Ler por aí
 
27 de Maio de 2016

Não passa ao lado de ninguém. E não há (que eu saiba) caso igual em Portugal. Só o nome, ou a piscadela de olho, causa excitação ou urticária. Com igual intensidade. Amor e ódio. Não há entrevista, livro ou sucesso (ou tiro no pé) que não seja polémico.

Chega a ser divertido assistir de camarote aos elogios e às críticas. E não é fácil ficar-lhe indiferente. Eu sei que não lhe sou indiferente, a ele e ao seu personagem Tomás Noronha, o meu ódio de estimação (é ele e o Jack Gil, mas isso são contas de outro rosário).

A verdade é que não interessa se a elite da literatura (e quem quer imaginar pertencer a essa elite) acha que ele escreve mal, se os seus livros são bons ou maus, se não se lhe pode chamar escritor. A verdade é que ele põe imensas pessoas a ler. E vende livros como ninguém por terras lusas.

Há gente que assume que lê cada livro assim que é lançado, que gosta e que admite não ler mais nada.

E é demasiado simplista considerar que este sucesso se deve apenas a uma excelente campanha de marketing. Tal como é demasiado arrogante atribuir o sucesso à fraca qualidade da escrita. E demasiado triste atribui-la à fraca qualidade dos leitores.

Da mesma forma que é exagerado chamar-lhe “o melhor” escritor vivo, também o é chamar-lhe “o pior” ou não o aceitar de todo como escritor.

E, se até consigo compreender que haja grupos de leitores fãs e/ou de haters, o que faz mesmo confusão é a guerra cerrada (ou camuflada) que vem de outros escritores. Podem ter toda a razão do seu lado, podem falar com conhecimento de causa mas ao desprezarem o escritor que mais vende estão a menosprezar leitores e minar a sua própria posição.

Sim, toda a gente pode e deve ter a sua opinião. Eu também tenho a minha. E podem dá-la, claro. Mas há que ter conta, peso e medida. Ou corremos o risco de uma crítica, que até podia ser construtiva, passar apenas por inveja ou embirração.  

 

publicado por Patrícia às 09:04 link do post
Para mim, o Rodrigues dos Santos é daqueles escritores que são conhecidos em vida, mas que daqui a cem anos já ninguém se lembra dele. Existem muitos assim, o Júlio Dantas ou o Abel Botelho, por exemplo, vendiam mais do que qualquer outro e hoje em dia ninguém lê as suas obras. Por outro lado, o Fernando Pessoa e o Mário de Sá-Carneiro eram quase desconhecidos.

Boas leituras
Francisco Freima a 27 de Maio de 2016 às 14:32
Concordo. Até acho que se vão esquecer dele mais cedo. Eu gostava de me esquecer, confesso ;)
Patrícia a 27 de Maio de 2016 às 22:35
Olá Patricia,
Eu gosto muito do JRS e dos seus livros, mas sem o Tomás Noronha, ou seja já li CODEX 632, este foi o 1º e gostei imenso, li A Formula de Deus e não gostei muito, A Ilha das Trevas gostei mas achei que faltava "algo", li A Filha do Capitão e aqui fiquei rendida ao estilo e mesmo à historia ADOREI, a Vida num sopro foi a "consagração", pois a historia passa-se em Penafiel (terra dos meus antepassados) e Montesinho onde já fui muito feliz, li esse livro num Sopro mesmo, O Anjo branco muito bom, O homem de Constantinopla e Um milionário em Lisboa fantásticos.
Tenho a Fúria divina autografado pelo JRS mas confesso que ainda não li, pois eu estou cansada do Tomás Noronha.
Tenho pena de não ter neste momento disponibilidade financeira para comprar os seus livros, mas uma amiga minha fã dele compra e eu depois leio.
"prontos" gosto dos livros do JRS, gosto imenso de JLP, adorei o Cemitério dos Pianos mas detestei o Livro, falta ler Galveias, quando a biblioteca municipal comprar eu vou ler de certeza.
De Saramago confesso que apenas li 1 livro e o meu irmão que é fã dele "sarna-me" a cabeça para eu, talvez nas férias.
Sou uma leitora de apetites e principalmente de autores portugueses ou de língua portuguesa, manias...
Bjs
Dulce Barbosa a 30 de Maio de 2016 às 12:15
O Anjo Branco foi o último livro do JRS que li e foi o que me fez zangar-me de vez com o escritor. Já o "A ilha das trevas" é o que recomendo sem reservas porque foi mesmo o meu preferido.
E o engraçado das leituras e das conversas sobre livros é precisamente o não concordarmos, o percebermos porque é que alguém adorou um livro que eu deteste ou detestou o meu preferido.
As criticas ao JRS e, principalmente, aos leitores dos seus livros irritam-me um bocadinho.
Mas olha que andamos mesmo às avessas. eheh
Não gostei especialmente do "cemitério de pianos" (acho que o li demasiado cedo) mas gostei bastante do "O livro" e adorei o Galveias...
Quanto ao Saramago tenho-me disciplinado para ler mais do nosso escritor mais premiado, mas nem sempre é fácil. Aconselho o "Ensaio sobre a cegueira" que é genial (vê tb o filme, está muito bom e bastante fiel pelo que me lembro)
bjs e Boas leituras
Patrícia a 30 de Maio de 2016 às 15:35
Eu só li umlivro dele e não gostei...O Noronha é horrível, a própria escrita achei fraca (especialmente os diálogos) e a informação foi metida a martelo e a ponto de me dar sono...Muita parra e pouca uva, especialmente com aqueles preços. Já do Saramago gosto muito...Quero ler tudo dele xD
Sara a 1 de Junho de 2016 às 00:43
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