Ler por aí
 
13 de Abril de 2012






"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado ésecundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não podepertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor quetem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre àprocura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são osque queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que sepretende.
 Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Seramado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Porisso escrevemos romances — porque ninguém acredita neles, excepto quem osescreve.
Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nosirremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando se dá aos dias e àspessoas. Traduz-se e deixa de ser o que é. Só na solidão permanece. […]
Tenho o meu amor, como toda a gente, mas não o usei.Tenho também a minha história, mas não a contei. O romance que escrevi,escrevi-o para quem não quer saber dos amores ou das histórias de ninguém. Nãocontei nem inventei nada. Não usei nem pessoas nem personagens. Fugi. Quismostrar que pertencia ao mundo onde o amor, como as histórias e os romances,existem só por si. Como se me dirigisse a alguém. Outra vez.
É sempre arrogante e pretensiosoescrever sobre uma coisa que se escreveu. Apenas posso falar do que foi aminhavontade: escrever sobre o amor, sem traí-lo, defini-lo ou magoá-lo; deixando-ocomo era, antes da primeira palavra que escrevi. Seria inadmissível pôr-me aquia cismar se consegui ou não fazer o que eu queria. Como seria dizer que nãosei. Sei. Sei que não consegui. Só espero não tê-lo conseguido bem."


Lembro-me do sururu que a edição deste livroprovocou. Lembro-me de ser adolescente e de querer lê-lo apenas, claro, porquetinha um titulo sugestivo que incluía a palavra “fodido”. Porque a tinha nuncative coragem de pedir à minha mãe para mo comprar. Acho que apenas conhecia oMEC das noites da má-língua e pouco mais. Não lia propriamente jornais naquelaépoca (eu a minha mania de que não gostava de política) pelo que não tinhaainda lido nada dele.
A altura passou e só me voltei a lembrar destelivro há relativamente pouco tempo. A Cati gosta imenso dele e porque tenhomais ou menos os mesmos gostos literários que ela resolvi lê-lo. Até porquegosto imenso das crónicas do Miguel Esteves Cardoso que andam por aí. E Gostode o ouvir falar. Mas tenho que confessar que não gostei deste livro (Cati,depois temos que falar!). O Amor é fodido com certeza, mas  este amor esquizofrénico é tudo o que eu nãogosto no amor. Ah, continuo a achar que o senhor escreve muito, até gostei demuitas partes do livro, mas aquela loucura toda deixou-me um sabor amargo naboca como se amar assim desse um mau nome ao amor, o transformasse em algosujo.
Não tenho dúvida há amores assim que nos levamao limite de quem somos e para além dele, não tenho duvidas de que a loucuraestá próxima do amor, mas prefiro conhecer amores, não menores  mas mais sãos, mais próximo da beleza que éser feliz. Talvez tivesse gostado do livro noutra altura da minha vida, numaaltura em que não amasse ninguém nem estivesse apaixonada, porque os livros sãoapreciados de forma diferente consoante a nosso estado de espírito. E nestemomento, confesso, o meu estado de espírito rejeitou esta história.
publicado por Patrícia às 19:42 link do post
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