Ler por aí
 
08 de Fevereiro de 2014

Ler é um prazer e como se pode ver na rubrica “paixões antigas” tenhotendência a ser fiel a alguns escritores. É tão fácil ler algo que já sabemosque encaixa exatamente na expectativa que criámos. Por isso é que as sagas sãotão populares. Acabar um livros e ter, ali à mão, outro que mais não é que acontinuação daquele é, de facto, maravilhoso. Afinal quem nunca desejou queaquele livro, de que está a gostar tanto, nunca chegasse ao fim?
Há muito tempo que prefiro ler histórias que começam e acabam num único volume e fujo de sagas como o diabo foge da cruz.
E quando começo a ler sagas tento ter algumas regras: a saga tem queestar completamente escrita (exceção feita para as crónicas de gelo e fogo, masna verdade fui enganada), tenho que ter todos os volumes, não pode haver umnúmero exagerado de volumes (as trilogias são o meu limite, para dizer averdade). Embirro solenemente com sequelas de sagas (aquele regresso aSevenwaters nunca me convenceu) e geralmente é nessa altura que desisto de ler.
Mas gostos são algo que não se discute e compreendo perfeitamente aloucura das sagas (para terem uma verdadeira dimensão deste fenómeno podem irassistir a este Só Ler Não Basta) .
Para mim o verdadeiro “perigo” das sagas é que a teia que constroem setorna difícil de destruir.
Estive a ver o vídeo da Chris do canal Diário da Chris e uma das frasesque me chamou a atenção foi ela dizer que só compra livros que já sabe que vaigostar. Não conheço a Chris, nem conheço os seus hábitos de leitura pelo queacaba aqui a referência (mas aproveito para divulgar o canal desta menina) egaranto que não estou a fazer nenhum julgamento da sua forma de ler. Alémdisso, basta estar um bocadinho atento à blogosfera para nos apercebermos quecada vez mais há quem leia apenas um tipo de livros (e isto é verdade tambémpara quem lê apenas   literatura densa e supostamente “melhor”.Fazia tão bem a algumas pessoas ler um livrito qualquer daqueles que não nosensinam nada mas que nos fazem esquecer do mundo lá fora)

Compreendo tão bem esta frase e é tão bom comprar e ler apenas livrosbons. Mas a verdade é que o que eu oiço nesta frase é “estou tão confortávelnesta zona de leitura”, “encontrei o meu espaço na literatura”  e fico um bocadinho triste.  Porque a grande beleza da literatura édescobri-la. É ler um livro novo e ficar maravilhado. É conhecer novos autores.É descobrir que aquele autor de que tanto gostamos afinal não escreve assim tãobem – e que não faz mal nenhum porque continuamos a gostar dos seus livros eque iremos sempre lê-los, seja como Guilty pleasure, seja como Confort Reading.É obrigar a nossa melhor amiga, que nem sequer gosta muito de ler, a ler aquelelivro apenas porque gostámos tanto, tanto que temos que o partilhar.
Se às vezes corre mal? Ai corre e de quem maneira. Mas isso tambémacontece com os livros e com os escritores que tão bem conhecemos (não preciso devos falar do final da saga sangue fresco, pois não? Eu nunca li nada daescritora mas o sururu pela internet foi giro de se acompanhar). E garanto-vosque as vitórias compensam as derrotas.



Portanto, a quem teve a paciência de ler até aqui, lanço o desafio: apróxima vez que comprarem um livro comprem algo completamente diferente.Escolham um autor que ninguém lê, se for bom vão poder aconselhá-lo a toda agente e ainda dizer que foram vocês que o descobriram. Escolham um livro queseja o preferido daquela pessoa que tem um gosto completamente diferente dovosso: pode ser que descubram que afinal a vossa zona de leitura é um bocadinhomaior do que imaginaram. Arrisquem. 
publicado por Patrícia às 19:35 link do post
Também só compro livros que sei que vou gostar...Quer dizer, não posso ter 100% certeza, e ás vezes é um barrete mas tendo a escolher livros cuja a probabilidade de agradar é grande ou porque lá está conheço o autor ou porque algo na sinopse me chamou a atenção...Não é uma questão de preguiça. Particularmente no meu caso é uma questão de orçamento: não vou despender dinheiro num livro que depois vai acabar na estante meio lido. Mesmo assim dentro do género que gosto (romance, romance histórico) há tantos autores diferentes que eu acabo por fazer bastantes descobertas ao longo do ano...Em relação a sagas concordo totalmente. Também fujo um bocado delas.

Cumps
Sara a 8 de Fevereiro de 2014 às 20:10
Amiga Pat estou contigo! Pelo menos na parte de ler autores e géneros diferentes (olha o meu último post!) quanto às sagas, bem sabes a minha cena com os Ossos : )
CG a 9 de Fevereiro de 2014 às 00:28
Também gosto muito de romance histórico.
Uma das minhas autoras preferidas é a Philippa Gregory. Os romances dela não são propriamente sagas, mas dá jeito conhecer o anterior para se perceber a sequência dos acontecimentos históricos.
Quais são os teus autores favoritos?
UmaMaria a 9 de Fevereiro de 2014 às 11:19
Autores de históricos? Isabel stilwell, Hilary Mantel, Julia Navarro...Philippa Gregory nunca li, mas creio ter um dela em lista de espera.
Sara a 9 de Fevereiro de 2014 às 15:00
UmaMaria, posso acrescentar Colleen McCullough e a saga o "primeiro Homem de Roma"? Um dos meus romances históricos favoritos. Adoro.
Patrícia a 10 de Fevereiro de 2014 às 16:37
Sara, compreendo claro. Mas tenho a certeza que tens amigos que te podem emprestar livros diferentes (se não tiveres e quiseres diz-me que se arranja qualquer coisa :) ). Ou uma biblioteca perto que certamente terá livros de muitos estilos.
Cada vez mais temos que arranjar formas de ler de forma baratinha, não é? A mim acontece o mesmo e este ano decidi não gastar dinheiro em livros (so far so good).
Ou seja, mesmo que só compres os livros de que gostas não é por isso que tens que ler apenas isso, certo?
Boas leituras
Patrícia a 10 de Fevereiro de 2014 às 16:53
ai, tu e os Ossos.... Catizinha, ninguém lê estilos diferentes como tu (e como pode ser comprovado através dos maravilhosos posts que publicas)
Patrícia a 10 de Fevereiro de 2014 às 16:56
A Colleen já a conheço há muito tempo. Grande saga essa d' "O Primeiro Homem de Roma". Adorei!
UmaMaria a 10 de Fevereiro de 2014 às 19:49
Sim, a minha regra de jogar sempre pelo seguro não se aplica aos livros emprestados (tenho umas duas pessoas com quem troco regularmente livros...), aceito qualquer coisa :) E aqueles livrinhos a 1 ou 2 euros, muitas vezes nem leio a sinopse...Infelizmente estou longe dessa meta de não comprar nenhum durante o ano :\ Mas naquilo que compro jogo quase sempre pelo seguro, não consigo evitar.

Cumps!
Sara a 10 de Fevereiro de 2014 às 21:51
E é engraçado como digo que não sou fã de saga mas sugiro uma saga (lá se vai a coerência, LOL ). A verdade é que era caríssima e se não me tivessem oferecido o primeiro eu nunca a tinha lido (e tinha ficado a perder).
Patrícia a 11 de Fevereiro de 2014 às 13:06
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