Ler por aí
 
05 de Agosto de 2017

 

 

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Apesar de não ter sido o primeiro livro de Virgínia Woolf que comecei a ler, este foi o primeiro que acabei. Posso dizer que gostei muito mas que não foi uma leitura sempre fácil (o que não a desmerece em nada).

O título remete-nos imediatamente para uma dicotomia que não deixa de nos acompanhar toda a leitura. Noite e dia. Mulher e Homem. Amor e dever. Privilégio e trabalho. Família e Sociedade. Razão e Emoção.

Comecemos pelas duas personagens femininas: Katharine e Mary. Duas mulheres, diferentes e iguais. Uma, Katharine, de uma família tradicional, rica e privilegiada. Neta de um poeta famoso, é a imagem da mulher perfeita para a época: rica, bonita, excelente dona de casa, inteligente e a noiva perfeita. Mas os livros que guarda no seu quarto e que lê à noite quando está sozinha contam outra história. Mary, igualmente inteligente, vinda de uma família bem mais modesta, reclamou para si uma vida diferente: trabalha e é uma sufragista.

Os homens deste romance, William e Ralph, são o contraponto de Katharine e Mary. Ambos são pura emoção e romantismo enquanto elas são muito mais razão e força. 

Confesso que senti um empatia muito maior, ou pelo menos muito mais rápida, com Mary (que gostava que tivesse tido um maior protagonismo nestas páginas) que com Katharine e que os homens... bem, digamos, que nenhum me agradou especialmente. Para além de Mary, também gostava de ter lido mais acerca da deliciosa Mrs. Hilbery, uma mulher maravilhosamente doida. 

Foi a troca dos tradicionais e expectáveis papéis, num romance escrito por uma mulher e publicado em 1919, que me interessou de imediato. Só uma mulher muito especial, muito à frente do seu tempo, escreveria algo assim. Na verdade quem eu gostei mesmo, mesmo de conhecer ao longo destas páginas foi Virginia Woolf, tenho a certeza que vou continuar a ler os seus livros e que ainda me vou surpreender e aprender.

 

 

publicado por Patrícia às 16:28 link do post
Prendeste-me logo à primeira frase, por um motivo: também eu já sofri horrores a ler um livro da Virginia Woolf (o Orlando), embora o tenha acabado (a custo, e há dez anos). Um grande amigo meu tentou ler o "Mrs Dalloway" e não acabou também, posteriormente leu "As Ondas", adorou ao ponto de considerar um favorito, e deu-me uma cópia também :) estou a ver que os livros dela são um amar-ou-odiar... sem um certo meio termo, sabes? Este parece ser dos bons! Já agora, quais os livros que já tentaste ler? :)
Bárbara Ferreira a 6 de Agosto de 2017 às 22:05
Eu acho que é preciso algum esforço/maturidade para apreciar VW. Claramente eu não tinha da primeira vez que tentei ler o "Os anos". Mas vou dar uma nova oportunidade a esse livro rapidamente. 
Boas leituras
Pois, também há esse lado - tinha 17 anos quando li "Orlando". Boas leituras!
Acho que aos 17 poucos terão a capacidade de apreciar Virginia Woolf. Na verdade eu nem aos 27 quanto mais aos 17. 
Acho que devias dar mesmo outra oportunidade.
Patrícia a 10 de Agosto de 2017 às 14:57
Esse não li, mas li a Miss Dalloway e o Quarto de jacob e gostei muito...Uma escritora que não é fácil no começo, mas vale a pena. Também recomendo o A Room of One's Own - é um ensaio sobre igualdade e o papel das mulheres. Um dos melhores livros que li o ano passado. 
Sara a 7 de Agosto de 2017 às 01:32
Acho a igualdade e o papel das mulheres deve ser um tema fulcral nos livros dela. Gostava de ler esse ensaio, interesso-me bastante pela escritora - mais ainda do que pelos seus livros,
Obrigada, Sara.
Patrícia a 8 de Agosto de 2017 às 12:55
Adoro a autora. Um dos meus livros preferidos é dela. :)
Cláudia Oliveira a 8 de Agosto de 2017 às 10:27
Que bom. Qual é esse livro, já agora?
"Um Quarto Só para Si", um livro que me abriu as portas para o feminismo. 
Isto pode parecer pretensioso, mas VW é mesmo uma leitura complicada. E ou se gosta ou não se gosta - nada contra, percebo que não se goste, e não desvaloriza nada quem assim pensa.
Epá, mas é cá uma coisa. Só li Orlando e Mrs. Dalloway porque um gajo tem limites para o que consegue sofrer. Principalmente o último, achei obras muito sofridas, escritas a sangue e fogo.
A VW era uma pessoa muito envolvida em questões de género, nota-se que explora muito as indefinições e fluidez sexual, os papéis socialmente aceites, e por ai fora. Era também uma pessoa com grande sofrimento interior, sofria de uma depressão muito incapacitadora, e que acabou por a levar ao suicídio.
Izzie a 10 de Agosto de 2017 às 14:37
Nada pretensioso. Só há 4 hipóteses para alguém que acha que Virginia Woolf é fácil: é um génio, é pretensioso, nunca leu e está-se a armar aos cucos ou é um um bocado imaturo nas leituras e leu as palavras mas na verdade não "leu" tudo (um bocadinho como eu quando li Gonçalo M. Tavares pela primeira vez).
O que mais gostei nesta leitura foi de começar a conhecer a escritora. No fundo a boa literatura é isto: contarem-nos uma história para passarem uma mensagem indirectamente e deixarem-nos a pensar em algo completamente diferente, não é?
Patrícia a 10 de Agosto de 2017 às 15:05
Ao contrário de ti, vai-me ser muito difícil voltar a ler um livro de Virginia Woolf. Foi difícil terminar conseguir terminar a única leitura que fiz de um livro dela: Orlando :/
Não gostei, achei aborrecido e até saltei parágrafos inteiros. Bloqueei-a (espero que temporariamente) da minha lista de leituras, infelizmente
Daniela a 18 de Agosto de 2017 às 23:33
O Orlando vai ser precisamente o livro dela que vou ler, comprei-o depois de me ter sido aconselhado e passou à frente de todas as outras leituras.


Daniela, há livros e autores que não são para nós, seja pela altura em que os lemos ou simplesmente porque não. Cada vez menos isso me incomoda. Aliás, o termos gostos diferentes é algo que é muito bom para nós enquanto leitores, ouvirmos perspectivas diferentes ajuda-nos (pelo menos a mim) a parar e a ponderar. Além de que é divertido, já tive conversas hilariantes por não gostarmos de um mesmo livro.


Obrigada pela tua opinião :).
Patrícia a 19 de Agosto de 2017 às 14:46
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