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Ler por aí

Ler por aí

Jesus Cristo Bebia Cerveja de Afonso Cruz

Aviso já que este post tem “estragadores”. Querem saber se o livro vale a pena? Sim! Vão lê-lo.
Gostei de tudo neste livro, da história, da forma como está escrita, da personagem principal a Rosa, da capa e também do autor que, ao vivo e a cores, é um contador de histórias espectacular, fiquei fã e com vontade de ler todos os outros livros dele.
A maneira como é descrita o primeiro encontro dos pais da Rosa, a mãe uma arqueóloga e o pai um homem do campo alentejano é bem boa. A comparação das mãos do pai da Rosa, mãos cheias de alfaces plantadas e de açoites nos cães, com os dedos das mãos dos ex-namorados finórios da mãe que eram como os seus cabelos molhados acabados de lavar, é uma maravilha.
Todas as personagens têm a sua história. O professor Borja e o caseiro Rato que têm uma guerra aberta por causa do muro branco pintado com versos a preto. O Alípio que serve como o tonto da aldeia. O padre que gosta de apanhar açoites no rabo. A inglesa ricaça e esquisita, Miss Whittemore, que dorme numa cama feita da ossada de uma baleia. O pastor Ari que gosta da Rosa desde que são miúdos mas que temos logo ali a sensação que não vão acabar juntos.
A Rosa, uma miúda pobre do Alentejo, que guarda pedrinhas apanhadas nos bons e nos maus momentos e as chupa como rebuçados quando se quer lembrar desses momentos, a miúda que lê livros de cowboys que eram do pai e que tem de ir trabalhar para a casa de uns senhores ricos para sustentar a avó já velha e doente. A avó Antónia que quer, antes demorrer, ir visitar Jerusalém. Rosa como não tem dinheiro para a viagem resolve trazer Jerusalém ao Alentejo com a ajuda de todos da aldeia incluído a meretriz do bordel, em forma de avião, lá do sítio.
A casa de Miss Wittemore é decorada para ser o centro de “Jerusalém” e é aqui que tudo acontece. Há uma reconstrução da última ceia e ficamos a saber que Jesus Cristo bebia cerveja que é o pão líquido. O professor parece que vai pintar o muro e deixa Alípio no seu lugar, o pastorAri vai matar o professor que anda a dormir com a Rosa mas encontra o Alípio, e afinal o professor vai escrever no quarto da inglesa e a Rosa que está grávida mata os dois, a inglesa e o professor e diz a todos que foi o professor que matou a inglesa e depois se suicidou. Estava calmamente a ler uma história sobre uma miúda do Alentejo ...

 

O único senão que encontrei foi o fim da Rosa. Não que ache mal ela ter terminado como prostituta em Lisboa, morta aos 40 anos de uma doença venérea, sozinha, porque a vida é mesmo assim uma treta e depois morre-se. Ao menos podia ter sido a prostituta mais conhecida de Lisboa com o seu próprio bordel em forma de Saloon só para ligar com os livros das histórias de cowboys que lia quando era cachopa.

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