Ler por aí
 
24 de Outubro de 2016

Diz que se vendem menos ebooks. A mim não me surpreende, para dizer a verdade.

Diz que é a vitória do livro físico, do amor às páginas, a vitória dos verdadeiros amantes de livros em relação aos traidores que se dizem leitores e que depois cometem o sacrilégio de usar um e-reader ou um tablet ou um computador. Diz que as pessoas se estão a cansar das merdices electrónicas, que estão cansados de passar o tempo à frente de um computador e que estão a regressar às páginas dos livros....

Bem, depois de me rir um bocado, deixem-me dizer-vos uma coisa: que grande treta! Vamos falar a sério, ok? E por pontos:

1. Como qualquer pessoa que leia regularmente vos pode dizer: a ideia dos ebooks não é substituir os livros físicos. Todos os leitores de ebooks gostam de livros físicos. Por n razões também lêem em equipamentos electrónicos mas em casa têm estantes a abarrotar de livros físicos que efectivamente leram. E que vão continuar a ler.

2. Lá porque as vendas baixaram, ninguém me convence que há menos livros electrónicos a serem lidos. Mas acredito piamente que haja menos ebooks a serem comprados. Uma coisa não é igual à outra. 

o que me leva ao ponto 3...

3. Há ebooks de borla aos pontapés.... ah o choque, o horror... sejamos sinceros uma busca simples no google dá-nos acesso a quase todos os livros em pdf, epub, mobi e afins. Se lerem em inglês, conseguem ler o resto da vida de borla. A maioria das pessoas que também lê em inglês tem gigas de livros que nunca vai ler. Se gostarem de ler em Português do Brasil também, mas tuga que é tuga acha que o único Português verdadeiro é o que se escreve por cá*.

Ah, mas os ebooks estão protegidos...

4. 30 segundos chega para tirar o DRM de um ebook. É um facto. Até uma naba informática como eu sabe disso. É por isso que já há editores e autores a venderem ebooks assumidamente sem DRM... não vale a pena e pode ser que os 

 

Se alguma vez os ebooks acabarem não é por falta de leitores... é por falta de compradores. É que nesta industria não há concertos para compensar a coisa, não há cinema  nem video clubes das Tv's. Aqui a coisa pia mais fininho e os editores acabam por, mais tarde ou mais cedo, se confrontar com uma questão:

"Será que vender os ebooks que vendo, compensa o facto de "oferecer" o meu catálogo?"

E acreditem que me custa horrores escrever isto. Porque enquanto leitora de ebook não quero que eles morram e porque tenho noção que são os leitores de ebooks que os vão "matar". E é por isso que compro cada vez mais ebooks. Em inglês (até porque são muito mais baratos) e principalmente em português. 

 

*mas depois escreve com kkkk's

publicado por Patrícia às 22:13 link do post
Sei que não é o ponto principal do teu post, mas ler em português de outros continentes é excelente, se for no original. Se forem traduções, é mesmo de trepar às paredes. Quem diz mal dos tradutores portugueses é porque ainda não teve a mesma dose de tradutores brasileiros. Não foi a Catarina que desistiu do Bradbury em "brasileiro"?

Eu ainda não consegui habituar-me a ebooks, acho que só consegui ler dois muito pequenos, sempre à olhar para o número das páginas que faltavam. Espero que não, que não morram, porque limitar a escolha é sempre negativo, mas é um negócio como outro qualquer, que pode ter sucesso ou não.

Paula
Paula a 26 de Outubro de 2016 às 11:57
Sim, a Catarina é como tu e fã apenas do Português de outros continentes nas leituras originais.
Eu também espero que os ebooks sobrevivam. (e por falar em Bradbury) Espero que o negócio dos livros sobreviva porque, sinceramente, não gostava nada de viver num mundo sem livros.
beijinhos
Patrícia a 3 de Novembro de 2016 às 16:21
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