Ler por aí
 
08 de Janeiro de 2012


Não é lá grande ideia começar a ler um livro antes do Natal, principalmente um tão grande como este, pois o mais provável é que a leitura se arraste. Aconteceu-me com este livro. 

O Físico é talvez o livro mais conceituado deste escritor e quase todas as opiniões que já ouvi elevam-no a Obra Prima. Na realidade não acho que o seja.
Começando pelas partes menos boas...
A tradução, que talvez  não seja das melhores (li a edição da Sábado) pelo que acredito que o original seja melhor. 
A história é demasiado previsível. Estive sempre à espera de uma reviravolta qualquer, que nunca chegou, que desse um impulso novo ao tom um pouco monocórdico desta história.
Posto isto vamos à parte positiva do livro.
A história de Rob Cole mistura-se com a história da medicina do sec XI. Em Inglaterra Rob e os irmãos ficam órfãos e são separados por várias familias. Rob passa a ser o companheiro do Barbeiro que percorre Inglaterra a vender o Específico Universal (cura tudo), a fazer shows de malabarismo e tratar de todos aqueles que não podem pagar um Físico a sério. Assim cresce a aprender a ser barbeiro-cirurgião, amar a medicina e a aceitar a responsabilidade que está associada ao dom de curar e de sentir a vida e morte em cada pessoa que encontra. Rapidamente sente a frustração de não saber o suficiente e de não conseguir curar todos os que encontra no seu caminho. Quando conhece um Físico Judeu que lhe fala de uma escola para Físicos na Pérsia, Rob decide ir para lá. 
O que torna esta história interessante é a mistura de culturas e religiões. Cristianismo, Judaísmo e Islamismo misturam-se nas culturas Ocidentais e Orientais. Os ódios raciais eram, tal como hoje, limitativos, discriminatórios e injustos. O saber não estava ao alcance de todos e a decisão de quem era merecedor era feita com base na raça e religião e não na inteligência e talento.
A medicina estava mais desenvolvida do que se poderia pensar mas é engraçado ver como coisas tão banais como uma apendicite não eram conhecidas e eram absolutamente mortais.
Este livro faz parte de uma trilogia que vou, sem dúvida, tentar ler.
publicado por Patrícia às 19:16 link do post
Tenho o ali a olhar para mim na prateleira, com edição igual à tua. Ainda não lhe peguei. Estava a pensar que estes livros meio oferecidos têm sempre o senão da qualidade da tradução e revisão..(pessoalmente também acho que muitos têm uma paginação feia, com letras muito grandes, mas também não acho que seja o caso).
Fuschia a 8 de Janeiro de 2012 às 20:56
Concordo contigo, também não acho que seja uma obra-prima, mas é um livro bem escrito com uma história (histórica) interessante e que, no final me deixou uma boa impressão, embora o tenha achado muitas vezes aborrecido. :)
N. Martins a 9 de Janeiro de 2012 às 23:01
Fuchsia, é verdade que não são os mais bonitos e que às vezes (mas só às vezes) não têm uma revisão muito cuidada - acho que é mais a revisão que a tradução propriamente dita) mas a verdade é que tenho lido livros por 1€ que normalmente não compraria. Eu sou fã.


N. Martins, é verdade, houve alturas que parecia que a história não andava, que era extremamente previsível, mas no geral também me deixou boa impressão. A ponto de me deixar curiosidade para ler o segundo.

Boas leituras, meninas
Patrícia a 12 de Janeiro de 2012 às 20:35
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