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Ler por aí

Ler por aí

Gaspar, Belchior e Baltasar, de Michel Tournier

E pronto, agora sim, posso dizer que a época de Natal de 2012 acabou. Um grande amigo ofereceu-me este livro no ano passado mas, por ser tão temático, ficou pacientemente à espera da época certa para ser lido. 
Não é um livro fácil de ler. Fui várias vezes ao dicionário. Aprendi palavras novas e em muitas alturas deliciei-me com a linguagem.
A história é, simultaneamente, conhecida e estranha. Não há quem não conheça esta história, estes três Reis Magos, vindos do Oriente, para adorar o menino e oferecer-lhe ouro, incenso e mirra.
Sabíamos o quem, e o quê, faltávamos o porquê e o como.
Na história que conhecemos estes Reis não são mais que instrumentos que para provar a lenda, as escrituras. Neste livro cada um destes reis é humanizado e deixa de ser um instrumento para passar a protagonista.
Gaspar, o rei Negro, que abandona o seu país após um desgosto amoroso. Uma razão um tanto prosaica  demais para empreender numa viagem tão cheia de perigos como esta? Talvez, mas mais que uma fuga foi o seu coração nómada que o levou em busca de si próprio. Algures no tempo encontra Baltasar, o mais velho, amante das artes e da beleza. E Belchior, um príncipe que devia ser rei mas que na realidade era um fugitivo. Que buscava sabedoria e lealdade.
Estes três personagens encontram-se com Herodes num dos capítulos mais interessantes deste livro. O mais verídico, sem dúvida. Afinal a história é rica nas menções a Herodes, louco, ignóbil, sanguinário.
Mas é Taor, o quarto rei, aquele que está destinado a chegar sempre atrasado, que é o personagem mais interessante neste livro.
4º Rei? Pois, eu também não sabia. Mas a história que Michel Tournier imaginou para ele encantou-me. E acho que no próximo ano vou pôr um 4º Rei Mago no meu presépio. Com umas pedrinhas de sal, a lembrar-me de que o doce e o salgado são duas faces da mesma moeda e que o Amor desinteressado é a verdadeira mensagem do Natal.
Não é um livro sobre religião, nem enaltece as "virtudes cristãs" mas não deixa de ter um certo misticismo. Pessoalmente gostei bastante. 

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