Ler por aí
 
13 de Setembro de 2016

Fiquei a pensar nas leituras de clássicos da literatura depois de ler o post da Sara “10 razões para ler clássicos”.

Ouvi algures (acho que foi no primeiro episódio do Biblioteca de Bolso quando o “D. Quixote” foi sugerido) que há livros que pela sua dimensão só se lêem na adolescência ou na reforma. Concordo absolutamente com isso e, apesar de ficar feliz com a profusão de livros que existem para miúdos/adolescentes, com a existência de bibliotecas e com a predisposição dos pais em investirem em literatura, acho que os clássicos vão perder alguma da sua importância com isso.

Quem é o miúdo/adolescente que vai pegar num clássico velhinho, com a capa feia e um cheiro a livro velho (eu adoro livros mas não me venham com cheiro a livro velho que começo já a espirrar, sim?) e com uma linguagem não adaptada aos dias de hoje se tem ali à mão de semear o último best seller? Posso estar errada mas diria “muito poucos”. Eu adorava ler mas o meu “eu adolescente” preferia livros novos e de aventuras.

É verdade que há sempre quem goste de clássicos (um beijinho, Sara) mas a verdade é que a maioria de nós leu Agatha Christie porque havia em barda nas feiras do livro (uma vénia à coleção vampiro) e alguns clássicos porque não teve “alternativa”, porque tinha imenso tempo para gastar e porque não nos deixavam ir para a rua nas horas de maior calor.

Li um dos meus livros favoritos (O conde de Monte Cristo) precisamente porque estava em casa da minha avó e não tinha “nada para ler”. Não li muitos clássicos mas li (várias vezes) livros como Terra Bendita de Pearl S. Buck (sem ter a noção de que estava a ler um prémio Nobel da literatura ou provavelmente tinha-me acagaçado), Os três mosqueteiros ou Jane Eyre. E nem falo dos clássicos portugueses (alguém ainda lê Júlio Dinis? Mamãe fez-me ler aquilo tudo no verão dos meus 12 anos, acho)…

E não consigo deixar de pensar que esta geração privilegiada que tem sempre livros novos por ler fica a perder algo por passar ao lado de alguns destes livros na altura da sua vida em que o tempo não é um recurso escasso.

publicado por Patrícia às 16:00 link do post
Concordo contigo: se fosse adolescente agora ia querer ler todos os livros novos que saíssem e acho que a malta agora tem imensa sorte. No entanto ando a ler um clássico, Os três mosqueteiros, e sinto-me uma miúda autêntica a ler aquilo.
Telmixa a 13 de Setembro de 2016 às 16:18
Gostei imenso. Se bem que nunca consegui deixar de os imaginar como cães. :)
Patrícia a 14 de Setembro de 2016 às 08:37
Comecei a ler a Agatha aos 17-18 anos quando me emprestaram dois..Foi também nessa altura que comecei a ler clássicos - antes disso não conhecia a maior parte. Comprava o que me agradava e o que parecia bom (não havia livros em casa e eu tinha de escolher segundo o meu senso..), só depois vi o que andava a perder e passei a fazer um esforço para "riscar livros da lista". Quando tinha doze anos lia Uma Aventura, Os cinco, Alice Vieira...Também não sabia na altura que existiam livros velhinhos e maravilhosamente cheirosos. Não sei bem o que os miúdos gostam agora...Agora há aquela treta dos YA. Creio que os clássicos cá continuarão (como tem acontecido) e eventualmente alguns destes adolescentes chegarão lá. É natural que haja evolução...Claro que algumas pessoas preferem passar a vida a ler Margaridas e afins. Li o D.Quixote o ano passado e não achei um livro datado ou difícil de ler - há partes floreadas mas nada de mais. É mais moderno que muita coisa que se escreve hoje. Do Júlio só li as Pupilas há uns anos atrás - não desgostei.
Sara a 13 de Setembro de 2016 às 17:30
Claro que vai evolução. Em alguns. Mas os clássicos e necessidade de ser criativos para arranjar livros davam-nos um grande empurrão nesta evolução. Não estou com isto a defender que não deixem os miúdos leram o que querem. Que bom que a maioria deles tem à sua disposição todos os livros que quer ler.
Patrícia a 14 de Setembro de 2016 às 08:45
Alguns clássicos são bons para ler quando se é jovem (eu li as Mulherzinhas, o Principezinho...Os Três Mosqueteiros eram apenas desenhos animados), mas acho que o mais importante é os miúdos ganharem amor pelos livros - tendo esse amor eles irão trilhar o seu próprio caminho e fazer as suas escolhas.
Sara a 14 de Setembro de 2016 às 14:41
Olá,
Eu sou proveniente de uma família pobre sem dinheiro para livros.
Mas a minha mãe adorava ler, e então lia os nossos livros da escola, ou algum que lhe emprestavam. Lembro de ela falar do Amor de Perdição com um fervor.....
Eu comecei a ler quando fui para o Ciclo preparatório, a minha escola tinha 1 biblioteca muito boa. Li o que me "recomendavam" e o que me apetecia. Li Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Vergilio Ferreira, o Meu pé de Laranja Lima, e tantos outros que nem me lembro.
Leitura estrangeira pouco me aventurei, no entanto este ano fiz uma lista de 69 clássicos que eu queria ler, já li alguns, vai aos poucos, mas chego lá.
Bjs
Dulce Barbosa a 16 de Setembro de 2016 às 13:41
Olhando para essa lista, Dulce, parece-me que foi uma juventude cheia de boas leituras.
Essa lista de 69 deve ser bem boa. Eu tenho que me dedicar aos clássicos. A fantasia épica anda a desviar-me do "bom" caminho :)
Boas leituras
Patrícia a 21 de Setembro de 2016 às 11:12
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