Ler por aí
 
25 de Abril de 2013




Adorava ter gostado deste livro. Maravilhei-me com a escritade valter hugo mãe, o homem das minúsculas, quando li o livro “a máquina defazer espanhóis” que continua a ser um dos meus livros favoritos e que aconselhoa qualquer pessoa. Mas detestei este livro. E tenho que admitir que detesteitudo: detestei a história, detestei a escrita e o tom deste livro. Detestei.
Eu compreendo que o autor queira dizer mais do que o querealmente diz, que queira fazer-nos pensar e evoluir através de uma históriamacabra, feia, preconceituosa. Provavelmente o problema é meu, que não conseguiver para além da história do cabrão do Baltazar, ruim como as cobrinhas. E sim,eu sei que na idade média a mulher não era gente. E sei que desde que a vida évida há e sempre haverá quem seja capaz de atrocidades. A diferença é que emdeterminados tempos da história as atrocidades eram aceites e aplaudidas.Aliás, nem precisamos ir para a idade média. Atualmente, em determinados paísese culturas, a mulher ainda é considerado um ser abjeto, ainda é mutilada, aindaé tratada abaixo de cão. E eu já li muitos livros sobre isso. E horrorizam-me.Mas não detesto os livros por isso.
Porque, para mim, há vários aspetos que me fazem gostar ou nãogostar de um livro: a história, o intuito que percebo no livro, o tipo deescrita, de linguagem, as personagens, a facilidade com que entro na história,a vontade que tenho que ler mais e mais.
Quanto à história, não gostei. Não há um momento deesperança no raio do livro. Não há uma passagem que me tenha encantado. Todas,sem exceção, me enojaram ou me arrepiaram. Não houve um momento divertido. Nadaque contrabalançasse a fealdade do livro.
Segundo vhm: “O estigma de se ter um nome parece explicar àsociedade quem se é e que intenções se tem”. Seria este o intuito do livro? Nãosei, sinceramente acho que escrever aquela história macabra “apenas” para istonão tem grande sentido. Não foi o facto de Baltazar ser um dos “sarga” que ofez ignóbil, que foi o originador de todas as desgraças. A educação, opreconceito, a doença, a cultura, a maldade intrínseca, sim. O facto de ser dos “sarga”,não.
Este livro é “uma aventura de linguagem, procurandoficcionar um português antigo que, não o sendo de facto, crie a ilusão deestarmos ao tempo de uma idade média tardia”. Ah… a mim, só me dificultou aindamais a leitura. Se já era difícil ler tudo aquilo, por causa da história, terque estar constantemente a voltar atrás para perceber o raio de uma frase erachato, irritante.
Quanto aos personagens… gostei da vaca, conta? A sério, éimpossível criar empatia com quem quer que seja e passei o tempo todo a pensar:“mata-a de uma vez, que isso já é sofrimento demasiado” ou “não sejas burra,tens facas, não tens?” ou ainda “e se te matasses?” (esta dava para todos ospersonagens) e sinceramente não é agradável passar o tempo a desejar que elesmorram todos.
Acho que nunca entrei na história e nem sei bem porque é quefiz questão de ler o livro até ao fim. Foi um alívio fechar o livro e saber quenunca, mas nunca mais, o vou abrir.
Vou continuar a ler a vhm mas se me sair outra destasdesisto de vez.
publicado por Patrícia às 11:29 link do post
Eu gostei do livro :) É de facto um livro "negro", já disse várias vezes que, quando parava de ler parecia que estava a "emergir" das trevas, é outro mundo... mas precisamente por me ter causado sensações tão fortes, gostei muito! É o único que li de VHM mas hei-de ler mais!

Cristina
Cristina a 25 de Abril de 2013 às 18:39
A maioria das pessoas gosta. Eu gostava de ter gostado, mas não gostei. Mas concordo contigo causou-me sensações fortes. Tive várias vezes vontade de atirar o livro pela janela :). E confesso que até fico contente por ter 30 e tal páginas viradas ao contrário, sei lá a perfeição da edição parecia-me deslocada neste caso.
Olha, aconselho o "A máquina de fazer espanhóis". Desse gostei imenso :)
Patrícia a 25 de Abril de 2013 às 19:40
Eu sei q nao devia, mas fartei-me de rir qdo disseste "que se matassem todos" :)) até pq foi o q senti qdo li o Milan Kundera, exacto quanto :) bjos! Já provamos as queijadas da ilha, gostamos mas é mto doce e engorda kilos à dentada :))) Não se pode abusar ;) até domingo, bjos!
Andorinha a 26 de Abril de 2013 às 01:42
"Quanto aos personagens… gostei da vaca, conta?"
Patrícia,
adorei esta tua opinião. Mesmo. :)
Normalmente gosto de todas, mas nunca sinto tanto prazer em lê-las - sejam as tuas opiniões ou outras mas estamos na tua casa e é a ti a quem me dirijo - como quando estas são negativas.
Quando gostamos de uma obra somos, por vezes, muito racionais. A preocupação com a qualidade do texto da nossa opinião por vezes parece levar a melhor até sobre o que queremos escrever. (Falo por mim, apenas.)
Todavia quando as opiniões são negativas... são uma delícia! Saem do fundo da alma directamente para o editor de texto, directas, cruas, divertidas, sem pompa nem circunstância. E eu adoro quando assim é. :)
No meu blogue tenho tentado, recentemente, escrever as minhas opiniões "positivas" com a mesma garra, desprendimento e "facilidade" com que as "negativas" me saem. Tenho procurado que as críticas me saiam do âmago sem ficarem muito intoxicadas pelo meu cérebro. :)
Encontrar este texto no teu blogue numa altura em que estou a tentar ser mais directo e gutural foi uma interessante e agradável coincidência.
Saliento essa tua vontade de abandonar o autor se encontrares mais algum livro que te faça sentir o mesmo. Foi o que me sucedeu com o CAdS do GGM. Tive a mesma resposta para com esse livro. Se o senhor vivesse "no meu bairro" tinha-lhe partido a boca toda. :D
Sim, eu sei que gostaste e até te admiro por isso. :)
Não nos agrada a todos o mesmo... e ainda bem.
Boas leituras, Patrícia.
André Nuno a 26 de Abril de 2013 às 18:18
Miúda, se sentiste isto ao ler Kundera, afasta-te dele :) .
(eu digo sempre que ainda bem que não consigo comprar essas queijadas aqui no continente e como raramente vou aos Açores não engordo horrores)
beijos
Patrícia a 27 de Abril de 2013 às 12:24
Juro-te que estou desde ontem a tentar perceber o que é "CAdS do GGM"...

Eu percebo-te, quando gostamos de um livro e porque estamos habituados a opiniões mais ou menos bem construídas tentamos justificar o porquê de termos gostado com razões lógicas do género "personagens profundas e bem construídas" ou um " escrita fluída e rica" e afins, quando, na verdade, uma opinião deveria ser pouco fundamentada e mais emocional que racional.
Tens toda a razão.
Sabes que eu costumo dizer que gente feliz não escreve textos interessantes, que a infelicidade é muito mais "musa" que a felicidade. Talvez o mesmo aconteça com as opiniões dos livros.
Patrícia a 27 de Abril de 2013 às 12:41
Olá patrícia, já calculava que fosse uma coisa deste género que fosse sair, visto já anteriormente termos trocado impressões acerca de "O Remorso"
Gostei muito desta tua opinião, é das melhores e das mais lúcidas que tenho lido, o simples facto de dares a tua opinião e saberes bem o que dizer, sem cair do facilitismo, é por isso e para isso que venho ao teu blogue.
Como sabes gostei bastante muito deste livro, precisamente pela brutalidade descrita (não confundir com gosto pela brutalidade) acho que nem eu próprio acreditava que viesse tanto a gostar deste livro. ´É daqueles que tenho dificuldade em explicar porque gostei tanto.

Já vi que iniciaste a leitura de "O Hipnotista" li o ano passado e gostei muito também, espero em breve poder ler outro livro de Lars Kepler, fico a aguardar a tua opinião.
Boas Leituras
nuno chaves a 27 de Abril de 2013 às 16:20
LOL. :)
Cem Anos de Solidão. Gabriel GM.
:)
André Nuno a 27 de Abril de 2013 às 17:29
Claro GGM. Burra que só ("só" tenho a colecção quase completa dos livros dele...). Mas continuo a achar que devias ler o "notícias de um sequestro". Completamente diferente do CAdS mas muito bom.
Patrícia a 27 de Abril de 2013 às 22:46
Não te preocupes que não confundo. Como disse já livros que descrevem coisas brutais mas de que gostei. Mas neste não consegui entrar, acho que não estava preparada para isto depois do "a máquina de fazer espanhóis".

Estou a gostar imenso do Hipnotista, estou numa fase em que me apetece ler policiais e agora que descobri os nórdicos (os gajos são assim a dar para o "sádico" não são?) encontrei um filão inesgotável :). Tive a sorte de apanhar este com 40% de desconto na Bertrand, por causa da saída do novo e como não me importo de ler livros mais antigos aproveitei.

Há outra saga (com daqueles nomes enormes, que agora não me lembro) que também quero ler.
bjs
Patrícia a 27 de Abril de 2013 às 22:51
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