Ler por aí
 
23 de Junho de 2011

Acho que este é o primeiro livro escrito por Richard Zimler. Curiosamente ainda não o tinha lido. Já dei, neste blog, a minha opinião sobre dois ou três livros deste escritor e mais uma vez confirmo que a sua forma de escrever e as suas histórias são das melhores que tenho lido nos últimos tempos.
Comecei com este livro a série sobre Berequias Zarco, Judeu, vendedor de fruta, iluminista e o último de uma espécie... o último cabalista de Lisboa.
Pelo que o autor conta nas nota de autor este livro é adaptado de um manuscrito escrito entre 1507 e 1530 da era cristã encontrado em Istambul e que, supostamente escrito pelo próprio Berequias Zarco, conta a história deste na Lisboa de 1506.
O livro conta a perseguição feita por Beri ao assassino de seu tio, Mestre Abraão, um famoso Cabalista. Mas este livro é muito mais do que um mero livro “policial”
Na capa da edição de bolso que tenho está um excerto da opinião dos leitores (fonte Bertrand livreiros) onde se diz que “este livro vale pela descrição do massacre de Lisboa de 1506” onde morrerem, em fogueiras no Rossio, mais de 2000 judeus, ou melhor, cristãos-novos, baptizados à força segundo a ordem dada pelo rei D. Manuel anos antes (por volta de 1497). Concordo em absoluto. Este livro vale pela descrição do massacre, da atmosfera Lisboeta daquela época. Este livro serve como testemunho da maldade dos nossos antepassados. A história de um povo é feita não só das suas glórias mas também, e talvez principalmente, dos seus erros, em especial daqueles que têm o poder de mudar o destino das gentes. Sei muito pouco sobre esta época e principalmente sobre este massacre. Acho que quando voltar ao Rossio vou olhá-lo com outros olhos. Não sei se alguma vez aquele local ficará limpo do sangue que correu nas suas pedras.
O que seria de Portugal e da Europa se não tivessem havido atrocidades como esta (e todas as que se seguiram com a inquisição “a sério”)? Nunca saberemos, mas com certeza a nossa vida seria diferente.
Algumas semanas antes de ler este livro li outro deste mesmo escritor ( À procura de Sana) onde era mencionada a importância que este livro teve para Sana entre outras coisas. Confesso que gostei de ler “O último Cabalista de Lisboa” depois de ter lido “À procura de Sana”. Dei mais importância, ou melhor, dei a algumas coisas uma importância diferente da que daria se a ordem não tivesse sido esta. Por exemplo à linguagem gestual desenvolvida por Berequias e Farid.
Questiono-me sobre a veracidade de alguns destes acontecimentos, mas mais uma vez não considero isso de grande importância. Gostei mesmo muito deste livro e estou ansiosa para ler o que resultou dos outros manuscritos de Berequias Zarco.

Vale a pena ler.

Um pequeno comentário mais: Portugal tem um história brutal, fantástica e imensa. Apesar de haver muitos livros e história que a contam há poucas estórias a fazê-lo. Ou pelo menos poucas que o façam bem. Isto é, obviamente a minha opinião. Sei bem que não conheço, nem de perto nem de longe, todos os escritores Portugueses que escrevem romances históricos. Começaram a aparecer nos últimos tempos vários escritores a escrever sobre as colónias, sobre a guerra do ultramar e já há alguns que escrevem sobre a ditadura. Dos que já li parecem-me bons esforços, mas não têm sido livros de que tenha gostado especialmente. Os livros sobre o passado português que mais gostei de ler foram de estrangeiros. Assim de repente lembro-me deste Richard Zimler e de Robert Wilson. Curiosamente ambos vivem (ou viveram, já não sei concretamente) em Portugal. Agora digam-me: sou só eu que tenho esta ideia sobre os romances históricos? Estou certa ou completamente errada? Que livros me aconselham a ler para mudar esta opinião?
publicado por Patrícia às 09:35 link do post
Com o que eu gosto de história (se calhar foi isso que faltou ao Kundera (kidding!! Juro!) acho que é uma boa opção para quando acabar os clássicos que ali tenho. Tu lês mesmo mto!!!
Andorinha a 23 de Junho de 2011 às 15:27
Não sabia que o livro trazia tantos pormenores sobre a nossa história. Estou bastante curiosa. Relativamente aos romances históricos foram poucos os que li sobre a história de Portugal. No entanto, posso destacar como os meus preferidos "A filha do Capitão" do José Rodrigues dos Santos, "O Equador", do Miguel Sousa Tavares e "O ano da morte de Ricardo Reis" do José Saramago, não querendo com isto dizer que estão ao mesmo nível de escritores estrangeiros que falam sobre a história de Portugal porque nunca li nada do género. Talvez inicie pelo Richard Zimler.

Boas Leituras
Landa a 23 de Junho de 2011 às 22:19
Gostei bastante da "filha do Capitão" e da "ilha das trevas" do JRS e amei o "Equador"... nunca li o "O ano da morte de Ricardo Reis" porque tenho um ligeiro "ódio de estimação" pelo Saramago...

Acho que fazes muito bem em começar pelo Zimler, mas um dia lê o "último acto em Lisboa" do Rovert Wilson. Eu gostei imenso.
Patrícia a 23 de Junho de 2011 às 23:10
Andorinha Maria, tu e mania de que eu leio muito.... estive de férias mulher, e foram daquelas de estar ao sol tipo lagartixa portanto foi fácil ler um bocadinho.
Olha, lê Zimler, acho que vais gostar.
Patrícia a 23 de Junho de 2011 às 23:14
Uma coisa e' estar de ferias ao sol, outra coisa e' lamber 3 livros em 2 semanas!! Tu devias trabalhar era numa editora!!
Andorinha a 23 de Junho de 2011 às 23:39
Acho que posso considerar "O nome da Rosa" um romance histórico. E posso dizer-te que foi um livro que mudou a minha forma de pensar...

Beijocas!
Rafeiro Perfumado a 24 de Junho de 2011 às 10:21
Olá Pat

Tb achei que ias gostar e não me enganei. Concordo, a descrição das fogueiras no Rossio e da atmosfera que se vivia nessa época é brutal, aliás acho uma característica deste escritor: escreve de uma maneira que quase sentimos o cheiro do corpos queimados e sentimos o medo do personagem a fugir dos cristãos velhos por Lisboa. e não reconheceste os nomes das ruas e tudo ?

Duas meninas falaram do "A filha do capitão" e é verdade aí tb há alguma história : )) a descrição de como lisboa é limpa na baixa e vai ficando cada vez mais badalhoca quando se sobe pela colinas : )) para além da parte de como começaram o Benfica e o Sporting (os clubes de futebol) : )
CG a 24 de Junho de 2011 às 10:39
ui ...

"lamber 3 livros em 2 semanas" .

até doeu ...

tb tenho 3 já de lado para a minha semana de férias no Porto Santo
CG a 24 de Junho de 2011 às 10:44
Foi o primeiro que li do Saramago. Apesar de não gostar da escrita dele, adorei o livro. Nunca ouvi falar do Rovert Wilson. Obrigada pela sugestão.
Landa a 25 de Junho de 2011 às 16:04
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