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Ler por aí

Ler por aí

O Rapaz de Olhos Azuis, de Joanne Harris


Ele conhece-a há uma eternidade e, contudo, ela nunca o viu. É como se fosse invisível para a mulher que ama. Mas ele vê-a a ela: o cabelo; a boca; o rosto pequeno e pálido; o casaco vermelho-vivo na neblina matinal, como algo saído de um conto de fadas.

Até agora, ele nunca se apaixonou. Assusta-o um pouco: a intensidade dessa emoção, a maneira como o rosto dela se intromete nos seus pensamentos, a maneira como os seus dedos traçam o nome dela, a maneira como tudo, de algum modo, conspira para que ela nunca lhe saia da cabeça…

Ela não sabe de nada, claro. Tem um ar muito inocente, com o seu casaco vermelho e o seu cesto. Mas por vezes os maus não se vestem de preto e por vezes uma menina perdida na floresta é bem capaz de fazer frente ao lobo mau…


Desta escritora já li o “Chocolate” e o “Cinco quartos de Laranja”, ambos romances “bonitos”. Talvez “bonitos” não seja o adjectivo mais adequado para caracterizar um livro, mas a minha ideia aqui é realçar o lado “claro, leve e positivo” das histórias desta escritora. Este “ O rapaz dos olhos azuis” é completamente diferente destes outros livros.
Uma das qualidades que não desaparece neste livro é o apelo aos sentidos que já se tornou marca da autora . Aqui é o cheiro e a cor que marcam presença. A tudo se associa um cheiro e uma cor (e às cores, cheiros, texturas).
Mas, e mesmo sendo o azul a cor predominante, é um livro absolutamente negro, “dark”.
Por uma vez a sinopse não ajuda em nada a perceber o livro. Aliás a sinopse leva a enganos. Este é um thriller psicológico em que nada é o parece, ninguém é culpado ou inocente e a realidade e ficção estão de tal forma entrelaçadas que é impossível separá-las.
O livro está escrito sob a forma de entradas de um webjournal num forúm ou coisa parecida (badboysrocks) escritos por Blueyedboy e Albertine, duas personagens (reais? Puramente fictícias?) com um passado, algo sinistro, em comum. A história é contada sob a forma de histórias que podem ser ou não reais. Confuso? Experimentem ler o livro e vão perceber o que é realmente a confusão. Quem escreve o que? Quem é a vitima e quem é o assassino? Quem é Emily, Jenny ou mesmo B.B?

Resumindo: é bom, diferente e recomendo. Mas leiam de mente aberta, ok?




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