Ler por aí
 
25 de Julho de 2014

 

 
 

Rosa, alentejana tem uma avó velhinha, com mais juízo que mobilidade. Rosa tem um namorado pastor e uma série de apaixonados (ou viciados nalgumas partes da sua anatomia, pelo menos). Rosa quer concretizar o sonho da sua avó e levá-la a Jerusalém mas não tem dinheiro para isso. O professor Borja, fascinado pela Rosa e por muito querer também a quer ajudar, tem uma série de ideias que implicam levar Jerusalém até à avó de Rosa, já que o contrário parece impossível.

 
Num tom divertido (a quem mais lembraria transformar o “O avião” – quem já não se lembra de semelhante bar de strip? – num avião a sério ou,vá, mais ou menos a sério? Juro-vos, dei uma gargalhada nesta parte) a história de Rosa vai correndo, contada ao sabor das pedras, que tal como num rosário, marcam a vida desta moça. Página atrás de página, conhecemos um rol de personagens interessantes, as suas motivações, as suas pancadas (e há tantas, por aqui), as suas esperanças. E não podemos deixar de pensar que tanto ficou por dizer, que tanto ficou por pensar, que, se às vezes os fins justificam os meios, noutras alturas as coisas não são bem assim. Não podemos deixar de questionar os sentimentos, de esmiuçar o amor, a amizade.
 
É sempre bom ler Afonso Cruz. Difícil é escrever sobre um livro quando temos sentimentos contraditórios. Tal como no “Guarda-chuvas” há uma nota de desesperança neste livro. O certo é que não estraga, de todo, o livro, na verdade até o torna humano, real. Por isso, se não conhecem o autor, shame on you, vão lá a uma livraria à procura dos seus livros e depois venham cá contar-me o que acharam.
publicado por Patrícia às 13:54 link do post
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