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Ler por aí

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O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler

Acho que este é o primeiro livro escrito por Richard Zimler. Curiosamente ainda não o tinha lido. Já dei, neste blog, a minha opinião sobre dois ou três livros deste escritor e mais uma vez confirmo que a sua forma de escrever e as suas histórias são das melhores que tenho lido nos últimos tempos.
Comecei com este livro a série sobre Berequias Zarco, Judeu, vendedor de fruta, iluminista e o último de uma espécie... o último cabalista de Lisboa.
Pelo que o autor conta nas nota de autor este livro é adaptado de um manuscrito escrito entre 1507 e 1530 da era cristã encontrado em Istambul e que, supostamente escrito pelo próprio Berequias Zarco, conta a história deste na Lisboa de 1506.
O livro conta a perseguição feita por Beri ao assassino de seu tio, Mestre Abraão, um famoso Cabalista. Mas este livro é muito mais do que um mero livro “policial”
Na capa da edição de bolso que tenho está um excerto da opinião dos leitores (fonte Bertrand livreiros) onde se diz que “este livro vale pela descrição do massacre de Lisboa de 1506” onde morrerem, em fogueiras no Rossio, mais de 2000 judeus, ou melhor, cristãos-novos, baptizados à força segundo a ordem dada pelo rei D. Manuel anos antes (por volta de 1497). Concordo em absoluto. Este livro vale pela descrição do massacre, da atmosfera Lisboeta daquela época. Este livro serve como testemunho da maldade dos nossos antepassados. A história de um povo é feita não só das suas glórias mas também, e talvez principalmente, dos seus erros, em especial daqueles que têm o poder de mudar o destino das gentes. Sei muito pouco sobre esta época e principalmente sobre este massacre. Acho que quando voltar ao Rossio vou olhá-lo com outros olhos. Não sei se alguma vez aquele local ficará limpo do sangue que correu nas suas pedras.
O que seria de Portugal e da Europa se não tivessem havido atrocidades como esta (e todas as que se seguiram com a inquisição “a sério”)? Nunca saberemos, mas com certeza a nossa vida seria diferente.
Algumas semanas antes de ler este livro li outro deste mesmo escritor ( À procura de Sana) onde era mencionada a importância que este livro teve para Sana entre outras coisas. Confesso que gostei de ler “O último Cabalista de Lisboa” depois de ter lido “À procura de Sana”. Dei mais importância, ou melhor, dei a algumas coisas uma importância diferente da que daria se a ordem não tivesse sido esta. Por exemplo à linguagem gestual desenvolvida por Berequias e Farid.
Questiono-me sobre a veracidade de alguns destes acontecimentos, mas mais uma vez não considero isso de grande importância. Gostei mesmo muito deste livro e estou ansiosa para ler o que resultou dos outros manuscritos de Berequias Zarco.

Vale a pena ler.

Um pequeno comentário mais: Portugal tem um história brutal, fantástica e imensa. Apesar de haver muitos livros e história que a contam há poucas estórias a fazê-lo. Ou pelo menos poucas que o façam bem. Isto é, obviamente a minha opinião. Sei bem que não conheço, nem de perto nem de longe, todos os escritores Portugueses que escrevem romances históricos. Começaram a aparecer nos últimos tempos vários escritores a escrever sobre as colónias, sobre a guerra do ultramar e já há alguns que escrevem sobre a ditadura. Dos que já li parecem-me bons esforços, mas não têm sido livros de que tenha gostado especialmente. Os livros sobre o passado português que mais gostei de ler foram de estrangeiros. Assim de repente lembro-me deste Richard Zimler e de Robert Wilson. Curiosamente ambos vivem (ou viveram, já não sei concretamente) em Portugal. Agora digam-me: sou só eu que tenho esta ideia sobre os romances históricos? Estou certa ou completamente errada? Que livros me aconselham a ler para mudar esta opinião?

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