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Ler por aí

Ler por aí

Diferente é bom

Ler é um prazer e como se pode ver na rubrica “paixões antigas” tenhotendência a ser fiel a alguns escritores. É tão fácil ler algo que já sabemosque encaixa exatamente na expectativa que criámos. Por isso é que as sagas sãotão populares. Acabar um livros e ter, ali à mão, outro que mais não é que acontinuação daquele é, de facto, maravilhoso. Afinal quem nunca desejou queaquele livro, de que está a gostar tanto, nunca chegasse ao fim?
Há muito tempo que prefiro ler histórias que começam e acabam num único volume e fujo de sagas como o diabo foge da cruz.
E quando começo a ler sagas tento ter algumas regras: a saga tem queestar completamente escrita (exceção feita para as crónicas de gelo e fogo, masna verdade fui enganada), tenho que ter todos os volumes, não pode haver umnúmero exagerado de volumes (as trilogias são o meu limite, para dizer averdade). Embirro solenemente com sequelas de sagas (aquele regresso aSevenwaters nunca me convenceu) e geralmente é nessa altura que desisto de ler.
Mas gostos são algo que não se discute e compreendo perfeitamente aloucura das sagas (para terem uma verdadeira dimensão deste fenómeno podem irassistir a este Só Ler Não Basta) .
Para mim o verdadeiro “perigo” das sagas é que a teia que constroem setorna difícil de destruir.
Estive a ver o vídeo da Chris do canal Diário da Chris e uma das frasesque me chamou a atenção foi ela dizer que só compra livros que já sabe que vaigostar. Não conheço a Chris, nem conheço os seus hábitos de leitura pelo queacaba aqui a referência (mas aproveito para divulgar o canal desta menina) egaranto que não estou a fazer nenhum julgamento da sua forma de ler. Alémdisso, basta estar um bocadinho atento à blogosfera para nos apercebermos quecada vez mais há quem leia apenas um tipo de livros (e isto é verdade tambémpara quem lê apenas   literatura densa e supostamente “melhor”.Fazia tão bem a algumas pessoas ler um livrito qualquer daqueles que não nosensinam nada mas que nos fazem esquecer do mundo lá fora)

Compreendo tão bem esta frase e é tão bom comprar e ler apenas livrosbons. Mas a verdade é que o que eu oiço nesta frase é “estou tão confortávelnesta zona de leitura”, “encontrei o meu espaço na literatura”  e fico um bocadinho triste.  Porque a grande beleza da literatura édescobri-la. É ler um livro novo e ficar maravilhado. É conhecer novos autores.É descobrir que aquele autor de que tanto gostamos afinal não escreve assim tãobem – e que não faz mal nenhum porque continuamos a gostar dos seus livros eque iremos sempre lê-los, seja como Guilty pleasure, seja como Confort Reading.É obrigar a nossa melhor amiga, que nem sequer gosta muito de ler, a ler aquelelivro apenas porque gostámos tanto, tanto que temos que o partilhar.
Se às vezes corre mal? Ai corre e de quem maneira. Mas isso tambémacontece com os livros e com os escritores que tão bem conhecemos (não preciso devos falar do final da saga sangue fresco, pois não? Eu nunca li nada daescritora mas o sururu pela internet foi giro de se acompanhar). E garanto-vosque as vitórias compensam as derrotas.



Portanto, a quem teve a paciência de ler até aqui, lanço o desafio: apróxima vez que comprarem um livro comprem algo completamente diferente.Escolham um autor que ninguém lê, se for bom vão poder aconselhá-lo a toda agente e ainda dizer que foram vocês que o descobriram. Escolham um livro queseja o preferido daquela pessoa que tem um gosto completamente diferente dovosso: pode ser que descubram que afinal a vossa zona de leitura é um bocadinhomaior do que imaginaram. Arrisquem. 

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