso mundinho conhecido, seguindo a corrente. Aemoção do risco, do desconhecido fica para os outros ou simplesmente para maistarde.

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