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Ler por aí

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Os Íntimos, de Inês Pedrosa




Foi o primeiro livro da escritora que li e não posso deixar de me sentir um pouco desiludida. Esperava mais e o problema das expectativas é que elas crescem e na maioria das vezes ficamos com um certo formigueiro na ponta dos dedos.
Afonso é o fio condutor desta história que dá voz a 5 amigos, homens, diferentes e com uma amizade “tipicamente” masculina. Ou pelo menos é isto que a autora parece pretender. Afonso, Filipe, Pedro, Guilherme e Augusto reúnem-se para um dos seus habituais jantares e ao longo do livro conhecemos os seus pensamentos e boa parte da sua história. E principalmente a história da sua amizade, a tal tipicamente masculina (o que quer que isso seja) com todos aqueles clichés habitualmente atribuídos aos homens (e às mulheres). E foi aqui que este livro me desiludiu. Não me pareceu uma história sobre a amizade masculina, que compreendo perfeitamente ser atrativa para as mulheres, mas sim um livro sobre o que as mulheres supõem ser uma amizade masculina. Não é que o livro seja mau, porque não é, simplesmente parece-me pretender ser aquilo que não é. E parece-me isto precisamente pelas inúmeras menções ao que “as mulheres são...” e/ou “os homens são...”.
Gostei da história propriamente dita, dos personagens e da forma como todos, mais ou menos, têm voz e contam a sua versão de um mesmo acontecimento. Gostei as intrusões femininas no livro, da carta da Ana Luísa, da história de Bárbara e principalmente do conto da doente do Afonso. Apesar de estar um pouco descontextualizado achei-o brutal (nos vários sentidos desta palavra) principalmente por contrastar tanto com o tom (falsamente) ligeiro do livro.

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