Ler por aí
 
20 de Dezembro de 2011

Li com prazer a crónica do Pedro Mexia na revista LER deste mês sobre as máquinas de escrever. Um pouco de nostalgia (também tive uma, aliás ainda tenho lá por casa, tenho que ver se ainda arranjo um fita para ela) que me levou a pensar sobre a dificuldade de escrever um livro.
Antes da era dos computadores pessoais que permitem que se escreva (e apague, a parte do apagar é importante) em todo o sitio, que se reformule numa assentada o que demorou imenso tempo a escrever, o simples ato de passar para o papel as ideias não era assim tão simples. Refazer um capítulo devia ser um pesadelo. Repassar uma folha porque se escreveu duas vezes a mesma frase ou porque afinal aquele adjetivo não é o correto implicava interromper um raciocínio que nem sempre é fácil recomeçar. Nunca escrevi um livro, mas imagino que se ande para trás e para a frente imensas vezes.
Antes da era dos corretores ortográficos e dicionários online quem escrevia um livro, palavra a palavra, tinha que saber – mesmo - escrever, tinha que conhecer a ortografia, a sintaxe, a morfologia das palavras…
Para além do talento, indispensável, era preciso técnica, uma enorme perseverança e força de vontade . Acredito que estas dificuldades eram um ótimo filtro para que os verdadeiros talentos emergissem e que a “necessidade de escrever” fosse a verdadeira razão para que um livro fosse escrito
Atualmente a facilidade é tanta, com os computadores, os corretores ortográfico e as sugestões de sinónimos que por vezes se dispensa até o talento…
publicado por Patrícia às 13:55 link do post
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