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Ler por aí

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O Remorso de Baltazar Serapião, de valter hugo mãe




Adorava ter gostado deste livro. Maravilhei-me com a escritade valter hugo mãe, o homem das minúsculas, quando li o livro “a máquina defazer espanhóis” que continua a ser um dos meus livros favoritos e que aconselhoa qualquer pessoa. Mas detestei este livro. E tenho que admitir que detesteitudo: detestei a história, detestei a escrita e o tom deste livro. Detestei.
Eu compreendo que o autor queira dizer mais do que o querealmente diz, que queira fazer-nos pensar e evoluir através de uma históriamacabra, feia, preconceituosa. Provavelmente o problema é meu, que não conseguiver para além da história do cabrão do Baltazar, ruim como as cobrinhas. E sim,eu sei que na idade média a mulher não era gente. E sei que desde que a vida évida há e sempre haverá quem seja capaz de atrocidades. A diferença é que emdeterminados tempos da história as atrocidades eram aceites e aplaudidas.Aliás, nem precisamos ir para a idade média. Atualmente, em determinados paísese culturas, a mulher ainda é considerado um ser abjeto, ainda é mutilada, aindaé tratada abaixo de cão. E eu já li muitos livros sobre isso. E horrorizam-me.Mas não detesto os livros por isso.
Porque, para mim, há vários aspetos que me fazem gostar ou nãogostar de um livro: a história, o intuito que percebo no livro, o tipo deescrita, de linguagem, as personagens, a facilidade com que entro na história,a vontade que tenho que ler mais e mais.
Quanto à história, não gostei. Não há um momento deesperança no raio do livro. Não há uma passagem que me tenha encantado. Todas,sem exceção, me enojaram ou me arrepiaram. Não houve um momento divertido. Nadaque contrabalançasse a fealdade do livro.
Segundo vhm: “O estigma de se ter um nome parece explicar àsociedade quem se é e que intenções se tem”. Seria este o intuito do livro? Nãosei, sinceramente acho que escrever aquela história macabra “apenas” para istonão tem grande sentido. Não foi o facto de Baltazar ser um dos “sarga” que ofez ignóbil, que foi o originador de todas as desgraças. A educação, opreconceito, a doença, a cultura, a maldade intrínseca, sim. O facto de ser dos “sarga”,não.
Este livro é “uma aventura de linguagem, procurandoficcionar um português antigo que, não o sendo de facto, crie a ilusão deestarmos ao tempo de uma idade média tardia”. Ah… a mim, só me dificultou aindamais a leitura. Se já era difícil ler tudo aquilo, por causa da história, terque estar constantemente a voltar atrás para perceber o raio de uma frase erachato, irritante.
Quanto aos personagens… gostei da vaca, conta? A sério, éimpossível criar empatia com quem quer que seja e passei o tempo todo a pensar:“mata-a de uma vez, que isso já é sofrimento demasiado” ou “não sejas burra,tens facas, não tens?” ou ainda “e se te matasses?” (esta dava para todos ospersonagens) e sinceramente não é agradável passar o tempo a desejar que elesmorram todos.
Acho que nunca entrei na história e nem sei bem porque é quefiz questão de ler o livro até ao fim. Foi um alívio fechar o livro e saber quenunca, mas nunca mais, o vou abrir.
Vou continuar a ler a vhm mas se me sair outra destasdesisto de vez.

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