Ler por aí
 
14 de Setembro de 2016

Os vampiros.jpg

 

 

Apaixonei-me por este livro à primeira vista. Naquele dia decidi que queria ler este livro, tê-lo na minha estante. Chegou hoje e já o li. Quer dizer, fiz a primeira leitura, assim à pressa com vontade de perceber o que era isto, como é ler um romance gráfico. Ansiava tanto pela história como pelo formato ou pelo objecto em sim.

 

Deixem-me confirmar aquilo que já devem saber: nunca tinha lido um romance gráfico e a única BD que alguma vez me atraiu foi a do Quino. Mafalda rules, sempre. Tirando a Mafalda li alguma coisa (pouca) do tio patinhas e afins, do Tintim e do Asterix. Mais nada. Andava com vontade de aventurar neste género e perceber se poderei alguma vez ser leitora de BD. Digo-vos já que a resposta é um muito claro NÃO.

Vamos por partes. 

Este livro como objecto é muito bom. A capa é linda. Simples, poderosa, atrativa. Diz-me claramente: "não venhas ao engano, não sou um livro fácil, não esperes beleza, sorrisos ou luz." A capa, o papel, são perfeitos para este tipo de livro. Mas é uma edição Tinta da China, estranho seria não ser perfeita.

Sobre o formato é, para mim, muito difícil opinar. Como disse antes, percebo zero de BD. A minha sensibilidade visual é assim para o inexistente. A primeira coisa que me salta à vista são as cores. Acho que são eficazes para transmitir o medo, a angústia ou até a culpa. Senti, no entanto, falta das cores vibrantes de África. Pouco, muito pouco nestas imagens me situou na Guiné. Podia ser noutra guerra qualquer, noutro sítio qualquer. Esta história vive muito de sentimentos, de expressões e a verdade é que lá para o final (e não se esqueçam de que falo apenas da primeira leitura) conseguia reconhecer cada um dos personagens. Gosto muito das imagens deste livro (chama-se "arte", certo?).

Já quanto à história fiquei com um certo pé atrás. Este é um livro de 228 páginas e é demasiado parco em palavras para mim. Nada contra quem adora e provavelmente não seria tão eficaz de outra forma mas eu senti a falta das letras, das palavras. E se a verdade é que as imagens contam a sua própria história a verdade é que o discurso dos personagens não me convenceu. Faltam expressões, falta calão (só palavrões não chegam), faltam expressões idiomáticas. Não consigo identificar um único personagem pela forma de falar, um ou outro pelo conteúdo do discurso mas nem isso é fácil. Talvez eu não tenha razão e esse tipo de coisa não tenha cabimento neste tipo de livro mas... senti a falta das palavras. 

A balança entre imagem e palavra não me pareceu muito equilibrada. Apesar disso acho que os autores conseguiram passar a mensagem que pretendiam. Apesar da história ser bastante previsível e da "moral da história" não ser propriamente uma grande novidade, a verdade é que esta mistura de história de guerra e de filme de terror é interessante. 

Este livro, que vai fazer óptima figura na minha estante, não me afastou completamente do género mas também não me fez ter vontade de continuar  a ler romances gráficos.

 

 

publicado por Patrícia às 19:55 link do post
Há novelas gráficas de muita qualidade...É uma questão de procurar e experimentar. Li duas este ano de autores estrangeiros - em Portugal não conheço. É um género por vezes injustiçado - não trocaria o meu querido Calvin e Hobbes por nada, mesmo que as pessoas digam que são livros de bonecos.
Sara a 14 de Setembro de 2016 às 21:54
Eeehhhh, és virgem em graphic novels! Não deixes já de parte, olha que as há muito boas, hein! Os amaricanos têm coisas mesmo daqui, ó.

Anyhoo, sobre este livro, magistralmente ilustrado (digo eu), deixou-me um bocadinho nhé, porque não consegui ultrapassar três piquenos obstáculos. Falei disso aqui:
https://naomudesnunca.wordpress.com/2016/08/25/ja-nao-lia-bonecos-ha-algum-tempo/#comments
Izzie a 15 de Setembro de 2016 às 14:51
Depois emprestas-me uma daquelas upa, upa.

Sabes que reparei nessa cena da água perrier? Achei estranho mas tive preguiça de ir pesquisar. E também me saltou à vista qdo o Santos (acho que era ele) disse que parecia estar num filme de Felinni... Não achei que fizesse muito sentido com os personagens.
Patrícia a 15 de Setembro de 2016 às 15:14
Ai menina, se prepara para ser evangelizada (estou a brincar, tu lês e depois formas a tua opinião, não podemos gostar todos do mesmo). Vou-te seleccionar umas coisichas logo que tenha uma aberta na loucura que está a ser o meu regresso de férias ;)

(acho que começo com o V for Vendetta, é uma distopia escrita nos tempos da Thatcher)
Izzie a 16 de Setembro de 2016 às 10:21
Li hoje o livro. Gostei, mas confesso que esperava mais.
marcia a 25 de Setembro de 2016 às 22:42
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